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10 dicas de como viajar muito, bem e barato.

31/03/2015

bz_belgicaTouché Guimarães – Antwerpen, Bélgica

 

Sabendo que não somos milionários, muitas pessoas já nos fizeram a pergunta: ‘Como vocês fazem para viajar tanto?’. Porque fazer turismo não demanda somente tempo livre, mas, evidentemente, significa custos extras, que não são considerados possíveis quando não se conhece as ‘mãnhas’ para se ver o mundo sem se ficar sufocado financeiramente. Nós sempre organizamos nossas viagens nós mesmos, e isso é fácil, basta querer e ter acesso à internet.

Assim, aqui vão algumas dicas sobre o assunto, baseadas em nossos 12 anos de andanças, por vários países. Acreditamos que conhecer novos lugares, ver novas culturas e conhecer novas pessoas nos tem ajudado a manter-nos jovens e ativos. Prontos…vamos lá?

novas janelas para o mundo !

novas janelas para o mundo !

1) Defina os lugares que quer ver e considere as distâncias.

Excursões costumam ser práticas, mas as chamadas tipo ‘visite 10 países em 20 dias‘, significam que você vai estar em constante movimento de chegar e partir, arrumar e desfazer malas e não ter liberdade para escolher o que quer ver e sendo apenas parte de um bando sem opinião/decisão própria. Em geral, custam caro e as empresas normalmente te levam a lugares com as quais tem acordos financeiros, sem levar em conta os gostos e necessidades dos turistas.

2) Verifique a documentação necessária para visitar os países escolhidos.

Antes de mais nada: qual a data de validade do teu passaporte? Existem acordos diplomáticos entre países e nem sempre o visto é necessário, ou mesmo o passaporte em si. No entanto, é bom se certificar. Existem países que demandam vacinas especificas e algumas destas precisam ser tomadas com semanas de antecedência, antes da partida.

que bom! vamos viajar !!!

Que bom, vamos viajar !!!

3) Vai viajar de avião? Compre sua passagem com a máxima antecedência possível!

Os preços vão subindo, à medida em que se aproximam as estações de turismo. Assim, atenção para os meses em que pensa em viajar. Aqui na Europa, o verão costuma atrair a maioria dos turistas e julho e agosto são os meses de pico. Claro, o mesmo ocorre com os meses de inverno (dezembro a fevereiro), que costumam atrair os apaixonados dos esportes nevados.

A maioria das cias aéreas lançam promoções e vale a pena pesquisá-las. Um fato interessante, aqui na Europa, vôos para Frankfurt costumam ser os menos caros, muito provavelmente por se tratar de um dos mais importantes hubs do mundo.

4) Prepare seu roteiro antes de partir!

Ajuda muito, quando já se sai de casa com uma ideia básica do que se quer ver e/ou fazer no lugar para onde se vai. Para isto, basta usar o google.

Por exemplo, visitar um museu pode levar 1 hora…ou um dia inteiro. Visitar um castelo, pode levar algumas horas. Passear em pequenas cidades, pode ser programa para todo um dia, ou simplesmente o tempo de parar para um café. Assim, saber que tipo de turismo se quer fazer é fundamental para que a viagem seja a mais agradável possível.

Os funcionários dos pontos de turismo (marcados com ‘ I ‘ ), costumam ser extremamente solícitos e gostam muito quando a gente pede uma opinião pessoal. Perguntar é sempre válido e pode levar a descobrir-se lugares bem mais interessantes do que os ‘oficiais’.

5) Como fazer, após aterrissar?

novos sons...

Novos sons…

Após vôos longos, sugerimos pelo menos uma noite de descanso, antes de partir para aventuras turísticas, salvo se a ideia é sair rodando diretamente do aeroporto para algum outro lugar. É aconselhável alugar o carro no aeroporto onde se chega, e entregå-lo no mesmo aeroporto, marcando o horário de entrega para o mais tarde possível. Costumamos usar a Europcar, cujos veículos nunca nos deixaram na mão. No entanto, é sempre bom verificar se o GPS está funcionando direitinho.

IMPORTANTE: a carteira de motorista internacional SÓ é válida com a original !!!! seja para dirigir, ou para alugar um veiculo, você precisará das duas.

