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Aljafería, Zaragoza

21/06/2018

Ana Fonseca – Zaragoza, Espanha

Uma das atrações mais impressionantes para quem visita Zaragoza é, sem dúvida, o Palácio Aljafería. Por fora, uma fortaleza medieval. Por dentro, uma série de palácios, jardins, salões.

Na tarde que reservamos para visitar a Alfajería, tudo estava ainda fechado para o público. Siesta time! Muita gente estava esperando no entorno, fazendo fotos, analisando o prédio, andando pelo parque (lindo, repleto de olivais), matando o tempo até a hora de entrar… O entorno é grande, mas não vasto, e prédio modernos e feios de Zaragoza estão a alguns metros de distância. Como todos os (poucos) bancos estavam cagadíssimos de pombos, e eu já não aguentava mais andar carregando a câmera de tanta dor na coluna, resolvi ensinar meu filho a fazer fotos dos pais top models wannabe a utilizar melhor a minha câmera.  Ele está fotografando cada vez melhor:

E guando o guichê abriu as 16h, a fila se formou rápida e extensa. Pagamos 5EUR por adulto e 1EUR por criança acima dos 12 anos. Gente, é muito barato!!! Essa entrada inclui um tour com um guia (em inglês) que começaria às 16h30, 17h30 e 18h30.

As origens e objetivo do Alfajería se perdem no tempo, e são controversas. Pelo que concluo do folheto que recebi, em 935 os muçulmanos dominando toda a península ibérica mandaram levantar um par de torres nos arredores de Saraqusta com objetivo militar: manter sob controle e medo os eventuais rebeldes cristianos. Esse forte militar foi chamado de Al-Jazira, e foi ampliada com mais torres e muros de proteção no século X. No século XI, uma nova dinastia muçulmana mandou construir um palácio fantástico intramuros, bem no estilo dos que você ainda hoje encontra em Granada e Sevilha. A partir do século XII, com a expulsão contínua dos muçulmanos da Península Ibérica, o palácio passou a ser ocupado por monarcas aragoneses durante os séculos seguintes. Muita coisa foi redecorada com esplendor pelos reis católicos Fernando de Aragão e Isabel de Castilla, mas muita coisa do estilo original mudejar se perdeu, ou foi negligenciada, ou mutilada ou teve sua função principal deturpada.

Enquanto o visitante espera a guia começar o tour, dá para já ir fazendo várias fotos dos jardins, cheios de árvores carregadinhas de tangerinas. 

A nossa guia foi excelente. Uma espanhola calma, com um inglês muito claro e fluente, ela manteve a atenção de todos num grupo bem grande de turistas sem deixar cair a bola durante por um minuto que fosse. Eu muito recomendo o tour com guia, pois ela dá um panorama totalmente diferente do que você vê no momento, explicando que o jardim era bem maior e foi mutilado, o que significam as inscrições em árabe nas paredes, e que o palácio durante o califado era frequentado por filósofos, músicos, paisagistas e artistas. Ela foi uma excelente contadora de histórias, reconstituindo um “clima”  de uma época perdida – bem estilo Sherazade mesmo!

A guia (à direita) e parte do grupo muçulmano, que não queria se misturar com o restante dos turistas. Eles ficavam fazendo que “sim” com a cabeça quando concordavam com o que ela dizia e “não” quando discordavam (e olha que discordavam à beça). Quando ela falava: “Alguma pergunta?” ninguém perguntava nada.

Esse piso de madeira, onde meu marido e filho caminham, na verdade era parte do jardim/pátio. Como podem concluir, o jardim teve as dimensões reduzidas ao longo dos séculos de ocupação dos monarcas espanhóis.

Essa sala de orações fotografada acima (uma mini mesquita privada, na verdade) foi utilizada mais tarde como cozinha (!) pelos monarcas aragoneses durante muito, muito tempo. Isso enegreceu os belos mosaicos e acabou com parte da pureza dos materiais. Ainda assim, é um recinto belíssimo! Não dá para ver direito na foto porque o acesso é proibido, não se pode fazer fotos com flash e eu não tenho como operar milagres com minha câmera.

Bom, a partir da saída desse jardins e subindo o primeiro lance de escadas, começamos a ver a decoração medieval cristã se sobrepondo cada vez mais aos lindos salões de estilo islâmico. Os monarcas aragoneses empregaram o melhor dos arquitetos e tecnologia disponíveis na época, e não economizaram em simbologia, decoração, luxo. Foi tanto, mas tanto bling bling que vi que fiquei enjoada para fazer fotos. E eu já estava pregada.

O ápice das transformações arquitetônica e decorativas foi com Fernando de Aragão e Isabela de Castela, um casal dinamite e que definitivamente carimbaram um estilo próprio por todos os lados, paredes, tetos, muros, móveis, abafando de vez o estilo árabe original. As inicias deles estão por toda parte. Há frases num dos salões dizendo que eles eram os reis mais piosos, mais tementes a deus, mais tal e coisa. Principalmente a Isabela foi uma monarca excepcional, e muito do que a Península Ibérica se tornou, foi graças a projetos dela (para o bem e para o mal): de expansão dos territórios cristãos e continuação da Reconquista, redução da criminalidade e aumento de punição em Castela na época, Inquisição, projeto de “descobrimento”, financiamento e exploração das Américas, etc. Ou seja: um casal impactante, que de certa forma redefiniu uma grande parte política da Europa e da economia do mundo em sua época.

O palácio durante o período da Inquisição na Espanha teve uma torre com função de prisão.

Hoje em dia, parte do prédio Alfajería abriga no subsolo o moderno e discreto Parlamento Aragonês, e por isso se encontra fechado durante dois dias por semana. A guia explicou como funcionam as atividades do parlamento, a simbologia da bandeira, onde fica a imprensa e controladores da atividade política.

Há muita informação e detalhes referente a esse palácio Aljafería, mas não quero cansar os leitores aqui. Há até uma grande maquete para que consigamos entender a disposição das torres e prédios no labirinto de escadarias e salões e pátios. A guia foi maravilhosa, e no final do tour fui fazer mais fotos no jardim e comprar uns postais. Ela estava lá, fazendo uma pausa e tomando conta da lojinha de suvenires. Aproveitei para elogiar o inglês dela, a capacidade de reter tanta informação, a eloquência.

Zaragoza é uma cidade bonita, com muitas basílicas, catedrais, museus, pontes, uma arena de touros, gastronomia acessível para diversos bolsos – e também esse palácio. A Aljafería nao é tããão bonita quanto Alhambra, claro que não. Nem a cidade tem tanta arquitetura árabe maravilhosa como Sevilha. Mas Zaragoza fica perto de Barcelona, e é tranquila, com preços bem mais em conta tanto para alojamento, entrada em monumentos históricos e transporte.

Dentro de um par de dias publico aqui no blog Brasil com Z um post dando umas diquinhas sobre a culinária de Zaragoza. Fiquem ligados e até a próxima!

Todas as fotos desse post são de propriedade da própria autora, Ana Fonseca. 

SERVIÇO:

Aljafería de Zaragoza

Horários de abertura… Humm, horários chatinhos, mas vamos lá:

De manhã (exceto quintas e sextas): de 10h ate as 14h. Visitas com guia (já incluídas no preço de entrada) às 10h30, 11h30 e 12h30.

De tarde (exceto quintas) durante abril a outubro: aberto de 16 as 20h. Visitas com guias às 16h30, 17h30 e 18h30.

De novembro a março o palácio fecha mais cedo, as 18h30. Domingo à tarde: fechado. Ultimo acesso ao Palácio é feito até 30 minutos antes do fechamento.

Reserva de grupos: 976 289685

Fotos com flash são proibidas

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Ana Fonseca vive na Holanda e administra o blog Brasil com Z. Sharing is caring! Sigam-nos nas mídias sociais, através da nossa página no Facebook, nossa conta no Twitter e no Instagram. Agradecemos. 

 

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