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Indo as compras nos Emirados Árabes

12/07/2019
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Milene Patrial – Dubai, Emirados Árabes

Logo que chegamos em Dubai, amigos brasileiros comentavam que tudo era diferente do Brasil. Principalmente as compras de supermercado. Não encontravam os produtos com os quais estavam  habituados a usar na culinária brasileira. Realmente, as primeiras visitas aos supermercados foram desafiadoras para mim.

O primeiro desafio foi escolher o arroz. As seções de arroz têm uma variedade incrível sendo os mais comuns os de origem asiática tipo japônica. Mas há ainda os de grãos curtos, médios e arredondados, e tipo índica, como o Basmati, que pode ser longo ou extra longo. blog4Eles podem ser brancos, vermelhos ou integrais e até ter aroma de jasmim. Já provou arroz com aroma de jasmim? É um arroz de origem tailandesa de com aroma que lembra as flores de jasmim, e quanto mais nova a safra, mais aroma ele tem. Normalmente, o preparo é feito apenas com água e sal. Mas, para a alegria de muitos brasileiros, que não abrem mão dos costumes, é possível encontrar o arroz “Tio João” em alguns supermercados da rede Carrefour.blog5Carne é outro produto que nos chama a atenção. São expostas por origem: carne australiana,  sul africana, brasileira, indiana ou paquistanesa, e nessa ordem o preço decresce. Os cortes são diferentes, porém basta conferir o mapa de cortes de carne e um tradutor para facilitar a escolha. Em alguns mercados mais frequentados por brasileiros, os açougueiros já conhecem nosso corte favorito, “a picanha”, mas é preciso ficar atento se quiser com gordura porque geralmente eles limpam a peça toda. Para os fãs da carne de cordeiro, aqui é o paraíso! É a carne mais valorizada e que compõe vários pratos da comida árabe, indiana e paquistanesa e pode ser encontrada em qualquer supermercado da região. E claro, tudo Halal*. Processados e armazenados usando utensílios, equipamentos e máquinas que foram limpos de acordo com a lei islâmica. blog7

A carne de porco não é permitida para o consumo dos muçulmanos, pois éconsiderada Haram*. Porém, alguns mercados expõem produtos dessa origem em uma sala separada, fechada e notificada com a seguinte frase:

“Somente para não muçulmanos” (For non muslims only).

As carnes de porco, linguiças, bacon, salames, salsichas e outros produtos  são importados de diversos países europeus como Inglaterra, Polônia, Holanda, Alemanha, Itália e países asiáticos como Filipinas e Tailândia. Os produtos desses dois últimos países apresentam sabores não muito normais para nós brasileiros, pois geralmente são “adocicados”. blog3blog1blog2Bom, pelo menos sabemos que a feijoada está garantida em Dubai, yeah! E por falar em feijoada, sim, tem feijão preto por aqui, mas infelizmente ainda não encontramos farinha de mandioca ou farofa pronta como temos no Brasil, e aí contamos com o jeitinho e a criatividade dos brasileiros que inovaram fazendo farofa com semolina. O sabor depende do tempero e ingredientes adicionados, mas a textura é semelhante.

As frutas, legumes e verduras são em sua maioria importadas de diversas partes do mundo e geralmente essa informação é colocada nas tags com os preços dos itens. A produção local é pequena diante do volume de importados, mas está  crescendo e já são oferecidos legumes, frutas e verduras como tomate, tomatinho cereja, pimentão, milho, pepino, berinjela, manga , laranja, alface, rúcula e outros, garantindo preços mais acessíveis. Opa! mais um item importante para comentar: preços. É normal levar um susto com os preços astronômicos das mercadorias nos supermercados daqui, mas isso acontece principalmente quando os pontos de venda estão localizados nas áreas mais nobres, o que não faltam. blog6Em Dubai, Abu Dhabi e Sharjah os produtos costumam ser mais caros do que nos Emirados de Ajman, Fujairah, Umm Al Quwain e Ras Al Khaimah, e essa diferença de preço pode ser vista até em uma mesma rede de supermercado.blog8Apesar de tantas diferenças, à medida que vamos visitando e conhecendo novos mercados, as dificuldades diminuem. E na hora de encontrar produtos que nos ajudam a manter as tradições em nossos pratos, o boca a boca da comunidade brasileira que vive nos Emirados Árabes faz toda a diferença. Masha Allah!*

Palavras árabes
Halal: permitido
Haram: não permitido
Masha Allah: Deus quis (Expressão usada em agradecimento ou situações boas que queremos que continuem acontecendo)

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Milene Patrial é sul-mato-grossense e formada em Arquitetura & Urbanismo. Mora com a família nos Emirados Árabes desde 2016. Ela é casada com o Carlos André Marinho, que já escreveu muito sobre Dubai aqui no blog “Brasil com Z”.

