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Entrevistando Expatriados: Ana Fonseca

02/06/2019

Manuela Marques Tchoe (Munique) e Ana Fonseca (Amsterdã)

Retribuindo a entrevista que dei aqui no blog ano passado, eu agora entrevisto a administradora do blog “Brasil com Z”, a Ana Fonseca (Holanda), que está lançando seu primeiro livro com crônicas de viagens. 

Manuela: Você é carioca e mora no norte da Holanda, ao lado de Amsterdã. Como se mudou para o país?

Em Roterdã

Eu planejei mochilar por três países em 1997. Em Amsterdã, meu primeiro destino, fui com alguns brasileiros (que conheci no albergue da juventude) para um clube no canal Singel, onde conheci meu atual marido. Apenas batemos um papo e tomamos umas cervejas. No final da minha viagem, depois de ter visitado as cidades que tinha planejado, nos encontramos de novo em Amsterdã um dia antes da minha volta para o BR. Ele me ligou e foi me visitar um par de vezes no Brasil, começamos a namorar. E em 1999 me mudei definitivamente para a Holanda. Arrumei emprego, aprendi a língua, nos casamos, comecei a blogar e tivemos filhos. The rest is history! 

Manuela: E agora você lança um livro de crônicas, com outra autora. Qual foi a motivação? 

Eu tive durante anos um blog pessoal, em inglês e português, o Greetings from Holland (agora desativado). Era bem informal. Eu falava de experiências pessoais, ou colocava apenas fotos, ou comentava notícias da Holanda e de viagens. Ele era mais lido por estrangeiros que moravam na Holanda e buscavam trocas de experiências.  Paralelamente, ao longo de alguns anos, comecei a fazer algumas participações esporádicas para o BZ a convite de uma antiga administradora. Um dia, duas postagens (sobre comida) tiveram uma ótima repercussão. Um dos comentaristas dessas postagens no Facebook tinha um nome estrangeiro (Sheila Roman Ward), e vi que ela tinha um blog que falava de experiências de morar e viajar pela Europa, nos EUA e comida – mas nem sempre. Eu era, na época, a administradora do blog e a convidei para vir escrever aqui. Tive a ideia de escrevermos juntas um livro, de reminiscências do tempo que ela morou na Europa e como foi minha chegada à Holanda. Acabou virando um livro de crônicas sobre sermos brasileira morando fora, viajando por aqui e ali, com receitinhas no final de cada crônica.

Sobre o  que a Sheila fala no livro? Quais lugares?

A coautora, a Sheila Ward, fala de alguns lugares que já morou, começando por Londres – que foi no início dos anos 90, quando ela se recém formou e decidiu largar tudo no Brasil. Tem um texto dela sobre a primeira vez que visitou Roma (sozinha e com pouca grana), sobre Portugal, Itália… Ela vive atualmente em Paris. Aliás, quando entrei em contato com ela, estava se mudando de São Francisco (EUA) para Paris. O que acabou sendo muito bom para o livro, pois ela escreveu textos bem atuais sobre alguns aspectos da  vida na cidade:  como é se mudar para lá e ter um novo lar, buscar mercados de rua, aprender francês, manter-se magra com tantas tentações deliciosas e os doces parisienses, etc..

Sheila Ward, nos campos de lavanda da Provença, FR

E você, Ana?  O que você aborda no livro?

E eu falo no primeiro livro sobre como foi me mudar para Amsterdã, a rotina do bairro, os mercadinhos e cafés que eu frequentava, e como ele atualmente ficou hip. Falo sobre a cultura de pão na Holanda e o despreparo deles em fazer um churrasco. Falo como foi enfrentar o frio da Holanda (tomar sopa ajuda muito!), a primeira vez que acampei na Itália (um desastre), de algumas viagens pela Espanha e França, etc..

Em maio de 2019, Amsterdã

Vocês têm pontos em comum, olhando para trás e vendo as narrativas de quando chegaram para morar no exterior? 

Acho que nós duas nunca fomos muito despreparadas, afinal já tínhamos fluência em inglês e líamos muito sobre a cultura europeia quando saímos do Brasil. A Sheila, na época da faculdade dela e logo depois de recém formada, era louca pela Inglaterra. E eu já tinha mochilado sozinha, achava que não seria ingênua se me mudasse para a Holanda. Mas a gente sempre acaba tendo alguns choques culturais, cometendo gafes, percebendo alguns hábitos muito estranhos e às vezes uma certa rudeza das pessoas em relação aos brasileiros. É inevitável passar momentos ridículos. Porque morar no estrangeiro é diferente de fazer turismo ou passar só alguns meses no lugar. Procuramos mostrar no livro que “pagar micos” faz parte do processo de adaptação – não é algo negativo ou desencorajador. Morar no exterior é enriquecedor mas não é céu azul o tempo todo! Há que se ver o humor das experiências também, mesmo quando você quebra a cara.

Do meu forno: um quiche provençal.

E como entrou o aspecto da gastronomia do livro?

Entrou por várias razões. Comida dá leveza à sua experiência. Às vezes você só entende um povo pela comida que ele faz. É uma comunicação direta, sem erros. Um prato  ou um doce típico pode representar toda uma cidade; e te confortar num momento de melancolia. Quantas vezes você visitou um lugar e se lembra perfeitamente anos depois de algo simples mas de sabor incrível que comeu na rua? E que se existe no Brasil nunca teve o mesmo gosto? Esse é um aspecto que ressaltamos: as comidas gringas que mais nos marcaram em cada lugar não eram nada mirabolantes. Ao contrário, eram sem frescura mesmo, às vezes sem os acréscimos e firulas que se fazem no Brasil. Ficaram na memória afetiva.

