Skip to content

A Itália dos… burgos e suas sagras!!!

22/05/2015

bz_italia

Carla Guanais – Roma, Itália.

Continuando a a série “A Itália dos…”  aqui no Brasil com Z (quem não leu A Itália dos jardins clique aqui e a Itália dos etruscos clique aqui), pensada especialmente para quem ama a Itália mas acredita que esse lindo país é só a Toscana, com seus campos de parreiras ou então as ruínas romanas.

Hoje, portanto, falo da Itália dos burgos!

Mas o que são os burgos?

A palavra burgo (borgo em italiano), do latim burgus, significa “pequena fortaleza, povoado, cidadela fortificada”.

Do Wikipedia: Os burgos surgiram na Baixa Idade Média, na época da decadência feudal e crescimento comercial e urbano. Os burgos desenvolveram-se pelo processo de troca de produtos entre um feudo e outro. Os produtores levavam seus produtos até o burgo (que ficava “dentro” de um feudo) e lá faziam uma espécie de feira trocando seus produtos por outros ou por dinheiro. Os habitantes dos burgos dedicavam-se ao comércio e à produção artesanal, que era realizada pelo mestre em sua oficina. Seus habitantes eram chamados de burgueses, crescendo em poder econômico de modo que no século XIX formaram a burguesia.

Existem centenas, talvez milhares de burgos só na Itália. E cada um com sua história, característica e charme próprios.

O mais encantador: cada burgo tem seu castelo! Muitos hoje viraram museus, outros são propriedade privada.

Normalmente são localizados em regiões mais isoladas e, na maioria das vezes, no alto de uma colina ou montanha. Eu particularmente adoro explorar os burgos, principalmente aqueles que não perderam quase nada das suas características originais.

Um exemplo deles é o não tão conhecido San Gregorio da Sassola, na província de Roma. Tem 1500 habitantes, fica no meio do verde, tem um enorme castelo que às vezes abre para visitação e é charmosíssimo!

Burgo San Gregorio da Sassola

Burgo San Gregorio da Sassola

San Gregorio da Sassola - RM

San Gregorio da Sassola – RM

Comparo os burgos às favelas de concreto. As casinhas são irregulares, muitas vezes grudadas uma na outra, janelinhas e portinhas, muitas vezes feitas de pedras, velinhas estreitas, como uma vila, onde não passa carro.

Castelo de San Gregorio da Sassola

Castelo de San Gregorio da Sassola

detalhe da arquitetura local

detalhe da arquitetura local

As sagras

Sagras são as festas típicas das cidades, geralmente festejam um produto típico da época, tem comida de boa qualidade e a um bom preço. Muitos burgos promovem as suas sagras para atrair visitantes e turistas, agitar o comércio local, deixando felizes a todos.  Em San Gregorio da Sassola fui na do nhoque ao sugo de ovelha. Delícia!

Sagra do nhoque ao molho de carne de ovelha

Sagra do nhoque ao molho de carne de ovelha

Quer conhecer um burgo e ainda comer pratos típicos locais, procure uma sagra!

Tem vários sites que promovem as sagras (como o Sagreinitalia.it) e muitos outros onde se pode conhecer um pouco sobre os burgos medievais italianos (como por exemplo o Borghitalia.it, que fala sobre alguns dos burgos mais bonitos da Itália).

Se está na Itália turismando, vale a pena alugar um carro e visitar alguns diferentes burgos. Ou aproveitar aqueles que são possíveis ir com meios de transporte, de trem por exemplo.

Uma viagem no tempo, um mergulho na história italiana!!

Vale a pena!

(Está procurando hospedagem na Itália? Clique aqui e faça sua reserva de maneira rápida e confiável).

Carla Guanais é cientista, blogueira e mora na Itália desde 2010, onde está cursando um doutorado. Saiba mais sobre ela clicando aqui.