Se preferir viajar de trem, é bom verificar os preços e as conexões, antes de comprar qualquer plano dos vários que existem. Por exemplo, o Europass permite 10 deslocamentos num prazo de 20 dias, por um preço atraente. Para quem pretende passar alguns dias em alguns lugares especiais, talvez valha mais a pena adquirir passagens localmente. Também é importante verificar os tipos de trens, porque alguns são ‘paradouros‘ e levam o triplo do tempo para se chegar ao destino. É sempre bom se informar no guichê, pois às vezes compensa esperar para embarcar num trem direto – que nem sempre é mais caro.

Ajuda muito anotar as conexões e verificar as plataformas, porque o tempo para mudar de trem costuma ser muuuuuito curto. Então, sugerimos perguntar ao controlador, durante a viagem, ou na plataforma de chegada, assim que desembarcar. Pois nem sempre tem controle durante cada trajeto. Arriscar viajar sem passagem é sempre possível, mas pode trazer sérios problemas!

6) Transporte público:

não tem bilhete combinado para barquinhos, não...

Não tem bilhete combinado para barquinhos, não…

Na maioria das capitais na Europa, existem tickets combinados, que tanto podem ser para metro, ônibus, bem como para trams e trens. Normalmente, os bilhetes ida-volta saem menos caro, bem como comprar-se bilhetes para 10 ou mais vêzes. Em alguns lugares, você compra um ticket que tem o sistema de ‘créditos’, que você pode ir comprando durante a estada no local, no próprio guiché das estações; e cujo valor inicial você pode recuperar, no final da viagem. É bom ficar atento, para não perder este reembolso, geralmente feito em postos/guichés/estações especiais para tal. Nos aeroportos costuma haver locais específicos, se informe bem.

7) Onde se hospedar?

Claro, o tipo de hospedagem varia com os gostos de cada um, mas o importante é a certeza de que se pode encontrar locais confortáveis, limpos e seguros, sem ter que se gastar horrores. Afinal, quem viaja de turismo não tem como objetivo principal ficar dentro de um hotel, né??

Aqui na Europa, quando não está frio, costumamos acampar. O mesmo fazemos em outros países onde existe uma boa estrutura de campings, como fizemos nos Estados Unidos, por exemplo.

Um camping agradável, com boa localização e/ou bom acesso com transporte público pode custar de 20 a 40 euros/noite/barraca, com confortável bloco sanitário, lugar para lavar pratos e, geralmente, um espaço comunitário para refeições. Ha campings de todo tipo, desde os que parecem clubes (com quadras disso e daquilo, piscina, restaurante, etc) e os campings menores, geralmente mais calmos e sempre mais baratos, claro.

Existem sacos de dormir que não pesam mais de 4kgs, e são muito práticos para se levar em bagagens cheias. Nas grandes lojas de materiais de camping, podem ser adquiridos por 80 euros e uma boa tenda para 3 pessoas não custa mais de 180 euros.

Kluisbos: lindos passeios

Kluisbos: lindos passeios

E quanto a hotéis?

Sempre usamos o www.booking.com – quando pensamos em alojamento. Sistema altamente funcional, cujo site, em diversas línguas, abrange uma infinidade de países e lugares, dando alternativa de se filtrar o alojamento desejado, por tipo, preço, etc…

Nós sempre preferimos os B&B a hotéis. O sistema de Bed & Breakfast permite uma sensação de aconchego, impossível num grande hotel. Normalmente são os próprios proprietários que fazem tudo, tendo destinado uma parte de sua casa a hóspedes. Assim, os (normalmente poucos) apartamentos costumam ser decorados individualmente e, no caso de reservar, é bom preencher a pergunta ‘tem alguma solicitação especial’, que eles sempre buscam atender. Por exemplo, se for um casal, melhor mencionar se preferir uma cama de casal, pois é muito comum se encontrar duas camas de solteiro num apartamento duplo.

8) Como escolher o local de hospedagem?

O Trip Advisor oferece um serviço excelente e gratuito, para quem quer evitar surpresas desagradáveis. Sempre que viajamos, antes de fazer uma reserva, damos uma pesquisada sobre o local que nos atraiu, para ler os comentários e avaliações sobre os locais. Mas é bom levar em conta a data dos comentários e o que foi dito. Muitas vezes tem gente mal-humorada, que dá uma baixa pontuação a um estabelecimento, porque teve uma festa na rua, na noite em que se hospedou, e as pessoas ficaram cantando alto…ou porque choveu o tempo todo. Não é brincadeira! Já vimos este tipo de comentário, sim!

