Ana Fonseca, Melissa Lima, Fábio Takeshi 

 

Passar por uma situação embaraçosa, quebrar uma regra de etiqueta, ficar vermelho de vergonha. Quem não passou por isso no exterior ? Os micos às vezes já começam no aeroporto mesmo, com excesso de bagagem. Continuam na hora de tentar achar um caixa de dinheiro automático para adquirir moeda local, comprar um tíquete de metrô para ir ao hotel sem entender o diabo da língua, encontrar a saída da estação de trens, pronunciar o destino de forma longe do compreensível para o taxista… E aí a pagação de mico vai que não tem volta, quase todo dia o turista solta um impropério. Imagina então quando você se muda de mala e cuia para outro país ? As coisas mais óbvias para nós podem ser ri-dí-cu-las em outra cultura. Abaixo, alguns pequenos exemplos de mal entendidos e embaraços o que nossos autores já passaram (e passam) fora do Brasil.

Mico 5

Fabio Takeshi Utida, França

Meu primeiro mico internacional: Recém chegado à Europa (fazia 1 mês), chego em Sevilha (Espanha) em pleno mês de fevereiro. Chovia bastante no meu primeiro dia de viagem e resolvo pegar um bonde para o meu próximo destino. Eu entro no vagão e procuro um cobrador ou o motorista para comprar o bilhete.  Então descubro que compra-se o bilhete antes de entrar e não se vende dentro do bonde ! Logo depois entram os inspetores da companhia de transporte local que pedem o meu bilhete. Que azar ! Eu explico no meu melhor portunhol que sou um turista brasileiro perdido na Espanha e que não conhecia o modo de funcionamento do sistema de transportes. Eles foram compreensivos e ao invés de me cobrar a multa de uns 50€, me acompanham até a próxima parada para que eu possa comprar o bilhete e eu sigo viagem…
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Na França… Chego num restaurante, me instalo na boa numa mesa vazia numa parte vazia do restaurante.  Logo vem a garçonete me dar bronca que eu não podia sentar lá pois àquela área estava fechada e eu tinha que esperar que ela venha me instalar. Sim, na França é o garçom/garçonete quem determina aonde você vai se sentar.

Meu número dois na França… Na minha primeira semana na pais, encontro um bilhetinho da faxineira me pedindo por gentileza para não jogar o papel higiênico no lixinho do banheiro  (joga-se o papel na privada).
Já na Polônia, era em pleno mês de agosto em Cracóvia quando cheguei para turistar.  Fazia calor e para me refrescar compro uma latinha de cerveja em um supermercado e começo à bebê-la na rua. Surge um policial que me diz que isto é… ilegal !  Explico que sou um turista, que não sabia disso.  Logo em seguida jogo a lata fora e o policial me deixa felizmente partir.

Mico 2

Ana Fonseca, Holanda:

Sinceramente ? Acho que os holandeses é que já pagaram muito mico comigo, sem se darem conta. Até hoje pagam, mas quase nunca ficam constrangidos. O desconhecimento deles sobre as coisas mais básicas do Brasil é total. Eles não fazem concessões à outras culturas, tudo por aqui é o “Dutch way” e as convenções internacionais de bons modos e bom senso que se danem!  Mas vamos falar dos meus micos, eu já passei por muitos:

Quando eu visitei a primeira vez a Holanda, num esquema de 3 países durante um inverno horroroso, fiquei num albergue da juventude em Amsterdam. Uma holandesa que eu já conhecia há anos me convidou para sair numa sábado com uns amigos e depois dormiríamos na casa dos pais dela. O combinado era que eu iria embora depois do “almoço” que os pais iriam me oferecer. Pois bem, acordo de manhã (tarde por volta das 10h) e não sou oferecida nada pois no dizer deles “o horário do café-da-manhã já tinha passado”. Nem um café, nem uma xícara de chá. Isso demonstrou para mim uma grosseira imensa, mas  bom… assim funciona a cultura holandesa. “Prática” e sem rapapés com convidados. E pensei: “Tudo bem, é domingo e vou almoçar legal!”. Na hora do “almoço” vi na mesa: pão de forma fatiado, um patê, presunto fatiado, queijo fatiado e dois potinhos com cremes. Para beber, chá. Tomei um chá sem açúcar e fiquei calmamente batendo papo com eles que avidamente pegavam pães, queijo, presunto… Até que a minha amiga traduziu uma pergunta da mãe, “Se eu não iria comer nada?” Eu respondi que sim, estava apenas aguardando o almoço ficar pronto e não ligava muito para comer pão.  Todo eles ficaram em silêncio e minha amiga esbravejou: “ISSO é O al-mo-ço ! PÃO ! Vai comer pão ! LUNCH ! O que você está pensando? Na Holanda se come pão para o almoço!” Eu detestava pão, mas como eu já não tinha tomado café-da-manhã tratei de colocar pão puro no prato e engolir. Foi meio a seco.

