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O desafio de conviver entre brasileiros no Japão

07/01/2016

japãoW. Anderson – Japão

Eu já tive a oportunidade de morar fora do Brasil por algumas vezes. Isso me abriu uma grande oportunidade de trabalho e cultura, pois, me fez saber que posso me adaptar facilmente em vários ambientes.

Quando deixei o Brasil pela primeira vez, foi para fazer um intercâmbio de inglês. Eu estava num nível avançado na então CCI/ELS, uma escola que focava o modo britânico. Me candidatei ao intercâmbio, numa época que realmente se fazia intercâmbios, onde famílias de alunos candidatos se comprometiam a receber também alunos vindos do exterior. O objetivo daquele intercâmbio era de 1 ano. Acabei fazendo toda a high school em Londres e, voltando ao Brasil tentei  carreira militar na Aeronáutica.

Depois de deixar a vida militar, a próxima oportunidade para deixar o Brasil foi para fazer um curso na Novell Inc, em San Diego, nos EUA. Naquela época, não existia ainda nenhuma empresa de treinamento desta plataforma e, como estava em processo de implantar a Rede Novell numa nova empresa do Grupo Votorantin, fui consultado se aceitaria ficar por 5 meses iniciais nos EUA, fazendo um primeiro curso. Como a adaptação foi bem tranquila, acabei ficando para o segundo curso também, fazendo assim, a formação completa que havia naquela época. Foram pouco mais de 9 meses e, se tivesse tido algum convite para ficar de vez, provavelmente teria ficado.

Em ambas as vezes, tanto na Inglaterra como nos EUA,  tive oportunidade de encontrar uma comunidade brasileira  bastante unida, num sentido bem diferente do que encontrei no Japão.

Talvez pela idade que tinha naquela época não tenha percebido. Mas pelo que pude conviver, notei que havia uma certa cumplicidade entre os brasileiros, pouca fofoca, e acima de tudo, um modo de proteger um ao outro. Talvez porque, naquela época, a maioria dos brasileiros vivendo na Inglaterra ou nos Estados Unidos, eram ilegais, geralmente turistas que ficaram sem regularizar seu visto e condição. Não era o meu caso, pois ambas as vezes, eu tinha o visto adequado para residência por longo período.

Mas aqui no Japão, aprendi algo muito diferente. Brasileiro aqui é o “Óh”, no sentido pejorativo mesmo. É claro que não são todos, mas uma grande parcela, principalmente por parte daqueles que insistem em viver unicamente dentro da comunidade e não buscar interação com a sociedade de onde se vive.

BrasileirosDesunidos

Sátira sobre a união de brasileiros no Japão – by google.com

Minha teoria pode ser contestada por qualquer um, mas é o que mais perto consegue explicar a diferença que senti quando estive nos Estados Unidos e na Inglaterra. É claro que no final dos anos 80, quando os primeiros brasileiros chegaram ao Japão pelo movimento decasségui, encontrar outro brasileiro na fila do telefone público era motivo de festa, mas hoje…

telefonepublico

No início do movimento decasségui, encontrar outro brasileiro na fila querendo ligar para o Brasil, era motivo de alegria

Os brasileiros aqui, eu dividiria em dois grupos principais. O primeiro, em sua maioria pessoas com alta formação e especialização, portanto com pelo menos um curso superior, que decepcionado com o Brasil, decidiu vir pra cá. E o segundo grupo é de brasileiros que possuem pouco estudo, muitas vezes, nem mesmo o segundo grau completo e que consideram na maioria das vezes, que somente pessoas iguais a eles que poderiam vir ao Japão para trabalhar em “chão de fábrica”. E isso tem uma agravante maior, pois possuem filhos que muitas vezes, possuem menos estudo ainda, pois estudaram em escolas brasileiras ou em escolas japonesas, abandonando os estudos perto dos 15 anos de idade. Esse segundo grupo, geralmente possuem melhor conhecimento do idioma para conversação, portanto, muitos se consideram superiores aos demais, ou porque trabalham como intérpretes em empresas de alocação de mão de obra (empreiteiras) ou porque, por terem muito tempo de Japão, não enxergam com bons olhos outros brasileiros que mesmo com formação e carreira no Brasil, jogaram tudo pro alto em busca de algo melhor que o Brasil também não ofereceu à eles.