Quais foram os maiores desafios para escrever o primeiro livro? 

Utilizamos a memória para narrar sobre fatos passados há anos, mas não queríamos ser muito nostálgicas nem falar sobre coisas que não existem mais. Ao mesmo tempo, tínhamos que amadurecer rápido nossa visão do que estava acontecendo agora, para isso virar material para o livro. Lembrando: a Sheila foi para Paris quando estávamos na metade do livro e tinha que produzir rápido crônicas novas. E tivemos a preocupação de casar o tempo todo as receitas com as narrativas. Além do mais, as receitas deveriam ter ingredientes que possam ser achados facilmente no Brasil, sem forçar a substituições inconvenientes. Fomos muito críticas a isso, e creio que bem sucedidas. Testamos as receitas e fotografamos muitas, mas não todas. Muitas irão aparecer no perfil do @comidadegringo do Instagram. 

Acima, a contracapa

Outro desafio foi comunicar tudo isso para a artista que fez a capa, a Mirella Santana. Pedimos uma capa com ilustração charmosa, levemente retrô, sobre mulheres viajantes e gastronomia, com referências a Paris e Amsterdã. Ela usou essas cidades como cenário para a capa e contracapa, respectivamente. Ela, a Mirella, foi muito bem sucedida nisso: toda a concepção artística (cap, contracapa, marcadores) nos agradou bastante.  

Como podemos adquirir o “Comida de Gringo – sem frescura”?

Ele está em pré-venda no site da Constelação Editorial. O período de pré-venda dura cerca de um mês, e oferece um preço menor para a obra – é o preço de lançamento. A entrega acontece logo depois desse perído de 30-40 dias, que vai até 15 de junho. Também estará disponível em quatro grandes redes: Casas Bahia, Submarino, Lojas Americanas e ShopTime. Em breve, estará na Amazon no formato e-book. Nos site da Constelação Editorial já está na lista dos mais vendidos!

Tem continuação, rola um “Comida de Gringo II”? 

Já assinei um contrato com a Constelação para uma continuidade. Estou pensando numa série de três livros no total, tenho fôlego, material e experiência para isso. Sou foodie, adoro cozinhar. Mas não seria uma trilogia, eles podem ser lidos separadamente. O segundo livro fala sobre eventos gastronômicos e dicas de viagens pela Holanda, Franca e Espanha, me concentrando na região da Dordonha e País Basco, ambos com um culinária excepcional. Esse segundo livro tem o título de  “Comida de Gringo II – sem mistérios!”. É para quem gosta de viajar – mesmo que seja só na imaginação – e conhecer um pouquinho da culinária tradicional desses lugares. Já estou pensando num terceiro livro. Tenho certeza que os leitores do “Brasil com Z” vão gostar – e não só do BZ! É para todas as faixas etárias, o público alvo é bem abrangente.

Sigam os links qua Ana Forneceu para adquirir o primeiro volume da série “Comida de Gringo – sem frescura!”.  Eu já encomendei alguns exemplares no site da Constelação com desconto nesse período de pré-venda. Passem lá! E para adquiriem meus livros de ficção (“Ventos Nômades” e “Encontro de Marés”) passem na loja do site da editora Pendragon. Agradecemos! (Manuela Marques Tchoe

______________

Para saber mais sobre a Ana Fonseca, visite a mini bio e a conta no Instagram: @comidadegringo. Para acompanhar atualizações do BZ siga nossa página no Facebook e no Instagram.

Gosta do blog? Compartilhe nossas postagens com seus contatos. Agradecemos! Mora no exterior, gosta de escrever e quer se candidatar a participar mensalmente do BZ? Seja ousado (a) e escreva-nos um e-mail contando quem você é e sua motivação para fazer parte da equipe de autores: blogbrasilcomz@gmail.com Boa sorte!

9 Comentários leave one →
  1. 03/06/2019 15:14

    Todo sucesso do mundo com o livro, Blog e outros projetos futuros. O livro já está na fila de leituras desse ano para mim! Paz, amor, resignação e cada vez mais empatia para nós!

  2. Arlete permalink
    03/06/2019 19:47

    Que legal, Ana! Parabéns! E que venham os próximos livros 🙂 Abraços

    • AnaFonseca permalink*
      07/06/2019 7:51

      Legal te ver por aqui depois de tanto tempo! Obrigada pela força, abraços!

  3. 07/06/2019 8:29

    Vou responder igual ao Chaves Ana: “Não tem por onde”

  4. 07/06/2019 12:18

    Adorei a entrevista, Ana e Manuela! Ana, obrigada por ter me incluído nesse projeto bacana (e por toda sua paciência comigo, e por todo seu empenho!) e muito, muito sucesso para seus próximos livros! Louca para lê-los! Abraços para as duas.

    • AnaFonseca permalink*
      07/06/2019 12:41

      Sheila, a sorte é toda minha de você ter aceitado embarcar na ideia! 😉

  5. Ana Cecília Vidaurre permalink
    07/06/2019 13:42

    Sempre soube que seria um sucesso! Já comprei o meu e quero sair presenteando os amigos com o livro…. o mais legal é ser de apelo universal, todo mundo pode curtir!!!😃

    • AnaFonseca permalink*
      11/06/2019 16:25

      Livros são mesmo um ótimo presente para amigos. Obrigada pela força!

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