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Tu ou Vous ?

07/07/2015

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Fabio Takeshi – Normandia, França

fonte : trnd.com

fonte : trnd.com

A sociedade e a cultura francesa são mais formais que no Brasil e isto reflete-se na língua francesa, na existência de uma maneira formal e outra maneira informal para chamar o “você”. Assim como em outras línguas como o espanhol (com as formas tu e usted) e o alemão (Du e Sie), há a maneira informal (tu) e a maneira formal (vous), cada uma é claro com a sua própria conjugação verbal.

tu ou vous [fonte lemonde.fr]

tu ou vous [fonte lemonde.fr]

Esta diferença cultura pode ser um pouco difícil no começo

As regras de base são :

– se você não conhece a pessoa, comece chamando por vous até que a pessoa permita que a chame por tu.

– um adulto chama uma criança de tu mas uma criança deveria chamar um adulto que não é da família por vous. Digo deveria pois as gerações mais novas, já chamam os adultos por tu .

– um adulto chama outra pessoa mais velha por “vous”

– em lojas e, é claro com uma autoridade, como um policial ou um juiz, ou para o presidente de uma empresa deve-se chamar por vous.

No âmbito profissional, estas regras de base são válidas mas à medida que começa-se à conhecer os colegas de trabalho, em geral as pessoas chamam-se por tu mas pode haver algumas exceções, se há um alto grau de respeito por alguém mais velho, como para um especialista em um domínio, ou quer-se claramente estabelecer uma relação formal, as pessoas chamam-se por vous.

Este artigo do LA times tenta explicar de uma maneira bem humorada este assunto.

Onde começa-se à complicar e onde eu ainda não consegui totalmente decifrar os códigos de conduta no âmbito profissional é com relação dar beijinhos no rosto de uma colega de trabalho (faire La bise), até onde me falaram, se trata de ter uma afinidade com a pessoa, há casos de pessoas que se conhecem depois de vários anos mas que continuam a dar um aperto de mão enquanto que vejo casos de pessoas que se conhecem depois de pouco tempo e já se dão beijinhos.

No âmbito pessoal a regra é dar beijinhos em amigos e em família.

O número de beijinhos varia, como no Brasil, dependendo da região onde se está; a média é dois mas pode chegar à 5 !

numeo de beijinhos por departamento frances [fonte : radicalgeography.net]

numeo de beijinhos por departamento frances [fonte : radicalgeography.net]

E você, como é no seu país ?

* Fabio Takeshi Utida mora na França há 6 anos e, após morar nas regiões de Borgonha e Champagne , resolveu estabelecer-se na região da Normandia.  Para saber mais sobre ele clique aqui.

Brugge: uma fofura de cidade!

06/07/2015

bz_belgicaTouché Guimarães, Antwerpen – Bélgica

Verão na Europa, muita gente interessada em belezas especiais a ver e lugares interessantes para curtir. A Bélgica não tem uma tradição essencialmente turística, no entanto a cidade de Brugge atrai muitos visitantes, por seu charme único e sua riqueza histórico-cultural.

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mapa de Brugge

Brugge: de onde vem este nome?

A primeira nomeação se vincula a algumas moedas existentes antes do ano 875, onde se lê ‘Bruggia‘ e ‘Bruccia‘. No entanto, se desconhece a origem do nome Brugge, havendo varias hipóteses a respeito. Uma delas associada à degeneração do nome celta dado ao rio Reie, que desembocava no Mar do Norte, e cujo nome teria mudado para ‘Rogia‘ (água sagrada). As transformações desta palavra teriam levado Rogia ou Ryggia (nome da água) a referir-se à cidade por onde o rio passava, que então se chamava Bryggia.

Outra hipótese está ligada ao progresso do comércio realizado com os países nórdicos, que teriam dado este nome à cidade por influência de Bergen, grande porto da Noruega, também importante participante da Hansa (ou Liga Hanseática), poderosa federação comercial e defensiva das cidades-membro a partir do séc. XIV.

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Um pouco de

História

 

Brugge é a capital da Província West-Vlaanderen e existe desde o  séc. II D.C. quando aí se estabeleceu um povoado Gallo-Românico. Entre os séculos IX e XII a cidade se desenvolveu graças ao porto, tornando-se importante centro de comércio, chegando mesmo a ser a capital económica do nordeste da Europa. A primeira bolsa de comércio do mundo foi criada lá e o ‘Waterhalle’, belo e imponente edifício, foi construído em 1294 para ser ponto de encontro dos comerciantes.

