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Autores convidados: 10 dicas para facilitar sua adaptação no Canadá

24/04/2015

bz_canadaCecilia Teixeira – Vancouver, Canadá

Este artigo é dirigido às pessoas que têm interesse no Canadá, seja para trabalhar, estudar ou apenas visitar.

O Canadá é um país muito preocupado com a integração dos imigrantes. O governo faz todo o possível para que o choque cultural seja atenuado e por isso oferece várias oportunidades para os que aqui chegam.

As opções vão de cursos de inglês gratuitos até cursos de média duração onde é possível aprender sobre social media, elaboração de website, utilização de ferramentas para filmagem e outras técnicas que ajudam o imigrante a preparar seu portfolio e encontrar um emprego.

Há cursos em horário integral onde até o tíquete de transporte para frequentar as aulas é ofertado gratuitamente, visando ajudar ao recém chegado a aprender ferramentas que serão úteis na hora de disputar uma vaga de trabalho.

Nessas aulas são tratados assuntos relativos à história canadense e também assuntos de interesse imediato do recém-imigrante do tipo “como elaborar o curriculum vitae”, “como escrever uma cover letter”, “como se comportar numa entrevista”, etc.

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Frequentei um desses cursos, durante quatro meses, em horário integral. Aprendi muito. Vou compartilhar com vocês algumas coisas que considerei mais importantes. Acho importante para os imigrantes, mas alguns itens serão úteis também para os turistas:

  1. Distância Mínima.   Mantenha distância, sempre. Nada de falar segurando no interlocutor (acho que só gente chata faz isso, não é? Mas.. não custa comentar….rsrsrs). De qualquer forma, nunca chegue muito perto. A distância ideal é a de “meio braço”. Ou seja: na fila do banco, na fila do mercado, na hora em que conversar com alguém, mantenha sempre essa “distância mínima”.
  2. Você vai ficar feliz porque seus perfumes no Canadá vão durar muito mais! Há uma política, que considero bastante saudável, de não usar perfume no trabalho (nem fraquinho, porque o que é fraquinho e agradável para você pode não ser para seus colegas!). Idem quando vai ao médico e ao dentista (em alguns até vem escrito no papel da marcação da consulta “favor não usar perfume”). Ídem no teatro e no cinema… Ou seja… sobra quase que a própria casa para usar perfume! Numa entrevista de emprego jamais (jamais!) use perfume!
  3. Eye contact. Difícil traduzir, mas seria algo como “olho no olho”. As pessoas aqui fazem questão de ter contato “olho no olho”. Fundamental em entrevistas de trabalho. Note que não estou dizendo para você ficar “encarando” o entrevistador (rsrsrs), mas apenas aconselhando a você, quando falar, olhar diretamente para ele (ela) ao invés de olhar para o teto, para as mãos, ou para as paredes… Se você for tímido para o “olho no olho”, nos foi ensinado no curso a fixar seu olhar num ponto na testa do interlocutor. Faz o mesmo efeito e ele não percebe que você não está olhando no olho. Se você se sentir mais confortável, use essa técnica…
  4. Unhas pintadas. Sim… e não. No Brasil há uma cultura de que a unha “tem que estar feita” para você passar a imagem de “pessoa cuidada”. Unha sem esmalte no Brasil passa uma sensação de pessoa pouco preocupada com a aparência. É comum vermos unhas compridas, esmaltes em vários tons de vermelho etc e tal. No Canadá (e na maioria dos países “civilizados” também) é ao contrário. São poucas as pessoas que têm unhas compridas e com esmalte. Se você quiser ficar mais parecida com a maioria, o ideal é a unha curta / quase curta com no máximo uma base ou, até o mais comum, que é apenas cortada e só.
  5. Eu sei… o brasileiro é afetuoso, gosta de abraço tipo urso, beijos, etc e tal. Aqui o padrão é um aperto de mão (mesmo entre mulheres) e quando a pessoa é muito amiga, apenas um abraço, de um lado só e… sem beijo. Beijo não tem. Ou aliás… tem mas só com o seu par amoroso….rsrsrs Essa coisa de dar “beijinho-beijinho” em “todo mundo” que você encontra na festa, na escola ou no trabalho…. não existe. Ou seja, não beije!
  6. Tirar o sapato. Da mesma forma que ocorre nos outros países “civilizados” (sorry Brasil) , aqui no Canadá é a própria dona da casa quem faz a limpeza. Ninguém gosta da casa suja… então é regra tirar o sapato quando entramos na casa de alguém. Esse costume praticamente não existe no Brasil, e é interessante que os brasileiros que visitam parentes ou amigos no exterior fiquem atentos a esse detalhe que vai demonstrar boa educação.
  7. Não perguntar detalhes da vida pessoal. Muito comum no Brasil é a pessoa perguntar (na maior cara de pau… rsrsrs) quanto você pagou pelo seu carro, ou pelo apartamento, ou qual o salario da sua empregada. No Canadá é diferente. A “política de boa vizinhança” é não perguntar nada que seja considerado pessoal. A conversa se desenvolve em “generalidades” e coisas que poderiam estar publicadas em qualquer mural público do Facebook. Para se adaptar melhor aqui, esqueça perguntas do tipo “quanto custa seu aluguel”, ”quanto você está ganhando”, “quanto você gasta por mês de mercado”. Se você tiver curiosidade sobre estes itens, faça buscas no Google para saber as respostas mas não pergunte a ninguém _ especialmente a um Canadense, senão você vai ser visto como uma pessoa pouco educada.
  8. Tem jeito para tossir. Aprendemos no Brasil que é preciso colocar a mão na boca quando tossimos, não é mesmo? No Canadá isso não vale! Você tem que colocar o antebraço! Muito legal isso! Realmente… colocar a mão perto da boca e tossir vai fazer com que a mão fique cheia de germes (argh!) e depois você vai cumprimentar alguém e lá vão os germes circular… rsrsrs Então, colocar a dobra do braço em lugar da mão não só é uma atitude mais higiênica como demostra que você tem boa educação
  9. Levar “marmita”. No Brasil há uma certa cultura que levar “marmita” para o trabalho é algo assim como…. um certo “passaporte “ de que suas finanças não estão muito bem, talvez? Há um certo estigma de que se você não sair com o pessoal do trabalho para comer fora, é porque de alguma forma você deve estar endividado….rsrsrs. A cultura aqui é diferente. Almoça-se fora, sim, mas a “regra” é levar uma bolsinha com comida para o trabalho. Não apenas sai mais barato, como é mais saudável também. Então, estando no Canadá, não tenha a menor vergonha de sentar num banco, abrir seu vasilhame e comer. Haverá muitas pessoas fazendo exatamente a mesma coisa!
  10. Não use essa palavra no Canadá! Se você tem um parente ou amigo que tenha Síndrome de Down, ou não enxergue, ou não ouça, ou não fale… não diga que você tem um parente ou amigo com “deficiência”. No Canadá ninguém tem “deficiência” de nada. Diga apenas que seu amigo ou parente é portador de necessidades especiais. Simples assim!

