Skip to content

A Itália e a homossexualidade

17/06/2015

bz_italiaCarla Guanais – Roma, Itália.

Domingo passado aqui em Roma teve a Gay Pride, a parada gay. Segundo a polícia tinha mais de 250 mil pessoas.  Diversos carros de som (mas não vão pensando que são mega trios-elétricos como no Brasil), muita animação, muito turista e muita família também. Eu estive presente, como nos anos anteriores, foi muito divertido, tranquilo, sem baderna, sem ‘putaria’, sem brigas, sem baixaria. (O mais triste, vou ter que dizer, foi descobrir onde estão os italianos bonitos!!! TODOS GAYS!!! hahahahah (brincadeirinha, rs)).

Mas como é encarada a homossexualidade na Itália?

Bem, legalmente falando, a Itália é atualmente o único país entre os fundadores da União Europeia que ainda não reconhece o casamento entre pessoas do mesmo sexo e um dos poucos que não reconhece os direitos de casais homossexuais.

Recentemente vem acontecendo o reconhecimento de casais homossexuais que contraíram o matrimônio no exterior, por medida judicial. O primeiro caso foi em 2012.

Mario Mieli é considerado un dos pais do movimento gay italiano, fundou nos anos 70 a associação Fuori! (Fronte unitario omosessuale rivoluzionario italiano), formado por homossexuais de Milão, Torino, Roma e Padova, com sede em Torino. É um ícone do movimento gay italiano.

O pensamento base de Mario é de que “cada pessoa é potencialmente transsexual se não fosse condicionada, desde a infância, por um certo tipo de sociedade que constringe a considerar a heterossexualidade em “normal” e tudo o resto como perversão.”

Mario Mieli (foto:wikipedia)

Mario Mieli (foto:wikipedia)

Falando ainda de Europa, a Irlanda comemorou no mês passado a lei que aceita matrimônio entre pessoas do mesmo sexo. E são, portanto, 14 países da UE que deram o passo avante. O único a fazer um referendo popular para tal. A Itália está entre os nove que não assinaram a lei ainda, juntamente com: Grécia, Cipro, Lituânia, Letônia, Polônia, Eslovaquia, Bulgária e Romênia. O Istat em 2011 chegou a registrar através de uma sondagem, o percentual dos italianos que aprovariam o casamento gay, o número foi de 43% (na Irlanda foi de 62%). Porém, 62,8% concordam que os casais gays têm que ter os mesmos direitos, perante a lei, que os casais heterossexuais.

A Itália está atrás do Brasil que regularizou o matrimônio homossexual em 2013, e tantos outros países.

Os primeiros países do mundo a dar esse passo foram Dinamarca, Holanda, Bélgica, Espanha e Canadá (entre 2000 e 2005).

O conceito de Família

No começo deste mês o parlamento europeu aprovou também os direitos dos casais gays, como paridade de gêneros, ou seja, o conceito de família – e todos os direitos – para os casais homossexuais.

Se a Itália não adotou ainda o matrimônio gay, não podemos falar da adoção de menores.

Em 2014 teve o primeiro caso, que estava há anos na justiça e, foi julgado favorável a um casal de lésbica, que sua companheira fosse registrada como mãe também, da filha biológica da sua companheira, de 5 anos. Coisa rara, mas já uma vitória.

Homofobia

A Itália está muito atrás também, de outros países europeus, no que diz respeito às leis contra a incitação ao ódio e violência contra os gays. Existem vários modelos, foram discutidas algumas vezes mas nunca passaram pelo Senado. Triste!

Aqui também acontece muito a violência gratuita contra homossexuais. 

E numa pesquisa entre os países europeus, a Itália está em 34º lugar (entre 49 países), ocupando a faixa vermelha do “mapa arco-íris”, ficando atrás somente dos países da antiga União Soviética e micro-países (como Cipro ou San Marino), no que diz respeito à tutela e discriminação de homossexuais (ver Rainbow Map abaixo).

corriere.it

corriere.it

A homofobia ocupa o segundo lugar no que diz respeito à discriminação e violência aqui na Itália, perde somente para o racismo. Outros fatores que incitam o ódio e discriminação são a religião e os portadores de necessidades especiais (handicap).

Pois é…

Em um país super católico, as coisas ficam ainda mais difíceis e as mudanças são lentas. Nem tudo são flores. Há muito a ser feito!

(O título do texto anteriormente foi publicado com a palavra homossexualismo, que apesar de não ser errado, está caindo em desuso, portanto foi alterado. Grata!)

Carla Guanais é cientista, blogueira e mora na Itália desde 2010, onde está cursando um doutorado. Saiba mais sobre ela clicando aqui.

7 Comentários leave one →
  1. 17/06/2015 12:24

    Eu não tinha nem idéia dessa posição da Itália. O engraçado é que países fortemente católicos como Portugal, Espanha e Croácia estão muito à frente da itália no mapa arco-íris.

    • Carla Guanais permalink
      17/06/2015 12:32

      é mas aqui tem o Vaticano, povo de mente fechada e quadrada… isso vai longe ainda..

      • 10/04/2016 23:32

        Carla Guanais o Vaticano não é um “povo” de mente fechada e quadrada! Eles apenas são um bastião da maior religião cristã do mundo, e é o dever deles presar pelo que dizem as Sagradas Escrituras, que no caso, condenam essa prática como normalidade. Não quero bancar o chato teocrata, mas esperar que as pessoas aceitem isso não é nada surpreendente, porém esperar isso de dignatários de uma fé religiosa é um absurdo!

      • 11/04/2016 14:30

        não me referia ao Vaticano , mas a Roma, o artigo é sobre Roma e os romanos. O fato do Vaticano estar aqui influi muito.

  2. André Fernandes permalink
    17/06/2015 14:42

    Se a homofobia na Sérvia é menor que na Itália, de acordo com o ranking, não vou nem imaginar… Em alguns cantos de Belgrado, lembro de ter visto pichações de ódio e boicote a gays, por exemplo.

    • Carla Guanais permalink
      17/06/2015 14:43

      Pois é… o lado obscuro da Itália..

  3. Arlete permalink
    20/06/2015 6:05

    A posição da Suíça também não está lá essas coisas no mapa, mesmo a união de casais do mesmo sexo sendo legal aqui. Apesar de ser um país tendencialmente mais tradicional nestes valores, praticamente não se ouve falar em violência contra homossexuais. Por outro lado, raramente se vê transsexuais em plena luz do dia. Acho que a Grã-Betranha deve merecer mesmo o primeiro lugar. A última vez que estive em Londres, fiquei positivamente surpresa, quando ao pedir informação a um motorista do ônibus, vi que ele estava maquiado e com brincos. Poder ser quem você é até na hora do trabalho pode ser definitivamente um privilégio que não é possível em qualquer parte do mundo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: