Jeanine Almeida
Wellington, Nova Zelândia

 

Em meados do ano passado, um amigo nosso brasileiro, que estava aqui com visto de turista, teve um problema de saúde e foi parar no hospital público de Wellington. Só para se admitido teve que pagar $400. Depois teve que gastar em diversos exames e no final a conta ficou em mais de $2000. Além disso, na opinião deste nosso amigo, o atendimento foi extremamente lento e os médicos pareciam ter pouca autonomia para tomarem as decisões sobre os exames. Na ocasião cheguei à conclusão de que o atendimento à saúde é bem melhor no Brasil, ou melhor, o atendimento à saúde é melhor no Brasil para quem tem um bom plano de saúde ou tem dinheiro para pagar a conta.

Entretanto a minha opinião mudou. Em dezembro meu filho precisou fazer uma cirurgia de remoção do apêndice, e assim eu pude testar à força o sistema público de saúde da Nova Zelândia.

Fiquei impressionada. Não dava para acreditar que estávamos em um hospital público. Tudo era muito limpinho, organizado e muito bem equipado. Na primeira noite o Julio ficou em um quarto bem grande com banheiro privativo. A segunda noite ele passou em uma ala de recuperação, ao lado do centro cirúrgico. As demais noite ele passou em um quarto compartilhado com outros 3 pacientes. Mas cada um tinha o seu “quadrado” independente e era possível fechar as cortinas e ter total privacidade. Cada quadrado tinha armários, TV no teto, mesinha tipo bandeja para comer, vários aparelhos médicos que eu desconheço o nome, e muitas tomadas elétricas. Eu levei o meu laptop para o Julio e ficamos assistindo seriados para nos distrairmos. Fiquei espantada quando um cara veio com um PDA na mão perguntando o que o Julio iria querer para o almoço, o jantar e o café da manhã. Tá certo que as opções de cardápio não eram muitas, mas mesmo assim eu achei o máximo. O serviço prestado pelos médicos e enfermeiras foi impecável. Eles sempre foram super solícitos, atenciosos, cuidadosos e educados. Eu fiquei observando bastante o jeito que as enfermeiras atendiam os velhinhos colegas de quarto do Julio e nunca vi nenhuma grosseria ou pressa para atendê-los. Elas sempre foram super pacientes e cuidadosas.

Tenho duas amigas que tiveram filhos aqui em Wellington e que também só tem elogios sobre o atendimento e o hospital em geral. Tenho uma amiga aqui, da minha idade, que teve um derrame há 1 mês atrás que felizmente o não deixou nenhuma sequela. E ela também não tem nenhuma reclamação sobre o sistema de saúde. Quer dizer, não estou sozinha nesta visão.

O que acontece é que aqui e em diversos países de primeiro mundo, a saúde pública é democratizada. Isto é, diferentemente do Brasil, nestes lugares não importa se você tem ou não dinheiro para pagar. Todas as pessoas são atendidas da mesma maneira. Se isso é bom ou ruim só depende do ângulo que cada um enxerga e da classe social a que pertence.

Depois da experiência do nosso amigo, recomendo a aquisição de um seguro viagem para quem vem para cá como turista para evitar gastos tão altos e imprevisíveis.  Depois da experiência do meu filho, eu fiquei bem mais tranquila em saber que se tivermos qualquer problema de saúde nós seremos bem atendidos aqui, independente do saldo da nossa conta bancária.