Uma das coisas que você aprende quando vive no exterior é que “generalizar” é uma burrice.

Quando uma pessoa (de qualquer país do mundo) não possui uma experiência de vida fora de seu “habitat” natural, é normal que comece a ter preconceitos por pessoas de outros bairros, de outras cidades, e claro, de outros países. E isso leva a generalizar. Para não cair nesse erro é importante adquirir experiência de “estrada” para derrubar certos mitos.

Nem todo brasileiro é simpático, nem todo europeu é frio, nem todo carioca gosta de praia, nem todo baiano gosta de Axé. Mas é evidente que existe uma tendência cultural que leva uma grande parcela da população a se comportar de uma maneira uniforme.

Queria derrubar aqui o mito de que europeu é “antipático”.

Em todos estes anos morando na Espanha fui desenvolvendo laços de amizade com muitas pessoas. No trabalho, falo com fornecedores, com clientes e me relaciono com meus colegas de escritório. Fora do trabalho, falo com a padeira, com o açougueiro, vou à livraria, etc.. Em todo este universo de pessoas, encontrei várias antipáticas, mas no Brasil também conheci muita gente assim. A antipatia não tem uma nacionalidade, ela faz parte do caráter de certas pessoas, independente de sua cultura.

No caso da afirmação “o europeu é antipático”, acho que confundimos antipatia com discrição. E a explicação é simples:

Acho que nós brasileiros estamos mal acostumados porque no Brasil qualquer coisa é motivo para ganhar aquele abraço e para ganhar um beijão. Não acho isso errado, adoro receber abraços e beijos e neste ponto gosto mais do caráter brasileiro. Mas aí, quando você chega à Europa ou USA, você espera por um abraço ou um beijo ou um sorriso e não recebe, aí já taxa a pessoa de antipática. Mas não é isso. Aqui não há essa cultura de “pele”, e talvez isso nos deixe um pouco chocados.

As pessoas na Europa se sentem muito sem graça de dar um beijo por qualquer razão. Principalmente se não existe certa intimidade. Talvez porque o beijo e o abraço não signifiquem necessariamente que a pessoa goste de você. As pessoas mostram seu carinho com o tempo, através de gestos que você vai perceber que são verdadeiros e que de alguma forma expressam um carinho. No Brasil tem muita gente que te dá aquela mega beijoca e tem gente que até bate palmas quando te encontra, mas no fundo quer que você se dane. É o que conhecemos por falsidade.

Aqui na Europa, se a pessoa não gosta (ou não se importa) com você, ela vai transmitir isso rapidinho e você vai perceber.

Portanto, quem não gosta de você já não vai te dar muita bola, e quem gosta não vai ficar te dando cafunés. Daí vem essa sensação de que o povo é antipático. Mas não vamos cair na tentação de generalizar: Tem muito europeu que gosta de abraçar, que dá beijos, mas é uma minoria, não é “culturalmente” normal se comportar assim.

BLOG snobbish

Aqui na Espanha existe um mito que todo o francês de Paris é mega antipático e esnobe (acho que essa fama é internacional, porém como a Espanha é um pais vizinho, esse tipo de preconceito é mais forte). Estive uma vez em Paris durante 1 semana e várias vezes me perdi na cidade. Para pedir informação, entrava em um bar ou em uma loja e perguntava. E eu me perdi várias vezes (me perco mesmo). Todo mundo que falou comigo foi simpático, inclusive o rapaz de uma floricultura chegou a imprimir um mapa do google para me orientar. Explicação para isso? Tentei ser o mais educado possível, pedindo desculpas por incomodar, e acho que quando uma pessoa é abordada com educação, ela reage com educação.

Não estou defendendo o estilo dos europeus. Também acho que são frios, isso é fato. Mas de frio para antipático existe uma grande diferença. É questão de se acostumar.