O jeito russo de ser – Parte 1

21/05/2015

bz_russiaAndré Fernandes – Rússia

 

Busco com este post expor a cultura russa que os programas de TV não tem mostrado sobre o país além do clima extremamente frio, vodka, mulheres lindas e Vladimir Putin. A não ser com base no pouco que pude ver, não vou entrar em questões políticas, por serem complexas demais a serem resumidas, dadas as particularidades culturais e históricas da Rússia, dos jogos de interesses e propagandas na imprensa (seja russa, internacional, brasileira, etc).

A Rússia é um misto de Europa e Ásia, se formou isolada do resto do mundo durante séculos, sob o domínio mongol, seguidos de mais 300 anos de czarismo e o regime soviético. As origens da etnia russa estão no atual território de Kiev, na Ucrânia. Com guerras e migrações, houve a expansão até o atual território em torno de Moscou.

Tal isolamento contribuiu para a construção de uma cultura própria, que não é compreendida por quem não fala russo (inclusive eu): literatura, filosofia, música, cinema, internet, etc.; fato que torna a Rússia e a cultura russa interessantes de se conhecer. Soma-se ainda o fato de o país abrigar 50 grupos étnicos diferentes: como uzbeques, mongóis, tartar, chineses, ossetas, etc.

É importante também compreender que as condições extremas moldaram o modo de os russos viverem e de ser: o jeito durão, direto ao ponto e na lata (sobretudo entre os homens), o espírito de improviso, o se virar nas circunstâncias duras. Não tenho dúvidas que os invernos longos e rigorosos decisivamente contribuíram para isto. Imagina viver debaixo de -20ºC, -30ºC, -40ºC ou até mais abaixo! Hoje ainda existe eletricidade e calefação, nem vou imaginar como eles viviam há 150 anos, por exemplo. Achei interessante ver como russos e ucranianos encaram o frio: “Ok, está frio e a vida continua!” Hoje, quando vejo alguém reclamando do inverno do sul do Brasil – que além de não ser tão frio, tem sol e você anda nas ruas sem nenhuma neve cobrindo metros de chão – só posso rir e pensar como seria uns 6 meses debaixo de uma escuridão e congelando até os ossos.

O meu contato com a cultura russa começou, de fato, durante a minha travessia na Ucrânia e continuou ao longo da travessia nos países bálticos (Lituânia, Letônia e Estônia): pessoas falando russo, turistas russos, bonecos da Cheburashka (um cartoon do tempo soviético), pop russo nos carros e baladas, comidas russas etc .

Foi em Kiev, na Ucrânia, que descobri a Cheburashka, cartoon da época do regime soviético e um dos ícones culturais daquela época

Foi em Kiev, na Ucrânia, que descobri a Cheburashka, cartoon da época do regime soviético e um dos ícones culturais daquela época

Okroshka, sopa russa feita por minha host em Lviv, Ucrânia

Okroshka, sopa russa feita por minha host em Lviv, Ucrânia

A barreira costuma ser o idioma, não muita gente na Rússia fala inglês, é comum russos terem aquela mentalidade de que você deve falar russo, eis o porquê o russo é língua oficial em quase todo os países que faziam parte da antiga União Soviética. De qualquer jeito, o russo é falado em todo o Leste Europeu, onde quer que haja turistas russos e empresas vendendo para russos. É interessante notar como os russos se enxergam como etnia e impõem sua cultura até mesmo onde são minoria. Conheci pessoas que nasceram na Ucrânia, no Cazaquistão, no Uzbequistão e…cresceram falando russo, estudaram em escolas russas e se mudaram para algum outro país onde podem viver falando russo.

Até o McDonald's em cirílico. Na Rússia, é tudo em russo!

Até o McDonald’s em cirílico. Na Rússia, é tudo em russo!

É válido também lembrar que, entre os países que formavam a antiga União Soviética, é possível viajar de trem para quase todas as principais cidades. Se não houver linhas de trem de uma cidade a outra, é possível ir até a capital do país e pegar outras linhas que fazem a conexão ferroviária. De Moscou, então, é possível viajar de trem para todas as capitais e principais cidades dos países vizinhos: seja para Kiev (Ucrânia), Minsk (Bielorússia), Astana (Cazaquistão), até para Mongólia e para China.