*Cecilia Teixeira tem formação em arquitetura e interior design. Mora há quase 3 anos em Vancouver e tem dois blogs. Um com pseudônimo (secreto!) onde descreve as etapas do processo de imigração e as curiosidades da vida canadense, e outro que tem a “cara da dona” no ceciliarchitect.wordpress.com

O Lado Brega dos Batavos

23/04/2015

bz_holandaAna Fonseca – Holanda

Que atire a primeira pedra quem nunca teve flor de plástico, toalha de mesa de plástico, bichos de pelúcia e objetos trazidos de viagens na prateleira de casa. Eu tenho. Adoro. (Leiam essa postagem excelente da Viviane do blog Dcoração aqui sobre o conceito de brega e o uso na decoração brasileira.)

Todo mundo tem ou já teve um ou outro item que é brega. Um pinguim aqui, outro ali na geladeira… Íma de geladeira… Há itens e hábitos porém, que parecem cair no gosto popular de uma nação in-tei-ra. São feios, são  excessivos, são lugar-comum e ou te provocam mal estar.  É de isso que vamos falar hoje:  conhecer  o lado “B” da Holanda. Gosto, comportamento, atitudes. O lado “povão” (volks). Aliás, já que estamos na primavera é bom ressaltar que essa estação estimula uma moda mais leve e curta onde os holandeses erram muito. Também é a época das grandes quermesses e shows ao ar livre. Churrascos falsos, cantores bregas, gente de sutiã e calcinha nos quintais e parques públicos… Mas vamos aos itens:

  1. Calendários na porta do toalete.

Holandeses adoram calendários, listas, agendas, compromissos. A princípio o tal do calendário na porta do banheiro é uma idéia prática. Enquanto você está sentado no trono esperando o tempo passar você folheia o calendário e vê quem faz aniversário qual dia, o início das férias escolares, quando as crianças tem um dia livre na escola, etc.. Assim você não “perde” tempo no banheiro e mata dois coelhos com uma cajadada só.

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(Via: eenkadovoor.nl)

Outra coisas que eles gostam muito também no W.C. é colocar mosaico de fotos dos habitantes da casa. Você vê eles em selfies, assoprando velinhas de bolos, fazendo “V”com os dedos num banana boat na Tailândia, com anteninhas e boás em shows do Toppers (ver item 10), foto amarelada de quando eram crianças abraçando um ursão de pelúcia, etc.

  1. Esculturas de jardim. Ok, não é uma coisa típica sóóó de Holanda. Mas fora dos grandes centros o pessoal ainda gosta muito, e não só dos anões. Fadinhas + mini hipopótamos +  moinhos… Misturam estilos e acrescentam suas próprias criações. Como pedras redondas grandes colocadas no jardim ou diante da porta de entrada com aplicação de decalque (um moinho, cisnes, etc.) com o nome dos moradores. Sabe o estilo “fofo-repulsivo”? Pois é, esses atos são chamados de “crea-terreur” (terror criativo) nas más bocas holandesas.  Por exemplo: Já vi escultura de Venus de Milo cercada pelos 7 anões (= crea-terreur). Estátua de anjinho com touca de crochê ? Crea-terreur.
  1. Botas brancas, leggings brancas, sandálias Jesus Cristo e Birkenstock. Uma praga. Principalmente no verão esses três elementos são inevitáveis. Sim, muitas holandesas usam botas (às vezes da cano alto) brancas no v.e.r.ã.o. Ou usam leggings brancas ¾ (há até uma página no FB dedicada ao ódio às leggings brancas holandesas: “Stop the 3/4  white legging now!” https://nl-nl.facebook.com/StopDeWitteDriekwartLeggingNu). O site “Stuff Dutch People Like” também já declarou repulsa à obsessão eterna das holandesas pelas leggings brancas (http://stuffdutchpeoplelike.com/2013/06/02/white-leggings-witte-legging/) Já as horrorosas sandálias alemães Birkenstock são bem caras, vêm em muitas cores e um design muito feio. Deixa os os dedinhos do pé bem espalhados.  As holandesas são fascinadas por esses monstrinhos. Meu marido tem as sandálias Jesus Cristo – super confortáveis no parecer dele. Só não dá para usar com meias brancas que aí vira uniforme de gringo.

Birken Birken2

                                                              (Via: fashion.telegraph.co.uk)

  1. Bicicleta deitada (ligfiets)

Vamos deixar bem claro que eu AMO bicicletas e meios alternativos de transporte. Mas a tal da bicicleta que você usa quase em posição deitada é coisa muuuito alternativa, não cai bem na malha urbana. E feias de se ver quando tem uma cápsula protetora ou formato de banana, queijo suíço, etc.. (obs: não coloquei foto de bike tipo dildo porque esse é um blog família).

 virezekolk dot net wereldfietser dot nl

kaas fiets

  1. Revista “Privé” e revista “Ditjes & Datjes”.

A primeira é especializada em fofocas sobre os famosos da televisão e a família real. Cheia de insinuações, inverdades, fatos distorcidos, fotos feitas por paparazzi, etc. Claro que essa revista está sempre em salões de beleza. A segunda é uma revista grátis distribuída pelo supermercado Dirk van de Broek. Tem receitinhas, fofocas, reportagens, moda. Ambas são revistas que te deixam deprimido (a). Sabe aquelas reportagens de beleza com “antes  & depois” onde mulheres feias e de sorriso amarelo recebem um banho de loja, corte de cabelo e maquiagem ? Pois é, na Ditjes e Datjes algumas (muitas) ficam PIORES do que eram antes e com cara de traveco.

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  1. Excesso de gel nos cabelos e restinhos de esmalte. Mesmo bebês tem cabelinhos levantados por gel. É comum levar uma criança no cabeleireiro e no final, corte terminado, ouvir a pergunta: “Quer deixá-lo mais estiloso com gel ou vai sair assim no natural ? “ Eu pergunto sempre se há uma mousse ao invés de gel / pomada  pra dar um tapa no visual das minhas crianças depois do cabelo cortado. Porque mousse não deixa aqueles restinhos que parecem cola seca. Quanto às manicures e pedicures, parece que as holandesas tem algo “contra” acetonas e removedores. O esmalte vai lascando, descascando e ela vão cortando a unha… e cortando… até ele sumir totalmente. Tanto do pé quanto das mãos. Até não sumir totalmente você vê aqueles restinhos quebradiços do que um dia, muito lááá no passado remoto foi um esmalte.
  1. Tapete persa na mesa. Um hábito das gerações mais antigas e que está em vias de extinção. São tapetes colocados na mesa no lugar de toalha de jantar. Em alguns cafés antigos ainda se encontram mesinhas assim. Junta pó, junta gordura, manchas, bactérias. Dizem que “dá uma textura calorosa durante o inverno”. Bah.
  1. Objetos da Indonésia, especialmente o wayang-kulit. Eu posso entender como objeto tradicional de decoração na casa de indonésios ou de restaurantes indonésios. Tudo a ver. Só não entendo numa casa holandesa tradicional, daquelas onde as cortinas são de renda, os gerânios estão na janela, os anões no jardim… e um boneco wayang-kulit na sala de estar.