Eu conheci médicos, pediatras, dentistas, psicólogos, advogados, outros engenheiros e tantos outros formados (inclusive em boas faculdades) no Brasil, que optaram em vir ao Japão, não como decasségui, mas como imigrantes como eu, que também se decepcionaram com o Brasil. Desta forma, não é demérito algum trabalhar em “chão de fábrica”, mesmo que ao lado de pessoas que não tiveram as mesmas oportunidades de estudo, isso porque, a dignidade e o sucesso de uma pessoa não se julga pelo diploma que possuir, nem pela dificuldade que passou no Brasil, mas sim, se pode conhecer uma pessoa, sem julgar, pela ética e pelo comprometimento que se tem pelo serviço e pela conduta social que se adota, coisas que muitos aqui, por não terem condições de mudarem a si, por acomodação ou simplesmente por uma deficiência do caráter, prefere igualar bons brasileiros iguais a si próprios, ao invés de se equiparar e ver no colega de trabalho, um exemplo a seguir.

TrabalhadorEmLinha

Trabalhador brasileiro em linha de produção automotiva – by japaoemfoco.jp

É muito comum pessoas do segundo grupo fazer fofocas contra as pessoas do primeiro grupo. São os casos de bullying mais comuns entre brasileiros dentro da comunidade e, igual ao que sofri e relatei em post anterior. Não estou generalizando ou acusando, por favor. Apenas relatando o que presenciei e vivi. Já soube de uma pessoa que por esquecimento de renovar o visto antes do vencimento, foi denunciada por outro brasileiro que soube da situação, criando um transtorno desnecessário. A pessoa denunciada não chegou a ser deportada, mas teve de dar boas e conscientes explicações para não ter dificultado o processo de renovar o visto. Isso porque deixou vencer o visto apenas por alguns poucos dias.

Esse tipo de situação extrema, confesso que não tomei conhecimento nem na Inglaterra e nem nos Estados Unidos. Isso não significa que não aconteça, mas aqui no Japão é algo muito comum entre estrangeiros de qualquer nacionalidade, principalmente inclusive brasileiros.

Essa situação de “rivalidade”, talvez tenha influência de que para qualquer nacionalidade, a existência de imigrantes ilegais aqui é algo muito difícil, pois o controle de imigração é muito rígido e a vigilância, constante, o que difere da Europa ou Estados Unidos, onde o grande número de imigrantes ilegais de muitas nacionalidades é um problema existente e difícil de resolver.

Desta forma, esse comportamento existente dentro da comunidade brasileira aqui foi uma das razões para que eu pouco participasse e jamais ficasse unicamente inserido apenas dentro dela, de modo que, dentro da comunidade, a seleção de quem pode ser amigo é muito mais rígida. Além do mais, se eu escolhi viver no Japão, eu preciso e devo, me comportar como o ditado diz, “viver em Roma como os romanos”.

O diretor do Grupo Putz Network, que participou comigo de um artigo aqui, lembrou que há uma grande dificuldade de mobilizar brasileiros em torno do grupo, pois na maioria das vezes, preferem dividir seu tempo em trabalhar o máximo de horas e descansar outro máximo possível, esquecendo que uma participação consciente dos estrangeiros, dentro da sociedade e da própria comunidade, ajudará no seu próprio desenvolvimento e na melhor qualidade de vida, sem depender exclusivamente da ajuda voluntária de terceiros ou do poder público.

Um outra situação que ocorre dentro da comunidade brasileira, é a mania de muitos acharem obrigação do governo brasileiro ou do governo japonês e também de ambos, de dar aqui a  assistência que teriam no Brasil, seja em atendimento de saúde pública, de aposentadoria, de ensino público. Alguns acreditam piamente que mesmo estando fora do Brasil, o governo brasileiro tem tais obrigações aqui e acham também, que “por estarmos dando o suor pelo Japão”, o governo japonês tenha outras tantas obrigações para com os estrangeiros. Em minha opinião, tal situação de assistencialismo é mera hipocrisia e mascara a preguiça e a acomodação de conquistar as coisas por meritocracia.

