Hoje como autora convidada apresentamos a Isis, que conta um pouco sobre sua vida de expatriada. 
bz_alemanhaIsis CansiFrankfurt, Alemanha

Nunca parei muito tempo em um mesmo lugar. Desde pequena, por causa do trabalho do meu pai, nossas estadias em uma cidade eram, em média, de 3 anos. Isso nunca ajudou muito a fazer amizades duradouras, mas foi ótimo pra desenvolver minha independência e adaptabilidade.

Até o final da faculdade minhas andanças se restringiram ao meu estado, Rio Grande do Sul, mas não demorou muito pro coração pedir um pouco mais.
Em 2008 surgiu a oportunidade de ir pra Londres. Uma amiga estava indo por uns meses e pensei: é agora ou nunca!
Em dois meses arrumei escola, visto, passagens aéreas e fui-me embora cheia de sonhos, mas também medo. Como seria viver em um país do outro lado do mundo?
Ao desembarcar no aeroporto e encarar mais de 2h na imigração com direito a raio-x confesso que queria dar meia volta e ir pra casa deitar no colo da minha mãe. O que aconteceu com o meu inglês intermediário?
Londres - Inglaterra

Londres – Inglaterra (foto arquivo pessoal)

O início não foi fácil e muitas vezes me perguntei o que eu estava fazendo ali. Na primeira semana arrumei um emprego de rua, fazendo pesquisa com brasileiros (tinha que ficar ouvindo as conversas dos transeuntes e abordar os que falavam a minha língua). Também fiz faxina, fui atendente no Mc Donalds, fui garçonete em casamentos judeus, e me acomodei como funcionária de uma loja de comida natural.

Estudava 3h por dia, trabalhava 8 e assim quase 3 anos se passaram, meu inglês foi de intermediário a fluente, minha experiência de vida também! Fiz mil amizades, algumas relâmpago e outras que duram até hoje, dividi casa com mais 7 pessoas e um mísero banheiro, fiz mais festas nesses 3 anos do que nos outros 29 de vida que tenho e conheci o amor da minha vida!

E foi assim, num dia de escola nada comum que o destino traçou pra mim novos rumos. Aquele cara lindo e bacana que entrou na minha turma ficaria em Londres apenas por mais 1 mês, mas foi o tempo que precisávamos para nos conhecermos. Ele voltou pra Alemanha, seu país de origem. Foi iniciar o mestrado em Köln (Colônia). Um ano depois, cansados de gastar uma fortuna em passagens, resolvemos morar juntos e lá fui eu para a cidade do Karneval alemão.

Permaneci em Colônia por 18 meses. Cidade de estudantes, com muitos bares, coktails bem acessíveis e gente de tudo quanto é lugar.

Em 2012 decidimos dar uma chance ao Brasil. Arrumamos empregos, casamos, meu marido aprendeu português e tivemos um filho. Mas a vida nas terras tupiniquins nunca foi fácil e em setembro de 2014 decidimos que teríamos melhores condições de criarmos nosso filho na Europa do que no Brasil e assim regressamos. Após 3 meses morando em Würzburg, cidade natal do meu marido, nos mudamos pra Frankfurt. Essa foi a minha 15 mudança e espero que pelos próximos anos seja a última!

Frankfurt - Alemanha

Frankfurt – Alemanha (foto arquivo pessoal)

Londres é de todos os lugares em que vivi a cidade mais multicultural. Também é a mais cheia de brasileiros. Basta pegar o metrô uma vez para ouvir pessoas conversando nas mais variadas línguas. Mas não se engane! Embora o número de turistas seja impressionante em todos os meses do ano quem vive por lá está sempre em “modo de trabalho” e isso significa estar sempre correndo, mesmo nos finais de semana. E não é só com a direção do transito que você deve se acostumar! É bom lembrar que os ingleses deixam sempre o lado esquerdo nas escadas rolantes livre para aqueles que estão com muita pressa. Ficar parado só do lado direito!

Em  Colônia a vida é bem diferente. O número de turistas e imigrantes não é tão grande e a vida não é tão corrida. Você não vai encontrar brasileiros em tudo quanto é lugar, mas se sentir muita falta da terrinha pode ir em um dos restaurantes ou bares brasileiros atrás daquele pastel de carne ou daquela coxinha. A vida noturna é bem agitada nos bares e os cocktails tem fama de qualidade e preço baixo comparado a outras cidades da Alemanha e Europa.

Já Frankfurt é a cidade do trabalho! Muita gente de terno e gravata, muita correria. Afinal de contas estamos no maior centro financeiro da Europa. Também é a cidade mais “internacional” da Alemanha e a menor metrópole do mundo. Dados apontam que uma em cada três pessoas que aqui se encontram não tem um passaporte alemão e mesmo assim eu não encontrei por aqui bares, casas noturnas e restaurantes onde a maioria dos frequentadores são brasileiros como há em Londres. Parece que aqui os estrangeiros estão mais inseridos na cultura local.

Alemães e ingleses, de um modo geral, trabalham muito e bem. As empresas aqui, ao contrário das brasileiras, investem muito em seus funcionários e esperam que este permaneça ali por toda a sua vida profissional. Mas isso é conversa para um próximo post.

Devo dizer que de todas as cidades em que ja vivi o lugar do meu coração é Londres. Um dia quem sabe eu volto pra lá. Ou me apaixono por outro lugar! Vai saber porque caminhos a vida ainda vai me guiar? Dessas andanças todas uma lição eu levo pra vida: se você está com o coração aberto para o novo você se adapta em qualquer lugar do planeta… e é feliz!

Até mais!