bz_espanhaManaira Araújo – Madrid, Espanha

Pelo que vejo nos noticiários e pelo que comentam os madrilenhos, o sistema público de saúde (Salud Madrid) daqui já não é tão bom como antes. Infelizmente, eu já tive que usá-lo algumas vezes, e não tenho do que reclamar. Sempre fui atendida rapidamente, inclusive quando ainda não tinha os documentos regularizados, ou seja, não tinha direito às consultas médicas, tirando casos de urgência. Vou contar a recente experiência com o atendimento de urgência de Madrid e compará-lo com o que já vivi no Brasil.

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Cartões de atendimento de saúde pública: SUS e Salud Madrid

Comecei um dia a sentir muita dor do estômago pela tarde e à noite piorou. Sai do trabalho, peguei o metrô e fui ao Centro de Salud Paseo Imperial, que fica próximo a minha casa. Ao chegar, haviam 5 pessoas na minha frente e tive que esperar 1h para ser atendida. Expliquei meu histórico de dores, mas pelo sistema integrado, a médica tem acesso a todo o meu histórico médico desde a minha primeira consulta. Ela disse que poderia ser uma úlcera, me colocou no soro com remédio para dor e chamou uma ambulância para me levar ao “meu hospital de referência”, o Hospital Universitario Fundación Jiménez Díaz.

Como meu estado estava estável e não era prioridade, a ambulância demorou cerca de 1h para chegar. Eu até perguntei para a médica se eu podia ir de taxi, mas ela disse que não, pois era melhor ir com o soro. Fui para o hospital. Lá vários médicos vieram conversar comigo para saber meu estado.  Como meu quadro era estável, disseram que eu não iam fazer a endoscopia e que eu ficaria em observação. Colocaram mais remédio no soro, mediram minha pressão e temperatura, procedimentos até ai normais. Mas, além disso, fizeram um eletro e um exame completo de sangue.

Já era de madruga e eu estava bem cansada. Apesar do hospital estar tranquilo, sem confusões ou falações, não consegui dormir até a hora que me liberaram, 6 horas depois que cheguei ao primeiro centro de saúde. Me passaram alguns medicamentos e disseram para que procurar o meu médico de família para marcar uma consulta com um especialista. Usando o aplicativo no celular, consegui marcar o médico de família de um dia para o outro. No primeiro dia útil depois de ter ido ao médico, já me ligaram marcando a consulta com o especialista para um mês depois. Aqui é tudo muito rápido e prático.

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Hospital Universitario Fundación Jiménez Diáz em Madrid

Durantes as esperas no centro de saúde e no hospital em Madrid, fiquei lembrando das vezes que precisei do atendimento de urgência no Brasil. A última foi quando eu morava em Florianópolis/SC. Eu tinha caído, tinha muitas dores no pé e achei que poderia ter rompido algum ligamento. Fui à Unidade de Pronto Atendimento Sul da Ilha, que estava próxima a minha casa. Como já era de noite, esperei  meu marido chegar do trabalho para ir de carro, se de dia o ônibus já demora a passar… À noite seria bem mais complicado.

Chegando lá, disseram que o raio X estava fora de funcionamento e me recomendaram ir ao Hospital Governador Celso Ramos, no centro. Ainda bem que esperei meu marido, ir do centro de saúde ao hospital em transporte público, a noite, seria uma odisséia… Bem, por lá, acho que não tinha muita gente na minha frente para ortopedia, mas uma amiga que coincidentemente trabalha no hospital me recomendou buscar um atendimento particular, já que o médico tinha acabado de entrar para uma cirurgia e que eu teria que passar a madrugada esperando para ser atendida. Por sorte, não era nada grave, só uma torção, mas tive que gastar um bom dinheiro para a consulta e o raio x particular.

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Hospital Gov. Celso Ramos em Florianópolis/SC.

Um outra vez que precisei de atendimento de urgência no Brasil, foi em Belo Horizonte/MG, quando eu tinha 12 anos e fui atropelada. Fiquei inconsciente alguns minutos e, quando dei por mim, a ambulância já tinha chegado. Lembro perfeitamente da chegada no Hospital João XXIII, foi terrível. Tinha um monte de pessoas pelos corredores, sangrado, com orgãos do lado de fora, gente gritando. Eu fiquei apavorada, só queria sair daí. Fui colocada num maca e fiquei alí por um bom tempo. Depois me levaram para uma sala cheia de outros pacientes, cada um pior que o outro… Mediram minha pressão, temperatura, me fizeram várias perguntas e me deixaram em observação… Passei todo o dia lá e a noite me liberaram. Tive muita sorte de não ter sido nada grave. E por não ter ficado mais tempo por lá…

As situações foram um pouco diferentes, aqui e lá, mas dá para ver a diferença nos atendimentos de urgência nos dois países. As pessoas daqui – que dizem que “a saúde pública não é boa” – não sabem o que temos que passar no Brasil… Não sabem o que é ter um hospital sem infra-estrutura, sem médicos, sem medicamentos… E ainda super lotados. Eu achei o atendimento muito bom. Não que eu não acredite que aqui em Madrid a situação antes era melhor; mas, infelizmente, no Brasil estamos acostumados com um padrão bem inferior de atendimento e qualidade. Principalmente num momento de fragilidade e por questões de saúde como estas.

E você, leitor ou leitora do BZ… Já precisou de usar o atendimento de urgência dentro e/ou fora do Brasil? Como foi? Onde foi? Comente e compartilhe a suas experiencias com a gente!

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Manaira Araújo é mineira e atualmente mora em Madrid. Para saber mais sobre ela clique aqui. Siga a nossa página no Facebook para saber mais sobre dicas de turismo e viagens clicando aqui.