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“The Castro”, o bairro LGBT de San Francisco

09/02/2016

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Sheila Roman Ward – São Francisco, Califórnia

O bairro Castro nasceu dentro de um outro bairro, o Eureka Valley, lá pelo final dos anos 1880. Na época, ali só havia umas poucas residências e vários pequenos negócios. Nas casas, de arquitetura vitoriana, além de americanos e mexicanos, moravam irlandeses, alemães, suecos e finlandeses que trabalhavam no comércio, no setor público e nas docas, e o pequeno lugar tinha tudo de que precisava: mercadinhos, padaria, açougue, etc. Com o tempo, o número de casas aumentou e espremeu o bairro, mas suas características permaneceram. Até a chegada a Segunda Guerra Mundial… Os anos pós-guerra viram o declínio do bairro. Os preços altíssimos dos financiamentos fizeram com que muitos trocassem Eureka Valley pelo subúrbio de São Francisco. A popularização dos automóveis serviu de incentivo.

BLOG Castro via peek dot com

Foto via peek.com

Durante a Segunda Guerra Mundial, milhares de soldados americanos de todas as partes do país foram expulsos das suas divisões devido à sua orientação sexual. São Francisco, já conhecida por ser bastante tolerante, acolheu um grande número desses soldados, e eles foram parar em diversos pontos da cidade. Eureka Valley passou a se firmar como uma comunidade gay durante o Summer of Love do bairro vizinho, Haight-Ashbury, em 1967. Nos anos que se seguiram, médicos, engenheiros e advogados, grande parte deles gays com muito dinheiro, começaram a se mudar para Eureka Valley, atraídos principalmente pela bela arquitetura local. Castro Street, a principal rua do pequeno distrito, acabou por dar seu nome ao bairro.

Hoje, São Francisco (incluindo Oakland e Hayward) tem o maior número de pessoas que se identificam como gays, lésbicas, bissexuais e transexuais do país. Segundo a Sistema de Pesquisa Gallup, isso se traduz em 6,2% da população da cidade. A bandeira símbolo do movimento LGBT foi desenhada por Gilbert Baker, artista de São Francisco, em 1978, e sofreu algumas modificações desde então.

BLOG Castro street

Uma das ruas do bairro Castro, com as cores da bandeira LGBT. Foto via en.wikipedia.org

O bairro foi e continua sendo palco de marchas, protestos, movimentos políticos e eventos históricos. E de pessoas nuas. Pois é. Até fevereiro de 2013, usar roupas na cidade era opcional. A única exigência era que, por questões de higiene, se cobrisse o assento com papel ou pano antes de se sentar. A nova lei cortou um pouco o barato dos peladões e peladonas espalhados por São Francisco. No entanto, basta um passeio por Castro para a gente se deparar com alguém assim, bem à vontade. Se não quiser passar pela experiência, não visite o bairro ou, então, torça para que esteja fazendo muito frio no dia.  :-)

BLOG THE Castro 2

Foto: arquivo pessoal Sheila Ward

Castro é, sem dúvida, um dos bairros mais agitados da cidade de San Francisco. Há inúmeros bares, cafés, restaurantes, clubes e lojas, além do icônico cinema (o Castro Theater, construído em 1922). Diversão não falta. Uma precaução, porém: olhinhos infantis podem se chocar com algumas vitrines. Se for passear por lá, é melhor não levar os pequenos.

Para saber mais, você pode fazer um walking tour que passa pelos lugares mais interessantes enquanto conta a história do bairro. É só visitar o site:

http://www.cruisinthecastro.com

E por falar em movimentos políticos… Foi para o bairro Castro que se mudou Harvey Milk , a primeira pessoa assumidamente gay  eleita para um cargo de governo nos EUA. A história é contada no filme Milk: A Voz da Igualdade, de 2008. Aqui vai o trailer:

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* Sheila Ward se formou em tradução. Já morou na Inglaterra, Portugal, Itália e EUA e adora escrever sobre o que vê em suas andanças por aí. Mais fotos da Sheila e outros autores no nosso InstagramCurtam a fanpage do BZ no Facebook clicando aqui. Twitter ? Clique aqui!