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o Waterhalle, quadro de Pieter Claessins, séc.  XVII fonte: Wikipedia

Incrivelmente, em 1787, esta belíssima obra arquitetural foi condenada a ser destruída, por decisão do império austríaco (Habsburgos), que dominava aquela parte da Bélgica na época e que, independente dos vários protestos do povo, declararam que tal demolição era devida à redução do movimento do porto, causada pela transferência do comércio para o porto de Antwerpen,

Felizmente, e apesar deste fato, a beleza e os encantos de Brugge não se perderam com o passar do tempo e a cidade se tornou cada vez mais famosa como ponto de atração turística, tendo sido classificada na lista do patrimônio mundial da Unesco, em 2.000. e, em 2.002, foi considerada a Capital da Cultura na Europa.

62g26_1851Geografia, clima e população:

bem pequenininha – apenas 138,4km2 – e situada nas proximidades do Mar do Norte, Brugge é bonita em qualquer estação do ano. As temperaturas não são tão extremas, entre 2°C no inverno e 20°C no verão, e entre maio e agosto o sol se faz quase sempre presente, aumentando o prazer de andar pelas pequenas ruas admirando a arquitetura sempre caprichosa e detalhada. Muito pouca gente mora em Brugge: a população fixa não chega a 120 mil habitantes, no entanto, nos meses de verão, as ruas estão sempre cheias, num movimento constante de visitantes do mundo inteiro.

Vocação turística:

É praticamente impossível se pensar em curtir a Bélgica sem ir a Brugge. O acesso por estrada é excelente e existem boas alternativas para se ir passar um dia lá, indo-se de trem, caso o turista resista à tentação de se alojar lá mesmo (há mais de 100 hotéis, mas os preços não são os mais amigos…).

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cada cantinho tão lindo!!!

O ideal é simplesmente se deixar levar pela mágica da cidade, e passear sem destino. Claro, o Centro Histórico é o grande polo de atração, mas há muito o que ver nos arredores também. Compreensivamente, no centro o trânsito para veículos tem limitações rígidas de velocidade: 30km. Melhor andar a pe, né? Mas bicicleta é uma excelente alternativa para os ‘apressados’, com ótima sinalização e ciclovias de duas mãos. Outra forma super agradável de ver a arquitetura é fazer um passeio num dos barquinhos que circulam pelos românticos canais.

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um passeio inesquecível!

62g26_1811Brugge tem vários parques e nos arredores há bonitos bosques, mas não só áreas verdes fazem o prazer dos passeios fora da cidade: o Boudewijn Seapark é o maior dolfinário da Europa, onde vivem não só dolfinhos mas também leões marinhos.

Diversas atrações:

Também há muita cultura para se ver! Inúmeros museus, festivais, bibliotecas… há de tudo. O moderno Concertgebouw (edifício para concertos) é dotado de excelente acústica e foi sido construído em 2002, em comemoração à nomeação de ‘patrimônio da humanidade’ da UNESCO. Sua sala principal tem 1.300 lugares, havendo também uma sala especial para música de câmara, onde cabem 320 pessoas. Já o Stadsschouwburg é considerado como um dos teatros municipais mais bem conservados da Europa, acolhendo espetáculos de todos os tipos, nacionais e internacionais, com capacidade para 700 pessoas.

Os festivais… apenas alguns nomes entre muitos:

Há uma grande diversificação de temas, variando entre música, cultura, culinária… e que importa sempre é o ambiente descontraído e festivo!!!

62g26_1871a) música

Airbag, festival de acordeon, acontece a cada dois anos em diferentes locais da cidade e dura de 2 a 3 semanas.

Ars Musica, para os aficionados da música clássica, se realiza em março, no Concertgebouw.

Blues in Bruges, dura 5 dias, no mês de abril, podendo ser curtido num dos vários cafés onde os músicos se apresentam.

Brugge Tripel Dagen, dura 3 dias, na Grote Markt. Este ano, será dias 19, 20 e 21 de julho.

Brugges Festival, voltado à musica internacional, dura 4 dias, realizando-se no Stadsschouwburg, no inverno, geralmente em novembro.

b) musical-cultural:

December Dance: 12 dias em diferentes salas da cidades-membro

Feest in ‘t Park (festa no parque): no belíssimo Minnewaterpark, festival mundial

Sint-Michielse Feeste: cada primeiro domingo de setembro, em Sint-Michiels

Summer End Festival, dura dois dias e se realiza em Sint-Kruis.

c) cultura e culinária:

Aristidefeesten, são festas populares que se realizam todos os sábados, em setembro, ao redor do Museum voor Volkskunde (museu de arte popular).