A crise mundial que se iniciou em 2008, teve o lado positivo de proporcionar a uma grande parcela de “tranqueiras” o retorno ao Brasil (por intermédio de um programa de ajuda do governo japonês, que indenizava o visto de cada adulto e criança). E  hoje, muitos desses “tranqueiras” – mesmo sabendo que o Japão já não é mais o lugar de ganhar dinheiro fácil e rápido – estão loucos de vontade de voltar pra cá. É verdade que houve muitas pessoas de boa índole e dedicadas que foram embora por falta de melhores perspectivas aqui. Afinal de contas, principalmente para quem já vivia muito tempo aqui, uma crise como aquela era algo difícil para se imaginar na (então) segunda maior economia do planeta.

Antes da crise, era normal ver um brasileiro gastar algo perto de US$ 3,000 para comprar um jogo de pneus para drift, que na maioria das vezes, durava apenas naquele “evento”. Hoje, muitos não trocam de carro, a menos que seja muito necessário. Outros, nem mesmo um seguro (de responsabilidade civil) para o carro sequer fizeram.

Lembro que na região onde moro (6 cidades vizinhas), os brasileiros somavam perto de 10,000 pessoas. Havia cerca de 12 lojas de produtos brasileiros, 3 fornecedores de alimentação (marmitex / “obentou”), uma danceteria, um karaoke, 7 lojas brasileiras de automóveis usados. Hoje,  não atingimos ainda 3,000 pessoas, temos apenas 2 lojas de produtos brasileiros (numa delas, encontra-se vários produtos com validade expirada), nenhum fornecedor de marmitex, nenhum karaoke, nenhuma danceteria, 1 loja de automóveis usados. Segundo informação preliminar e extra-oficial, entre brasileiros, os inadimplentes com o pagamento de imposto automotivo (equivalente ao IPVA), chega a 20%, considerado alto demais. Isso significa que o poder aquisitivo da comunidade caiu vertiginosamente. Muitos outros, encontram-se com o pagamento do imposto municipal em atraso, o que tem criado certa dificuldade na renovação de visto, obtendo uma renovação de apenas 1 ano, ao invés de novos períodos de 3 e 5 anos, ou ainda, indeferido o pedido de visto permanente.

O ponto positivo foi que o nível intelectual das pessoas que ficaram aumentou muito, e o número de ocorrências de acidente de trânsito e crimes cometidos por brasileiros também caiu. As pessoas que permaneceram, dominam mais o idioma, escrevem e leem, estão mais integrados com a sociedade e muitos conseguiram se tornar empreendedores, gerando empregos ou promovendo cidadania social, integrando nativos e estrangeiros de modo geral.

Considero assim, que não se trata de haver um estresse, como uma matéria que li na internet sugeria, mas de não haver ainda, a consciência de que a vida dentro da comunidade e consequentemente, o melhor ambiente de trabalho onde há muitos brasileiros numa mesma fábrica, só vai melhorar quando as pessoas se conscientizarem que a grande maioria dos brasileiros aqui não são mais decasségui, mas sim, imigrantes que vieram e decidiram ficar. Portanto, não há a necessidade de criar rivalidades, passar a perna num outro brasileiro, desmerecer seu caráter ou sua honra, nem mesmo de induzir aos outros que aquela pessoa é ruim e você alguém do bem.

___________

W. Anderson é engenheiro elétrico e mora com a família há 11 anos no Japão. Para saber mais sobre ele clique aqui

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19 Comentários leave one →
  1. Ricardo permalink
    07/01/2016 9:47