Blog Brasil com Z, um blog coletivo, feito por brasileiros vivendo nos quatro cantos do mundo! Quer participar do BZ? Escreva para a administração do blog depois de ler esse post com instruções. Boa sorte!

Explorando um Novo Mundo Sobre as Areias do Deserto

04/07/2019

Olá Brasil com Z! Eu sou Milene Patrial, moro nos Emirados Árabes Unidos, mais precisamente em Ajman, Emirado próximo de Dubai (ficou mais fácil dizer assim, não é?). Ajman é um Emirado menor que funciona como uma cidade satélite da grande Dubai.

Em Dubai.
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Entrevistando Expatriados: Ana Fonseca

02/06/2019

Manuela Marques Tchoe (Munique) e Ana Fonseca (Amsterdã)

Retribuindo a entrevista que dei aqui no blog ano passado, eu agora entrevisto a administradora do blog “Brasil com Z”, a Ana Fonseca (Holanda), que está lançando seu primeiro livro com crônicas de viagens. 

Manuela: Você é carioca e mora no norte da Holanda, ao lado de Amsterdã. Como se mudou para o país?

Em Roterdã

Eu planejei mochilar por três países em 1997. Em Amsterdã, meu primeiro destino, fui com alguns brasileiros (que conheci no albergue da juventude) para um clube no canal Singel, onde conheci meu atual marido. Apenas batemos um papo e tomamos umas cervejas. No final da minha viagem, depois de ter visitado as cidades que tinha planejado, nos encontramos de novo em Amsterdã um dia antes da minha volta para o BR. Ele me ligou e foi me visitar um par de vezes no Brasil, começamos a namorar. E em 1999 me mudei definitivamente para a Holanda. Arrumei emprego, aprendi a língua, nos casamos, comecei a blogar e tivemos filhos. The rest is history! 

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Sisterwave: Empoderando mulheres viajantes!

23/05/2019

Ana Fonseca – Mundo

Aqui no BZ adoramos saber de brasileiros que gostam de viajar e estimular os outros a fazê-lo: Escritores de ficção e não-ficção sobre viagens, youtubers brasileiros que falam sobre diferenças culturais, e empreendedores no turismo. Recentemente, a administração do blog Brasil com Z foi abordada pelo Sisterwave, uma plataforma só para mulheres que queiram se hospedar com outras mulheres. Conversamos com a Jussara Pellicano, brasiliense e fundadora do Sisterwave para saber mais a respeito.

Viajante em La Candelaria, em Bogotá. Fonte: arquivo pessoal da Jussara Pellicano. 

Jussara, você é fundadora da Sisterwave. Como surgiu para você a ideia que criar uma rede de hospedagem colaborativa? 

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Mamães Brasileiras pelo Mundo! (II Parte)

12/05/2019

Continuando com o depoimentos algumas mamães pelo mundo (veja a primeira parte aqui), hoje mais duas autoras do blog compartilham brevemente como experimentam a criação dos filhos na Itália e no Canadá.

 Carla Guanais – Roma, Itália

Sempre sonhei ser mãe e criar uma família. Me preocupava com o parto e queria que fosse um momento especial e o mais natural possível. E assim foi! O parto na Itália é prioritariamente natural, cesáreas só em caso de emergência ou problema/complicação de saúde que possa ser um risco para mãe e bebê. A possibilidade de analgesia no parto normal, diferentemente do Brasil, faz com que o índice de partos normais seja alto.