BAB-bierfestival: dois dias de muita cerveja, no famoso campanário.

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e…o Choco-Laté, imperdível, 4 dias de gostosuras para os apaixonados pelos chocolates belgas

Quermesses e Mercados!

Imaginem só, anualmente se realizam 23 quermesses na cidade! A maior delas é a de Meifoor, geralmente em maio e durando 1 mês, que se espalha numa grande área na cidade e apresenta mais de 90 atrações. Esta tradicional quermesse existe deste o ano 1.200, quando se realizou o primeiro mercado internacional. Um dos pontos altos do evento é um desfile de crianças vestindo fantasias.

Para quem aprecia ir a mercados para ver e comprar produtos naturais, não só alimentícios, mas onde se encontram produtos diversos. Como exemplo, o Folkloremarket, onde vários artistas oferecem seus trabalhos e também se pode encontrar muitos objetos de 2a mão, interessantes e a bom preço.

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O famoso Minnewater

Enfim, Brugge é um mundo rico e variado, onde não só se pode fazer lindas fotografias e filmes, mas aprender muito sobre diferentes temas interessantes, num ambiente agradável e relaxado, Como uma caixinha de jóias, esta pequena cidade guarda tesouros valiosos, que valem a pena descobrir.

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         Bom passeio !!!

fotos: ©Guy Voets

*Touché Guimarães é escritora, professora de idiomas, tradutora/revisora, apaixonada pela natureza, por animais (sobretudo gatos) e por gente de olhar positivo e mente aberta. Para saber mais sobre ela clique aqui.

10 Bizarrices Holandesas

03/07/2015

bz_holanda Ana Fonseca – Holanda

1) Mergulho de biquíni e sunga no mar gelado de Scheveningen durante o Ano Novo (Nieuwjaarsduik). Milhares e milhares de pessoas participam. Atuamente é um evento patrocinado pelo fabricante de sopas Unox, que sempre elege a garota mais bonita de cada ano. O pessoal vai sorrindo e alegre, correndo mesmo pro mar gelado. Bizarro.

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(Via: nufoto.nl, plazilla.nl e unox.nl)

2) Parabenizar o aniversariante bem como todos os presentes na ocasião da festa. Deve-se buscar o aniversariante e dizer olhando para os olhos dele(a): “Gefeliciteerd !” (parabéns) e entregar o presente ou envelope com dinheiro. Caso o aniversariante não esteja presente claro que o convidado começa uma ronda entre outros convidados e familiares dando a mão e dizendo “gefeliciteerd” para cada um. Parece estranho que cada convidado saia parabeninzando cada presente mas procure não ver uma tradução literal do gefeliciteerd como “parabéns” e sim como votos de felicidades.

3) Celebrar os 50 anos de idade como um grande marco na vida. As mulheres são chamadas de “Sarah” quando completam 50 anos. E os homens são chamados de “Abraham”. A frente da casa é decorada de modo bem chamativo com bonecos infláveis gigantes, esculturas ou espantalhos, ou fotos do aniversariante em diversas fases da vida. Zoação bizarra.

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4) Comer arenque cru (o famoso sushi holandês). Ele é servido limpo e sem cabeça, salpicado de cebolas cruas e às vezes pickles.

5) Leilão Holandês, onde os preços são oferecidos “para baixo” e durante um tempo determinado (alguns segundos). É um leilão muito esperto que obriga o comprador a tomar decisões de oferta de modo muito rápido. Muito utilizado na venda de flores.

6) Pontes que abrem ao meio e as “draaibrugen” (que se abrem pros lados). A Touché já fez um post a respeito, por sinal;

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(Vai abaixar, abaixando, abaixa só mais um pouquinho… abaixou ! Fotos: Ana Fonseca)

7) Os controversos Sinterklaas & o Pedro Negro (Veja esse post da Touché a respeito e o meu comentário no post dela). As três fotos abaixo são minhas.

BZ Zwarte Piet SinterklaasBZ Zwarte pietBZ sinterklaas e zwarte piet

8) Agendar data e horário para quase tudo (een afspraak maken), desde para encontrar amigos ou para sair com aquele alguém especial que você não pode mais esperar para finalmente ter o primeiro encontro. Vai que o tamanquinho do seu sonho de consumo não tenha mais um tempo vago no próximo fim-de-semana… nem no outro… mas só daqui a dois meses. É de tirar o tesão de qualquer um, não? Planejamento: 10, espontaneidade: 0.