E justamente de trem que muitos locais nestes países viajam a lazer e para visitar familiares em outros países vizinhos por ser mais barato e pelo conforto nas longas viagens. De Kiev para Moscou, por exemplo, são 27 horas de viagem. Logo, uma das melhores formas de entrar em contato com o modo de vida local.

Cabine do trem que peguei de Kiev para Lviv, umas 10 h de viagem.

Cabine do trem que peguei de Kiev para Lviv, umas 10 h de viagem.

Bom lembrar que brasileiros não precisam de visto em caso de turismo, é possível ficar até 90 dias sem visto na Rússia. Até os cidadãos de países da União Européia que fazem fronteira com a Rússia precisam de visto, que costuma ser uma interminável burocracia. Por que não aproveitar?

 Sobre a questão política

Vladimir Putin goza de alta popularidade entre a maioria da população russa, sobretudo após encarar como mão de ferro a oligarquia e reformular a política de preços do petróleo e do gás, os principais produtos de exportação do país. Para o russo comum, a palavra democracia é associada às privatizações e reformas marcadas por fraudes e corrupção durante o governo de Boris Ieltsin, que contribuíram para mergulhar o país numa profunda crise social e econômica até o início dos anos 2000.

Liberdade política não é algo que existe no país. Logo no meu primeiro dia, vi a polícia cercando todo o centro de São Petersburgo devido a um protesto ocorrido em Moscou, viaturas e caminhões por todos os cantos e as pessoas correndo pra casa. Com estrangeiros, costuma ser sossegado, mas com os locais é normal ver policiais abordando pessoas nas ruas e estações de ônibus/trem e perguntar por documentos, pedir propinas. Não preciso dizer porque não tirei fotos do policiamento.

Reuniões em grupo são proibidas sem permissão e não é permitida a venda de bebidas alcóolicas se não me engano a partir das 21h. Os russos costumam dar um jeitinho, mas de qualquer forma, é necessário tomar o cuidado, se a polícia pega… Fica a dica!

*André Fernandes, nascido em Santa Catarina para ser um nômade pelo mundo. Se formou em Administração Pública, foi parar na AIESEC e em marketing. Depois de uma meia-volta ao mundo, percebeu que seu caminho era viajar, descobrir diferentes lugares e culturas. Voltou ao Brasil e já está pensando nas próximas aventuras! Um pouquinho das suas andanças no seu blog A nomad in the world.

Que língua se fala na Índia?

20/05/2015

bz_india Juliana Paula – Índia hindibook

Esta aí uma das perguntas que mais ouço por parte dos meus amigos brasileiros.

Bem, como sempre digo, tudo na Índia depende. Depende do quê? Bem, da região, da casta, da religião…. Tudo deve ser levado em consideração quando falamos nesta colcha de retalhos chamada Índia.

Se você procurar no Google, ele vai te dizer que o idioma nacional da Índia é o hindi. Porém, basta abrir o próprio Google Índia que você vai ver pelo menos umas 7 opções de diferentes idiomas para pesquisa.

Dizem que a língua nacional é escolhida devido ao número de falantes que ela possui, além de todo o seu valor histórico e cultural. Sendo assim, aqui na Índia, o hindi saiu na frente, já que é a língua oficial de Delhi e de todo o estado de Uttar Pradesh, ao lado de Delhi, o mais populoso do país.