    Muito bom o artigo, quando tinha 18 anos era meu sonho viver no japão, isso há 20 anos atrás. Fiz curso de japonês e já estava com uma fluência até boa. E tem um professor meu amigo que hoje vive em tokyo, ele queria me puxar para ir com ele. Na época eu namorava até uma japonesa. Mas, depois de ter me aprofundado na cultura japonesa vi que não era para mim. O japonês é racista também e se julgam seres superiores. E mesmo vc se destacando em qualquer atividade sempre será um gaijin para eles, nunca irão te respeitar e te absorver no mundo deles. Digo isso pelo meu professor ele se destacou nas artes marciais, mas é um gaijin para eles, e olha que ele fala japonês fluentemente vive lá há uns 20 anos. Ele é até respeitado por vários japoneses maiorais das artes marcias, mas como a escolaridade dele é baixa, não percebe que o balizam por baixo sempre. Adorei a cultura européia principalmente, a italiana, me senti em casa, e logo os italianos que muitos falam que ainda são fascistas não senti isso me senti acolhido e futuramente vou morar em definitivo na itália. Já que o brasil acabou, país totalmente fracassado e com um povo que não tem coragem de lutar para mudar nada.

    • 07/01/2016 10:38

      Você deve lutar por seus sonhos.
      As pessoas ruins, que existem em todos lugares, não podem fazer-nos desistir de realizar nossos sonhos.

  2. J. Eduardo Caamaño permalink
    07/01/2016 10:13

    Muito interessante e esclarecedor o seu post Anderson, agora não entendo porque existe essa necessidade de procurar desesperadamente por outros brasileiros no exterior. A melhor maneira de se integrar num país estrangeiro e se relacionando com os locais. Moro ha 12 anos na Espanha e posso contar com os dedos de uma mão a quantidade de brasileros que eu conheço.

    • 07/01/2016 13:45

      Oi Edu, bom te ver por aqui ! Quem é vivo sempre aparece… Olha, em momento algum achei que que o Anderson procurasse “desesperadamente o contato com brasileiros”. O que eu entendi é que tem (ou tinha) muitíssimo brasuca no Japão e era inevitável no ambiente de trabalho estar com eles. E que um certo grupo de baixa escolaridade é muito cafajeste e passa a perna nos conterrâneos. Foi isso que entendi. Um abraço!

      Obs.: por acaso eu não tenho amigos brasileiros na NL nem nunca busquei comunidades ou grupos de brasucas. Conheci brasileiros em trabalhos passados, com os quais hoje tenho um contato cordial via FB. Se por acaso eu vier a conhecer alguma brasileira essa pessoa pode ou não vir a tornar-se uma amiga. Ter um passado cultural em comum ajuda, mas não é condição obrigatória. Agora, seria impossível pra mim ter contatos só com holandeses, por mais enriquecedor que sejam. Os holandeses pensam, vivem e reagem de uma maneira muito, muito especifica. Acho muito reconfortante cultivar os meus contatos sociais com outras nacionalidades e com minhas “antigas” e boas amigas lá no BR.

    • 07/01/2016 22:40

      Muito obrigado por participar dos comentários. Eu demorei um pouco para te responder, peço desculpas. Mas aproveito para dizer, não se trata de procurar por outros brasileiros, muito pelo contrário. Desde que cheguei, já tinha em mente que conviver com brasileiros jamais seria prioridade, nem minha vontade.
      O que vivenciei foi apenas uma constatação daquilo que pressentia, isso baseado na própria experiência de trabalhar no Brasil.
      É notório para qualquer nacionalidade, uma vez em país estrangeiro, encontrar alguns nacionais, como a própria pessoa. Às vezes, alguém que você já conhecia, te apresenta outro e assim por diante. Hoje o brasileiro ocupa a 4ª posição entre os estrangeiros no Japão, mas é o único que até então, tem permissão para morar, sem limitação de atividade e nem prazo de estadia. Brasileiros podem vir ao Japão e ficar por tempo indeterminado, renovando visto ou adquirindo permanente, apenas porque possuem vínculos de descendência. Outros estrangeiros, precisam se adequar a uma série de termos e condições, para justificar seu visto e suas prolongações.
      Mesmo morando fora do Brasil, nunca vivi dentro das comunidades. Aliás, quase nunca participava delas, como aqui também, mesmo quando trabalhava com outros brasileiros. E isso, de uma forma ou de outra, contribui para aqueles chamados “tranqueiras”, promovam péssimos comentários a seu respeito.
      E eu, assim como você e outros que acompanham o blog, sabemos que só mesmo uma profunda e consistente inserção na cultura local e na convívio social entre os nativos, é que poderemos aprender e aperfeiçoar o idioma local, melhorando a nossa própria qualidade de vida.