No site deles, www.tripadvisor.com, também se encontram comentários sobre restaurantes, locais de atração em geral, é bem variado e útil e também pode ser lido em diferentes línguas.

tem gente que reclama porque chove...

Tem gente que reclama porque chove…

9) Como organizar a bagagem?…

sem preocupações com roupas!

Sem preocupações com roupas!

Viagem leve!!!!!! você vai passear, não fazer desfile de modas, viu? Claro, uma roupa mais arrumada, para alguma ocasião especial, mas, em princípio, a ideia é passear…ou não? Pense, sobretudo, no seu conforto: sapatos, antes de mais nada, são fundamentais. Roupas que não apertem e que possam ser facilmente ajustadas a uma possível mudança de temperatura/clima. Bolsa que caiba muita coisa (a gente sempre vê alguma coisinha interessante prá comprar…) ou mochila. Ajuda muito fazer uma ‘packing list’, na hora de arrumar a mala. Algumas companhias aéreas costumam publicar modelos, em seus sites. Senão, comece a anotar o que acha importante levar. Também é bom sempre ter alguma coisinha de reserva para se comer: nunca se sabe…

Para quem gosta de passeios na natureza, fundamental levar água! Existem garrafas que conservam a temperatura do líquido por até 24horas.

Evitar andar pelaí com seu passaporte, e guarde-o em lugar seguro. E não esqueça a dica sobre a carteira de motorista (ver acima).

10) E as fotos?

Andar com uma boa câmera não costuma trazer problemas. Mas uma coisa é sempre bom lembrar: bandido tem em todo lugar. Então, não deixar pertences ‘voando‘ em lugares públicos, com a idéia de que ‘aqui é diferente’.

Uma coisa é andar apavorado. Outra é ser cuidadoso. Um dos meus slogans é: ‘evitar problemas é dever de todos’.

Se quiser alguma outra dica, terei prazer em ajudar. E lembre-se: o mundo é muito lindo!

VIAJE MUITO!!!

Fotos: © Guy Voets

Touché Guimarães é escritora, professora de idiomas, tradutora/revisora, apaixonada pela natureza, por animais (sobretudo gatos) e por gente de olhar positivo e mente aberta. Para saber mais sobre ela clique aqui.

Veneza, um lugar para se deixar perder

30/03/2015

bzEdu Justo – La Coruña, Espanha

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Em Venezia

 

No post de hoje abrirei um parêntese das minhas impressões e vivências espanholas para falar da viagem que fiz semana passada à histórica cidade de Veneza. Com este post, pretendo dar dicas valiosas para todos aqueles que queiram conhecer uma das cidades mais emblemáticas da Itália. Quem visita Veneza normalmente volta para a casa com lembranças inesquecíveis, e o nosso caso não foi uma exceção.

Veneza floresceu após a queda do Império Romano no século V, quando uma onda massiva de hordas bárbaras começou a ocupar seu território. Para escapar da fúria invasora, os habitantes da região de Vêneto decidiram se refugiar em uma das ilhas do Mar Adriático, onde se estabeleceram definitivamente. Sua posição estratégica contribuiu para um intenso trafico comercial marítimo entre ocidente e o oriente, tornando-a rica e poderosa.