wayang-kulit-by-glogsterdotcom

  1. Ficar sentado em círculo durante uma festa de aniversário, comendo torta e papeando (quase sempre sobre três temas fixos: hipoteca, trabalho ou o engarrafamento no trânsito). Ô coisinha chata e forçada, parece até terapia de grupo !
  1. Gordon e Gerad Joling (ou simplesmente “Geer & Goor”).  São dois cantores famosos que vivem com projetos e parcerias… e tendo cat-fights. Vivem brigando, com problemas pessoais (Gordon já tentou o suícidio tomando uma caixa de vitaminas, quando acordou percebeu que estava vivo e todo energizado), falando mal um do outro pelas costas e depois anunciam as pazes e que estão com um projeto novo. São também apresentadores de programas de televisão onde debocham dos participantes, humilham, falam pelas costas, etc. . Beeem povinho, ralé. São também conhecidos como “De Toppers” quando se apresentam em grandes shows pelo país com convidados extras (geralmente os cantores René Froger e Jeroen v. Der Boom). As roupas são brilhosas, de estampa de zebra, oncinha, franjas. Cantam medleys, sucessos americanos antigos, músicas de dor de cotovelo holandesas e músicas de quermesse/bar. O povo ama e canta junto em coro, acha o máximo:

Faltou eu mencionar muita coisa mais que seja brega da Holanda ? Faltou. Nós autores do Brasil com Z nos propusemos a fazer listas com 10 itens sobre vários assuntos. Então eu páro nos 10 itens de coisas bregas (ui, eu queria escrever 20!).  Se você quiser mencionar algo brega da Holanda ou desabafar sobre outro país deixe aí nos comentários.

——————

*Ana Fonseca é carioca, publicitária e vive na Holanda desde 1999 trabalhando na área de turismo e hotelaria. Adora escrever e tem uma loja de fotografias a Kiss My Pixel . Para saber mais acesse a mini-bio aqui.

A Itália dos… jardins!!!

22/04/2015

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Carla Guanais – Roma, Itália.

Hoje começo uma série aqui no Brasil com Z especialmente para quem ama a Itália mas acredita que esse lindo país é só a Toscana, com seus campos de parreiras ou então as ruínas romanas.

A Itália é muito mais que isso!

E como estamos na primavera, hoje começo com a ‘Itália dos jardins’! Sim! Lindos jardins, áreas verdes que atraem muitos locais e turistas.

Como estou em Roma, vou focar mais aqui nesta região. Há lugares públicos, ou seja, abertos e gratuitos e os locais privados (e pagos), como as vilas.

Gratuitamente é possível visitar:

– Roseto Comunale di Roma, um jardim público com mais de 10 mil m² e 1100 variedades de rosas. Fica no endereço: Via di Valle Murcia, 6, 00153 Roma, abre todos os dias das 8:30 às 19:30.

Roseto di Roma (foto: wikipedia.it)

Roseto di Roma (foto: wikipedia.it)

Parques como Villa Panphilli, Appia Antica, Villa Borghese, Laghetto EUR entre muitos outros.

Villa Panphilli

Villa Panphilli

Um pouco fora de Roma, é possível visitar esplêndidos jardins (a pagamento), como:

Villa d’Este, em Tivoli, um dos mais bonitos jardins privados, cheio de cascatas, fontes, plantas, flores e grandes árvores. Vale muito a pena. Custa pouco mais de 9 euros.

Tivoli (instagram @sonhosnaitalia)

Tivoli (instagram @sonhosnaitalia)

Giardini di Ninfa, em Cisterna Latina, cerca 1 hora e 15 minutos de carro de Roma. Considerado um dos mais românticos do mundo e o mais bonito da Itália. Um dos lugares mais encantadores que já fui. O bilhete custa 12 euros e a visita é guiada por cerca de 1 hora. Sensacional!

Ninfa (foto Instagram @sonhosnaitalia)

Ninfa (foto Instagram @sonhosnaitalia)

Outros jardins famosos são os jardins do Vaticano, tanto o que se situa no próprio Vaticano, como o da casa de verão do Papa, em Castel Gandolfo, que começou ser aberta a visitação pública com o Papa Francesco. Para saber mais, veja o site do Vaticano.

Existe ainda uma lista dos 100 grandes jardins italianos, em ocasião da EXPO 2015. Neste site, você pode procurar os jardins mais interessantes e os mais próximos onde estiver aqui na Itália e ainda, saber de eventos e muito mais, tudo envolvendo essa época tão alegre e florida, a primavera.

A primavera é renascimento! É vida, é cor, é alegria. Vamos aproveitar essa energia!

Arrivederci!

Carla Guanais é cientista, blogueira e mora na Itália desde 2010, onde está cursando um doutorado. Saiba mais sobre ela clicando aqui.

Autores convidados: Quanto custa na Índia?

21/04/2015

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Juliana Paula – Índia

Se tem uma coisa que eu e meu esposo ficamos abismados quando fomos ao Brasil ano passado foi o preço dos produtos e serviços. Passamos um mês lá e ao fazer as contas, percebemos que quase tudo estava pelo menos, 3 vezes mais caro que na Índia! Quando contamos isto para nossos amigos e familiares no Brasil, eles também ficaram impressionados. Por isso, resolvi escrever um post sobre o assunto: Quanto custa na Índia?

O salário 

Bem, os salários, claro, variam, mas num geral, não são muito altos.
Uma pessoa recém formada, com inglês fluente, provavelmente vai começar ganhando 15.000 a 18.000 rúpias. 100 rúpias equivale a 5 reais. Portanto, o salário de um recém-formado seria aproximadamente uns 700 reais.

Um professor de faculdade pública geralmente ganha o mesmo que um estudante recém-formado. Se tiver PhD, pode chegar a ganhar o dobro, mas não vai passar de 1500 a 2000 reais.

Os estrangeiros (expats) que vêm à Índia com um visto de trabalho, por lei, devem ganhar no mínimo, cerca de 2500 dólares, podendo ganhar muito mais que isso, dependendo do cargo e experiência. E, com 2000 dólares aqui na Índia, você pode se considerar rico!

Feira típica em Mumbai (foto: livemint.com)

Feira típica em Mumbai (foto: livemint.com)

No dia-a-dia

Há diversos tipos de supermercados para todo tipo de bolso. Geralmente, no dia-a-dia, as donas de casa compram nas barraquinhas que passam ou ficam paradas nas ruas vendendo vegetais. São muito, muito baratas. O mesmo vale para as frutas. Mas, num supermercado, geralmente o preço será mais ou menos assim:

1 litro de leite, produto muito usado aqui para fazer os doces e para o famoso chai (chá preto com leite e especiarias) custa menos de 1 real.

1 kg de tomate – 1,30 reais

1 kg de feijão ou lentilhas (consumidas diariamemte no país) -102 rúpias = 5 reais

300 ml Coca-cola -34 rúpias = 1,70 reais

2 mini baguetes – 15 rúpias -0,75 reais

1 kg frango congelado – aproximadamente 10 reais

Produtos importados são fáceis de achar, mas são bem mais caros, como queijos franceses, salame, presuntos, etc. Ainda mais porque não fazem parte da maioria das mesas indianas.

Juliana Paula é formada em Letras Português-Japonês, passou 7 anos da sua vida no Japão, sendo 1 ano estudando e os outros trabalhando como tradutora e intérprete. Se mudou para a Índia em 2013 para casar-se com um indiano e, desde então, tem desbravado aquele belo e encantador país. Continua atuando como tradutora e intérprete e escreve no blog Tabibito Soul onde compartilha sua paixão pela Ásia.

Autores convidados: O que é importante para mulheres decidirem um destino de viagem?

20/04/2015

bz_brasilAndré Fernandes – Brasil

Ao longo de uma pesquisa que venho fazendo sobre posicionamento de países e turismo em países emergentes, tem sido claro entre as mulheres entrevistadas a importância dos direitos da mulher como um importante tópico ao decidir um destino de viagem. Considerando que muitos países menos desenvolvidos possuem culturas mais conservadoras com relação ao papel da mulher e até casos de assédio sexual em grande escala em alguns casos, somados a frequentes notícias de violência contra mulheres, não é de se estranhar.

Meu objetivo com este post não é apenas apresentar os insights apontados pelas 45 entrevistadas de 17 países – de um total de 87 entrevistados de 21 países – mas também provocar reflexões e questionamentos a mulheres que busquem informações que lhes sejam relevantes ao decidir por onde viajar, sobretudo para destinos carregados de estereótipos negativos e dos quais não costumar haver muitas informações precisas.

mulheres viajantes (foto: india.blogs.nytimes.com)

mulheres viajantes (foto: india.blogs.nytimes.com)

Entre as questões apontadas, destacaram-se as referentes aos papéis sociais desempenhados pelas mulheres, ao grau de liberdade que elas desfrutam e a como elas vão se ajustar à cultura local. Junto com estas questões, as entrevistadas também apontaram maior atenção com o dress code local, o que é culturalmente aceito e como se comportar no dia a dia. Este é apenas um lado da questão. Quando questionadas sobre os choque e aspectos negativos de suas experiências no exterior, o assédio sexual foi apontado como uma das principais causas de desconforto. Abaixo, seguem os principais pontos apontados como importantes pelas entrevistadas:

  •  como os direitos das mulheres são respeitados?;
  •  se o local é seguro para mulheres, locais e estrangeiras;
  •  grau de liberdade disfrutado pelas mulheres;
  •  dress code: cuidados que devem ser tomados com as vestimentas;
  •  grau de restrições impostas às mulheres na sociedade local;
  •  como elas vão se adaptar à cultura local.

