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A primeira Copa do Mundo longe do Brasil

15/07/2014

EUA

Renata Kotscho Velloso
San Francisco, EUA

 

Pois é, essa foi a primeira copa do mundo realizada no Brasil desde que eu nasci. Coincidentemente também foi a primeira copa do mundo que eu passo fora do Brasil. Ai que achei que seria interessante compartilhar essa experiência com os leitores aqui do Brasil com z.

Eu moro na California. Aqui até uma semana antes do início da copa não ouvi, ou li qualquer palavra sobre o assunto, mas as coisas foram mudando… Começou pelos estrangeiros. Nessa região do vale do silício perto de São Francisco coisa rara é encontrar um americano tipo “quatrocentão” . Tem muito imigrante ou filho de imigrante. Chineses, indianos, russos, mexicanos, gregos, italianos e claro, brasileiros (notadamente goianos) tem de tudo por aqui.

E ai que a copa do mundo, que sempre para mim era um momento de um time só, todo mundo na “mesma corrente pra frente” virou uma coisa mais de rivalidade. Cada um defendendo e torcendo para a sua própria seleção, tirando sarro um do outro. Mais engraçado ainda é que aqui não há rivalidade local nos outros esportes. Todo mundo torce basicamente para o mesmo time de basquete, beisebol ou futebol americano, respectivamente Warriors, Giants e 49ers, que são os clubes da região.

Nessa rivalidade eu estava por cima. Rola um respeito estrangeiro pelo futebol brasileiro. Era como se tivessem discutindo o basquete olímpico e de repente chegasse um americano, ou quase isso. Quase, porque futebol, como sabemos, é o mais imprevisível dos esportes. Favoritos podem cair na primeira rodada, vide o que aconteceu com a espanha. Nessa imprevisibilidade em que nem sempre o melhor ganha, pesa a tradição da camisa. Se não temos a menor ideia de quem vai ganhar, melhor respeitar quem já ganhou mais. 10402081_10201768291803848_1753561356146001237_n Os americanos que antes estavam de fora foram entrando na copa aos poucos, embalados pela bom começo da seleção americana e com o fiasco de Portugal, apontado como segundo lugar quase certo no grupos dos EUA. Sempre o quase…

Ai que viramos especialistas. O americano típico não tem noção mesmo de futebol. As perguntas eram as mais básicas: Quantos tempos são? O jogo não pára nunca? Como assim se empatar está ótimo e pode até perder que tudo bem também? E se ninguém marcar um gol, tipo…nunca? E foram se empolgando na base do “eu acredito”.

A rivalidade porém sempre fico na brincadeira leve. Mesmo no jogo contra o México onde eu estava praticamente na casa do adversário o clima era de confraternização e alegria. E mesmo jogando mal, o Brasil foi caminhando…e o respeito meio que só aumentava. Era uma coisa tipo “eles devem saber o que estão fazendo”.

E ai veio o final que já conhecemos. E eu estava preparada para muita tiração de sarro. Afinal não é todo dia que um favorito perde de 7×1 (ai…ainda não acredito). Nós brasileiros levamos na gozação. Bom, pelo menos grande parte da nossa torcida levou esse massacre no bom humor. É a nossa forma de lidar com o luto. Piada de enterro para ajudar a assimilar o clima pesado. Acho que até é esse explicação psicológica que eu vejo para o “apagão” após o segundo gol da Alemanha. Já que não conseguiremos superar outra tragédia, vamos transformar esse jogo numa comédia. E assim foi. Muitos memes maravilhosos surgiram e acho que nunca ri tanto depois de um jogo.

O pessoal daqui, por outro lado, não viu dessa maneira. Ninguém veio tirar sarro. As pessoas olhavam para gente com uma cara de pena, como se a gente tivesse perdido não um jogo, mas alguém querido.

E mais, todos se sentiam perdedores. Perdedores do espetáculo. Torcedores de futebol antigos e recém contaminados pela magia do futebol ninguém gostou de ver o vexame do futebol brasileiro. Ninguém gosta de ver o fracasso de um mito, ainda mais de um mito querido e simpático.

Mas ai que já passou…e como fizeram todos os outros torcedores cujos times foram caindo fora, tenho que escolher o meu favorito. Então sou Alemanha. Desde antes de começar a copa, já achava que era a Alemanha que estava jogando o futebol mais bonito. Quem diria…e fica essa lição se eles conseguiram mudar o futebol deles, nós também conseguiremos mudar o nosso. Se quisermos, é claro.

Renata Kotscho Velloso é médica, mãe e maluca não necessariamente nessa ordem. Mora em San Francisco na California com o marido e suas 3 filhas. Escreve no seu blog, dando dicas de beleza e saúde baseadas na ciência. Quem quiser acompanhar as viagens da família pode assinar o canal do youtube.

2 Comentários leave one →
  1. 15/07/2014 19:36

    Nossa, bem esquisito né? Aqui no México também. Mal parecia que era copa, só tive essa impressão no jogo contra a Holanda. E pra completar , nenhum brasileiro em San Luis Potosi! Pelo menos não fomos vitimas de piadinhas pós jogo fatídica contra a Alemanha.
    Sucesso!
    Mel.
    http://www.viviendoenelmexicomagico.blogspot.com

  2. 22/07/2014 16:20

    brasil e futebol já nao sao mais paixao nacional…

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