Vamos começar literalmente do princípio e numa viagem tudo começa quando seu avião chega ao seu destino. O aeroporto de Veneza (Marco Polo) está localizado próximo à cidade, um percurso de aproximadamente vinte minutos de ônibus. Ao chegar, você encontrará guichês para comprar passagens para Veneza ou para alguma das cidades ao redor da ilha. E aí vem a minha primeira dica: muita gente prefere se hospedar fora da cidade, devido ao alto preço cobrado pelos hotéis da ilha (muitas vezes antiguíssimos, sem elevador e outras comodidades). Eu fiquei hospedado em um hotel na vizinha Mestre, que tem ônibus direto à Veneza, e que chega em 10 minutos. O motorista não aceita dinheiro, você tem que comprar as passagens em um posto autorizado. (normalmente alguma lojinha do bairro). IMPORTANTE: Ao entrar no ônibus não esqueça de validar a sua passagem numa das máquinas disponíveis no interior do veículo. Caso contrário você poderia ser multado.
O ônibus te deixará na Piazzale Roma, uma espécie de rodoviária de Veneza. Ao descer do ônibus Você irá reparar que já não será mais possível circular em transportes terrestres. Só existem duas opções: ou você pega um Vaporetto (uma espécie de ônibus fluvial que te levará a diferentes pontos da ilha), ou circula a pé mesmo. Eu escolhi a segunda opção porque se trata de um lugar que te convida a ser explorado. Cada rua tem seus segredos, fachadas bizantinas, igrejas, bares e comércios com todo o tipo de produtos. Veneza tem milhares de coisas para serem apreciadas, porém os pontos mais emblemáticos são a Ponte Rialto e logicamente a Piazza San Marco. Um dos programas imprescindíveis na Piazza San Marco é subir na Torre del Campanile, onde estão as melhores vistas panorâmicas da cidade e de seus canais. O ingresso custa 8 euros e você sobe de elevador. Além da Campanile é recomendável conhecer a catedral de San Marco e o Palácio Ducal.

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Capanile na Piazza San Marco

A ponte Rialto, construída sobre o Gran Canale, é formada por um único arco e oferece uma infinidade de lojinhas onde você poderá encontrar todo o tipo de lembranças da sua viagem. Veneza é o paraíso das lembrancinhas: máscaras, miniaturas de Murano e todos os tipos de jóias são vendidos por toda a cidade. O item mais apreciado pelo turista é a famosa mascara de carnaval veneziana, que pode custar de 6 euros a 3.000 euros, dependendo de seu desenho, material e valor artístico.

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Ponte Rialto

Passeio de gôndola: Existe um rumor recorrente que diz que o preço do passeio de gôndola varia de acordo com a “aparência do turista”. Isso não é verdade. O preço da gôndola é tabelado e custa 80 euros de dia e 100 euros de noite (a viagem standard é de meia hora). É um preço salgado, porém se você vai até Veneza e dispensa este passeio, deixará de vivenciar uma experiência única. Você pode pegar sua gôndola em qualquer ponto da ilha. Dê preferência a um ponto próximo ao Gran Canale onde as vistas são mais espetaculares. Existem sites de venda on-line de ingressos para andar de gôndola, porém o preço é o mesmo e você ficará preso a um horário pré-marcado. O melhor é contratar na hora, assim você terá maior flexibilidade.

Quero reforçar mais uma vez que para conhecer Veneza de verdade o melhor é caminhar por suas ruas, porém, você tem que estar preparado para andar bastante. A Piazza San Marco por exemplo fica no extremo oposto da rodoviária, aproximadamente 40 minutos caminhando. A vantagem é que durante todo o percurso você verá uma infinidade de outras atrações que a cidade tem para oferecer. E é desta forma que você conhece de verdade os encantos de Veneza.

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Na gôndola (foto do arquivo pessoal)

Ilha de Murano: Os cristais de Murano são famosos no mundo inteiro e são fabricados na ilha que leva seu nome, próximo à Veneza. A única forma de chegar lá é pegando um Vaporetto, uma viagem de quinze minutos. Recomendo ir de manhã porque algumas lojas permitem que você veja os artesãos fabricando as peças ao vivo.

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Murano (foto do arquivo pessoal)

 

Comer e beber: Como turista profissional, procuro evitar comer em locais muito próximos às grandes atrações. Normalmente os preços são mais caros e a comida de pior qualidade. Procure as tradicionais tratorias em pontos mais afastados. Recomendo provar a Bellini, um delicioso coquetel veneziano, a base de champanhe e pêssego. Se o seu hotel tem frigobar, a melhor opção é comprar uma garrafa em um supermercado, porque nos bares ela é bem inflacionada.

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Bellini (foto: guatedining.com)

Bom, relatei o imprescindível de Veneza. Fora isso, existe uma infinidade de opções menores, porém igualmente inesquecíveis. Prefiro que você se surpreenda por conta própria, descobrindo o que Veneza tem de melhor para oferecer. Ciao!

* Edu C. Justo é administrador de projetos e escritor e vive em La Coruña. Saiba mais sobre o autor clicando aqui. Veja mais fotos da Espanha e outros países no Instagram: @blogbrasilcomz

Autores convidados: Por que o Canadá?