Outro fator importante a compreender é que as mulheres estão viajando cada vez mais, e na mesma proporção, sozinhas.  Independentes pessoal e economicamente, e com maior renda disponível, demandas para atender as necessidades específicas vem sendo cada vez maiores, inclusive nos chamados “destinados exóticos”.

Conforme dados de 2013 da Federação Brasileira de Albergues, 55% dos viajantes solitários que se hospedam em albergues são mulheres. Estatísticas nos EUA, na mesma linha, apontam o crescimento do segmento de mulheres jovens, solteiras e sem filhos, em média com 27 anos de idade, que totalizam 31 milhões dispostas a consumir produtos e serviços, inclusive viajar! Contudo, não achei estatísticas mais precisas sobre o Brasil e outros países fora do mundo anglo-saxão, talvez uma oportunidade para explorar.

Comunicar e atender ao segmento feminino se mostra como um dos maiores desafios para profissionais e organizações que promovam destinos turísticos, sobretudo nos destinos fora do mainstream turístico. E do mesmo modo, comunicar ao público feminino é um ponto-chave para desfazer de estereótipos negativos e promover locais como possíveis destinos. Não me refiro a sites com layout fluffy tudo em rosa com sapatos e maquiagens (nada contra, não me levem a mal!), mas sim à disponibilidade de informações úteis, claras e realistas para uma experiência de viagem mais segura possível, sem estimular a criação de expectativas irrealistas.

foto tirada por uma amiga paraguaia, Giselle Arce, em Cairo. Além da forte influência religiosa no dress code local, o conservadorismo e o assédio sexual intimidam muitas mulheres à exposição no Egito.

foto tirada por uma amiga paraguaia, Giselle Arce, em Cairo. Além da forte influência religiosa no dress code local, o conservadorismo e o assédio sexual intimidam muitas mulheres à exposição no Egito.

Afinal de contas, ninguém quer passar por situações desconfortáveis como ser tratada como “mulher fácil” simplesmente por ser estrangeira, certo? E qual a sua opinião a respeito disso? Para visualizar a pesquisa completa, está disponível no Slideshare neste link.

 *André Fernandes, nascido em Santa Catarina para ser um nômade pelo mundo. Se formou em Administração Pública, foi parar na AIESEC e em marketing. Depois de uma meia-volta ao mundo, percebeu que seu caminho era viajar, descobrir diferentes lugares e culturas. Voltou ao Brasil e já está pensando nas próximas aventuras! Um pouquinho das suas andanças no seu blog A nomad in the world.

Autores convidados: Berna – um dia na bela capital suíça

17/04/2015

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Arlete Dotta – Suíça

 

Talvez por ser um pouco mais cara pra viajar que outros países da Europa, a Suíça acaba não fazendo parte do roteiro clássico dos viajantes brasileiros, principalmente mochileiros, que passam pelo Velho Mundo.

Aqui vão algumas dicas e sugestões pra quem quiser passar pela linda capital da terra dos Alpes sem gastar uma avalanche de dinheiro.

O que tem pra ver lá?

O Centro antigo

Foto: Daniel Schwen – sob licença da Creative Commons

Foto: Daniel Schwen – sob licença da Creative Commons

O centro velho de Berna é patrimônio cultural da Unesco desde 1983. É repleto de fontes, ruelas e prédios antiquíssimos com portas subterrâneas que antigamente serviam de depósito e hoje são lojas. Vale a pena se perder passeando por lá (Grátis).

 

A casa de Albert Einstein

Einstein morou em Berna entre 1902 e 1905 quando escreveu a teoria da relatividade. O pequeno apartamento onde nasceu seu primeiro filho Hans Albert, tem móveis e utensílios originais da época. O endereço é Kramgasse 49 e fica bem no centro antigo. A fachada é muito discreta e passa quase despercebida. Entrada: CHF 6,00. Maiores informações no site.

Casa de Albert Einstein - Arquivo pessoal

Casa de Albert Einstein – Arquivo pessoal

 

A torre do relógio

Uma das mais importantes atrações da cidade, foi construído em 1530 e era o principal relógio da cidade. Reza a lenda que Einstein teve o insight da Teoria da Relatividade quando estava passando por ali (Grátis).