Ano Novo chinês e a difícil missão de desencalhar

08/02/2016

BZ_ChinaEdvan Fleury – China 

Oi leitores do BZ ! Estou feliz, tão feliz –  e advinha o porquê? Porque vou finalmente comemorar o Ano Novo! (Não, você não leu errado, até porque ninguém tem a obrigação de saber que alguns países na Ásia o Ano Novo é comemorado de acordo com o calendário lunar). Então, aqui na China o Ano Novo é celebrado em uma data diferente todo ano porque vária conforme o movimento da rotação da lua sobre a Terra (acho que é bem assim). Não vou entrar nesses pormenores pois este não é o objetivo desse texto. Aí você pode até me perguntar: “Mas Edvan, você não vai falar de Ano Novo na China?”  Vou não. Porque eu não comemoro o ano novo chinês, pois não faz sentido para mim. Então porque cargas d`água estou comemorando? Porque simplesmente terei 7 dias de folga e poderei viajar para a Rússia! Como é difícil falar de alguma coisa que você não vivencia na pele, eu decidir falar do Ano Novo sobre uma perspectiva diferente, um problema que eu vivencio através dos meus amigos chineses, que é: ser solteiro no Ano Novo.

BLO CHINA

Lanterna vermelhas, preparando o clima para o Ano Novo chinês.  O vermelho simboliza para os chineses: prosperidade, fortuna e boa-sorte. Foto via: blog.amari.com

Os chineses possuem seus valores muito centrados na família. Parece uma coisa meio batida, mas desde pequenos eles são educados para estudar, ir para uma boa faculdade, ter um bom emprego e… CASAR!!!!! Essa parte de arranjar a alma gêmea soa um tanto quanto obvia, né? Mas, pense você viver em um país no qual há mais homens do que mulheres, as estatísticas dizem que há 30 milhões de homens a mais que mulheres. Agora imagina que nem todos esses homens gostam de mulheres e que nem todas as mulheres gostam de homens. Agora, vamos destrinchar os dois casos: Homens que gostam de mulheres e, segundo caso,  homens que gostam de homens.

O ano novo chinês para quem é hétero e solteiro:

Para os chineses, o Ano Novo é a data mais importante do calendário. É o momento em que muitos jovens retornam a sua cidade natal, e quanto mais velho o chinês vai ficando maior a pressão para que ele/ela tenha um namorado e um bom emprego. Um namorado porque os país esperam ter um neto no futuro para dar continuidade a família e um bom emprego porque é nessa época do ano em que os filhos dão uma mesada para os pais.

Mês passado, um rapaz que trabalha no mesmo departamento que eu estava muito triste com a proximidade do Ano Novo chinês. Eu, solidário, perguntei o porquê de tanta tristeza. Então, ele prontamente me disse que levava uma vida muito solitária e que a família estava colocando muita pressão para que tivesse uma namorada. Ele já mora em Beijing há 4 anos e nunca arranjou uma namorada. Parece impossível isso, mas ele não foi o único a me falar tal assunto. Na academia onde eu frequento um outro amigo também me disse a mesma coisa. Lembra de um dos valores que eu mencionei acima: “ter um bom emprego” ? Em uma escala de prioridade, um chinês sempre vai colocar a carreira e o dinheiro no topo, deixando o amor como a última coisa na lista de preocupações. Quem mora em uma cidade grande como Beijing, por exemplo, tem uma mentalidade muito focada em ganhar dinheiro. As pessoas estão sempre ocupadas com o trabalho ou com os estudos e nada mais. As pessoas aqui levam uma vida corrida e as relações sociais são bem secas, pois ninguém está aqui para sempre. Beijing é apenas um aeroporto no qual as pessoas chegam, passam um tempo e vão embora.

No Brasil, é muito comum se quisermos conhecer alguém ir a uma balada ou bar para tentar a sorte e conhecer alguém interessante. Na China a história não é bem assim (é claro que isso não é a verdade absoluta). E para entender essa questão é necessário saber um pouco sobre a cultura chinesa e como pensa um chinês. Para isso é claro que eu fui ouvir meus conhecidos chineses que me explicaram o que vou narrar abaixo.

  • Chinesas são educadas para não beberem álcool

Antes de falar sobre isso deixo claro que há exceções. Mas, no geral as mulheres são ensinadas desde pequenas que beber é imoral para uma moça. Isso é uma regra que se aplica muito à população rural e não muito às mulheres que são criadas em uma cidade grande. É muito comum em uma roda de amigos os homens sempre beberem cerveja ou Baijiu (白酒, báijiǔ), a versão chinesa da cachaça, e a mulherada insistir em tomar um suco ou chá.

BLOG CHINESES

Foto via: dating.lovetoknow.com

  • Então vá a um clube ou bar para tentar conhecer alguém?

Lembra do meu colega de trabalho? Ele é de uma cidade chamada ZhengZhou que possui quase 10 milhões de pessoas (isso não é uma cidade grande para os padrões chineses). Ela é a capital de uma província e de acordo com ele quase não há clubes na cidade e tão pouco muitos bares. Procurando no Google eu encontrei vários bares lá, mas ele sempre esteve tão ocupado estudando que nunca se interessou em ir um bar na própria cidade. Já o meu outro conhecido da academia me disse que ir a um bar, principalmente para uma pessoa que vem do interior, é considerado como algo ruim, pois você não vai encontrar o amor da sua vida lá (o que sinceramente, vivendo quase 4 anos aqui, também concordo). Eu não acho que bar ou clube na China seja a badalação, até porque chinês em uma boate é um ser muito parado (se comparados com nosso estilo latino de ser). Para você ter uma noção, muitos bares e boates servem chá misturado com alguma bebida alcoólica e a diversão é alugar uma mesa, reunir os amigos para jogar dado!!!! Isso mesmo, dado. Imagine você se enfeitar todo para passar a noite jogando dados e fofocando sobre coisas mundanas do dia-a-dia?

  • Então no auge do desespero é só o chinês dar em cima da chinesa.

Não! Isso não rola. Um chinês que é chinês jamais vai agir como nós brasileiros e botar para cima da chinesa. Um estrangeiro pode fazer isso e muitas chinesas vão amar!! Mas um chinês não pode. Para uma chinesa, isso soa desrespeitoso e provavelmente ela vai ignorar o pobre coitado.

Então, como um chinês conhece uma chinesa?

Na maioria das vezes o relacionamento começa na universidade. Eles estudam juntos por um tempo e ai com o passar dos dias a relação vai se construindo. Ou então, eles se conhecem através de amigos de amigos ou porque trabalham juntos. No caso do rapaz que trabalha comigo, a família dele arranjou uma moça para ele namorar. Isso mesmo. Ele meio que será obrigado a namorar essa moça por pressão da família. Recentemente, eu descobri que minha chefa chinesa passou pela mesma situação e, hoje, morre de amores pelo marido dela (segundo ela, claro). Já o rapaz da academia arranjou uma solução mais, digamos, diferente. Ele vai alugar uma namorada. Sim, isso existe. Eu nunca acreditei que isso era possível até conhecer este rapaz. Um rapaz até que bonito, contratou uma estranha para passar 5 dias com ele na casa da família dele. E aí entra o outro tópico.

O ano novo para quem é gay/lésbica:

Fiz minha pesquisa estilo Ibope (hahahah), super fundamentada para ilustrar este post. Fui para casa e pensei: por que um homem todo saradão, boa pinta, ganhando bem iria ter dificuldades para encontrar uma namorada? Voltei à academia uns dois dias depois e como quem não quer nada, cheguei nele de novo. E perguntei: “O que você ouve para malhar?” Ele meio que não respondeu. Aí eu fui a a fundo. E reformulei a pergunta: “Lady Gaga ou Metallica?” Ele sem pensar muito disse: “Britney!”. Aí voltamos a conversar de novo e ele revelou a verdade porque de contratar uma desconhecida para ser a namorada dele.

BLOG Gay chineses

Gays na China: cena raríssima no espaço público. Foto via arrasabi.com.br

Infelizmente, a sexualidade na China é um tabu. O lema do governo é: não aprovo, não desaprovo, mas não promovo. Para muita gente, não existem gays e lésbicas na China. Um amigo brasileiro certa vez me disse que durante a aula de mandarim na universidade a professora foi categórica e disse que isso não existe na China (até parece, né). Definir gay na Ásia é muito difícil, sobre isso você pode assistir o vídeo abaixo para entender como é essa loucura.

Como a sociedade chinesa ainda tem muitos valores antigos para os nossos tempos atuais! Uma família chinesa não aceita gays como membros de sua família. São poucos os chineses que saem do armário. Como esse assunto dá muita lenha na fogueira e é muito complexo, vou tentar resumir o que alguns chineses gays e lésbicas fazem no Ano Novo.

Há agências em que é possível alugar uma namorada ou namorado para apresentar aos pais durante o ano novo. Como os filhos acabam indo morar bem longe dos país essa farsa se mantem por anos. Aí quando eles adquirem uma certa idade é preciso casar. Alguns casam com lésbicas só para manter a aparência ou casa com uma mulher e mantém um boy como amante, sem a esposa saber (e isso dura por anos!!!). Caso, o chinês não tenha dinheiro para alugar um(a) namorado(a), eles acabam apresentando uma amiga lésbica para manter a aparência. E assim, todo mundo sai ganhando na história.

Enfim, o Ano Novo chinês é uma época muito legal onde as famílias se reúnem para celebrar, comer as comidas tradicionais, voltar a cidade natal, viajar e relaxar.

BLOG ANO DO MACACO

Notas: 

2016 é o “Ano do Macaco” segundo o horóscopo chinês. Esse ano o Ano Novo é celebrado dia 07 de fevereiro. Leia na nossa fanpage do Facebook uma descrição detalhada sobre as energias que irão determinar esse período, tão criativo.

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Edvan Fleury nasceu em Manaus, é jornalista, e atualmente está Perdido na China. Para saber mais sobre ele acesse a mini-bio clicando aqui. Sigam nossa página no Facebook clicando aqui e no Instagram clicando aqui.  

Carnaval de fantasias e gostosuras

05/02/2016

bz_italiaCarla Guanais – Roma, Itália

Não sou muito fã de carnaval. Mas gosto sim, e muito, de conhecer diferentes tradições, e não é diferente em relação a essa festa.

No Brasil tive a oportunidade de conhecer o de Olinda e de Recife e, sou curiosa pra ver a muvuca em Salvador, mas confesso que não é uma coisa que aguentaria todos os dias, muito menos todos os anos.

Na Itália, foi somente em 2012 que tive a oportunidade de ir ao Carnaval de Ivrea, o da guerra das laranjas. Que, na minha opinião, é o mais diferente de tudo o que possa se imaginar sobre carnaval. Escrevi sobre a experiência no meu blog (leia em Ivrea e lo storico carnevale).

O carnaval na Itália, seja guerra de laranja, máscaras ou carros alegóricos, é fantasia! Voltar no tempo, ser outra pessoa, curtir em família, com as crianças… Sim, o carnaval é muito mais focado nas crianças. Nos supermercados e lojas tem tudo de carnaval para i piccoli , fantasias, confetes, spray de espuma ou borracha, maquiagens para pintar o rosto, acessórios e muito mais. Tem também para adultos claro, mas o foco é mesmo nas crianças.

I bambini (foto: www.mlmagazine.it)

I bambini (foto: mlmagazine.it)

Algumas cidadezinhas são tão radicais quanto a querer prevalecer a ordem e paz pública que proíbem que adultos se fantasiem e brinquem o carnaval pelas ruas, como é o caso da cidade de Polla, em Salerno, sul da Itália, que limitou a fantasia e máscaras apenas para crianças e adolescentes até 14 anos no máximo. Não acredita? Leia a notícia aqui. 

Outra coisa, não é feriado no carnaval. Tudo funciona normalmente. E esse ano tem ainda uma particularidade, a data cai muito próxima do dia dos namorados (San Valentino), então muitos bailes de carnaval terão o tema “namorados”, podendo então envolver muito mais os adultos na festança.

A terça feira de carnaval, apesar de não ser feriado, é chamada de martedì grasso (terça gorda), pois é o último dia antes da quaresma para comer alimentos pesados e gordurosos, ou seja, tudo aquilo que não se deveria comer durante a quaresma (laticínios, carnes e ovos). Apesar das tradições, as gerações atuais não respeitam mais o sacrifício da quaresma, (imagino o quanto seria difícil com todas essas gostosuras italianas, não? rs).

Em Milão particularmente, se comemora o sabato grasso, chamado também de carnevale ambrosiano, quatro dias depois da terça gorda, pois segue o calendário ambrosiano (a quaresma começa no domingo seguinte).

Aqui em Roma onde moro atualmente, o carnaval é comemorado em várias ruas e praças famosas com espetáculos de teatro e circo. Artistas de rua, seja com teatro ou música. Para ver toda a programação de Roma clique aqui.

Outra curiosidade do carnaval italiano que, falando em Itália é sempre presente, a culinária! Sim! Existem doces típicos do carnaval. Todas as docerias preparam esses doces somente nesta época do ano. E são uma delícia! Os mais famosos são le chiacchiere e le castagnole. 

Receitas pra quem quiser se arriscar a fazer:

Le chiacchiere

São tiras de massa crocante e delicada típicas do período de Carnaval e são chamadas por nomes diferentes, dependendo da região de origem: chiacchiere e lattughe (rumores e alfaces) na Lombardia, cenci e donzelle  na Toscana, frappe e sfrappole em Emilia e Lácio, cròstoli em Trentino, galani e gale em Veneto, bugie (mentiras) em Piemonte, bem como rosoni, lasagne, pampuglie, etc. São doces muito quebradiços, obtidos sutilmente puxando uma massa simples,  frita e polvilhada com açúcar em pó para o toque final. A sua forma rectangular, com dois cortes centrais, faz com que le chiacchiere sejam inconfundíveis e, desde tempos imemoriais,  são cobiçadas por jovens e adultos.

Ingredientes: 50 g de manteiga; 70 g de açúcar; 3 ovos inteiros mais uma gema; 30 mL de grappa (pode ser pinga); 500 g de farinha de trigo; 6 g de fermento químico; 1 pitada de sal; essência de baunilha. Para fritar: óleo de sementes de amendoim. Para decorar, açúcar de confeiteiro.