27/03/2015

Da Suíça para o Canadá, com nossa convidada Cecília que nos conta porque escolheu o Canadá para viver.

bz_canadaCecília Teixeira – Vancouver, Canadá

Depois que mudamos para o Canadá, uma das perguntas que mais ouvimos é: “Por que o Canadá?”.   Essa pergunta não vem apenas de brasileiros que querem saber porque viemos morar aqui, mas também de estrangeiros que já “ouviram falar” que o Brasil “é muito bonito mas pode ser um pouco violento não é mesmo?”. Não importando a nacionalidade, há uma grande curiosidade quando comentamos que mudamos “de mala e cuia” para o Canadá.

 Matando a curiosidade das pessoas

Explicar para um brasileiro “porque Canadá” é mais fácil do que explicar para um estrangeiro. Muitos brasileiros já conhecem as razões que levam as pessoas a saírem do país: Falta de segurança; falta de qualidade de vida; falta de boas escolas públicas (seja em nível básico, na graduação ou na pós-graduação); impostos altíssimos para o baixo retorno em serviços; trânsito insano; falta de bons transportes públicos; e, por último, a impunidade – não só para crimes de assaltos e mortes, mas também para os crimes de corrupção.

 Claro, cada um tem seus motivos e nem todos pensam como nós. Há pessoas que acham que é importante ficar no Brasil e lutar por um país melhor. Respeito essas pessoas. Tentei fazer isso durante muitos anos até que… cansei!

 Por que cansei?   Porque apesar de ser uma profissional extremamente bem sucedida enquanto morava no Rio de Janeiro, o que adiantava ganhar dinheiro se eu não podia gastá-lo? Quando queríamos passear com tranquilidade nós viajávamos – e foi assim que estivemos em 28 países, muitos deles visitados repetidas vezes.

Explicar para um estrangeiro a razão da nossa mudança sem falar (muito) mal do Brasil é mais complicado. As pessoas mais velhas, que passaram por guerras ou conflitos entendem rápido. Explicar para os mais jovens é complicado, pois eles ficam meio abismados do “porquê” de se largar praia, sol, carnaval e futebol para vestir casaco durante – pelo menos – 6 meses por ano. Explicar o que é qualidade de vida para quem já nasceu com muita qualidade de vida não é tarefa simples, porque as pessoas simplesmente não conseguem imaginar o que é estar parado num sinal de trânsito e ter alguém encostando um revólver na sua cabeça apenas para levar a bolsa ou o celular. Como explicar isso?

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 Decidido: “Chega, vamos embora. Mas vamos morar onde?”

Felizmente, devido à tantas viagens, conhecíamos todos os países da Europa Ocidental, além dos Estados Unidos “de cabo a rabo” e também grande parte do Canadá.

Além de brasileira, tenho nacionalidade portuguesa, então seria possível morar na Europa sem quebrar nenhuma lei. Só que… nós gostamos da Europa para passear. Para “morar para sempre”? Temos dúvidas…

Queríamos um país “jovem”, como o Canadá ou os Estados Unidos, construído por imigrantes. Achamos que a integração seria mais fácil do que na Europa.

Conseguir um visto de trabalho para os EUA não é tarefa simples. Pelo contrário, é complicado. São milhares de candidatos por vaga e muitas vezes, no mesmo dia em que as vagas ficam disponíveis para concessão do visto H1B, a cota é estourada, tão grande é a procura. Aplicar para o “visto de investidor” para obter um Green Card consideramos arriscado, porque além do investimento alto, não há garantia do retorno do capital investido.

O Canadá

Já conhecíamos as principais cidades canadenses (Toronto, Montreal, Quebec, Ottawa e Vancouver) e já tínhamos ficado totalmente apaixonados por Vancouver quando aqui estivemos em 2009 a caminho de uma viagem para o Alasca.

Visitei inúmeras vezes a página do Consulado do Canadá em São Paulo e em 2010 iniciamos o (longo) processo federal para nos tornarmos residentes permanentes.

Recomendo aos interessados em emigrar para o Canadá que leiam atentamente o website do Consulado. Todas as respostas às mais diferentes questões estão lá.

Existem pessoas que acham mais fácil visitar um blog ou um grupo do Facebook e fazer a clássica pergunta “como é que eu faço para ir morar no Canadá?”. Esperam uma resposta pronta, uma receita de bolo. Não há receita de bolo. Cada caso é um caso, tudo vai depender da qualificação profissional do candidato, da experiência, do domínio da língua estrangeira, ou até de língua nenhuma, caso o interesse seja estudar inglês ou francês e se candidatar para imigração depois.

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*Cecilia Teixeira tem formação em arquitetura e interior design. Mora há quase 3 anos em Vancouver e tem dois blogs. Um com pseudônimo (secreto!) onde descreve as etapas do processo de imigração e as curiosidades da vida canadense, e outro que tem a “cara da dona” no ceciliarchitect.wordpress.com

Autores convidados: Jardins de aluguel na Suíça

25/03/2015

Em 2010 a Arlete colaborou com um texto no blog (leia aqui), e hoje ela volta contando uma curiosidade sobre a Suíça. Esperamos que gostem!

bz_suicaArlete Dotta – Suíça

A Suíça é um país pequeno (41.285 km²), um pouco menor que o estado da Paraíba (56.439 km²), com uma população de aproximadamente 7,8 milhões de habitantes (só a cidade São Paulo 19.223.897 milhões!!).

Por ser uma país pequeno, todas as casas e prédios seguem regras rígidas em relação aos metros quadrados ocupados. Apesar disso, as casas e os apartamentos não são tão pequenos assim, mas tampouco têm um espaço externo enorme (quando têm).

As pessoas que moram em casas, tem um pequeno quintal com jardim, já quem mora em apartamento tem uma varanda ou, se a pessoa mora no térreo, muitas vezes tem uma área que pode ser usada como um quintalzinho, o que seria sua a varanda.

O interessante disso tudo é que as pessoas aqui adoram cultivar plantas e quando seus pequenos espaços não são mais suficientes para o hobby, elas alugam um jardim. Isso mesmo, um pedacinho de terra (mais ou menos entre 10 e 20m²) onde eles plantam de tudo um pouco, desde frutas e verduras até flores e plantas exóticas. Esse tipo de hora ou jardim se chama Schrebergarten em alemão.

schrebergarten

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Para mim, no início isso foi muito curioso, afinal no Brasil tem tanto espaço que eu nunca poderia imaginar que alguém alugaria um jardim.

Neste pequeno espaço alugado, cada um ao seu modo deixa a sua marca. Muitas vezes eles constroem uma pequena casinha de madeira e aos finais de semana passam algumas horas ali com os amigos e parentes, fazem um churrasquinho, bebem a sua cerveja. Às vezes, até uma bandeira do próprio país ganha um lugarzinho lá.

Estes jardins não são alugados só por suíços, mas também por estrangeiros que vivem aqui. Eles têm diversas funções ecológicas e sociais, como aumento da qualidade de vida nas grandes cidades reduzindo o ruído, controle de poeira, conservação dos habitats e espécies, etc.

Andei pesquisando e encontrei aqui um link na Wikipedia que fala sobre isto.
Desde 2003, com o apoio de parceiros alemães e belgas, surgiu o mesmo movimento no Brasil e em algumas cidades na África, também como uma solução alternativa no combate à subnutrição.

*Arlete Dotta, depois de (finalmente) concluir a faculdade de informática em 2005, achou que era hora de vender o seu Uno 92 e seguir o que o seu coração dizia. Partiu da periferia de São Paulo de mochilão fazendo o caminho contrário de seus antepassados italianos e desde lá a sua vida nunca mais foi a mesma. Encontrou o velho mundo, ouviu muitos idiomas, viu muitas culturas e encontrou seu grande amor. Desde 2009 vive cercada pelos Alpes, na Suíça, comendo muito chocolate, queijo, arroz, feijão e farofa.

Autores convidados: O que viver fora do Brasil me ensinou.

24/03/2015

Hoje temos um convidado especial, o André, que já morou em alguns países do mundo e hoje está no Brasil novamente. Com certeza ele tem muita coisa para contar para todos nós, como um “ex-expatriado” (ou repatriado). Bem-vindo André!

bz_brasilAndré Fernandes – Brasil

Viajar muda as nossas percepções de vida, nos expõe a milhares de novidades, ao desconhecido. Tudo é diferente: sons, cheiros, idiomas e sotaques, gestos e percepções. O viajar nos lembra da essência da impermanência, de sair da rotina, nos faz questionar por que a vida diária tem que ser monótona e chata. Não sou o primeiro e menos ainda o último a escrever neste blog o quanto uma experiência no estrangeiro mudou a minha vida (leia os textos dos autores do blog na série “10 coisas que aprendi morando em outro país).

