Não acho certo falar mal de um país estrangeiro que nos acolhe (permanente ou temporariamente). Mas a idéia desse blog é passar nossas experiências reais e, principalmente, coisas que não vemos nos catálogos de agências de turismo, certo?

Portanto, tentarei expressar meus sentimentos com relação à França da forma mais realística possível.

Paris é associada a três (ou quatro) palavras já pré estabelecidas; luxo, cultura e romance(a quarta seria a falta de higiene que vem com a famosa frase” é verdade que os franceses não tomam banho?”).

O marketing turístico de Paris funciona muito bem e confesso que eles são reais, afinal, a cidade é rodeada de jardins imperiais enormes, todos muito bem cuidados,com árvores podadas em formato de cogumelo e ornamentos imensos feitos em dourado.

Jardin du Luxembourg (Wikimedia Commons)

Jardin du Luxembourg (Wikimedia Commons)

Não existe um pequeno shopping para fazer suas comprinhas, existem sim as Galeries Lafayette, cheio de marcas famosas e arquitetura prepotente. Nada é pequeno e modesto. É tudo grande e luxuoso. Quase nada surgiu, quase tudo foi produzido.

Berço de artistas e filósofos, Paris também privilegia a educação e a arte. Universidades são gratuitas e tem muitas vagas dando espaço e oportunidade inclusive para estrangeiros. Os museus têm acervos de fazer qualquer amante de arte passar mal. E como é gostoso andar pelas margens do Rio Sena e ver que muita gente vive de arte.

Rio Sena. Foto por eu mesma.

Rio Sena. Foto por eu mesma.

E, finalmente, o romance. A cidade é bonita e iluminada. O vinho é barato, a comida é boa,tudo proporciona um clima perfeito para uma casal apaixonado.

Mas existem outras palavras associadas à Paris que só fui perceber quando aqui cheguei. A primeira delas é burocracia.

Minha professora de francês (acho que falarei muito dela por aqui) me disse que existem mais funcionários públicos aqui (Paris 105,396km²),do que nos Estados Unidos ( 9,826,630 km²). Não sei se isso é real, mas eu acredito. Para empregar tudo isso de gente o governo cria diversos postos públicos que alimentam a burocracia.

Lembro que quando fui fazer meu exame médico para a retirada da Carte de Séjour (um tipo de visto), tinha uma pessoa que te pesava, outras media o seu tamanho, outra analisava sua visão, outras fazia RX, etc.Um processo que poderia ser rápido e feito por uma só pessoa, demorou séculos e se tornou estressante (tanto para mim quanto para o funcionário cuja função é anotar o tamanha das pessoas).

Outra palavra ululante é a loucura. Paris tem um número impressionantemente grande de loucos. É nítido, basta andar pelas ruas e metros e você achará a mulher que dança com a máquina de coca-cola ou algum outro conversando sozinho e olhando fixamente para você (medo!).Eu costumo dizer que aqui você vê,pelo menos,um louco por dia (como a quantidade de queijos). E quando vejo um digo, “Pronto, achei o louco do dia”.

A última palavra que gostaria de destacar é o ódio, muito bem representado por Mathieu Kassovitz em 1995 com o filme La Haine (O ódio).Nesse filme ele mostra três adolescentes da periferia de Paris, que movidos pelo tédio e pelo ódio se tornam violentos.

No Brasil a violência surgiu da desigualdade social, se alguém coloca uma arma na sua cabeça é porque quer seu dinheiro, ou se sente frustrado em uma sociedade injusta, (não concordo que isso justifique)mas aqui a violência é completamente gratuita.

Não sei de onde ela surgiu e não fiquei tempo suficiente para analisar tão bem os problemas da sociedade.Mas falta de dinheiro não é, já que o governo ajuda muito as pessoas e educação e saúde são gratuitos. Mesmo assim, essas pessoas saem por aí, queimando carros, batendo em gente nas ruas e destruindo vagões de trem do RER.

Esse video do JUSTICE mostra um grupo de adolescentes cometendo atos de violência.

Para acabar esse texto equilibradamente (3 palavras boas e 3 ruins), acabarei por aqui. Mas é claro que outras palavras ainda vão surgir nesse blog,como,arrogância, cozinha,falta de higiene, arte e etc. Acompanhe e verá.

Postado por Ingrid Mantovani