9) Gedoog beleid/politiek. É a atitude de “fechar um olho”para pequenas transgressões. Muitas coisas que são proibidas por lei na Holanda são toleradas, desde que fiquem dentro de uma margem de bom senso. Por exemplo: um cidadão que decida plantar flores num canteiro público não necessariamente sofrerá repreensão da lei. Só não dá para ir começar uma horta para consumo pessoal.

10)  Drop, uma bala escura e muito temperada, com gosto de remédio. Tem em vários formatos. No vídeo abaixo, você pode ver a reação de alguém que prova um drop holandês. O drop pode ser “zoet” (doce) ou “zout” (salgado) e em inglês se chama “liquorice”. Bizarroooo!

*Ana Fonseca vive desde 1999 abaixo do nível do mar. Mini bio aqui. Fotos dela e de outros autores do BZ no Instagram: @blogbrasilcomz  Twitter: @AnnaGFH

Invenções suíças que mudaram o nosso cotidiano

02/07/2015

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Arlete Dotta – Suíça

Mesmo sendo em sua origem um país formado de agricultores e pastores de ovelhas, a Suíça trouxe ao mundo grandes invenções e criações. Mas esse texto não vai citar o descobrimento do DNA em 1869 feito pelo médico Friedrich Miescher, nem a análise matemática desenvolvida por Leonhard Euler em 1748.

Aqui, uma amostra de pequenas invenções que, criadas ou aperfeiçoadas por suíços, mudaram o nosso cotidiano.

1 – O canivete suíço

Canivete suíço. Foto: James Case, via Wikimedia Commons

Foto: James Case, via Wikimedia Commons

Talvez só depois de adentrar a rotina suíça a gente percebe o quanto essa faca multiuso pode ajudar nas mais variadas situações.

No final do século 19, o exército suíço estava em busca de um novo tipo de canivete para seus soldados, algo que fosse útil de uma maneira geral além de auxiliar na defesa destes. Assim, as primeiras
ferramentas a serem integradas foram, além da lâmina, o abridor de latas, a chave de fenda e um furador. Hoje é o canivete não só mais conhecido como também mais vendido no mundo. As versões mais modernas possuem até caneta laser e “pen drive”. Outras versões possuem ferramentas específicas para pescadores ou para quem joga golfe, por exemplo.
Todo suíço carrega um no bolso onde quer que vá.


2 – Chocolate em barra

Chocolate em barra. Foto: Simon A. Eugster, via Wikimedia Commons

Foto: Simon A. Eugster, via Wikimedia Commons

Apesar da fama do chocolate suíço, não foi aqui que nasceu essa delícia (a Melissa fala sobre isso aqui nesse post). Mesmo assim, não dá pra deixar de citar que foi o suíço François-Louis Caillier o primeiro a fabricar o chocolate em barra. Se eu fosse citar outros aperfeiçoamentos e criações relacionados à indústria chocolateira, a lista seria grande (Ovomaltine, o chocolate ao leite, a conchagem – uma das etapas da produção do chocolate, etc.). Nham!


3 – O papel alumínio

Foto: Wongx, via Wikimedia Commons

Foto: Wongx, via Wikimedia Commons

Em 1905 foi patenteado por Heinrich Alfred Gautschi e usado no início principalmente para embalar chocolates, cigarros e queijos.


4 – O papel celofane

Foto: Holger Ellgaard, via Wikimedia Commons

Foto: Holger Ellgaard, via Wikimedia Commons

Outro tipo de papel que revolucionou o dia-a-dia das pessoas e até hoje é amplamente usado. Foi desenvolvido pelo zuriquense Jacques E. Brandenberger em 1908.


5 – A resina epóxi

Aplicação de epoxi transparente - Foto: Jake Gallagher, via Wikimedia Commons

Aplicação de epoxi transparente. Foto: Jake Gallagher, via Wikimedia Commons

Quem não se lembra do Durepoxi, aquela massa cinza pra consertar objetos quebrados? Pois é, essa resina de mil e uma utilidades empregada nas indústrias química, elétrica e tecnológica, aeronáutica e até na construção civil, foi criada pelo alemão Paul Schlack e o suíço Pierre Castan na cidade de Zurique em 1928.


6 – O descascador de legumes Rex

Foto: Peter Wiegel, via Wikimedia Commons

Foto: Peter Wiegel, via Wikimedia Commons

De utilidade incontestável na cozinha, foi inventado por Alfred Neweczerzal em 1947. A primeira versão de outro tipo é do alemão Albert Deimel.


7 – O espremedor de alho

Foto: Lee Kindness, via Wikimedia Commons

Foto: Lee Kindness, via Wikimedia Commons

Sim, quem não tem ele em casa? Foi o suíço Karl Zysset que, nos anos 50, facilitou a nossa vida com a sua invenção.