É o iindi também o idioma oficial do governo indiano, juntamente com o inglês. E, claro, é a língua mais usada nos os famosos filmes de Bollywood.

main_tumhare_bina_nahin_jee_sakti_copy

Porém, não podemos esquecer ou desprezar as outras línguas, as quais tem uma enorme importância cultural e histórica, como: punjabi, urdu, gujarati (a língua materna de Mahatma Gandhi), marathi, bengali, telugu, tamil, kannada, malayalam, só para citar as mais famosas.

bengali

Kannada

Kannada

Urdu

Urdu

A verdade é que hoje a Índia tem cerca de 122 línguas reconhecidas oficialmente. Porém, algumas entidades de pesquisa linguística anunciaram que a Índia tem cerca de 780 línguas, das quais pelo menos 50 já podem ser consideradas extintas, conforme anunciou o People’s Linguistic Survey of India.

Geralmente, o hindi é entendido e falado pela maioria dos estados da Índia, mas em alguns estados, há um movimento anti-hindi, como Tamil Nadu e Kerala. Como turista, o bom é se arriscar nas línguas locais ou no inglês mesmo, já que a maioria lá entende.

Falando nele…e o inglês? Como fica nesta estória? Ainda carregando traços de colonizados, os indianos consideram o inglês como a língua de ascensão social. Se você sabe inglês, com certeza tem condições de ganhar melhor e ter mais oportunidades de emprego. Indianos que não sabem inglês geralmente não são bem-vistos, sobretudo nas grandes metrópoles. O inglês também é o idioma de quem quer ser “cool” aqui ou se mostrar super estudado (sim, eles adoram se mostrar!).

india_speaks_english

Por isso, você vai ver muita gente, principalmente abaixo de 40 anos só falando em inglês entre si. Se eles estiverem em lojas como Mc Donalds, Starbucks, Dunkin Donuts, KFC, então…sai de baixo! Difícil vai ser ouví-los falar em hindi ou marathi, como é o caso aqui de Mumbai. Já nos escritórios e empresas, geralmente o inglês é a língua franca e as reuniões geralmente são realizadas neste idioma. Vale a pena lembrar que praticamente todo o ensino universitário aqui na Índia é dado em língua inglesa. E, a cada vez mais, os pais querem colocar seus filhos em escolas americana e bilíngues para que eles possam aprender o idioma o mais cedo possível. Um bom exemplo é meu sobrinho de 4 anos de idade, que começou a ir à escola ano passado e já sabe vários poemas em inglês.

Outro fato curioso é que os indianos ficam surpresos e extremamente dececpionados quando descobrem que quase ninguém no Brasil fala inglês. Pelo menos, não na mesma proporção que na Índia. Meu esposo também ficou chocado quando tentou se comunicar em vão com várias pessoas no Brasil. Ao perceber isso, ele logo memorizou os nossos: “obrigado”, “por favor” “de nada” “tudo bem”.

namaskar_2

Para quem quer visitar a Índia, é bom estar afiado no inglês e, de preferência, aprender algumas palavras em hindi, que sempre podem ser muito úteis. Aliás, a Índia hoje em dia é um dos locais mais procurados por quem quer fazer intercâmbio em língua inglesa, já que aprender inglês e ainda poder viver e viajar por este maravilhoso país é um verdadeiro sonho!

No mais, espero que tenham uma ótima viagem e não deixem de me visitar em Mumbai!

Um abraço!

Juliana Paula mora na Índia desde 2013 e desde então, tem desbravado aquele belo e encantador país. Para saber mais sobre ela clique aqui.

Tradicional festa medieval marca a chegada da primavera em Zurique.

19/05/2015

bz_suica

Arlete Dotta – Suíça

 

Todos os anos em abril, uma grande festa marca a chegada da primavera em Zurique. É o Sechseläuten (em dialeto: Sächsilüüte), onde 26 corporações de trabalhadores ou guildas, 12 delas já fundadas já na idade média, se apresentam num desfile de rua. Centenas de pessoas assistem ao desfile de perto ou acompanham pela televisão.