Índia, Egito, Sérvia e mais um mochilão por outros 11 países no leste e centro da Europa entre 2012 e 2013 foram muito além da experiência de viver em lugares e culturas diferentes; 17 meses que reuniram amigos, choques culturais, aventuras, experiências e momentos que guardo para sempre comigo. Voltei ao Brasil em 2013, processando todas as mudanças ao longo de todo esse tempo com relação ao meu propósito de vida e pensando nas próximas idas, claro! De todas as mudanças por que passei, as mais marcantes foram as 3 listadas abaixo:

1 – Buscar por significado para cada dia que vivo

E por que não pensar num dia-a-dia carregado de significado? É uma das questões que resume as minhas experiências fora do Brasil e que me faz planejar as próximas aventuras. Não foi uma pergunta que veio instantaneamente num passo de mágica, foi algo que pude sintetizar após inúmeras inquietações, incontáveis noites sem dormir em meio a choques e às mudanças que vivi ao me expor a culturas totalmente diferentes do que eu estava acostumado. Tantas pessoas e lugares entram em nossas vidas e não sabemos se veremos novamente. Aprendi a viver cada momento como se fosse o último da minha vida!

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André em San Petersburgo

2 – Perdi o medo do imprevisto

Já imaginou viver sem saber o que vai acontecer nas próximas horas? Isso mesmo! Cada dia diferente do anterior, assim foi minha vida sobretudo na Índia e no Egito. Já que não fazia sentido ruminar meus pensamentos sobre o que vai acontecer nos próximos instantes, aprendi a viver o presente, me desapeguei da rotina e da necessidade de ter certezas de tudo à minha volta, deixei para trás regras que jamais fizeram sentido para mim. Aprendi que posso criar as minhas regras, as minhas oportunidades, os meus sonhos, por mais incerto e desconfortável que seja cruzar o meio do meu próprio caminho.

3 – Passei a enxergar a vida de forma mais simples e humana

A principal marca, que sintetiza as mudanças que ainda estou processando, foi que passei a enxergar a minha vida sob uma perspectiva mais simples, mais humana, mais significativa ao invés de focar a minha vida num interminável ciclo de insatisfação comprando tudo que dizem que é melhor/mais novo/mais caro na face na Terra. Tive a oportunidade, e sou grato por isto, de rever os meus valores, a forma como relaciono comigo mesmo e com o ambiente à minha volta.

Estas 3 mudanças me levaram a desfazer de bagagens desnecessárias para minha vida. Essa é a reflexão que proponho, largar no meio caminho o que não lhe serve mais! Então, você ainda mantém bagagens inúteis para sua vida e seus sonhos?

*André Fernandes, nascido em Santa Catarina para ser um nômade pelo mundo. Me formei em Administração Pública, fui parar na AIESEC e em marketing. Depois de uma meia-volta ao mundo, percebi que meu caminho é viajar, descobrir diferentes lugares e culturas. Voltei ao Brasil e já estou pensando nas próximas aventuras! Um pouquinho das minhas andanças no meu blog A nomad in the world.

Pedalando pela Holanda

23/03/2015

bz_holanda Ana Fonseca – Holanda

Muitos países europeus com cidades de topografia plana tem ótimas ciclovias, e não só a Holanda. O que faz a Holanda ser especial nas ciclovias é que elas têm excelente demarcação, planejamento, manutenção e sinalização – sem falar que são onipresentes. Você pode atravessar o país inteirinho de bicicleta, tanto as antigas cidades como as villages mais remotas. As ciclovias intermunicipais percorrem áreas naturais bem bonitas, e são bem demarcadas.

Portanto morar na Holanda e não providenciar imeditamente uma bicicleta nas primeiras horas vivendo no país é tão absurdo para um holandês quanto um brasileiro favelado dos grandes centros urbanos não ter sua televisãozinha no barraco para assistir novela.

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Ciclovia feita de painéis solares. Foto: fietsnetwerk.nl

Atenção: Muitos junkies nos centros urbanos tem alicates enormes e rondam por estacionamento de bicicletas para arrombar os cadeados e oferecer as bicicletas a transeuntes por um precinho bem barato. Principalmente buscam estudantes estrangeiros como mercado potencial. Se você for abordado por alguém querendo  te vender uma bicicleta na rua pense que ela com toda probabilidade pertence já a alguém. Furada! E esse alguém, claro, provavelmente não tem outro meio de voltar para casa (e nem passe/cartão para andar em transporte público).  Já aconteceu isso com colegas de trabalho que tiveram que atravessar no frio ou debaixo de temporal a cidade toda para voltar para casa ao concluírem que a bicicleta tinha sido roubada. Evite karma ruim.

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Na foto, uma “omafiets” (sem freios). Cerca de 100 mil (!) bicicletas são roubadas por ano em Amsterdam. Contudo, é uma das cidades mais seguras da Europa. Foto Ana  Fonseca. Mais fotos de bike veja nosso instagram: @blogbrasilcomz

Algumas particularidades sobre andar de bicicleta na Holanda:

* Choque linguístico: Bicicleta em holandês se chama “fiets” (talvez por alusão a parte do corpo que as movimentam: os pés – feet.) O plural de fiets (uma bicicleta) é fietsen (que também é o verbo “andar de bicicleta”).

* Você senta muito ereto nas bicicletas de marcas holandesas, não inclinado para a frente. É  bem elegante, como se você estivesse num cavalo – adoro!

* O treino começa antes dos 5 anos, e assim que a criança mostra destreza já é levada pelos pais para o trânsito regular –  geralmente usando bandeirinhas traseiras pois muito caminhões não vêem as crianças.

* Ciclistas não usam capacete, pois não é obrigatório.

* A maioria prefere bicicleta modelo “da avó” (oma fiets): sem freios. Tem um motivo: durante a chuva utilizar os freios pode fazer você deslizar feio, principalmente na faixa de pedestre. Eles utilizam o contra pedal. Eu não me acostumei e tenho bicicletas com freios, sempre. As “oma fietsen” aliás estão na moda entre adolescentes e por serem bem básicas e baratas recebem muitos enfeites como flores de plástico, fitas, mini ursinhos de pelúcia, bonecas presas às cestinhas e mil outras loucurinhas.

* Os holandeses carregam muita bagagem nas bicicletas, tanto em grandes cestas na frente ou bolsas laterais. Desde crianças se acostumam a isso. Na foto abaixo você pode ver bolsas removíveis.

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Foto via mommyonline.nl

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Via basil.nl

* A maioria dos ciclistas quando vêem uma pessoa distraída andando pela ciclovia não grita, não diminui a velocidade, nem procura chamar a atenção. Apenas buzina histericamente e tira um fino do passante para bronquear mesmo.

* É permitido na Holanda carregar grandes objetos com a bike, mesmo que obstruam o fluxo do trânsito. Há que se considerar que para muitos a bike é o único meio de transporte que possuem.

* Pessoas muito idosas pedalam. Grávidas no fim da gestação pedalam. Mulheres de mini-saia pedalam. Grávidas-carregando-compras-e-mais-dois-filhos-e-de-salto-alto-e-falando-no-celular-debaixo-da-chuva… pedalam.

* A maioria das ciclovias é planejada para que dois ciclistas possam pedalar lado a lado conversando. Alguns ciclistas até pedalam de mãos dadas. As vezes todos os membros de uma família pedalam lado a lado, bloqueando o tráfego.

* Quando pedalo com minhas crianças ainda não dou a mão para elas.  Mas como meu menino já tem minha altura, isso vai acontecer em breve – basta também ele adquirir um outro modelo de bicicleta (ele não se senta ereto na atual mas um pouco inclinado para frente). Não vejo a hora de sair assim com eles !

No filminho abaixo, cenas do que caracteriza andar de bicicleta na Holanda.

 

*Ana Fonseca é carioca, publicitária e vive na Holanda desde 1999 trabalhando na área de turismo e hotelaria. Adora escrever e tem uma loja de fotografias a Kiss My PixelPara saber mais acesse a mini-bio aqui

Brasil com Z de casa nova!

21/03/2015

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 Administração do Brasil com Z

 

Chegou a hora:

Com a nova administração o blog vem passando por diversas melhorias e esse é mais um grande passo dado!

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