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Glühwein, o vinho quente alemão

12/12/2017

Lilian Nosralla – Berlim, Alemanha

Queridos amigos brasileiros, sabem o vinho quente das festas juninas, o quentão? É mais uma das coisas da nossa cultura que tem origem europeia. Ou melhor: origem egípcia!

O vinho quente na Europa, assim como no Brasil, é consumido durante o inverno. No Brasil, o vinho é relacionado às festas juninas; e na Europa, às festas e feiras de Natal.

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A bebida nasceu no antigo Egito por volta de 3.150 antes de Cristo e era usado para fins medicinais. Ele era preparado com resina de pinho, figos e ervas como bálsamo, coentro, menta e sálvia. Mas foi o Império Romano que popularizou e espalhou o vinho quente pela Europa toda. Os romanos temperavam o vinho quente com ervas e especiarias, como spikenard, cardamomo, canela, açafrão e gengibre. Isso também ajudava a retardar a oxidação do vinho. Esse vinho quente romano era chamado de Hypocras.

Um tipo de vinho do império romano (Hypocras), para ser servido quente: o Conditum Paradoxum. Foto: © Carole Raddato/flickr.com

O vinho quente se tornou indispensável no inverno europeu e do Oriente Médio. E, durante as cruzadas, várias novas receitas surgiram pelo continente europeu. No final da época medieval, os ingredientes mais usados no vinho quente eram canela, gengibre, cravo-da-índia, noz moscada e pimenta.

Com o passar dos anos a bebida ganhou diferentes receitas de acordo com o gosto local. Aqui na Alemanha, o vinho quente é chamado de Glühwein, que traduzindo ao pé da letra significa Vinho Brilhante, em inglês “glow-wine”. O nome faz referência ao brilho de metais quando aquecidos com o sentido ambíguo de “o vinho que te faz brilhar”.

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O Glühwein é muito popular na Alemanha, Áustria, Suíça, Holanda, Suécia (chamado de “glog” e levando vodka) e na região da Alsácia na França (“le vin chaud”). Apesar de ser uma bebida típica de Natal e sempre presente nas feiras natalinas, ele também é servido em restaurantes e quiosques de comida de rua durante todo o outono e inverno.

Há muitas formas para preparar em casa a bebida, mas o mais importante é não deixar o vinho ferver para não perder todo o álcool. O vinho deve ser aquecido suavemente, apenas para ficar quentinho e não ficar pegando fogo e queimando a língua.

Algumas pessoas gostam de servir o Glühwein com um tiro de Rum ou Amaretto. Isso faz a bebida ficar mais quente e também mais “Glüh”.

O vinho branco também pode ser usado para preparar o Glühwein e na Alemanha existe uma outra variação do vinho quente chamado Feuerzangenbowle. A única diferença para o Glühwein é que a bebida é preparada com um torrão de açúcar encharcado de Rum que é incendiado e deixado escorrer no vinho. Lembra um pouco a preparação do Absinto.

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Feira de Natal em Alexanderplatz. Arquivo pessoal.

Nas feiras de Natal (Weihnachtsmarkt) o Glühwein é servido em canecas decoradas, em algumas feiras essas canecas são bem bonitinhas e dá vontade de levar pra casa. Eu não passo vontade e levo pra casa mesmo! Quando você compra o vinho quente, paga o valor da bebida e deixa um depósito (Pfand) que pode variar de 2 à 4 euros. Após esvaziar a caneca e se aquecer com a bebida você pode devolver a caneca na barraca onde comprou o vinho e pegar o dinheiro do depósito de volta ou pode levar a caneca decorada pra casa e guardar de lembrança e o valor dela já estará pago. 
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Eu tomando Glühwein na feira de Natal. Arquivo pessoal.

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Canecas decoradas de Glühwein. Arquivo pessoal.