 

Torre do relógio – Arquivo pessoal

Torre do relógio – Arquivo pessoal

O Parlamento

A sede do governo federal suíço começou a ser construída em 1852 e em 1902 foi anexado o prédio do Parlamento. A decoração foi feita por 38 artistas suíços. Na praça onde ficam os prédios têm 26 fontes no chão que representam os cantões suíços. Com sorte dá pra vê-las funcionando. Aberto para visitas só em determinados dias e horários, maiores informações neste site (Grátis).

 

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Vista panorâmica do rio Aar

Logo atrás do prédio do parlamento, tem-se uma vista fabulosa do rio Aar. Estudantes e turistas se misturam passeando, jogando xadrez nos “tabuleiros gigantes” ou simplesmente saboreando um sanduíche (Grátis).

 

Parque dos ursos

É um pequeno local onde se pode ver alguns ursos passeando, dormindo ou brincando (Grátis).

Na hora da fome

 

É claro que comer as especialidades de um país é uma das deliciosas maneiras de vivenciar a cultural local. As comidas típicas aqui da Suíça são rösti (batata ralada e frita no formato de omelete), raclete (batata cozida com queijo e acompanhamentos), o famoso fondue (principalmente o de queijo), wurst (salsichão acompanhado por pão e mostarda) e, claro, o chocolate. Porém ir a um restaurante aqui pode acabar sendo um programa caro. Tudo depende do quanto cada um quer gastar. No centro de Berna existem inúmeros restaurantes e o bom é que a maioria tem um cardápio do lado de fora onde se vêem inclusive os preços sem precisar entrar.

Rösti: prato típico suíço – Foto: Mussklprozz – sob licença da Creative Commons

Rösti: prato típico suíço – Foto: Mussklprozz – sob licença da Creative Commons

 

Pra quem quer economizar, dá pra comprar desde sanduíches e saladas prontos até refeições quentinhas prontas pra levar a preços acessíves nas redes de supermercados Coop e Migros.

Outra ótima opção pode ser ir a um supermercado e providenciar comidinhas para um piquenique. Por aqui, ninguém se importa se você está comendo seu sanduíche ou marmita sentado numa praça, à beira do lago ou até dentro do trem.

 

Onde dormir?

Hospedagem é outra coisa cara na Suíça. Quem não abre mão de ficar em hotel, deve fazer a reserva o quanto antes pra tentar encontrar preços mais acessíves.

Albergues da juventude são uma escolha bem legal pra quem quer se hospedar bem sem pagar horrores. Eu recomendo os da rede HI (Hostelling International) que garantem uma boa relação custo-benefício, principalmente aqui na Suíça. São muito confortáveis, limpos, incluem café da manhã (alguns oferecem até jantar – preço a parte) e têm opções pra quartos individuais, duplos, coletivos ou para famílias. Muitos deles estão equipados com salas de recreação para crianças/jovens e playground. Diárias por pessoa a partir de CHF 45,00 (ver aqui albergue HI em Berna).

 

Transporte público

O transporte público aqui é muito eficiente. Pra quem não quer andar a pé ou ainda ir ou pouco mais longe, pode comprar o passe do dia (Tageskarte) que dá acesso ao transporte público da cidade por 24 horas e custa CHF 11.80. Mais informações diretamente na estação de trem ou clicando aqui. 

 

Outra possibilidade é conhecer os arredores de bicicleta. Uma bicicleta normal por até 4 horas é grátis. E-Bike por até 2 horas também é grátis. Por cada bicicleta paga-se CHF 1.00 por hora adicional. Esse serviço funciona de maio até outubro diariamente das 07:30 as 21:30. Site (só em alemão).

 

Pra quem se esqueceu, a Suíça não faz parte da UE e a sua moeda é o Franco Suíço (CHF). O Euro é aceitos em muitos lugares, mas quem não quiser se chatear pode fazer o câmbio na estação de trem mesmo (inclusive de Reais).

 *Arlete Dotta, depois de (finalmente) concluir a faculdade em 2005, achou que era hora de seguir o que o seu coração dizia. Partiu da periferia de São Paulo de mochilão fazendo o caminho contrário de seus antepassados italianos e desde lá a sua vida nunca mais foi a mesma. Desde 2009 vive cercada pelos Alpes, na Suíça, comendo muito chocolate, queijo, arroz, feijão e farofa.

