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Índia- Onde estão as privadas??

18/09/2018

Juliana Paula – Mumbai, Índia 

Mumbai. Capital financeira do país. Terra de Bollywood. O lugar dos sonhos, onde todos almejam subir na vida e viver com dignidade. As construções luxuosas não páram. Condomínios em estilo ocidental são construídos sem piedade. Em uma visita a um destes condomínios, eis que me deparo com o extremo: O condomínio, com segurança e entrada grandiosa, dividia o espaço com um lixão + favela que fora construída pela comunidade de baixa renda. Crianças brincam, adultos trabalham, mulheres lavam roupas…tudo ao ar livre.

  De repente, meus olhos congelam em uma cena que dificilmente esquecerei. A mesma cena se repetiria outras vezes, infelizmente. Uma criança, de uns 5, 6 anos, abaixa as calças e simplesmente começa a defecar ali, na pseudo calçada, olhando o movimento dos carros e autoricksaws. Eu fiquei envergonhada quando nossos olhos se cruzaram. Porém, ela continuou me olhando como se buscasse a resposta para uma questão na qual a Índia, cuja economia cresceu 7% no último ano, ainda não conseguiu resolver: Onde estão as privadas?

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  Para os ocidentais que vêm à Índia, o banheiro indiano em si já é algo complicado, pois é em estilo asiático, ou seja, no chão. E, dependendo da casa e da região, o banheiro pode ser apenas neste estilo. Esqueça aquela cena típica lendo jornal ou mexendo no celular enquanto cumpre com suas obrigações fisiológicas. No banheiro indiano, o negócio é rápido. Afina, quem aguenta ficar de cócoras mais de 10 minutos?

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Porém, quando se começa a viver na Índia e a conhecer a realidade que assombra muitas partes do país, você começa a analisar de forma diferente:- “Sorte de quem tem um banheiro dentro de casa!”

Mas os banheiros não são dentro da casa?- estranha nosso leitor.  Nas grandes metrópoles da Índia, sim, até pela falta de espaço. Mas, no interior, você verá muitas famílias que simplesmente não têm banheiro em casa. Não tem nem uma latrina para aliviar as necessidades. Como faz, então?Você deve estar morto de curiosidade, não é mesmo? Simples. As maioria vai para o matagal mais próximo e faz tudo lá mesmo.

E é aí que começa o problema. Principalmente quando as mulheres precisam ir para o mato. Muitas sofrem assédio e, nos piores casos, são estupradas. Por esta razão, em muitos vilarejos, as mulheres marcam um horário pela manhã bem cedo, antes do sol nascer e, depois, bem tarde da noite, para poderem ir juntas e evitar que problemas maiores aconteçam.

É exatamente esta cena que o filme Toilet- Ek Prem Katha nos mostra. O filme indiano, de 2017, abordou a questão da falta de banheiros no país e os problemas enfrentados pelas mulheres dos vilarejos. O filme conta a estória de uma moça da cidade, recém casada com um indiano de um vilarejo, para o qual se muda e, na noite de núpcias, descobre que não existe um banheiro na casa. E aí, começa a luta dela e do marido pelo bendito banheiro. No filme, a moça sofre uma grande oposição do sogro, que considera um absurdo ter um banheiro dentro de casa.

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Sim, é verdade. Para muitos hindus, sobretudo para os da casta brâmane, que se consideram o suprasumo da pureza, ter um banheiro em casa é não só um ultraje, mas um desrespeito aos deuses, já que o lar é considerado sagrado e, tamém por ser o lugar onde as refeições são preparadas. – “Mas, e se o banheiro for do lado de fora?Será que não rola?” – deve estar pensando nosso leitor. Não é tão simples assim.  A resistência de muitos é tão forte, que nem do lado de fora da casa eles não querem que um banheiro seja construído.

Já visitei casas nos vilarejos do interior da Índia, onde tanto o banheiro como a cozinha ficavam do lado de fora da casa. O banheiro, claro, bem mais afastado, mas ainda dentro do terreno. A primeira casa onde morei aqui na Índia, no interior, também era assim.