No mercado é possível comprar garrafas prontas de Glühwein pra levar pra casa, esquentar e tomar. Acho legal pela praticidade, mas acho que perde o charme de preparar o Glühwein em casa do seu jeitinho.

BLOG GLuglu

Segue, abaixo, uma receita de Glühwein alemão pra quem quiser apreciar a bebida em casa.

Receita de Glühwein

Ingredientes

  • 1 (750 mls) de garrafa de vinho tinto (ou branco) seco
  • o suco de 1/2 laranja
  • 1 laranja média fatiada
  • 2 colheres de sopa de açúcar, mel ou agave
  • 10 cravos-da-índia inteiros
  • 2 paus de canela
  • algumas cápsulas de cardamomo (anis) a gosto

Modo de Preparo

Coloque o vinho em uma panela e adicione o suco de laranja, as fatias de laranja e o açúcar (mel ou agave, de acordo com a sua preferencia). Junte os cravos-da-índia, a canela e as cápsulas de cardamomo. Esquente o vinho sem deixar ferver, para que o álcool não evapore e as especiarias não deixem a bebida amarga. Desligue o fogo e deixe a bebida descansar por uma hora. Retire os temperos do vinho com uma peneira e aqueça novamente 20 minutos antes de servir.

O Glühwein é geralmente servido em canecas de 200ml e pode-se acrescentar uma vagem de baunilha, 20ml rum ou 30 ml de Amaretto e uma fatia de laranja para decorar.

Se estiver em Berlim ou alguma outra cidade da Alemanha durante o mês de dezembro não deixe de passar em alguma feira de Natal. Há várias espalhadas pela cidade. Leia este post da Cris Schlup sobre Os mágicos mercados de Natal em Berlim, o post da Ana Fonseca sobre os Mercados de Natal na Alemanha e o post do Juliano Emilio Mercado de Natal Medieval em Munique pra escolher onde tomar o seu Glühwein e comer um Bratwurst quentinho 😉

Glühwein-receita

Glühwein com laranja, canela e cardamomo

Este é meu último post do ano, espero que tenham gostado. Qualquer dúvida ou pergunta, por favor coloquem nos comentários. Volto em 2018 com mais curiosidades sobre a vida em Berlim e Alemanha. Aguardem!

Frohe Weihnachten und bis nächtes Jahr 😉

____________

Lilian Nosralla é de São Bernardo do Campo, UX  designer formada em Comunicação Social. Mora em Berlim desde 2016. Para saber mais sobre ela e o blog pessoal, visite a mini biografia.

Blog “Brasil com Z”, um site feito por brasileiros expatriados vivendo nos quatro cantos do mundo! Para atualizações diárias, sigam-nos no FacebookTwitter e Instagram. Agradecemos. 

8 Comentários leave one →
  1. AnaFonseca permalink*
    12/12/2017 15:42

    Vou fazer gluhwein esse fim de semana, cansada de consumir litros do supermercado. São meio “sem amor” e sem “vavavum”.

    • 12/12/2017 21:17

      Em casa eu compro o Glühwein que vende no mercado só porque já vei adoçado, daí acrescento mais laranja, canela e baunilha e fica uma delícia! Melhor que o dos mercados de Natal 🙂

  2. 12/12/2017 19:03

    Não sabia que o vinho quente tinha toda essa história. Fiquei até com vontade de fazer um mais alemão no próximo inverno. 😀

    Adorei o post, Lili! ❤

    • 12/12/2017 21:21

      Eu também não sabia de nada disso, fui descobrir porque uma vez fui pra França e tomei muito Vin Chaud na rua e depois quando me mudei pra Berlim vi que tinha em todas as feiras de Natal e em alguns outros lugares, depois soube que a bebida também é popular na Holanda, Suécia e outros lugares da Europa e fiquei curiosa pra saber onde começou isso, daí dei uma pesquisada e achei isso tudo. A cultura egípcia tem muita coisa interessante e que influencia a nossa cultura até hoje.

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