Le chiacchiere

Le chiacchiere

Preparo: Bater os ovos,  acrescentar a farinha com o fermento, o açúcar e a grappa. Colocar algumas gotas de essência de baunilha (ou similar) e acrescentar a manteiga. Por 10 minutos amassar bem, se precisar  para dar um ponto maleável à massa, acrescentar um pouquinho de água. Depois, envolver em plástico filme e deixar repousar por 30 minutos. Abrir a massa, cortar em retângulos fazendo dois cortes centrais (separados um do outro) e fritar em óleo quente. Polvilhar o açúcar e pronto! Quer ver a receita em italiano com vídeo? Clique aqui.

Le castagnole

Castagnole, Zeppole, Tortelli Milanesi, são alguns dos nomes pelos quais são chamados esses doces de Carnaval: são  doces típicos da Romagna, com a forma de pequenas castanhas e o interior macio, facilmente disponíveis em todas as padarias e docerias no período de carnaval. Apesar da origem romagnola, as castanholas, assim chamado pela sua forma, que lembra vagamente o de uma castanha, são preparadas e apreciadas em muitas regiões da Itália, embora com nomes diferentes e com pequenas variações de ingredientes.

Ingredientes (30 unidades): 200 g de farinha de trigo; 50 g de açúcar; 40 g de manteiga; 2 ovos; 8 g de fermento químico; 1 pitada de sal; 1 colher de licor de aniz; baunilha; raspas de limão.

Le castagnole

Le castagnole

Preparo: Misture todos os ingredientes até obter uma massa macia e compacta. Deixar descansar por 15 minutos, depois abrir e formar rolinhos, cortar em pequenos pedaços do tamanho suficiente para fazer as bolinhas. Fazer dois cortes em forma de cruz e fritar (como bolinho de chuva).  Podem ser recheadas com um tubo tipo seringa com creme de chocolate, creme branco, geléia, como quiser! Ou somente comê-las polvilhadas com açúcar de confeiteiro (para ver a receita em italiano clique aqui).

Humm! Eu, como buona mangiona, do carnaval fico com a parte das gostosuras, hahahhah!

Buon carnevale a tutti!!

Arrivederci!

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* Carla Guanais é cientista, blogueira e mora na Itália desde 2010, onde cursa um doutorado. Saiba mais sobre ela clicando aqui. Veja fotos da Carla e dos outros autores seguindo nossa conta no Instagram. Para atualizações de postagens e dicas de turismo, viagens e vida no exterior sigam-nos no Facebook e Twitter

Karneval em Colônia

04/02/2016

 
bz_alemanha Débora Basso- Colaboradora

Informações básicas: o carnaval na Alemanha não é no país inteiro, só na região onde eu por sorte vim morar. E Köln (Colônia, em português),  uma cidade a 30km de onde eu moro, é o centro de tudo isso. Começa na quinta-feira e vai até a segunda, e cada dia tem eventos diferentes, vários desfiles e coisas do tipo.

Basicamente, funciona assim:

1. TODO MUNDO se fantasia. TODO MUNDO mesmo, desde crianças de colo até pessoas com a idade da minha vó. E o mais legal é que a maioria não se veste pra ficar bonito, mas pra dar risada mesmo, então volta e meia tem um palhaço dentro do ônibus, um urso e um brócolis andando na rua, um cactus, uma sinaleira e uma escova de dentes dançando na boate, e por aí vai. O pessoal é muito criativo mesmo, e nesses dias quem anda na rua com vergonha é quem não tem fantasia.

BLOG Carnaval Alaaf

2. Todos os bares e boates tocam musica de carnaval o dia inteiro, às vezes com caixas de som pro lado de fora, na rua. E alguns outros estabelecimentos, do tipo uma lavanderia e uma auto escola, também!!! Juro, vi gente fazendo festa numa lavanderia, usando as máquinas de lavar de mesa pra largar a bebida. E os alemães sabem todas as músicas de cor, e cantam muito empolgados (eu consegui aprender algumas!). E claro que se ouve cada uma delas 1000 vezes por dia, então vou cantar elas a semana inteira agora. Pra quem quiser entrar no clima, escuta ai: Viva ColoniaKölle Alaaf

BLOG Carneval Koln

Carnavalescos em Colônia, foto via jayandliz.ca

3. Todo mundo fica bêbado. Se ve gente tomando cerveja a QUALQUER hora do dia ou da noite. Mas pra quem pensa que alemão só toma cerveja, tá mais que enganado. Outra coisa muito popular sao uns licores que se vende em mini garrafinhas, e se carrega em qualquer bolso… elas tem desde Jägermeister (um licor de ervas, tipo Underberg) até um licores de origem duvidosa, mas são muito práticas!

4. Eventos. Tem eventos diferentes cada dia. Na 5a feira é o dia das mulheres, no sábado tem um desfile de fantasmas… e na 2a é o mais legal, um desfile de pessoas e algo parecido com carros alegóricos, que jogam doces pras pessoas! É só gritar “Kamelle!!”, e uma chuva de balas e chocolates cai na tua cabeça!

BLOG Caraval Koln

Foto via koelner-karneval.org

E é isso. Ou seja… fantasias, festa, bagunça e bebida. Precisa mais?? Esses foram os 5 dias do ano que eu vi a Alemanha com mais gente, mais barulho, mais sujeira e todo mundo muito mais sorridente. Queria que fosse carnaval o ano todo… pra quem tem o estereótipo de alemão sério, sem graça e que não dança, vem pra cá no carnaval! Aposto que tu vai querer voltar todo ano! ;) “Alaaf you!”

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O Carnaval na Itália

03/02/2016

Carla Guanais – Itália

 

O carnaval atual é uma tradição do cristianismo. Porém, algo parecido já acontecia nos tempos dionisíacos e Império Romano, para não falar  na Babilônia que comemorava o equinócio de primavera com uma festa mascarada.  Pois é… Quase todas as festas católicas foram adaptadas em cima de festas pagãs e assim “perpetuar” suas “tradições”.

A palavra carnaval vem do latim carnem levare (“eliminar a carne”), talvez influenciado pela palavra vale, também do latim, que é quase como “carne, adeus!”, indicando também o banquete que se realiza no último dia de Carnaval (Terça-feira Gorda), pouco antes do período de abstinência e jejum da Quaresma.

 A Itália sendo um dos países mais cristãos, ou melhor dizendo, mais católico, portanto, tem carnaval sim senhor e muito bem comemorado, de diversas formas. Os mais famosos são os de Veneza, Viareggio e Ivrea, os três também são considerados os mais importantes do mundo. Vamos conhecer um pouco de cada um?

Veneza

BLOG Carnaval Veneza

Foto via blog.tsuchida-makiko.com

Se tem registros da festa de carnaval de Venezia de mais 900 anos atrás, em 1094. O Carnaval em Veneza é cheio de charme, cores e máscaras. Claro, as famosas máscaras Venezianas. Ao longo dos canais só se ouve “Buongiorno Signora Maschera“, esse é o comprimento, pois não há mais identidade, sexo, classe, raça, tudo faz parte da “Grande Illusione“.

 

Um dos momentos particulares deste Carnaval é a Festa das Marias, onde tradicionalmente vinham abençoadas as esposas coletivamente, no dia da purificação de Maria, 2 de fevereiro.

foto clubmagellano.it

foto clubmagellano.it

Viareggio

Já o Carnaval de Viareggio acontece desde 1873. E´ um dos mais importantes da Itália, muito apreciado internacionalmente, e parecido com os carnavais de SP e RJ, pois é cheio de carros alegóricos.

Diz a lenda que começou com alguns ricos burgueses que se mascararam para protestar contra os altos impostos. Dali em diante se mascarar virou tradição e a festança só teve uma pausa de 6 anos, a pausa bélica, na primeira grande guerra.

Os destaques nos carros alegóricos do Carnaval de Viareggio, estes que são feitos tradicionalmente de papel machê, são normalmente caricaturas de figuras famosas, seja da política, da TV ou do esporte, sempre cheios de ironias.

foto tg24.sky.it

foto tg24.sky.it

Ivrea

O Carnaval de Ivrea, província de Turim, é famoso pela Batalha das Laranjas, uma dos carnavais mais particulares do mundo, de reconhecimento internacional, numa mistura de história e lenda.. Tudo devido à um protesto contra um tirano, Biandrati Raineri, em busca da liberdade.

 Tudo acontece em torno da lembrança de um episódio da libertação de uma tirania na Idade Média. Uma rebelião iniciada pela filha de um “mugnaio” (aquele que moia os cereais) contra o tirano barão que “matava” de fome a população.

Durante os 3 dias de festa, acontecem desfiles com os personagens históricos e o momento mais esperado: a batalha das laranjas! Momento que retrata a rebelião popular contra a tirania.

Na batalha, o povo representado pelos “aranceri”, a pé, sem nenhuma proteção, combate com laranjas contra os soldados do senhor feudal, os “aranceri dei Carri da Getto”, esses em carroças puxadas à cavalos, com máscaras e roupas de proteção (tipos aqueles de futebol americano) que lembram as antigas armaduras.

 Como um sinal de participação na festa, todos os cidadãos e os visitantes, devem vestir o Berretto Frigio, um gorrinho vermelho em forma de meia que representa a adesão à revolta e, portanto, aspiração à liberdade. O gorrinho também significa que você não estará participando da batalha das laranjas e não quer ser atingido.

