japão W. Anderson – Japão

IJIME (leia-se i-di-me), é a palavra japonesa para bullying. Quero abordar em alguns posts esse problema que ainda persiste dentro da sociedade japonesa e, nos dias de hoje já vem dando sinais de diminuição.

No vídeo acima, uma ilustração de que o bullying é algo horrível de presenciar, de sofrer, mas que muitos insistem praticar. Então, a reação de alguém pode surpreender a todos nós. Este vídeo vitalizou-se nas últimas semanas na internet.

O filho de uma pessoa muito conhecida minha, passou por algo cômico numa tentativa de bullying. Ele estava no último ano shogakko (o equivalente ao primário), numa escola japonesa. Filho de pai com dupla cidadania (brasileira/japonesa) e mãe também (canadense/alemã), ele foi criado aprendendo 5 idiomas simultaneamente (português, inglês, francês, alemão e claro, japonês). Com 7 anos, já sabia ler e escrever em todos eles.

Um garoto, japonês, sabendo que a mãe dele é estrangeira, ele possui cidadania brasileira, canadense, alemã e japonesa, puxou ele pelo braço ainda dentro da sala de aula e gritou “estrangeiro burro”. O garoto então respondeu, eu sou japonês também, mas o burro aqui é você, pois só sabe falar “nihongo”. Eu sei falar, ler e escrever em 5 idiomas. Virou as costas e saiu para o intervalo. Naquele mesmo dia a noite, o celular do pai dele tocou. Era da escola, o diretor, chamando o pai para uma reunião no final da tarde, no dia seguinte.

A prática de bullying é algo pregando na cultura japonesa (by leanarda.deviantart.com)

A prática de bullying é algo pregnado na cultura japonesa (by leanarda.deviantart.com)

O absurdo então, começaria naquela reunião. O diretor estava com uma outra pessoa (depois soube tratar-se do pai do aluno que iniciou o bullying), pediu para que se sentasse, e explicou a razão da reunião. Explicou que o garoto foi agressivo com o coleguinha japonês, por essa razão, foi chamado para se “desculpar” com o pai do agressor. Ao retrucar o diretor, o pai perguntou se realmente o filho do outro havia iniciado o bullying e teve resposta positiva. Então alegou que não iria pedir desculpas, pois na verdade, ele e o filho também são japoneses, mesmo que ambos não tivessem nascido no Japão, mas de acordo com a Lei, são japonesa iguais aos demais, com a diferença de possuírem também uma outra cidadania. Além do mais, o pai justificou que o filho dele jamais poderia ser chamado de burro, pois as notas, todas eram acima de 9.0, além da habilidade de dominar outros idiomas. Coisas que o agressor, não possuía.

O bullying afasta crianças da freqüência escolar, atinge a todos, sem distinção de nacionalidade (by japaoemfoco.com)

O bullying afasta crianças da freqüência escolar no Japão, atinge a todos, sem distinção de nacionalidade (by japaoemfoco.com)

Antes de receber a tréplica, sacou o gravador e avisou que toda conversa foi gravada, com a admissão da agressão pelo outro garoto, desta forma, se o bullying voltasse a ocorrer, iria processar o pai, a escola e o professor, que foram omissos e tentaram, de forma indireta, fazer bullying também com ele.

O bullying atinge meninos e meninas, muitas vezes com agressões físicas - (by - )

O bullying atinge meninos e meninas, muitas vezes com agressões físicas – (by -japanizmo.wordpress.com)

Virou-se a saiu, despedindo-se ao modo nipônico.

A escola dias mais tarde, manifestou suas desculpas ao pai e filho, durante a reunião de pais e alunos.

É claro, esse foi um caso de revés, muito difícil de acontecer, pois a natureza é que casos de bullying não sejam tornados públicos, pois denigrem a  imagem da escola. Uma escola com má fama, prejudica o acesso dos alunos às melhores universidades, pois aqui, a reputação é levado em conta.

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W. Anderson é engenheiro elétrico e mora com a família há 11 anos no Japão. Para saber mais sobre ele clique aqui

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