O problema dos banheiros não é nova, mas no governo do atual primeiro ministro, Narendra Modi, a questão foi levantada e ele se comprometeu a resolver o problema nos anos seguintes ao que foi eleito. Posso estar enganada, mas creio que não muita coisa mudou de lá para cá.

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O grande problema na Índia não é a falta de banheiros públicos, mas sim, educar as pessoas de que ter um banheiro em casa (mesmo que no quintal), traz beneficios para a saúde delas e, não o contrário.

Em um país onde a tradição e os costumes falam mais alto que as leis da constituição e os clãs ainda ditam regras no interior, a mudança, certamente, será como uma longa constipação.

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Juliana Paula já morou e trabalhou no Japão. Está na Índia desde 2013. Para saber mais sobre ela e o blog pessoal da Juliana, o Tabibito Soul, acesse a mini bio da Juliana. Para atualizações diárias sigam a página do “blog Brasil com Z” no Facebook. Temos também uma conta no Instagram com fotos dos nossos autores e uma no Twitter. Divirtam-se! 

Primeiro dia de escola na Alemanha

07/09/2018

Lilian Nosralla – Berlim, Alemanha

Na Alemanha o primeiro dia de uma criança na escola é considerado um dia muito importante em sua vida e portanto celebrado com muita festa e presentes. Esse momento tem até um nome específico em alemão: Einschulung, que pode ser traduzido como “entrada na escola”.

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Crianças carregando seu cone de presentes (Schultüte) para a escola. Fonte: Weser Kurier.

O ano letivo na Alemanha começa sempre no final de agosto ou inicio de setembro, quando acaba o verão. Acho ótimo as crianças poderem aproveitar o verão pra brincar muito, curtir o sol, viajar e usar o inverno pra focar nos estudos.

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Mercado de queijos em Alkmaar

04/08/2018

Ana Fonseca – Alkmaar, Holanda

Recentemente, tive um casal de amigos brasileiros na minha casa. Para encerrar os passeios deles pela Holanda, decidimos na sexta-feira pela manhã leva-los a Alkmaar para ver o famoso mercado de queijos da cidade. Passeio obrigatório para quem está pelo norte da Holanda!

Alkmaar fica a uma hora de trem saindo da Estação Central de Amsterdã. De carro é super rápido, e fácil para achar estacionamento grátis fora do centro. Indo a pé para o centro da cidade, já dá para ir vendo o transporte de queijos dos produtores pelos canais.

Alkmaar tem um pouco mais de 100mil habitantes e é bem fácil de achar seu caminho pela cidade. Várias marcas holandesas como Sissy-Boy, Dille & Camille e muitas outras estão pelo centro, muito bem preservado e agradável, com várias ruas livres de carros. A cidade tem 399 monumentos públicos registrados, então prepare-se para olhar para cima e para muitos detalhes arquiteturais. Lojas de antiguidades, bares e restaurantes também não faltam.

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Emirados Árabes – O País dos Sheiks

24/07/2018

 Carlos André Marinho – Dubai, Emirados Árabes

As-Salamu Alaikum, viajantes! Quando pensamos no espaço físico e/ou cultural árabe, normalmente nosso imaginário é construído com alguns elementos, digamos … “clássicos”, tais como camelos, oásis, tâmaras, areias escaldantes e intermináveis, dança do ventre e exóticas dançarinas, etc. isso só para ilustrar.

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Quadros da esquerda para direita ::: His Highness Sheik Khalifa Bin Zayed bin Sultan Al Nahyan, HH Sheik Zayed bin Sultan al Nahyan e HH Sheik Mohammed bin Zayed Al Nahyan | Recepção do Hotel em Abu Dhabi

De fato, todo esse arsenal de valores foi incorporado através de contos como das “As mil e umas noites” ou, mesmo, do filme “Lawrence da Arábia” que, por sinal, ainda existe e, de certa forma, sobrevive ativo até os dias de hoje. Em linhas gerais o mundo árabe e, em particular, os Emirados Árabes Unidos, se conservam bem alinhados com a própria história e integrados na fé da religião islâmica.

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Celebrando a vida sem frescura: o Biergarten (Jardim da Cerveja) na Alemanha

17/07/2018

Manuela Marques Tchoe – Munique, Alemanha

A primeira coisa que os bávaros fazem quando o sol dá as caras após o longo inverno é passar algumas horas no Biergarten – ou jardim da cerveja. Muito comuns no sul da Alemanha, você pode ter certeza que existe um Biergarten à espreita em alguma esquina, nos convidando para uma tarde de Gemütlichkeit (que pode ser traduzido para “aconchego”), transmitindo uma sensação de calor, simpatia e pertencimento a cada brinde em canecas enormes. No Biergarten tradicional, pode-se levar sua própria comida para fazer piquenique, reforçando o ideal de simplicidade à mesa. Ou seja, uma celebração da vida sem frescura, exceto pelo frescor da cerveja!

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Não se sabe qual cervejaria de Munique abriu o primeiro Biergarten da Baviera, mas foi provavelmente um dos seis maiores de Munique: Löwenbräu, Hofbräuhaus, Augustinerbräu, Paulaner, Hacker-Pschorr e Spaten. O que se sabe é que eles se desenvolveram no então Reino da Baviera no século XIX e que, com limitações sazonais na produção de cerveja, produzia-se a bebida durante o inverno (para minimizar o risco de incêndio). Às margens do rio Isar, a cerveja era mantida fresca durante o armazenamento. Daí para a criação de  “adegas de cerveja” para consumir cerveja fresca logo seguiram – e assim nasceu o Biergarten, um lugar agradável, geralmente cercado de árvores para dar sombra, um verdadeiro jardim para apreciar o sabor especial da cerva alemã.

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Pratos Típicos do Sul da França

10/07/2018

 Fabio T – França 

Olá, leitores do “Brasil com Z”. Eu já contei por aqui em vários artigos anteriores sobre a culinaria e hábitos culinarios franceses (15 hábitos gastronomicos dos franceses , 6 doces tipicamente franceses , 12 iguarias francesas e Pratos típicos franceses do inverno). Hoje, quero apresentar-lhes alguns pratos típicos do Sul da França, muito consumidos no verão.

1- Tapenade

tapenade (fonte : journaldesfemmes.fr)

tapenade (fonte : journaldesfemmes.fr)

Um petisco tradicional do Sul da França  é a tapenade (azeitonas pretas trituradas, com anchovas e alcaparras) sobre pedaços de pão ou de torradas.  

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Entrevistando expatriados: Elieser Borba

05/07/2018

 Ana Fonseca, Holanda – Elieser Borba, Áustria

Hoje damos continuidade ao novo formato de postagens, em forma de entrevista. Nossos autores, além das mais diversas profissões, são muito produtivos nos seus hobbies! Vamos conhecer agora mais um pouquinho do nosso colaborador da Áustria, o carioca Elieser Borba. Ele é assistente social por formação, artista plástico e também escritor independente.

Elieser, você é do Rio e mora no interior da Áustria. Como se estabeleceu no país? 

Eu morava em Copacabana, no Rio de Janeiro. Conheci minha esposa, que é austríaca e estava de férias com uma amiga, num bar em dia de jogo do Botafogo. Após namorarmos à distância por pouco mais de um ano, decidimos começar a vida juntos na Áustria. Infelizmente, a situação econômica no Brasil não favorece um casal jovem iniciar a vida por lá!

E como veio a ideia de escrever livros? Qual foi sua motivação?

Para mim, todos tem a capacidade de escrever. A grande diferença é o ato de “tornar o que se escreve público” seja via livros, blogs ou outros meios. Eu sempre li e escrevi muito, e desde cedo sou muito ligado com o que está à minha volta, socialmente falando. Sempre fui um inconformado com o conformismo de algumas pessoas, e a ampliação de minha consciência crítica ainda na adolescência me motivou a tecer diários que mais tarde como assistente social aprimorei de forma mais técnica. Escrever é um exercício muito bom para externalizar angústias e para estimular nossa reflexão e daqueles que nossos textos atingem.

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