  3. 07/01/2016 10:47

    gostei muito do seu texto. Tenho pena que a comunidade brasileira no Japao seja tao desunida, justamente onde deveria ser ainda mais unida e solidaria para vencer as dificuldades.
    Por viver em cidades pequenas do interior da França, não tenho a oportunidade de conviver com brasileiros, o que pode ser reconfortante, mas acho que isto me ajudou à falar ainda melhor à lingua local e integrar-me à sociedade. Leio artigos que fala de imigrantes que mesmo passado muitos anos em um pais estrangeiro, não fala fluentemente a língua local.

    • 07/01/2016 14:24

      Isso acontece direto na Holanda. O primeiro grupo de estrangeiros que veio (da Molucas/Indonésia e das Antilhas) falam fluente holandês (a maioria dos antilhanos com sotaque fortíssimo, nota bene, mas assim é o holandês falado em Curaçao e no Suriname, quase um patois). Ha muitíssimas donas de casa marroquinas e turcas que são analfabetas em holandês. Ali’as, ha muitíssimos europeus de boa escolaridade (nível superior) que não falam holandês – porque não fizeram seus estudos de faculdade aqui e chegaram apos os 30 anos.

    • 10/01/2016 5:04

      Eu não acho que a pessoa seja obrigado a falar o idioma do país onde está vivendo com fluência, é o ideal, mas seria pedir demais. Há pessoas com maiores facilidades e outra com maiores dificuldades em aprender o idioma, mas, pelo menos, saber se virar sozinha, é o mínimo que se espera.
      Por muitos anos, o próprio governo japonês não exigia que soubesse o idioma, pois, a própria cultura das empresas, criaram a figura do intérprete dentro do setor de trabalho. Hoje eles não exigem ainda, mas criam dificuldades para conceder ou renovar vistos.
      O intérprete sempre foi a figura que tinha emprego garantido, alguns no entanto, não sabiam ler ou escrever, mas dominavam bem a conversação.
      Eu mesmo, quando vim, só sabia falar palavrões, que aprendera quando criança. Sabia poucas expressões, que já não se usava mais por aqui há pelo menos uns 40-50 anos. Mas ao ver que depender de alguém que soubesse falar e escrever, percebi que meu futuro aqui não seria bom, portanto, tomei por conta e tratei de aprender, não apenas a falar, mas ler e escrever também, para que eu não precisasse depender de ninguém mais nas maiorias é mais importantes coisas do cotidiano. Eu não me considero fluente, nem mesmo o exame de proficiência eu fiz, mas me considero muito melhor que outros que nem o nome sabem escrever corretamente.