Desfile Sechseläuten - foto: Roland zh, Wikimedia Commons

Desfile Sechseläuten – foto: Roland zh, Wikimedia Commons

As guildas eram confrarias de trabalhadores na idade média (ourives, carpinteiros, alfaiates, barqueiros, etc.) que, junto com a Sociedade Constaffel, comandaram a cidade de Zurique a partir do ano de 1336, quando expulsaram os nobres que estavam no poder na época. Este marco histórico ficou conhecido como “A revolução dos artesãos”. Ficando por 462 anos no poder, as guildas foram destituídas em 1798 com a invasão francesa. Mesmo assim, a tradição seguiu em formato de festa.

O desfile conta com mais ou menos de 3.500 pessoas usando trajes típicos e uniformes da época, mais de 350 cavaleiros, em torno de 50 cavalos puxando carros alegóricos e 30 grupos musicais de marchinhas tradicionais. A cada ano, um cantão é o convidado de honra e seu representante presenteado com flores.

Desfile Sechseläuten - foto: Roland zh, Wikimedia Commons

Desfile Sechseläuten – foto: Roland zh, Wikimedia Commons

Um dia antes da comemoração principal que ocorre na segunda-feira a tarde, no domingo, acontece o desfile infantil, onde mais de 2.000 crianças em idade de 5 até 15 anos desfilam igualmente em trajes típicos.

Desfile infantil - foto: Roland zh, Wikimedia Commons

Desfile infantil – foto: Roland zh, Wikimedia Commons

O nome “Sechseläuten” vem de “Sechs-Uhr-Läuten”, algo como “badaladas das seis horas”, onde o sino da igreja Grossmünster, no centro de Zurique, indicava o fim o horário de trabalho no verão. No inverno, a jornada terminava às 17 horas por causa da escuridão.

Igreja Grossmünster – foto: Roland Fischer, Wikimedia Commons

Igreja Grossmünster – foto: Roland Fischer, Wikimedia Commons

O momento mais importante da festividade dá-se pontualmente às seis com a queima de um boneco “de neve” feito de madeira e tecido, o Böög, que representa o fim do inverno. Ele é queimado em uma fogueira no estilo das nossas festas juninas, enquanto cavaleiros cavalgam num ritmo vibrante ao seu redor até sua cabeça explodir. O momento da explosão da cabeça do boneco é aguardado por todos ansiosamente, que dependendo da demora, determina se o verão será bom ou não.

Queima do Böög - foto: Guérin Nicolas, Wikimedia Commons

Queima do Böög – foto: Guérin Nicolas, Wikimedia Commons

Após a festa, o público que assistiu ao desfile entre eles, pricipalmente jovens, fazem churrasco na praça onde termina a festa, com os restos de brasa da fogueira. Esta parte do evento é inoficial e não reconhecida pelos organizadores.

Churrasco após a festa - foto: Swissinfo

Churrasco após a festa – foto: Swissinfo

Apesar ser um evento típico interessante, a festa não é aberta a todos que desejem fazer parte dela. Para participar, a pessoa tem que ser o filho mais velho de um membro ou ser inidicada por alguém de uma corporação. Até 2014 mulheres também não podiam desfilar, tendo participado uma vez em 2011 e a partir de 2014 todos os anos como grupo convidado (mas não como membros oficiais). O argumento é que por ser uma tradição medieval, os grupos foram sempre formados por homens.

Este ano, o Böög demorou 20 minutos e 39 segundos para explodir, agora só resta esperar pra saber como será o verão. Mas uma coisa todo mundo já sabe, que o Böög é um mal meteoroligsta.

 *Arlete Dotta, Desde 2009 vive cercada pelos Alpes, na Suíça, para saber mais sobre a autora clique aqui.

10 Estereótipos sobre a Holanda e os holandeses

18/05/2015

bz_holanda Ana Fonseca – Holanda

Estereótipos são ideias preconcebidas sobre um povo ou país. A maioria dos estereótipos tem um fundo de verdade. Porém, é sempre melhor investigar se não passam de mito ou estória da carochinha.

dutch humble

1 – A Holanda é situada abaixo do nível do mar. Falso. Só uma parte do país, a Randstad e ao longo da costa é que está abaixo do nível do mar (1/4 da área total do país), sendo protegida por diques. O resto do país é, digamos, seguro com relação a possíveis enchentes.