Uma das maiores dificuldades, minha particularmente, de ser mãe na Itália (Laura agora tem quase 2 anos) é não ter minha família por perto para ajudar. É muito difícil uma mãe continuar trabalhando sem ter com quem contar, mesmo porque as vagas nas creches públicas são limitadas, as particulares são caras e, mesmo podendo pagar, o horário é quase sempre incompatível com o horário de trabalho da mãe (ou do pai). O que exigiria uma babá ou alguém para cobrir esse período.

 

O estereotipo da “mamma italiana” é compreensível. A criação aqui, ao meu ver, é muito limitada de liberdade e independência. Vemos muita diferença o quanto filhos de brasileiros são mais adiantados por serem mais estimulados. Por exemplo deixar o bebê engatinhar no chão para eles só se for em casa e com tapetinho emborrachado (rs).

Laura sendo apresentada à Turma da Mônica

Estou priorizando a comunicação com a Laura em português. Será sua língua de herança e a quero pronta para se comunicar na nossa língua quando formos para o Brasil, por exemplo.

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Mamães brasileiras pelo mundo!

05/05/2019

Comemorando o Dia das Mães, hoje e numa próxima postagem, algumas de nossa autoras contam como é a experiência de ter e/ou criar filhos fora do Brasil. 

Manuela Marques TchoeMunique, Alemanha

A independência das crianças é muito importante na Alemanha e esse é talvez o meu maior desafio como mãe aqui em Munique. Existem muitas coisas que espera-se de uma criança pequena faça, desde a trocar de roupa por conta própria até caminhar até a escola sozinho. Aqui, os pequenos já andam de bicicleta na rua com seus quatro, cinco anos (é claro, aqui existe pista de bicicleta), saem para comprar pão, limpam seus pratos e tantas outras coisas que para uma criança no Brasil seria inimaginável. Quando fomos visitar a futura escola de meu filho, eram as crianças que comandavam o tour – e não os professores.

Mas, é claro, quando vejo uma criança andando na rua sozinha eu ainda fico pasma; simplesmente não foi assim que eu cresci. No Brasil, temos a ameaça constante da violência, principalmente nas grandes cidades, e aqui isso não é uma preocupação. As crianças têm um ambiente no qual podem florescer sua independência, e isso é algo muito positivo.

Apesar de às vezes a pressão pela independência ser exagerada – na minha opinião – em geral eu acredito que muitas crianças alemãs crescem com uma desenvoltura muito grande, e que isso trará grandes benefícios no futuro!

 

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9 pratos milaneses típicos!

15/04/2019

Carolina Martins – Milão, Itália
Ciao a tutti! Hoje o post é sobre uma coisa super gostosa: a gastronomia italiana! Ela é extremamente regional, e cada região tem seus pratos típicos gerando uma riqueza e diversidade enormes. E todas são maravilhosas, do norte ao sul! Comer bem é uma arte, e posso dizer seguramente que os italianos são artistas. Meu primeiro professor de italiano, nascido em Palermo, dizia: italianos ou estão comendo, ou fazendo comida, ou pensando em comida, ou falando em comida. O que é verdade, a comida aqui é uma religião. E morando aqui posso dizer que me tornei extremamente religiosa.
Localizada no norte do Itália, a região lombarda onde se encontra Milão, tem uma temperatura bem fria durante uma boa parte do ano, então é comum o consumo de pratos mais “pesados”, mais carnes que peixes (muita vitela!) e muita polenta. Além do arroz para o mais icônico de seus pratos, o risoto.

Nesse post, cito os 9 pratos mais tradicionais da minha cidade. Andiamo!

Risotto alla milanese 
Aqui o meu prato preferido de Milão. Esqueça o risoto que fazemos no Brasil, o milanês trata-se de um risoto feito com arroz, açafrão, manteiga, cebola, vinho branco, caldo de carne e muito, muito queijo.
O Risotto alla milanese nasce em 1574, quando o vidraceiro belga Valerio di Fiandra, que na época morava em Milão e trabalhava nos vitrais do Duomo, decide, para o casamento de sua filha, fazer um risoto com manteiga de açafrão. Essa especiaria era muito usada pelos vidraceiros para dar a coloração amarela aos vidros, lembrando o ouro, sinômino de riqueza.
Nos dias de hoje, é  possível encontrar o risoto em praticamente todos os restaurantes e casas de Milão. Na minha casa, faço toda semana. É cremoso, saboroso e você deve experimentar!
risottoMeu preferido!

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