  4. 08/01/2016 15:51

    Uma das faces da verdade. Não é necessário corrigir nenhum ponto nem vírgula das suas palavras. Assim como você mesmo destacou, não são todos. Mas infelizmente uma grande parcela se encaixa e essa parcela influencia outras a fazer o mesmo, assim como a teoria da violência e guerra. Assim como essa grande parcela, também fiz parte da mesma, não tentando destruir meus compatriotas mas mantendo uma boa distância dos mesmos. Sempre dizia em voz alta, odeio Brasileiros (do Japão) e cansei de recusar serviços onde o número de contratados Brasileiros ultrapassava 5 pessoas. A crise, assim como citou, ajudou-me a enxergar essa realidade e a buscar mudanças. Fez-me ver como hipócrita eu era, reclamando das atitudes dos estrangeiros de maneira geral, apenas me baseando no fato de que eu era um residente socialmente bom, pois enquanto muitos não pagavam seus impostos por mera safadeza (outros por necessidade mesmo) eu sempre mantia minhas responsabilidades em dia. Foi nessa época que enfrentei dificuldades com meu filho, o que me obrigou a procurar um emprego queme disponibilizasse mais tempo para cuidar do mesmo. Assim iniciei minha carreira de Intérprete, sem o mínimo de interesse pelos Brasileiros e de certa forma apenas como um passatempo até que meu problema pessoal se resolvesse. Mas nesse tempo, o qual me referia como passatempo, o tempo passou e passei a ver, enxergar e encarar as dificuldades dos estrangeiros brasileiros de uma forma diferente. Passei a me interessar e a desejar uma melhora para todos pois cheguei a mera conclusão de que para melhorar meu estilo de vida e patamar social, era necessário melhorar o mesmo para todos os estrangeiros. Vejo o Japão e os Brasileiros que aqui residem da seguinte forma. Não existem aqui pessoas do tipo lobo solitário. Independente do número que constitui o grupo, os Brasileiros aqui formam pequenos grupos, com requisitos pre-determinados para constituir o mesmo. Dentro desses grupos os brasileiros lutam entre sí, além de lutar contra os demais grupos que diferem-se do grupo que constituem. Essa reação pode ser muito vista nos comentários de muitos sites de noticia ou de informação. Por exemplo, se um Brasileiro comete um crime, sempre haverá aquele que jogará a primeira pedra, falando mal da fisionomia, do carácter e de vários outros pontos do relacionado cujo quais na realidade desconhece. Outros irão defender o criminoso, alegando que pode ser uma armação dos japoneses, voltando suas mágoas contra os japoneses em sí. Outros irão pejurar um dos lados dizendo que aquele que fala mal dos brasileiros não pode julgar e que sua ação é falta de amor para um conterrâneo. Outros dirão que este é puxa saco de japoneses. Assim por diante, criarão-se vários grupos, cada um defendendo algo que na verdade é desinteressante, pois o interessante em sí é pejurar os comentários e seus comentadores. Quando se percebe, aparece um novo grupo, o dos desligados. Começa-se então a sair do assunto. Enquanto o crime é de assassinato, o assunto já percorre o japones que fala mal dos brasileiros e brasileiros que merecem isso pois devem ter feito algo. Logo, muitos abrem a notícia não em buscada informação, mas em busca do comentário ideal para falarem mal. O final da história é quando alguém nos “relembra´´ que s japoneses também são humanos e cometem erros. Começa-se então a citar-se casos de brasileiros que foram presos por engano. Então chega-se ao ponto que deveríamos pensar. Que todos os seres humanos são iguais e que todos erram, independentemente de sua nacionalidade é algo mais do que óbvio. O ponto em questão é que focalizar no defeito alheio nada mais é do que fugir de uma realidade, bem dizendo uma responsabilidade de mudar em nossa raça. Os brasileiros adoram falar dos outros para se proteger. Sempre existem as exceções, mas considera-se mais fácil dizer que o outro também erra do que aceitar seu erro e lutar para melhorar. Hoje eu luto junto ao grupo que criei sendo eu o neste texto citato, o Diretor do Grupo Putz Network, para melhorar o estilo de vida dos estrangeiros em geral e consequentemente o meu e do meu filho e família. Por isso nunca nego minhas palavras e meu histórico. Já odiei Brasileiros. Já estive 100% desinteressado por brasileiros. Já “FERREI´´ coma vida de brasileiros que tentaram me destruir em meu meio de trabalho. Sempre corria de causas sociais e nunca me importei sequer um pouco com a vida dos outros, na época mesmo que morrendo 10 ou 1.000.000 de brasileiros, pouco me importava. Não me envergonho de nada que vivi e de nenhuma forma de pensar que já adotei, mas me orgulho de hoje poder dizer que luto sim em prol dos Brasileiros, em sua grande maioria exatamente como citado neste texto. para conscientizar os mesmos da necessidade de nos unirmos, mesmo que não sendo como um mesmo grupo mas que sejamos mesmo que um conglomerado de grupos por fim, Brasileiros unidos. Os Brasileiros que hoje vivem no Japão podem ser uma das piores raças ao meu ver atualmente, pois muito falam, pouco fazem, muito julgam, pouco corrigem, mas antes de tudo são da mesma raça que eu e isso já é um ponto positivo para que eu os ame também. Somos a 5° maior potência do mundo mas temos capacidade para sermos a 1°, porém infelizmente não temos o caractér, mesmo que não todos mas em grande maioria para fazer jus a essa capacidade, o que de certa forma nos faz merecer a carapuça de 3° mundo. Mas gostei do texto, pois cita uma realidade vivida pelo que escreve.