10 dicas de quem mora fora para viver bem sem empregada doméstica

16/04/2015

EUARenata Kotscho Velloso – San Francisco, EUA
 

Ao contrário do que acontece no Brasil, ter empregada em casa todos os dias é algo bastante incomum aqui nos EUA e também em outros países. No máximo, as famílias contam com ajuda de uma diarista, algumas horas por semana. Sim horas, não dias. Esse tipo de serviço aqui na Califórnia é cobrado por hora e costuma ser bem caro. Além do preço a qualidade também fica a desejar. Não existe faxina propriamente dita, a pessoa que faz esse tipo de trabalho passa aspirador no carpete, pano no piso frio e dá uma geral na cozinha e no banheiro. Via de regra saem deixando a cama desarrumada. Por esses motivos, quem mora fora do Brasil em geral precisa aprender a se virar sozinho. Como essa tendência também está crescendo no Brasil, resolvi escrever esse post dando dicas de como manter a casa limpa e arrumada sem ajuda externa.

1. Coloque todo mundo na dança para ajudar. Crianças a partir dos 2-3 anos já podem começar a ajudar juntando os brinquedos. Com o passar dos anos as responsabilidades vão aumentando até que um adolescente seja capaz de dividir as tarefas igualmente com os adultos da casa.

2. Faça um pouco cada dia e evite acumular. A verdade é que quanto menos a gente faz menos a gente quer fazer. A sujeira e a bagunça vão acumulando no mesmo ritmo que a preguiça vai aumentando. É mais fácil manter a casa limpa e arrumada fazendo um pouquinho cada dia do que tentar limpar tudo numa super força tarefa e depos voltar a sujar no dia seguinte. Uma outra ideia é eleger um cômodo por dia e ir fazendo rodízio.

3. Tenha menos coisas. Quanto mais coisa você tem mais coisa junta pó e fica bagunçado. A nossa tendência é acumular muita tralha ao longo da vida. Quebre esse ciclo e foque apenas no essencial. A gente adotou um lema aqui: tudo que não é útil ou lindo de morrer vai para doação ou para o lixo.

4. Roupa passada é coisa do passado. Desculpe o trocadilho mas essa é a realidade de quem não tem ajuda. Passar roupa leva muito tempp e para ficar bom exige uma habilidade que a maioria das pessoas não tem. Procure comprar peças que não amassem e mande o que precisa estar impecável para a lavanderia.

5. Faça cardápios semanais e maximize as idas ao supermercado. Eu tenho uma lista de pratos que todo mundo em casa gosta e vou alternando. Sempre que possível faço compras de supermercado pela internet o que ajuda muito a economizar tempo.

 

6. Estabeleça “zonas da bagunça”. Eu tenho uma cesta em casa que chama “cesta da vergonha”, diariamente eu recolho tudo o que está espalhado pela casa e coloco ali. Quando a cesta fica cheia eu dou cinco minutos para os donos colocarem suas coisas no lugar ou vai tudo para o lixo. Funciona que é uma beleza!

7. Deixe os produtos de limpeza à mão. Na cozinha e em cada banheiro, eu deixo um “kit de limpeza”, assim fica mais fácil a gente limpar algo que está sujo assim que detecta a sujeira. Se os produtos estão longe, a gente acaba deixando para depois e esquecendo.

8. Crie um fluxo para as roupas. Quando a gente tem empregada, as crianças (e alguns adultos também) acham que a roupa desaparece do chão do banheiro e reaparece limpa, passada e dobrada dentro do armário. Como infelizmente isso não acontece é melhor criar um fluxo que facilita a vida de todos. Por exemplo, separe dois cestos grandes um para roupa branca e outra com cor e já fale para as pessoas separarem as roupas e deixá-las virada no direito dentro dos cestos. Depois de dobrar as roupas limpas,  faça pilhas e  peça para os donos guardarem. Tudo isso facilita a vida e desestimula que sujem as roupas desnecessariamente.

9. Estabeleça horários para comida. Eu tenho 3 filhas, uma adolescente e duas pré adolescentes. Ou seja, se deixar elas fazem lanchinhos e sujam a cozinha a tarde inteira. Então criamos a regra a cozinha “fecha” depois do lanchinho que elas fazem as 3:00 da tarde quando chegam da escola e só abre de novo na hora do jantar.

10. Compre os equipamentos certos. É inegável, uma boa lava louça, lava roupa, secadora e um bom aspirador de pó fazem muita diferença. Muita mesmo!

Dica extra: reduza as suas expectativas e o seu nível de exigência. Não tem muito jeito, por mais que todos se esforcem a sua casa não vai ficar tão limpa nem tão arrumada como quando você tem empregada mensalista. Mas a liberdade de cuidar das suas coisas e o dinheiro economizado compensam. Então relaxa, toma uma taça de vinho e esqueça a poeira atrás da televisão. Ela não faz mal a ninguém!

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*Renata Velloso é médica e autora do Bulle de Beauté e também é responsável pelo projeto Doctors on the Cloud . Para saber mais sobre ela  clique aqui.
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