Saiba mais sobre o particularíssimo carnaval de Ivrea no meu blog Sonhos na Itália. 

Baci e um bom carnaval a todos!

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Carla Guanais é cientista, blogueira e mora na Itália desde 2010. Saiba mais sobre o blog pessoal Sonhos na Itália e a Carla clicando aqui. Veja fotos da Carla e dos outros autores do BZ seguindo nosso Instagram. Para atualizações sobre viver no exterior siga nossa fanpage no Facebook e nossa conta do Twitter

Curiosidades sobre o “Crepe”

02/02/2016

bz_franca

Fabio T – Normandia, França

 

No dia 2 de fevereiro comemora-se a festa da “Chandeleur” (festa das luzes), uma festa religiosa cristã que celebra a apresentação de Jesus ao templo. E´ o dia das famílias e amigos se reunirem para comer um prato que virou quase um dos símbolos internacionais da França: o crepe.

Existem dois tipos, o crepe doce feito com farinha de trigo e essência de baunilha e o crepe salgado, chamado de galette, feito com trigo sarraceno escuro. Uma receita bem famosa é a chamada “galette complète” e nela vai queijo, presunto e um ovo meio frito. Outra receita é  “la crêpe suzette” feita com manteiga, açúcar caramelizado, suco de tangerina ou de laranja, licor e para finalizar, ela é flambada ! Estes pratos são uma delícia !

crepe suzette [fonte: lemeilleurduchef.com]

crepe suzette [fonte: lemeilleurduchef.com]

A bebida tradicional para acompanhá-la na França é a cidra, e dizem que as melhores vêm da região da Normadia, onde eu moro ! ;)

Cidra normanda [fonte: blog-et-broc.over-blog.fr]

Cidra normanda [fonte: blog-et-broc.over-blog.fr]

Ela é tão presente no quotidiano e na cultura francesa que até existe uma expressão que diz “retourner quelqu’un comme une crêpe” (virar alguém como uma crepe) que quer dizer fazer alguém mudar de opinião facilmente. Uma outra expressão utilizada antigamente dizia  “si point ne veut de blé charbonneaux, mange des crêpes à la Chandeleur” para significar que se não se comer a crêpe no dia da Chandeleur, a colheita do ano seguinte seria devastada. Esta associação desta comida com a prosperidade viria do simbolismo da sua forma redonda e da cor dourada, lembrando o sol, fonte de sol que vêm regenerar a natureza e garantir boas colheitas.

Uma curiosidade é que assim como existe bodas de prata e ouro, também existe a “bodas de crêpe” quando se comemora 39 anos de casados!

Outra curiosidade: No Japão eles têm um modo especial de prepará-la e comê-lo: o crepe é enrolado em forma de cône e doce, recheado com frutas, chocolate, Nuttela…

Crepes Japonesas (arquivo pessoal)

Crepes Japonesas (arquivo pessoal)

De volta à França, quem já visitou Paris ou outras cidades turísticas já deve ter visto barraquinhas na rua que preparam este prato; saiba que em muitos destes lugares eles não fazem com a receita tradicional com farinha e ovos mas sim com uma preparação industrial em pó pronta. Então, se você quiser saborear um bom crepe, prepare um em casa (é super fácil de fazer). Ou melhor, vá até um restaurante especializado, chamado de “crêperie”,  na região da Bretanha, onde a galette é o prato típico.

Algumas superstições sobre este prato :

  • se você virá-la com destreza, você terá sorte até a próxima festa das luzes.
  • se você virá-la com uma moeda na mão, você terá prosperidade assegurada o ano inteiro.
  • se você conseguir virá-la 6 vezes em seguida sem fazê-la cair, você está pronto (a) para casar !

Ficou com vontade, não é mesmo !. Conte-nos como você gosta de comer este prato.

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Fabio T mora na França há mais de 7 anos e, após morar nas regiões de Borgonha e Champagne, resolveu estabelecer-se na região da Normandia. Siga a nossa página no Facebook para notícias atuais sobre viver no exterior clicando aqui. Twitter e Instagram: @blogbrasilcomz

Era somente para esclarecer (uma) dúvida

01/02/2016

japão W. Anderson – Japão

Lendo um post de alguém que curtiu o meu, me inspirei a escrever sobre esse tema.

Sempre fui desencanado com tabus ou com trocar de roupa perto da minha mãe ou da empregada. Minha mãe era costureira nas horas vagas e muitas vezes eu estava no lugar que ela costumava costurar, fazendo minhas tarefas de casa, enquanto algumas freguesas dela tiravam a roupa para experimentar as costuras. Eu era criança, então, que mal haveria ver uma mulher de calcinha e soutien? Nenhum.

Uma das muitas coisas que fiquei surpreso aqui no Japão, foi quando minha esposa pediu para que eu comprasse absorventes para ela. Depois de sair do serviço, passei no mercado para comprar algumas coisas e a “encomenda” dela. Ao passar no caixa, a moça pegou o pacote de absorventes e agachou-se de repente (eu me assustei, o que teria acontecido?), mas ela logo em seguida levantou-se olhando para um lado e outro, como se fizesse algo errado ou então, como se quisesse saber se tinha alguém mais olhando. Com o pacote de absorvente ainda na mão, ela colocou dentro de um saco de papel (daqueles que colocavam pão francês dentro no Brasil), depois ainda, dentro de uma sacola cinza (daquelas que você não vê o conteúdo) e continuou a registrar as demais coisas.

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absorventes femininos em embalagem “com privacidade” (arq. pessoal)

Confesso que esse “ritual” me foi surpreendente demais. Afinal, será que a mulher teria sentido vergonha ou timidez por um homem comprar absorventes? Seria isso mesmo?

Numa outra oportunidade, numa farmácia grande, “estando de longe”, reparei que a moça do caixa agiu de forma semelhante, certo que não daquela forma que foi comigo, mas ela colocou também dentro de um saco de papel e em seguida numa sacola não transparente.

Vou “abrir um parênteses” sobre a cultura japonesa. Principalmente com estrangeiros, fazer uma pergunta “incisiva demais”, pode preceptar o fim de uma conversa e mesmo um relacionamento comercial ou pessoal. O desejo é inspirado pelo pensamento e uma pergunta direta demais, não é bem vista pelos japoneses, mesmo entre eles, nativos. Por essa razão, é comum que eles dêem muitas vezes, respostas indiretas (ou evasivas), o mesmo vale para as perguntas. Mas com essa amiga, não teria problema, no entanto, quis ter certeza. Com o conviver com os japoneses, você acaba assimilando esse tipo de comportamento, ainda mais, quando se fala o idioma mais horas do que o seu próprio, no dia-a-dia. Por outro lado, japoneses não gostam de falar de coisas pessoais (deles), mas adoram saber das suas. 

Tenho uma amiga japonesa, que fala bem inglês, ela é casada, mas possui um comportamento bem internacionalizado. Conversa sobre tudo, mesmo com homens (estrangeiros). Por sermos amigos há alguns anos,  tomei a liberdade de perguntar algumas coisas, inclusive sobre os absorventes. Claro, que sabendo da questão cultural, tomei todo cuidado e “cerimônia”, para consultar se poderia fazer tais perguntas. Por exemplo… o mais surpreso foi eu encontrar nas lojas absorvente com tamanhos de comprimento, de 16 cm até 36 cm. Fiquei imaginando, como a maioria das japonesas são pequenininhas e magrinhas, o maior deles talvez s seja usado como fralda, não?

Ela me respondeu que para evitar que a privacidade de uma pessoa (no caso, das mulheres) seja exposta, as lojas colocam os absorventes em embalagens que dificultam saber do conteúdo. Então perguntei ainda:  “Se fazem isso com absorventes, então se uma mulher está com uma sacola assim, ela está tendo o período?”, sim,  respondeu. E completou: -“Homens japoneses não compram produtos de uso feminino, mesmo que as esposas peçam a gentileza deste favor”.

Não muito contente com a resposta, perguntei: -“E no que mais as mulheres japonesas diferem?” Ela respondeu (sem nenhuma cerimônia ou constrangimento): -“Meu marido e eu preferimos o estilo ‘brazilian wax in airstrip’ – suas palavras -, mas a maioria (natureza) das mulheres japonesas não depilam  (aquilo mesmo), porque frequentam ‘onsen’ e, as outras mulheres ficam reparando. Quando vêem uma mulher depilada, falam que, ou é prostituta ou tem algum amante para ter de fazer ‘isso’ “. E imagina o bairro todo ficar pensando que você tem um amante ou que é uma ‘biscate’, só porque (se) tem uma preferência diferente (da maioria) de todas delas, completou  a minha amiga.

Confesso que conhecendo a cultura nipônica e, sabendo disso (agora), é difícil imaginar uma mulher japonesa preferindo fazer uma ‘pista de pouso’. E entendo perfeitamente o receio, para quem gosta de frequentar onsen, em fazer algo que “escandaliza”. Somente mesmo para japoneses internacionalizados também na cultura.

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brazilian wax – pista de pouso, a preferência da minha amiga e do marido dela (by wikipedia.org)

Eu fiquei mudo por instantes, mas me recompus e mudei de um assunto. Já tinha ficado “vermelho” e não faltaria muito para me sentir constrangido.

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W. Anderson é engenheiro elétrico e mora com a família há 11 anos no Japão. Para saber mais sobre ele clique aqui

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