  5. 09/01/2016 20:31

    Meu Deus.Vim aqui pelo texto.E encontrei essa “pérola” de comentário (do Anderson).È aí que se percebe que nem tudo esta perdido.Que entre todos ainda existe ‘gente’.E eu amo ‘gente’.Obrigado Anderson .Arigatô.

    • 10/01/2016 5:36

      O meu xará sempre faz considerações importantes, mexendo na ferida de muitas pessoas que não tem coragem de dar a cara à tapa.

  6. 09/01/2016 21:33

    Desculpe, não me expressei corretamente. Não quis dizer que era você quem estava desesperadamente atrás de brasileiros. Estava falando de modo geral, e isso não inclui você nem outras pessoas, porque não devemos generalizar. Porém, vejo que os brasileiros, geralmente, procuram por conterrâneos praticamente no día seguinte após chegar em um pais estrangeiro, postura que não acho correta. Se você quer se integrar de verdade, você tem que conviver com os locais, senão sua integração será só parcial.

  7. 11/01/2016 20:05

    Olá Anderson, buscando informações sobre a vivencia no Japão hoje em dia, me deparei com seus post. Li todos e me vi neles, com uma certa diferença que fui ao país em 2003, já estava com 26 anos e solteiro ainda. Tive as mesmas impressões no inicio morei em minokamo na província de GIFU, 45 minutos de nagoya de carro. Tive vários momentos legais ,com amizades feitas com brasileiros que mantenho contato até hoje. Quando li seu post de habilitação veio em minha mente o percurso do exame, nossa como me fez lembrar. Voltei ao Brasil em 2006 para casar com minha esposa atual que conheci ai no Japão, e logo que desembarcamos no Brasil soubemos que seriamos papai e mamãe. Como já conhecíamos o sistema de pré natal no Japão e o auxilio do governo para aumentar a taxa de natalidade, voltamos em 2007 para ter nossa filha. Consegui voltar ao mesmo emprego na fabrica que havia deixado para voltar ao Brasil, e após minha filha nascer, minha esposa ainda ficou 1 anos sem trabalhar para cuidar dela. No inicio 2008, após completar 1 aninho, conseguimos colocar ela na creche e minha esposa conseguiu emprego na mesma fábrica. Trabalhávamos em 2 turnos alternados , hayaban e osoban. Estávamos felizes pois as coisas estavam se encaixando com ela na escola e minha esposa trabalhando, porém em 2008 a crise não deu trégua, Nossos sonhos estava indo por agua abaixo, ficamos desempregados e por ela ter ficado 1 ano sem trabalhar não tínhamos recurso para nos manter, as empreiteiras não estavam pegando o pessoal, e tivemos que utilizar a ajuda do governo para voltar ao Brasil. Hoje no Brasil, a Economia, a corrupção a falta de educação das pessoas se tornam agravantes para começarmos a nos preocupar com o futuro de nossos filhos. Penso sim em voltar ao Japão, já estou vendo documentos, passaporte, porém sei que meu visto vai demorar a sair, mas enquanto isso vou pesquisando informações e contatos ai do Japão. Gostaria da sua opinião, sobre como está o Japão hoje, quais a dificuldades vou enfrentar, e gostaria de ir mantendo contato contigo. Desejo toda a felicidade para você e sua familia e um próspero 2016

    • 11/01/2016 21:16

      Muito obrigado por participar Douglas.
      Bem, em cada artigo comentei sobre algumas de suas dúvidas, mas tento resumir aqui.
      O Japão já não é mais o lugar de se ganhar dinheiro, é um lugar para se viver.
      Salários acima de ¥300,000 são poucos, difíceis de atingir. O número de horas extras caiu muito. A competitividade, aumentou na mesma proporção.
      Hoje, e você tiver imposto atrasado (municipal ou automotivo), poderá ter dificuldades de renovar o visto. A partir de 2017, já se falam que aqueles que não estiverem pagando shakai hoken, deverão estar pagando a aposentadoria na prefeitura (kokumin nenkin), para também poder renovar o visto. Para ilustrar, o pagamento mínimo do kokumin nenkin, começa em ¥15,200 por mês, por pessoa. Há casos de pagar menos, dependendo da faixa de isenção que você conseguir, mas não é garantido ou certo que consiga alguma isenção.
      Eu não sei se você trabalha ou o quanto ganha no Brasil, mas para aqueles que estão numa faixa de R$10.000,00, vir ao Japão, pode ser um prejuízo, se você pensar pelo lado financeiro. Repito, para viver, aqui é um excelente lugar, mas para ganhar dinheiro, já não é mais. Há outros gastos, você deve saber. E com filhos, as despesas aumentam bem.
      Conforme comentei, não apenas os “tranqueiras”, mas muita gente boa foi embora com a ajuda do governo. Tenho amigos que se enquadram nesse grupo.
      Espero que tudo dê certo para os seus planos.
      Um feliz 2016 pra você e sua família.
      Manteremos contato.

      • Douglas permalink
        11/01/2016 21:46

        Obrigado pelos comentários estamos levando tudo em consideração, quando trabalhei aí pagava shakai hoken e mantia meus impostos todos em dia, pois sou uma pessoa correta e sei dos meus deveres com a sociedade. Hoje no Brasil é difícil de se ter um emprego com uma faixa salarial dessa altura. E tem outra coisa os impostos aqui no Brasil estão muito alto. Não estou indo com a ilusão de ganhar rios de dinheiro, e sei que muitas empreiteiras prometem mundos e fundos sobre salários. Mas hoje a situação do Brasil não é favorável. Vejo pelo lado de ainda ter oportunidade de buscar uma condição de vida melhor. infelizmente não são todos que tem. Você mencionou que trabalha como autônomo? Você tem conhecimento se boas empreiteiras aí no Japão?

  8. 26/01/2016 8:47

    otimo texto, vou dar meu ponto de vista, antigamente, o inicio de 89, anos 90, epoca q meu pai tentou vir para o japão, os brasileiros eram unidos mesmo, porem todos sabiam q aqui estavam por igual, juntar uma grana e ir embora, tal que q meu pai comentava q aqui nw podia criar grandes laços de amizades, pq iriam ficar distante depois, o tempo de convívio era curto, maximo 2 anos, diferente de agora tem pessoas q se conhece a mais de 20 anos, porem hj em dia o q acontece, q eu percebo q algumas pessoas se incomoda com a vida do outro, por exemplo se fulano tem casa, todos criticam pq comprou casa, se a pessoa trabalha em casa criticam por isso, se a pessoa trabalha em fabrica e deixa o filho em creche tbem é criticado, eu vejo um exemplo comigo mesmo, trabalho por conta e fui denunciada por nw estar legalizada, pq isso? as pessoas q se incomoda com a felicidade alheia, precisei me legalizar 100% para poder trabalhar em paz, mas percebo muito pessoas q me odeiam, mas odeiam de odiar, pelo simples fato de ter um mini negocio próprio, se incomodam a ponto de odiar, percebo pessoas q nem conheço, mal sei quem é, nw gostam de mim, pelo simples fato de lutar e querer crescer, isso é um problema? ate entw nw seria, mas aqui as pessoas se incomodam muito com a vida alheia, esse é o real problema, a explicação eu nw tenho, tbem queria ter uma resposta, resumindo alguns brasileiros aqui parecem aquelas vizinhas bem idosas de cidade pequena do brasil, q ficam na janela olhando q se passa com outros vizinhos para fofocar depois na pracinha com as outras amigas idosas . rsssssssss

    • 26/01/2016 12:15

      Aline, infelizmente esse comportamento é real entre os brasileiros. Uma boa definição para isso é a inveja. Pena que a ignorância das pessoas não sabem nem mesmo o que significa a inveja. Zunir Ventura, em “Inveja, Mal Secreto”, define bem o que a inveja é, na verdade, ‘sentir inveja de alguém é não querer que ela tenha o mesmo que você tem’, pois os invejosos, sempre narcisistas e soberbos, acreditam que tudo que possuem são melhores do que os que os outros tem e, se alguém tem algo que é melhor do que você tem, o invejoso parte para a difamação do oponente, para manter-se sempre dono da verdade. Uma pena.

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