8 – O velcro

Foto: Christian Fischer

Bardana, a planta que inspirou Georges de Mestral. Foto: Christian Fischer, via Wikimedia Commons

Foi através dos passeios frequentes com seu cachorro, em 1951, que o engenheiro Georges de Mestral teve essa idéia brilhante. Tudo porque o fruto de uma planta chamada bardana sempre grudava nos pêlos de seu canino. Ao ser comercializado o produto recebeu o nome de velcro, uma mistura do francês velours (veludo) e crochet (crochê).


9 – A fonte Helvetica

Arte gráfica: Dancojocari, via Wikimedia Commons

Arte gráfica: Dancojocari, via Wikimedia Commons

Todo mundo conhece e usa. Os primeiros esboços da tipologia foram feitos em 1956 pelo artista gráfico Max Miedinger e o administrator de empresas Eduard Hoffmann na Basiléia.


10 – O mouse

Mouse de três botões da Logitech. Foto: Wikimedia Commons

Mouse de três botões da Logitech. Foto: Wikimedia Commons

A primeira versão popular de três botões foi trazida pela empresa suíça Logitech em 1985. As versões anteriores nunca tinham sido tão usadas.


11 – A máquina de escrever portátil

Foto: Dr. Nachtigaller, via Wikimedia Commons

Foto: Dr. Nachtigaller, via Wikimedia Commons

Foi o suíço Moise Paillard que em 1935 lançou a Hermes Baby. Máquina de escrever mais utilizada da época, também famosos, como por exemplo Ernest Hemingway.


12 – O zíper

Foto: Rabensteiner, via Wikimedia Commons

Foto: Rabensteiner, via Wikimedia Commons

Foi desenvolvido por vários inventores, mas foi Martin Othmar Winterhalter, de St. Gallen, que aperfeiçoou o produto chegando ao resultado que conhecemos hoje para depois produzir em escala industrial os zíperes que, em 1923, se tornaram famosos pela sua qualidade.

Fontes: Wikipedia, Swissinfo e Handelzeitung

*Arlete Dotta, desde 2009 vive cercada pelos Alpes, na Suíça, para saber mais sobre a autora clique aqui.

Comprar uma casa a 1 Euro na Itália, como funciona?

01/07/2015

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Carla Guanais – Roma, Itália.

Circula na rede a notícia de venda de casas a somente 1 Euro aqui na Itália. É verdade?

Sim!

Porém não é assim tão simples e também pode ser que não seja assim tão vantajoso.

A iniciativa foi feita por algumas pequenas cidades, na maioria burgos, que estão praticamente abandonadas.

As casas dos burgos (como contei nesse texto) são normalmente de pedra, tipo castelo (vários andares tipo puxadinho) e, essas abandonadas, são normalmente em péssimo estado. 

repubblica.it

repubblica.it

Algumas exigências são feitas na hora de se comprar uma dessas casas praticamente grátis, entre elas:

– assinar contrato com a prefeitura se responsabilizando pela reforma do imóvel, segundo um padrão mínimo, suficiente para ser habitável (gasto de reforma sairia de 25 a 50 mil euros dependendo do tamanho do imóvel);

– dentro de um ano apresentar o projeto de reforma e, este deve ser iniciado no máximo dois meses após a  aprovação do projeto.

– dar uma quantia em garantia (5 a 10 mil euros);

– provar que se tem condições de pagar todas as despesas de registro e documentação da casa. Além das ligações de serviço básico, como água, luz e gás.

Uma dessas cidades que venderam (e ainda vendem) casas a 1 Euro, é Carrega Ligure, cidadezinha minúscula no Piemonte que tem 98 habitantes somente. A iniciativa do prefeito era revitalizar o lugar, que um dia chegou a ter 3 mil habitantes.

Não é necessário ser italiano nem residir na Itália.

Até  turistas podem comprar essas casas, o desafio é cumprir todos os requisitos e exigências e passar por toda a burocracia!

E aí? Tem uma grana pra investir e quer arriscar??

Antes de tudo ver se realmente é um negócio vantajoso. Pois uma casa nova na mesma cidade (claro de repente não central) pode sair pelo menos valor ou até menos menos do que se gastaria com todos os custos de reforma, documentação, etc. de uma casa que custou 1 euro.

Como saber?

Procurando e comparando em sites de busca de casas e apartamentos como o Immobiliare, Subito, Bakeca, etc.

Além do preço, estrutura, condições e localização da casa, vale a pena dar uma olhada melhor na cidade, localização e sua estrutura, transporte e tudo o mais para saber se é um bom negócio.

Muita atenção para não “levar gato por lebre”.

Muitos querem saber: Mas um brasileiro residente no Brasil, sem visto na Itália pode comprar um imóvel na Itália obter uma permissão de permanência? A resposta é sim, pois existe o acordo de reciprocidade entre os países, porém segue algumas exigências, como localização do imóvel (não pode ser propriedade rural) e também renda, já que para obter uma permissão de permanência através da aquisição de um imóvel é preciso comprovar alta renda a fim de não depender de nenhuma forma do estado italiano.

Arrivederci!

Carla Guanais é cientista, blogueira e mora na Itália desde 2010, onde está cursando um doutorado. Saiba mais sobre ela clicando aqui.

Dicas sobre Ucrânia e a capital Kiev

29/06/2015

ukraine flag André Fernandes – Ucrânia

 

A Ucrânia foi um daqueles países de que nada sabia e me surpreendeu ao conhecer quando “fui a campo” explorar: belas cidades, as pessoas que conheci, encontros com amigos locais, a arquitetura, comida, bebidas e até praia. Não vou entrar na parte dos atuais conflitos, por não estar lá agora e não poder falar com propriedade, e nem pretendo desmerecer os fatos do conflito. Contudo, pretendo com este post mostrar que a Ucrânia não é só aquilo que vem sendo exibido nos noticiários e este é o primeiro post. As notícias sempre tendem a exagerar, certo? Em boa parte do país, sobretudo na parte oeste, a vida continua. Os conflitos tem se concentrado no leste do país.

É o maior país dentro da Europa, divide fronteiras com Moldávia, Romênia, Hungria, Eslováquia, Polônia, Bielorússia e Rússia.Foi parte da antiga União Soviética de 1922 a 1991 e a capital é Kiev (Kyiv), conhecida como a capital mais verde da Europa. De fato, a cidade tem uma expressiva paisagem verde até mesmo na parte central.  E a moeda do país é a hryvnia (grívinia).

O verde no meio de centro de Kiev

O verde no meio de centro de Kiev

A Ucrânia não é uma sombra da Rússia, como tem dado a aparecer desde os tempos na União Soviética e nos acontecimentos políticos recentes, ainda que sejam evidentes as marcas da cultura russa no país. Eu mesmo, comecei a ter mais familiaridade com a cultura russa na Ucrânia, como até mencionei no post O jeito russo de ser.

Ucraniano e russo são línguas diferentes, e ucranianos costumam falar ambas. Pelo menos nas principais cidades, muitos dos mais jovens falam inglês, mas ainda existe considerável barreira de idioma, sobretudo entre os de famílias russas. O fato é que há muitas famílias russas vivendo no país, sobretudo na parte leste. Crescem falando russo, estudam em escolas russas, leem e assistem TV em russo; vivem como se estivessem na Rússia. Já em Lviv, é possível ver pessoas falando ucraniano, russo, inglês e polonês (idioma nada fácil para estrangeiro aprender).

Os ucranianos, na impressão que tive, são aparentemente frios a princípio, se abrem aos poucos e se mostram simpáticos, alegres e festeiros – é o jeito mais comum no Leste Europeu. E as mulheres ucranianas, lindíssimas! Tem tanta mulher no país que as que não quiserem emigrar tem de disputar à tapa qualquer homem pela frente – como na Rússia. Vi que na Ásia e no Oriente Médio costumam associar às mulheres ucranianas – e russas- os mesmos rótulos aplicados a brasileiras na Europa. Pelo que eu pude ver, ucranianas e russas prezam pela autonomia, não gostam de alguém possessivo enchendo o saco dizendo o que fazer/vestir/etc, e se estão a fim de alguém, dizem na cara sem dramas e sem joguinhos (assim que eu gosto). Fica a dica!

 Matrushka, Ucrânia

Matrushka, o micro-ônibus que é utilizado como transporte público na Ucrânia

O custo de vida no país é barato, há um bom transporte público, além de uma boa malha rodoviária (pelo menos nas principais rodovias é OK) e ferroviária ao longo do país; o que torna a Ucrânia uma interessante opção para viajar barato. Mesmo não sendo um país altamente desenvolvido, a Ucrânia demonstra um bom nível de organização com respeito à infraestrutura e à vida cultural. As mashrutkas, como são chamados os micro-ônibus, são as opções mais baratas de transporte; costumam ser lotadas e desorganizadas.  Eu estive no verão, época em que as temperaturas ficam entre 20ºC e 30ºC, em média. No inverno, as temperaturas já chegam a -20ºC e a -30ºC, para ninguém chegar desprevenido.

Viajar de trem na Ucrânia é super recomendável, sobretudo em longas viagens, pela possibilidade de dormir nos compartimentos com direito a travesseiro e cobertor. Apesar de vagarosos, os trens são bem equipados, baratos e muito utilizados pelos ucranianos, ou seja, uma grande oportunidade de mergulhar na cultura local.

Cabine do trem que peguei de Kiev para Lviv, umas 10 h de viagem.

Cabine do trem que peguei de Kiev para Lviv, umas 10 h de viagem.

Atenção e recomendações

Brasileiros não precisam de visto em caso de turismo, é permitido até 90 dias sem visto. Caso entrar no país por estrada ou ferrovia, tomar cuidado com os policiais, que não costumam perder uma única chance de receber propinas. Tal fato reflete o maior problema do país, a corrupção, tal qual no Brasil. Foi o único ponto negativo que percebi na Ucrânia.

Ao circular dentro do país, deixar o passaporte original bem guardado e carregar cópias do passaporte, que são legalmente válidas caso policiais perguntem por documento. Se os policiais insistirem, insista que você vai ligar para a embaixada que em alguns minutos eles se cansam e vão pedir propinas a outros. Carregue consigo o número do telefone da embaixada e se tiver amigos locais, anote o número deles também.  No meu caso, mostrar o número de amigos ucranianos e ameaçar ligar para a embaixada fez com que os policiais se intimidassem de me arrancar dinheiro ao atravessar a divisa com a Romênia.

– Não dar sinais de que é estrangeiro aos policiais, como falar uma língua estrangeira na frente deles. Eles sempre param com aquele papo de que “algo está errado com seu documento”, “precisa ir à delegacia”, “você tem certeza?” com intenção de botá-lo na parede e conseguir propinas.

– Ao pegar táxi, combinar o preço da corrida antecipadamente com o taxista. Em caso de barreira de idioma, negociar escrevendo os números no papel.

– Ter cuidado com os pertences: no trem, nos ônibus, num restaurante, em locais públicos. Vacilou, é roubado!

– Ficar ligado com pessoas oferecendo algo, é comum nas maiores cidades e sinalizam golpes e furtos. Estrangeiros são vistos como alvos fáceis.

– Na parte leste, mais russificada, é mais comum o pessoal ter aquele jeito durão, rude, grosso. No oeste, o pessoal já é mais calmo e receptivo.

– Outro ponto a ter atenção é o fato de ser ilegal na Ucrânia consumir bebidas alcóolicas em locais públicos. Você pode ver muitos locais bebendo nas ruas, mas se a polícia pega, tem poder de prisão e vão querer lhe arrancar um bom dinheiro. Fica mais uma dica!

Comida

De tudo que experimentei na Ucrânia, ficou na minha cabela o borsch, principal prato do país feito de beterraba junto a outros ingredientes como carne e verduras. Também experimentar o Varenyky, a Smetana (misturada com o borsch) e o Uzval.

Algumas das comidas para experimentar na Ucrânia. Descrição feita por uma amiga ucraniana.

Algumas das comidas para experimentar na Ucrânia. Descrição feita por uma amiga ucraniana.

O tal do Shevchenko

No Brasil, muitos devem imaginar o Andrey Shevchenko, ex-jogador de futebol com passagens pelo Milan, Chelsea e seleção ucraniana. Mas, em Kiev, é possível ver pela cidade referências a Taras Shevchenko (no cirílico, Тара́с Шевче́нко), que foi escritor, artista, poeta, figura pública e política. Viveu entre 1814 e 1861, é apontado como o pai da literatura ucraniana e da língua ucraniana moderna, e suas criações são um símbolo da resistência ao Império Russo, ainda nos tempos do czarismo, o que lhe rendeu 10 anos de exílio (entre 1847 e 1857) em São Petersburgo. É um dos ícones da identidade ucraniana.

Retrato de Taras Shevchenko, Kiev, Ucrânia

Retrato de Taras Shevchenko em frente à universidade que leva o seu nome em Kiev, Ucrânia

Pontos para visitar em Kiev

Com 2,8 milhões de habitantes, é a maior cidade na Ucrânia, além de capital. Opções de lazer e vida cultural é o que não falta em Kiev. Abaixo, segue apenas uma lista básica. Daria para escrever vários posts extensos sobre eventos e locais para visitar. A cidade é bem tranquila de se locomover de metrô.

Catedral Santo André: igreja ortodoxa, uma arquitetura barroca no estilo russo. Construída entre 1747 e 1754.

Igreja Santo André, Kiev, Ucrânia

Igreja Santo André, Kiev, Ucrânia

Maidan Nezalezhnosti: Praça da Indpendência ou simplesmente Maidan, é a praça central de Kiev. Tem um belo visual com os edifícios, jardins e monumentos em volta e é ponto de encontro de locais no centro da cidade.

Maidan Nezalezhnosti, Kiev, Ucrânia

Maidan Nezalezhnosti, Kiev, Ucrânia

A loja da Roshen: se você é fã de chocolate e doces como eu, indispensável visitar a loja da Roshen em Kiev. Chocolates, doces e balas – e  melhor, a preços bem baratos!!!

Para ver como eu fiquei entretido dentro da loja da Roshen! Kiev, Ucrânia.

Para ver como eu fiquei entretido dentro da loja da Roshen! Kiev, Ucrânia.

Estádio Olímpico de Kiev: uma das marcas da Eurocopa de 2012, que a Ucrânia sediou junto com a Polônia. É um belo estádio e atualmente é a casa do Dinamo de Kiev, um dos maiores clubes do país, onde jogou o Andrey Shevchenko.

Em frente ao Estádio Olímpico de Kiev

Em frente ao Estádio Olímpico de Kiev

Espero com este post ter dado uma primeira luz sobre a Ucrânia. Em próximos posts, escreverei sobre Lviv e Odessa, apenas aguardem!

 

*André Fernandes, nascido em Santa Catarina para ser um nômade pelo mundo. Voltou ao Brasil e já está pensando nas próximas aventuras! Saiba mais sobre ele clicando aqui.

Receita inglesa: Rhubarb Crumble ou Torta de Ruibarbo

28/06/2015

bz_inglaterra Rogério da Silva – Leeds, Inglaterra

Se tem uma fruta que as pessoas da região de Yorkshire tem orgulho de falar e comer, essa sim é a número 1.

Uma fruta que é o caule da planta e que nos Estados Unidos é classificada como verdura por questões de taxas de importação e que usam orgulhosamente para fazer tortas, bolos, sobremesas, yogurte e sorvete. Alguns usam até mesmo no sandwich ou salada.

Rhubarb Crumble - Torta de Ruibarbo

Rhubarb Crumble – Torta de Ruibarbo

Moro no bairro de Morley em Leeds, norte da Inglaterra,, que fica no meio das cidades de Leeds e Wakefield, considerado aqui o triângulo do Ruibarbo (Rhubarb).

Nas minhas caminhadas pelo bairro sempre vejo nos campos essa planta, moro aqui já fazem 15 anos e nunca usei essa planta na comida, até esse final de semana.

Ruibarbo

Ruibarbo

Na semana passada, uma colega de trabalho me trouxe uma sacola, ela que é uma típica Yorkshire, me trouxe um maço após visitar sua família que cultiva no quintal de casa o ruibarbo.

Se estiverem passeando pela região de Yorkshire é algo que não poderá deixar de conhecer e comer. Segue a receita que é super simples e fácil de fazer.

Rhubarb Crumble (Esmigalhado de Ruibarbo)

Preparação: 30 min

Cozimento: 30 – 60

Da pra 4 pessoas

Ingredientes

  • 10 caules de ruibarbo (parece com aipo, mas roxo)
  • 4 colheres de água
  • 8 colheres de açúcar refinado douradinha
  • 1 colher de gengibre
  • 110g de manteiga
  • 110g açúcar demerara
  • 180-200g farinha sem fermento

Pra Servir

  • Creme de leite ou creme de nata ou creme duplo ou creme (custard)

Preparação

    1. Aqueça o forno em 180°C/350°F/Gas 4.
    2. Corte o ruibarbo em pedaços de mais ou menos uns 7cm, coloque em uma assadeira, espalhe a água e a açúcar refinada e deixe assando por 10 minutos.
    3. Retire do forno e adicione o gengibre, misture bem.
    4. Use uma assadeira que irá servir a torta ou continue usando a mesma assadeira.
    5. Em um vasilhame coloque a manteiga (derreta a manteiga), a farinha e açúcar mascavo, misture bem, até ficar em formato de farinha grossa. Cubra os pedaços de ruibarbo, o máximo que conseguir e asse por volta de 35-45 minutos ou até o topo focar dourado e as bordas ficarem borbulhando.
    6. Retire do forno e deixe esfriar, mas não muito,  gostoso é quentinho. Sirva com o creme de leite.
      Fonte: A receita é uma adaptação de James Martin no site da BBC.

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Rogério da Silva é analista de testes em tempo integral e blogueiro em horários de folga. Para saber mais sobre ele clique aqui.

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