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Segundo mico:  Quando cheguei para morar definitivamente na Holanda, eu já tinha sandálias, sapatos e botas e sapatos de inverno (comprados anos antes no Brasil). Até que chegou um momento em que eu precisava comprar botas e sapatos na Holanda mesmo, pois os que tinha trazido do Brasil estavam ficando gastos. Eu fiquei surpresa de numa loja experimentar no meu número usual (35-36) e nada caber nos pés. Não era possível, eu não tinha engordado tanto assim. Achei que era porque estava vindo de uma aula de fitness e também estava tendo meu período, meus pés deviam estar bem inchados… Forcei a barra e comprei sapatos de modelos  f.e.c.h.a.d.o.s no meu número usual mesmo (36). Eu sofri muito com os sapatos novos, no final do dia meus dedinhos pareciam necrosados. Mau-humor total. Tive que doá -los, novinhos ainda. Até que descobri que na numeração européia para calçados são dois números mais altos que no Brasil. Na Europa eu calço 37-38 (e às vezes 39 para botas pesadas) na boa !

 

Mico 7

Melissa Lima, México:

Micos eu? Inúmeros. Milhões. Aqui é muito mais fácil pelo tal “portunhol” né? 

O primeiro foi quando recém chegada ao México, em um tour por Guanajuato pedi que o guia me levasse a “cajeta” (portunhol nível máximo), pois queria tirar dinheiro. Ele me olhou amavelmente e começou a andar. Quando me dei conta estávamos chegando a uma loja de doces, eu sem entender nada. Cajeta em espanhol é doce de leite e eu, depois de descobrir isso, tirei a carteira da bolsa e comecei a fazer gestos, mímicas e depois de muito custo ele disse: “Noooo , señora, se llama CAJEROOOO!” Eu queria sumir.

E só foi piorando, ladeira abaixo. Convidei uma amiga mexicana pra CORRER comigo no parque. Ela quase desmaiou, ficou vermelha! E eu sem entender nada. Correr aqui, tem que falar com o R do Galvão Bueno (RRRRonaldo) , porque se falar normal, como no Brasil, corresponde a COGER , que , nada mais é que o ato sexual. Ou seja, convidei sonoramente minha amiga a “coger” comigo no parque. Mas eu queria mesmo  era CORRER! Que mico! Nessa mesma linha, outra amiga, convidei pra sentar no meu “estofado”… Ela me olhou como se eu precisasse de intervenção médica, porque, descobri que estofado aqui é um tipo de carne ensopada (um prato “estufado” como se diz em Portugal).

E pra encerrar…  Como morar no México e não pagar mico com a “picância” das pimentas? Já morava há um tempo aqui, fomos a um restaurante. Escolhi um prato onde a garçonete me disse: “Señora, pica mucho este platillo!” E eu ri dela e falei que já estava bem acostumada. Se algum mexicano te avisa que “pica”, não ouse, não tente, jogue a toalha! Lembro como se fosse hoje, todos parados (a equipe do restaurante), vendo a gringa comer e eu, não iria dar meu braço a torcer….Quase morri, tomei 3 litros de água, mas, comi o prato sem chorar! Passei mal 2 semanas, de tanto que picava “aquela madre….”! rs

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E você leitor (a), quais são seus micos ? Compartilhem conosco nos comentários !

Nota: As fotos dos macaquinhos foram apanhadas há muito tempo na internet e não sabemos mais as fontes.  Se alguém for o dono favor avisar o BZ que a gente dá os créditos.