2 – Os holandeses usam tamancos de madeira. Falso. Eu só vi em 15 anos que vivo por aqui dois idosos usando “klompen”, e para andar na terra fofa do jardim. O “pobrema” é que a Holanda divulga muito para o exterior essa imagem de holandeses vestidos com roupas típicas e de tamancos, principalmente para atrair turistas. Há uma imagem muito “fixa” principalmente entre os norte-americanos de que os holandeses são doidões promíscuos.

dutch girl

3- São os mais altos do mundo. Verdade. Muitos biólogos e cientistas têm coçado muito a cabeça tentando explicar esse fato. Talvez devido ao alto consumo de laticínios, prosperidade e boa assistência médica, ou talvez porque mais famílias tem capacidade financeira de passar férias com os filhos em países ensolarados (vitamina D), os holandeses tiveram um pique incrível no crescimento da altura durante o século XX. Desde os anos 50 do século passado mantém o posto de mais altos do mundo, com os norte-americanos em segundo lugar.

weed plantage

Forte supseita de plantação de maconha no ático de uma casa, em pleno inverno. Os vizinhos denunciaram, a polícia entrou em ação. Rondas de helicópteros feita pela polícia na área urbana durante o inverno não são incomuns. 

4 – As drogas são totalmente liberadas na Holanda. Falso. Drogas leves como haxixe ou maconha podem ser adquiridas em coffee shops, até uma certa quantidade por pessoa (5g). É legal plantar até 5 pés de maconha em casa, para consumo (a-hem) próprio. O que acontece é que na Holanda há a política de “fechar um olho para certas ilegalidades” (gedoogbeleid), como o consumo de drogas pesadas. A lei holandesa não pune o consumidor que esteja na posse de até 5g, mas prende o produtor. Como consequência, o consumo de drogas é um dos menores de toda a Europa. Você não vê pessoas drogadas no ambiente de trabalho ou pelas ruas. Obs.: menores de 18 anos não caem na política de gedoogbeleid. É estritamente proibida para menores a possessão de drogas.

dutch problems tumblr

via: dutchproblems.tumblr.com

5 – Todo holandês fala inglês. Em termos. O inglês é ensinado nas escolas. Mas nem todo holandês consegue no estalar de um dedo sair falando inglês fluente. Há donas de casa, fazendeiros, empregados de fábricas, e até profissionais com curso superior que tem um contato mínimo ou zero com a língua e não falam inglês com fluência.

6 – A prostituição é legal na Holanda. Verdade. Profissionais do setor se registram como tal e pagam impostos ao governo. As áreas vermelhas estão em franca diminuição no país e muitos profissionais da área estão trabalhando na ilegalidade. As prefeituras de diversas cidades não estão renovando as licenças de bordéis e casas de prostituição, preferindo conceder licenças a lojas e bares/restaurantes, etc.. Isso porque o país quer sair da lista de destinos preferidos para comercializar mulheres traficadas.

7 – A eutanásia é legal na Holanda. Verdade. Porém nem todo médico a pratica. Muitos se recusam e indicam a família a um outro colega médico. O método mais comum é uma injeção letal.

8- O aborto é legal na Holanda. Verdade. Até um certo período de gravidez e feito com muita parcimônia. O método mais comum nesse caso é a ingestão de pílulas abortivas. Again: o índice de gravidez indesejada é dramaticamente menor na Holanda do que países como Inglaterra, França e Alemanha. Isso devido à franca educação sexual na escola e em casa.

9 – A língua holandesa é como a língua alemã. Argh, não ! Mas os alemães aprendem holandês bem rápido e vice-versa…

10 – O país é todo plano. Verdade. Plano como uma panqueca (o ponto mais alto do país tem apenas cerca de 300m). E o mais populoso da Europa. Você nunca está sozinho na Holanda: tem sempre uma vaca no pasto, um carro na estrada, um ciclista na rua, um barco navegando no canal, alguém te dando uma cutucada.

the world

 Amsterdam como o umbigo do mundo e o resto do mundo visto pelos holandeses. Fato ou falso ? 

————–

Ana Fonseca vive desde 1999 na Holanda. Veja fotos dela e dos autores do BZ no Instagram: @blogbrasilcomz

México também tem Pirâmides!

15/05/2015

bz_mexicoMelissa Lima  – México

Mudei pro México e não sabia nada sobre o país, nada mesmo. E hoje me pergunto como é que por tanto tempo não tive conhecimento algum sobre este país tão rico culturalmente. Aqui você respira cultura, e não sei se vocês sabem mais a Cidade do México é a cidade com mais museus no mundo, desbancando até as européias: entre as principais atrações estão a Casa de Frida Kahlo, o Museu de Arte Moderna, Museu Mural Diego Rivera e o Museu Nacional de Arte. Você respira arte e cultura.

Levaria dias, contando pra vocês sobre tudo que o México tem a oferecer, então optei por dividir em partes e começar pela que , de início, mais me impactou: as Pirâmides. Ledo engano você , que achava que elas ficavam só no Egito. O México tem pirâmides para todos os gostos e a primeira que conheci foi a maior de todas, localizada em Teotihuacan, pertinho da Cidade do México, mais ou menos 50 km.

DSC03678

TEOTIHUACAN (“o local onde os homens se tornam deuses”. A cidade é uma das mais impressionantes do mundo antigo, foi fundada antes da era cristã e chegou a ter mais de 125 mil habitantes) foi declarada como Patrimonio da Humanidade pela Unesco em 1987. São mais de 80 km2 de história, simbologia, encantamento. É assim, de repente, não mais que de repente, você entra na zona arqueológica e fica muda. MUDA. Eu fiz assim! Quando avistei a Pirâmide do Sol, fiquei ali, parada. É uma energia diferente (e eu nem sou ligada nesses lances de energia, cosmicos…). Me encantou!

DSC03698

Da zona arqueológica podemos destacar duas Pirâmides: A do Sol e a da Lua.

A do sol é a terceira maior pirâmide do mundo e a maior de Teotihuacan, foi descoberta recentemente, em 1971, acreditam? Com mais ou menos 63m de altura, e mais de 3 milhões de toneladas de pedras, bem menores que as usadas na construção das piramides do Egito. E por mais que me expliquem mil vezes, agora com a faculdade, muito discutido esse tema, não consigo imaginar homens, carregando pedras e construindo pirâmides. Não da! Dá pane no meu cérebro. E com tamanha perfeição! E o guia me disse ainda (pra eu pirar mais…) que na base da piramide foi encontrado um mineral, conhecido por MICA, que não existe aqui. Existe no Brasil, e teve que ser trazido…(mas como? 2 mil km de distancia? e sem rodas????) Desculpe meu professor Carlos , mas, não assimilo. Muito intrigante!

Sobre a pirâmide: fiquei decepcionada porque ela não tem câmaras internas, ou seja, é toda recheada de pedras, não dá pra fazer um tour dentro da pirâmide. Sei lá , na minha mente, poderia entrar e encontrar múmias talvez…..rs ! E pra subir meus queridos, estejam com os exercícios físicos em dia, para não “quase morrerem” como eu.

DSC03711

A da Lua é menor, e se tem uma foto lindíssima dela, quando tirada da do Sol. Com uma altura de 45m, foi construída como principal monumento do complexo da lua. Diz a lenda que a pirâmide da Lua suga a energia das pessoas e a do Sol, revigora.

Vale muito a pena o passeio e ler bastante antes de ir, sobre o que vai ver! Não dá pra acreditar que numa cidade tão imensa, caótica, fascinante uma das maiores do mundo com mais de 9 milhões de habitantes , você pega o carro, anda mais ou menos uns 50 KM e se depara com algo, que tira seu fôlego. E por não ter vegetação alta, ela salta aos olhos, unica.

Então, vista sua roupa de Indiana Jonas, se proteja do Sol, leve muita água e aventure-se em mais uma opção que o México te oferece: Pirâmides!

DSC03695-1

Uma lenda que se ouve por lá é que em Teotihuacán há cinco sóis (e cinco eclipses). Diz-se que o Primeiro Sol (um animal) teria destruído a primeira geração de homens, o Segundo Sol (o vento) teria destruído a geração seguinte, o Terceiro Sol (o fogo) teria destruído a terceira geração, e a quarta teria sido destruída pelo Quarto Sol (a água). E o Quinto Sol teria sido criado em Teotihuacán e tem relação justamente com a profecia do fim do mundo…

Melissa Lima, 34 anos, mora com a família em San Luis Potosí/MEX há um ano e 4 meses, sem prazo pra voltar pro Brasil (se voltar!). Para saber mais sobre ela clique aqui. 

6 dicas para fazer uma festa infantil no estilo americano.

14/05/2015

EUARenata Kotscho Velloso – San Francisco, EUA
 

Esse é o mês do meu aniversário e também das minhas duas filhas. É também aniversário da Ana, outra autora do Brasil com Z. Então aproveitando o assunto resolvi escrever um pouco sobre como são comemorados os aniversários aqui nos EUA, principalmente as festas infantis.

Festa com tema de ciências nos EUA. Foto: Renata Velloso

Festa com tema de ciências nos EUA.
Foto: Renata Velloso

  1. Convide poucos amigos: as festinhas de crianças em geral são feitas com poucos convidados, para que a criança possa brincar de verdade com os seus melhores amigos. Em geral cerca de 10 amiguinhos já fazem uma bagunça bem divertida.
  2. Estipule horário para festa começar e terminar: as festas de criança aqui nos EUA duram cerca de 2 ou 3 horas, o tempo ideal para ninguém ficar com dor de cabeça.
  3. Decoração simples com coisas feitas em casa: Ao contrário das festas infantis brasileiras, a decoração das festas americanas são bem mais simples, com muita coisa feita em casa. Envolver a criança no planejamento e na execução da festa também é uma maneira muito legal de ampliar a expectativa e a diversão da festa.
  4. Prefira comidas saudáveis e não esqueça de servir água: Nas festas por aqui costuma ter muita fruta, sanduíches naturais e sucos. Mesmo assim muitas crianças preferem beber água mesmo. Mas é claro: bolo e cupcakes são sempre bem vindos também!
  5. Programe atividades para entreter as crianças: as mães americanas costumam ser criativas em planejar brincadeiras e atividades relacionadas com o tema da festa. Jogos, atividades artísticas, “caça ao tesouro”, experiências científicas e blocos de montar são opções populares.
  6. Mantenha o orçamento sob controle. Gasta-se muito menos em festas de criança nos EUA se compararmos ao Brasil. A ideia não é dar uma “festa de casamento” por ano, mas sim convidar os melhores amiguinhos da criança para uma tarde divertida com o aniversariante, tudo bem simples e caprichado.
Festa infantil nos EUA: Decoração feita em casa, mas com muito capricho.

Festa infantil nos EUA: Decoração feita em casa, mas com muito capricho.

Como vocês podem ver eu sou fã do estilo de festas de crianças por aqui. Para quem gosta da ideia, no Pinterest existem murais cheios de ideias muito legais para preparar festas infantis. Para criar um evento divertido que fique na memória da criança basta uma pitada de criatividade e arregaçar um pouco as mangas. No final todo mundo aproveita mais e enlouquece menos.

 
 ——————
*Renata Velloso é médica e autora do Bulle de Beauté e também é responsável pelo projetoDoctors on the Cloud . Para saber mais sobre ela  clique aqui.
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 2.470 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: