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Visitando o interior da casa do governo chileno

23/09/2016

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Carlos Fernandes – Santiago, Chile

Esse meu texto faz parte da série: “Nunca pensei que um dia eu fosse…”

Pois é… nunca pensei que um dia eu fosse visitar o interior da sede do governo de um país. E acabei fazendo isso no Chile. Visitando o histórico Palacio de la Moneda, a casa do governo chileno.

O Palacio de la Moneda é um dos pontos turísticos mais visitados e fotografados pelos turistas em Santiago. Está localizado no centro da cidade em meio a um complexo de prédios pertencentes aos Ministérios do Chile. Sua beleza relaciona-se ao fato de ser a única edificação de estilo neoclássico italiano puro existente na América.

Palacio de la Moneda - Foto: Natalia Maimoni

Palacio de la Moneda – Foto: Natalia Maimoni

Projetado inicialmente para abrigar a Casa da Moeda, o palácio teve sua construção datada entre 1786 e 1812, sendo inaugurado oficialmente no ano de 1805. Suas paredes são construídas com enormes pedras, chegando a ter mais de um metro de largura, para dar à construção a resistência necessária aos frequentes terremotos. (Clique aqui e confiram minhas experiência com os abalos sísmicos no Chile).

E, curiosamente, é um dos poucos edifícios da época colonial que ainda permanece em pé na cidade. Porém, foi somente em 1845 que o palácio foi convertido em sede do governo e residência oficial de seus presidentes.

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Complexo do Palacio de la Moneda – Foto: Carlos Fernandes

O golpe militar no Chile e o La Moneda

O La Moneda se mistura com a história do golpe militar no Chile. Para os amantes e interessados em história como eu, o palácio é um prato cheio para entender os acontecimentos daquela época.

Em 11 de setembro de 1973, data que ocorreu o golpe de estado no país. O até então presidente Salvador Allende foi deposto e morto dentro do La Moneda. E o edifício foi também duramente bombardeado por canhões do exército e aviões da força aérea, ficando parcialmente destruído. Depois de três horas de luta, o Palacio de la Moneda foi tomado pelo exército. E ali se iniciava a ditadura de Augusto Pinochet.

A foto mais famosa do ataque ao La Moneda - Foto: AFP

A foto mais famosa do ataque ao La Moneda – Foto: AFP

Quando algum de vocês estiverem em Santiago e quiserem ver o passo a passo do golpe militar e o palácio sendo bombardeado e invadido, visitem o Museu dos Direitos Humanos na própria capital chilena. É possível assistir aos vídeos que foram gravados de todo o ataque por parte das forças armadas chilenas. E também ler cartas trocadas na época por prisioneiros. Lá também está uma das camas usadas para tortura. Ainda indico o filme “Colonia” com a atriz Emma Watson (Harry Potter) e o ator Daniel Brühl (Bastardos Inglórios). O longa é baseado em uma história real e se refere justamente ao ano de 1973 no Chile.

Cama usada para tortura na ditadura - Foto: Carlos Fernandes

Cama usada para tortura na ditadura – Foto: Carlos Fernandes

A visita ao interior do La Moneda

A possibilidade de se visitar o local é algo que os turistas brasileiros não tem conhecimento. Eu mesmo fui saber disso após quase um ano vivendo em Santiago. E é muito fácil fazer o agendamento. Além de ser uma visita gratuita. Basta fazer um cadastro no site oficial do palácio e preencher o formulário disponível. Os tours, em espanhol ou em inglês, acontecem de segunda à sexta às 09h30, 11h00, 15h00 e 16h30.

A visita guiada tem início no “Patio de los Naranjos”. Ali o guia conta um pouco da história do local e podemos ver também a escadaria que dá entrada ao gabinete da presidente Michelle Bachelet. Há quem diga que ela posa para selfies caso esteja de bobeira nas dependências do La Moneda. No dia da minha visita ela estava em viagem oficial.

Patio de los Naranjos - Foto: Carlos Fernandes

Patio de los Naranjos – Foto: Carlos Fernandes

Escadaria que dá entrada ao gabinete da presidente Michelle Bachelet - Foto: Carlos Fernandes

Escadaria que dá entrada ao gabinete da presidente Michelle Bachelet – Foto: Carlos Fernandes

Dali segui para dentro do palácio para conhecer 3 importantes salões. O primeiro salão visitado foi o “Salón Pedro de Valdivia”, que serve como uma sala de estar para recepcionar os chefes de estado, sendo também o local para as fotos oficiais. A curiosidade deste salão é que não se pode pisar no grande tapete existente, já que ele está em processo de conservação por ser centenário.

Depois segui para o “Salón Montt-Varas”, onde os presidentes chilenos se dirigem ao país com comunicados e informativos para a televisão. Finalizei no “Salón O`Higgins”, onde há almoços e jantares oficiais promovidos pelos presidentes ou ministros.

Salón Pedro de Valdivia - Foto: Carlos Fernandes

Salón Pedro de Valdivia – Foto: Carlos Fernandes

O passeio continuou no “Patio de los Cañones”. O pátio recebe esse nome porque ali há dois belos canhões, chamados de “relâmpago” e “furioso”. E para finalizar o tour, o “Patio de Los Canelos”, que recebe esse nome devido a uma árvore considerada sagrada pelo povo mapuche (povo indígena que lutava contra a invasão dos conquistadores espanhóis). É lá que vemos o local exato onde Salvador Allende morreu.

A última visita é na capela do palácio. Nela podemos observar algumas obras de arte de esculturas com mais de 300 anos, assim como o púlpito onde o Papa João Paulo II se ajoelhou em sua visita ao Chile.

Patio de los Cañones - Foto: Carlos Fernandes

Patio de los Cañones – Foto: Carlos Fernandes

E tem mais…

Também vale a pena acompanhar a troca da guarda chilena em frente ao La Moneda. É claro que não estamos falando da troca da guarda do Palácio de Buckingham. Mas os “Guardias del Palacio” também dão seu show executando inclusive músicas brasileiras através da banda marcial.

Troca da guarda - Foto: www.youtube.com

Troca da guarda – Foto: http://www.youtube.com

Então fica a dica aos amigos que pretendem visitar a cidade de Santiago. Os sites e agências de turismo vão dar uma breve indicação do que é o Palacio de la Moneda. Mas fiquem espertos porque vocês podem também reservar um espaço na agenda para acompanhar a troca da guarda e visitar o interior do prédio. E quem sabe sair com uma foto da presidente que, diga-se de passagem, esbanja educação e simpatia sempre que participa de eventos oficiais.

Enorme bandeira chilena em frente ao La Moneda - Foto: Natalia Maimoni

Enorme bandeira chilena em frente ao La Moneda – Foto: Natalia Maimoni

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Carlos Eduardo Fernandes é publicitário,  já morou na Irlanda e atualmente é professor de inglês online em Santiago, no Chile. Saiba mais sobre ele e o blog pessoal clicando aqui. Sigam-nos no Facebook acessando aqui. Instagram e Twitter, procure por: @blogbrasilcomz 

Da impressão de fotos grátis na rua à impressão de fotos em casa

15/09/2016

BZ_ChinaEdvan Fleury – Beijing, China 

Em meus raros momentos turistando por Beijing, ao passar em frente a um café, vi uma muvuca de chineses em torno de um quiosque de fotografia. Ele ficava bem no meio da calçada e como eu estava com pressa para encontrar alguns amigos não dei muita atenção aquilo porque parecia algo que não acrescentaria nada em minha vida. Indo para o trabalho ou para qualquer outro lugar, esses quiosques de fotografia sempre surgiam no caminho, mas nunca dei o devido valor a eles, pois afinal quem é que imprime fotos nos dias de hoje?

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Essas máquinas fazem sucesso por aqui. Fonte: site taobao.com

Não demorou muito para que meu pensamento mudasse.

O tempo passou e há uns 3 meses eu e uma amiga estávamos a procura de um café de tarô, mas todas às vezes que íamos lá as portas estavam fechadas. Por dedução, não voltamos mais porque o lugar parecia que tinha fechado para sempre. Em nossa última tentativa frustada, minha amiga viu um daqueles quiosques e logo me puxou para irmos até lá para imprimir fotos. Naquela ocasião não havia ninguém e isso foi o que me motivou a ir imprimir as tais fotos. O processo é bem simples: você escolhe apenas uma foto, abre um aplicativo no celular e manda para impressão. A foto leva uma eternidade para sair, mas como é de graça vale super a pena imprimir. Sim, a impressão é de graça, porém a borda da foto vem com alguma propaganda, mas o que importa se o serviço é 0800. Mamãe sempre dizia que até injeção na testa vale a pena se é de graça.

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Basta scanear o QR code e imprimir a foto de graça.

Não demorou muito para eu me tocar que esses tais quiosques de impressão grátis são na verdade uma estratégia de marketing dos restaurantes e cafeterias para atrair as pessoas que estão passando pela calçada. Como no trajeto da minha casa para o trabalho também tem um quiosque desses dentro de um fast food, eu todo dia passava lá e imprimia uma foto. De tanto que fui, os funcionários até já me conheciam e tenho a quase certeza de que fiquei mal falado entre eles. Apesar de nesse meu processo não ter consumido indiretamente nenhum produto dos tais lugares que tem essas máquinas, isso me deu a vontade de ter as minhas fotos impressas. E o que eu fazia com elas? Eu as pegava e colava no diário que escrevo antes de dormir.

Imprimir fotos pode parecer um processo nostálgico para uns ou algo desnecessário para outros. Mas para mim, desde que comecei essa rotina de bater a fotografia, editar e colá-la no meu diário, todo essa etapa funciona como um passatempo e uma válvula de escape para manter minha mente ocupada. A sensação de ter uma foto impressa é indescritível. Fiquei viciado. Eu descobri que não há nada mais surpreendente do que presentear alguém com uma foto.

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100 observações sobre o Japão

13/09/2016

japão W. Anderson – Japão

Quando deixamos de viver uma rotina e passamos a viver em outra, é normal que façamos comparações. E o que no início era difícil de entender, logo passa ser difícil de conviver sem aquilo.

Não apenas o Japão, mas em todo o oriente, os costumes são muitas vezes incompreensíveis num primeiro momento, já que na maioria das vezes, jamais havíamos convivido ou mesmo presenciado tais “rituais”.

Escrever esse artigo, não foi nada fácil. Não apenas por causa da quantidade, mas porque, certamente, muitas outras observações importantes ficarão para (talvez) um outro post. Assim, não queria deixar de fora coisas que certamente alguém poderá citar, mas que por enquanto, irão aguardar. Então, vamos logo!

Cotidiano

1. Segurança – De cada 10 estrangeiros que for consultado, 11 irão falar que o Japão é um país seguro. É verdadeiro, é fato, é real. É claro que acontece um roubo aqui, outro ali, ou acolá, mas a polícia resolve todos. Pode demorar um dia, uma semana, um mês, ano, anos, a polícia vai te comunicar que seu caso foi resolvido e o meliante devidamente preso.

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posto policial em bairro da cidade de Tsukuba-shi, província de Ibaraki-ken – by Polícia de Ibaraki

2. Previsão do tempo & chuva – Japoneses são fanáticos por previsão do tempo. Na TV, entre um programa e outro, sempre aparece a previsão nacional e também da sua localidade, mais detalhada. Pode confiar, a taxa de acerto, ultrapassa os 95%. Não duvide que a chuva não vai cair, se deu na previsão, ela vem. Se não vier, você não olhou direito, dê um reflesh em sua tela e confira.

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China: Gringo rico x Gringo pobre

07/09/2016

BZ_ChinaEdvan Fleury – Beijing, China

Esses dias estava conversando com uma amiga minha brasileira que mora em Shanghai sobre como alguns gringos acabam gastando muito dinheiro para ter a comodidade de não ter trabalho. Isso me fez pensar no que eu ouço quando digo para alguém que moro na China. Logo vem várias perguntas do tipo “você fala chinês?” (Não), “Como você faz para viver lá?” (sei lá, levo uma vida normal igual como se estivesse no Brasil) ou “Mas é possível morar aí sem entender o que as pessoas dizem?” (Sim, claro). Quem nunca morou na Ásia, pode até achar que morar por aqui é um bicho de sete cabeças e, talvez por isso, muitos dos estrangeiros que vêm morar aqui chegam com um certo receio de não conseguir se adaptar.

Naquela mesma semana, eu apelidei nós gringos de duas formas: os gringos pobres e os gringos ricos. Creio que essas duas categorias  não sejam uma realidade exclusiva da China, mas também de tantos outros lugares ao redor do globo. Pois bem, como eu vim para cá com um emprego bem mais ou menos (leia aqui para entender do que estou falando), dinheiro sempre foi um problema.  Eu tinha que literalmente vender o almoço para comprar a janta e tudo o que ganhava ia embora em poucos dias devido às despesas com aluguel, transporte, alimentação e outros gastos que vão simplesmente surgindo.

Quando se faz parte do grupo dos gringos pobres, você não pode se dar ao luxo de gastar o dinheiro porque cada centavo vai fazer a diferença no bolso. E como fazer para sobreviver? Bom, se estou escrevendo esse texto é porque sobrevivi. O fato é que o grupo dos gringos pobres acaba descobrindo ferramentas para garantir a sua sobrevivência e muitas vezes as nossas descobertas ajudam o grupo dos gringos ricos. Como assim? Deixe-me citar uma outra situação que passei não faz muito tempo.

Eu estava visitando um amigo que mora em um apartamento de luxo em uma das melhores zonas de Beijing conhecida como Sanlintun. Ele mora em um apartamento lindamente decorado em branco pela empresa na qual trabalha. Quem conhece Beijing, sabe que morar nessa área sozinho não é barato, aliás, morar em Beijing em qualquer lugar não é algo que um gringo pobre pode dar-se ao prazer. Enfim, como ele queria comer uma comida mexicana, logo tirou o celular do bolso e entrou em um app no qual os estrangeiros usam para pedir comida. Ao acessar o app ele descobriu que o restaurante estava fechado. Veio a cara de frustração e ele disse que teríamos que ir ao restaurante. Como eu não estava muito afim de andar até o restaurante, foi a minha vez de tirar o telefone do bolso e pedir a comida mexicana de outro restaurante, usando um outro aplicativo. Quando ele viu que o app estava todo em chinês, logo, deduziu que meu nível de mandarim era igual ao de um chinês (que ledo engano). E ele disse:

–  Ah, para você é fácil usar esses aplicativos locais por saber mandarim.

– Mas eu não falo mandarim, aliás, nem sei o que tá escrito em boa parte desse app. – eu disse na lata.

Nem precisa dizer o quão surpreso ele ficou com aquilo. Eu expliquei que não precisava ser um gênio para usar aplicativos chinêses. Mostrei para ele que na tela do celular aparecia o desenho de um hambúrguer, logo, se clicar naquele ícone podemos deduzir que o app exibiria uma lista de restaurantes de comidas estrangeiras ou ao menos as opções de fast food. Fui clicando nas opções até achar um restaurante que tinha imagens de comidas mexicanas. Eu olhava para a foto e ia apertando no simbolo de mais (+) e adicionando tudo ao simbolo de carrinho e pronto!

A expressão dele foi a de que eu tinha inventado a roda. Não satisfeito ele perguntou:

– Nossa, você é bem esperto.

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O app 百度外卖 (Baidu waimai) tem interface intuitiva e é super prático para pedir comida.

Eu respondi que não era questão de ser esperto ou ter uma inteligência sobrenatural e, sim, de necessidade. Se eu usasse o aplicativo projetado para os gringos, acabaria pagando uma taxa maior pelo serviço. Quando você não mora em um apartamento cedido pela empresa ou quando não se tem um motorista à disposição, você aprende a se virar com pouco e com esse pouco ainda tem que fazer milagres. No meu caso, eu fui aprendendo pela lógica e quando possível usando o tradutor do computador para saber o que estava pedindo caso a imagem não estivesse clara.

Até pouco tempo eu conseguia fazer dinheiro extra ajudando os gringos ricos a comprar coisas em um site de comprar em chinês, tipo mercado livre. O que eu fiz para usá-lo sem entender nada de chinês? Fui no Google e digitei “Tutorial para comprar no site X”. E lá estavam vários tutoriais com fotos de onde tinha que clicar, tudo bem detalhado. Peguei qualquer um, abri o Google tradutor e fui às compras!

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O Taobao é onde faço as minhas compras online. Quando não entendo, uso o Google.

Certa vez ouvi de uma colega gringa rica: “Eu prefiro pagar mais caro para não ter trabalho e não ter que me estressar tentando entender o que está escrito”. Parece um absurdo, né? Mas quem tem um pouco de dinheiro aqui acaba se dando a esse luxo de pagar a mais. Na minha visão, muita gente que mora aqui na China na condição de gringo rico acaba vivendo em uma bolha, cercado por condomínios de luxo onde tem tudo ao dispor e o que não está à disposição eles mandam comprar – isto porque sempre vai ter um gringo pobre mais esperto para oferecer aquilo que eles não conseguem ter acesso tão facilmente.

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O que as pessoas imaginam quando digo que moro na China

Por isso eu digo que morar aqui não é tão difícil como as pessoas imaginam. Morar fora do Brasil é sim difícil, mas não é porque a pessoa vem pra Ásia que essa dificuldade será multiplicada por mil. Aqui as dificuldades principais são de adaptação com a cultura, com a comida e até mesmo com os chineses, a língua acaba sendo um problema mínimo se comparada a tantos outros desafios que temos que enfrentar.

Caso você venha para a China com um bom trabalho e na condição de gringo rico, sua adaptação com certeza será bem mais confortável. E caso você venha na situação oposta, aventurando-se na condição de gringo pobre, as dificuldades até podem parecer maiores, mas no final sempre vamos usar a nossa força de vontade e necessidade para contornar essas barreiras que viver no exterior nos impõe.

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Edvan Fleury nasceu em Manaus e é jornalista. Atualmente encontra-se Perdido na Chinatrabalhando com e-commerce e fazendo vídeos na horas vagas com amigos para o Youtube. Para saber mais sobre ele acesse a mini-bio clicando aqui. Sigam nossa página no Facebook clicando aqui e no Instagram clicando aqui. Para seguir o nosso Twitter clique aqui

Chile: um dos países mais sísmicos do planeta

05/09/2016

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Carlos Fernandes – Santiago, Chile

Traduzindo o título… “Chile: o país onde a terra treme a todo instante”.

Quando fui viver em Santiago já sabia que enfrentaria alguns tremores de terra. Mas não sabia que isso seria uma constante em minha vida. Na verdade, nós brasileiros não temos ideia do que realmente ocorre nesse país. E raros são os turistas que se preparam para o caso de enfrentar algum sismo durante sua viagem aos Andes.

A minha iniciativa de escrever sobre esse tema aconteceu depois da tragédia ocorrida na Itália uns dias atrás e que devastou algumas belíssimas cidades do interior. Isso me fez lembrar da experiência que tive em setembro de 2015 em Santiago.

Mas antes de contar essa minha experiência com o terremoto de 2015 e todos os demais movimentos telúricos que por lá ocorreram, vou explicar um pouco porque o Chile é um dos países mais sísmicos do mundo. Se não for o mais, diga-se de passagem.

Terremoto de 8,3 na escala Richter que atingiu o Chile em 2015

Terremoto de 8,3 na escala Richter que atingiu o Chile em 2015 – Foto: youtube.com

Dentro do “círculo de fogo”

Constantes tremores ocorrem no país porque ele se localiza na junção de duas placas tectônicas: a Sul Americana e a de Nazca. Está localizado no chamado “círculo de fogo”, que margeia os países banhados pelo Pacífico, onde ocorrem 80% dos terremotos do mundo.

Não é apenas o terremoto em si que existe nessas terras andinas. Também há os “temblores”. Temblores são pequenas tremidas de terra corriqueiras. Tremidas que podem chegar a 6 pontos na escala Richter e que duram poucos segundos, por exemplo. Esses temblores estão para os chilenos assim como uma forte pancada de chuva está para os brasileiros. Acontece a qualquer momento. Depois passa. E estamos conversados.

De acordo com o Instituto de Geofísica da Universidad de Chile, a interação entre as placas tectônicas de Nazca e a América do Sul produz um terremoto de grandes proporções a cada 10 anos, uma média de dez pequenos tremores diários e 3,5 mil movimentos sísmicos anuais.

Mapa das placas tectônicas - Foto: atlasescolarmundi.blogspot.com

Mapa das placas tectônicas – Foto: atlasescolarmundi.blogspot.com

Minha experiência no Chile

Agora vocês já sabem que existem os “temblores” e que, segundo informa o Instituto de Geofísica da Universidad de Chile, uma média de dez pequenos tremores diários ocorrem dentro do “círculo de fogo”. E quem possui algum app que controla o movimento telúrico consegue verificar que a terra está constantemente tremendo, mas nós não sentimos.

Os temblores que conseguimos sentir são aqueles acima dos 4 pontos na escala Richter mais ou menos. Se você estiver em um prédio, por exemplo, sentirá ele balançar suavemente. Eles duram poucos segundos, mas é suficiente para te deixar atento. Principalmente se ocorrer pela madrugada. Esses são os que mais odeio. Você está embalado no sono e, de repente, leva um susto com o apartamento tremendo. E não é só o susto em si. Você tem que estar atento também para saber se esse temblor vai se tornar um terremoto.

Os chilenos nomearam a mais tradicional bebida da festa de independência do país como Terremoto - Foto: Carlos Fernandes

Os chilenos nomearam a mais tradicional bebida da festa de independência do país como Terremoto – Foto: Carlos Fernandes

Cheguei à Santiago em janeiro de 2015 e meu primeiro temblor foi logo em fevereiro. Estava na academia treinando quando balançou forte. Foi uma mistura de susto com “o que está havendo?” e uma pitada de “o que eu faço?”. Foi tipo duas balançadas daquele brinquedo “La Bamba” dos parques de diversões. Os chilenos que estavam na academia se moveram em direção a escada, pois estávamos no segundo piso. Depois que passou eles voltaram ao treino normalmente.

Assim foram 7 temblores perceptíveis até o mês de setembro. Alguns balançando suavemente o prédio onde eu trabalhava no sexto piso. Outros com um tipo de tranco. Uma sacudida mais rápida. No Chile não basta ter temblores. Tem que ter diferente tipos do movimento.

O terremoto de 16 de setembro

Já no dia 16 de setembro eu senti a força da natureza de verdade. Estava no trabalho, no sexto andar, aguardando para iniciar uma aula online com meu aluno que estava no Brasil. De repente o prédio começou a balançar e muito. Como se sacudíssemos uma mesa cheia de garrafas de cerveja pra lá e pra cá. O prédio seria uma garrafa de cerveja. As persianas sacudiam e faziam muito barulho. As baias de madeira, onde os professores dão as aulas, rangiam freneticamente.

Foram dois minutos que pareceram duas horas. O que senti? Por mais que você esteja familiarizado com os temblores, o terremoto é algo mais intenso, claro. Eu estava tranquilo na verdade, mas porque não dá tempo de você pensar em nada. Você está no meio de uma situação que chegou sem aviso. Me lembro do nosso coordenador chileno, já habituado com a situação, dizendo para todos os professores que lá estavam que o prédio não iria cair. E já havíamos feito um treinamento antes em que ele nos disse que os prédios no Chile estão prontos para aguentar terremotos de até 9 pontos. E esse foi de 8,3 em seu epicentro.

Comprei o jornal no dia seguinte. Afinal, é uma experiência para a vida toda - Foto: arquivo pessoal

Comprei o jornal no dia seguinte. Afinal, é uma experiência para a vida toda – Foto: arquivo pessoal

Depois que passou o terremoto, a adrenalina estava lá em cima. Fui avisar meu aluno que já estava online do que havia ocorrido. Só que ninguém nos avisou que depois de um grande tremor ocorrem as réplicas, que são novos terremotos com intensidade menor. Ou seja, coisa de 15 minutos depois começou a sacudir tudo de novo. Essa réplica foi de 7,6. E ainda tivemos outra cerca de 20 minutos depois, algo em torno de 7,2. Só daí recebemos a ordem de evacuar o prédio.

E tem mais. As réplicas continuam por dias, semanas e até meses. Naquela noite sentimos tremores mais rápidos, na casa dos 6 pontos, a todo instante. Ninguém dormiu nas regiões afetadas. Simples assim. Foi em meu apartamento, no oitavo piso, assistindo o noticiário na TV e sentindo as réplicas, que a ficha caiu.

Ao todo, entre perceptíveis e não perceptíveis, foram mais de 1.400 réplicas no intervalo de 30 dias, de acordo com as autoridades chilenas responsáveis. Era muito comum balançar tudo nas primeiras duas semanas pós terremoto.

Os canais de TV estavam ao vivo com seus telejornais - Foto: youtube.com

Os canais de TV estavam ao vivo com seus telejornais – Foto: youtube.com

A partir disso eu parei de contar o número de temblores que eu sentia. Primeiro porque perdi a conta. Segundo que isso acaba se tornando parte de sua vida no Chile. E, quando demora muito para ocorrer um movimento, você fica sentindo falta daquilo. Não que eu goste, muito pelo contrário.

A verdade é que ainda em 2015 houve um movimento pela madrugada acima dos 6 pontos que durou cerca de 15 segundos. Esse me tirou da cama literalmente.

O Chile está preparado para os terremotos

Confesso que na temporada 2016 eu me tornei mais temeroso. Principalmente porque fui viver em um prédio mais antigo. Mas, como disse anteriormente, os prédios no país estão preparados para fortes terremotos.

A história conta que o maior sismo que já houve no mundo ocorreu justamente no Chile. Foi em 1960 na cidade de Valdivia, com magnitude 9,6 na escala Richter.

Em 2010, Santiago sentiu um terremoto de 8,8 pontos. Poucas construções antigas desabaram, o que mostra que o Chile é referência em construções antiterremotos. Em vídeos que encontramos no Youtube é possível ver que as pessoas precisaram se segurar em pilastras nos prédios para não cair. Não tenho a mínima dúvida de que foram 3 minutos de muito pavor.

Quem mais sofre são as pequenas cidades do interior pela menor infraestrutura. E as cidades litorâneas, que são atingidas por tsunamis. Em 2014, a pequena Iquique foi atingida por um sismo de magnitude 8,2.

Tsunami nas costa chilena - Foto: emol.com

Tsunami nas costa chilena em 2010 – Foto: emol.com

Somente lembrando: o terremoto que atingiu o Nepal em 2015 teve magnitude 7,8 com cerca de 10.000 mortes. O Afeganistão sofreu no mesmo ano um sismo de 7,5 com 398 mortes. Já em 2016, o Equador registrou 673 mortes em um abalo de 7,8. E a Itália com cerca de 300 mortes em um terremoto de 6,2. O movimento telúrico no Chile em 2015 bateu na casa de 8,3 com apenas 16 mortes. Algumas delas por problemas de ataques cardíacos, por exemplo.

Dicas para quem vai ao Chile

Esteja ciente de que temblores podem acontecer. Não se apavore porque a vida não para se a terra tremer rapidamente. Apenas guardem essa experiência para contar depois para os amigos.

Como precaução, deixe a chave da porta de entrada da casa ou do apartamento fácil. Eu costumava deixa-la na porta mesmo. Ou fechava apenas um trinco que existia no meu apartamento mais antigo.

Se um terremoto de grande escala ocorrer, não evacue um prédio durante o mesmo. Está aí uma grande chance de se machucar. E nem ouse querer entrar em um elevador.

Tenha sempre um par de calçado fechado ao seu lado se estiver dormindo. Se for necessário a evacuação do prédio, seus pés tem que estar preparados para pisar em destroços.

Ao chegar em um apartamento ou casa para se hospedar, verifique se não há nada que possa cair na cabeça. Normalmente não, pois tudo é preparado no país para tais situações.

E se você estiver na costa, o cuidado ainda aumenta devido ao reflexo natural de um terremoto, o tsunami. Fique atento ao noticiário televisivo local e evacue automaticamente se estiver muito próximo ao mar.

Orinentações oficiais do governo chileno - Foto: Natalia Maimoni

Orinentações oficiais do governo chileno – Foto: Natalia Maimoni

O que posso dizer para finalizar é que estar em meio a um terremoto é mais uma daquelas lembranças que vou levar para o resto da minha vida. Assim como tantas outras que já presenciei viajando. Situações diferentes e únicas que somente a vida fora do Brasil nos proporciona.

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Carlos Eduardo Fernandes é publicitário,  já morou na Irlanda e atualmente é professor de inglês online em Santiago, no Chile. Saiba mais sobre ele e o blog pessoal clicando aqui. Sigam-nos no Facebook acessando aqui. Instagram e Twitter, procure por: @blogbrasilcomz

Um Grande Problema na Espanha: A divulgação de informações erradas

01/09/2016

bz_espanha Manaira Araújo – Madrid, Espanha

Estava ultimamente pensando no que não gosto na Espanha… Não existem muitos pontos negativos, mas tem algo que realmente me parece01 ser um grande problema: A divulgação de informações erradas sobre procedimentos e serviços. Isso me irrita tanto que resolvi escrever sobre o tema.

Informações erradas para procedimentos na Espanha

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Pimenta no país dos outros é refresco!

30/08/2016

bz_india Juliana Paula – Mumbai, Índia

A idéia para este post surgiu após uma conversa com uma colega brasileira que acabara de chegar à Índia e me narrava sua dificuldade com a bendita pimenta nossa de cada dia.

– “Mas, Ju! Tudo aqui tem pimenta!!??”

Lamento informar, mas….quase tudo! Mesmo que a pimenta não seja o principal ingrediente da culinária indiana, há diversos outros condimentos aos quais, infelizmente, nosso pobre estômago brasileiro não está acostumado e, que deixam a comida com um sabor forte, além de deixar a nossa boca queimando por alguns minutos.

Hoje, após quase 4 anos de intenso treinamento em comida indiana, posso dizer que já estou praticamente acostumada, mas ainda posso lembrar da primeira vez que visitei a Índia, em 2012 e do quanto foi difícil achar algo para comer. Até mesmo no Mc Donalds!

A intensidade da pimenta e das especiarias pode variar. No geral, tudo é apimentado, mas o nível varia conforme a região do país. Aliás, esta mistura louca de especiarias é o que causa um revertério no estômago e intestino de muitos marinhos de primeira viagem na Índia. Esta famosa dor de barriga, foi apelidada pelo nome de Delhi Belly.

Para que nosso leitor consiga entender melhor a situação da pimenta aqui na Índia, vou dar alguns exemplos ilustrativos.

Fast food com pimenta

Comecemos pelo menu do Mc Donalds, que é sempre o salvador da pátria para viajantes ao redor do mundo. Porém, caso você entre no Mc Donalds da Índia tentando escapar da pimenta, só há uma opção para você: O Mc Fish. Fora isso, todos os sanduíches têm pimenta. A batata-frita vem sem pimenta, mas você ganha um pacotinho para adicionar pimenta e outras coisas na batata. Os indianos adoram!

Vejam como a palavra “spicy” se repete! Fique longe disso se você não está acostumado a pimenta!

Frutas com pimenta

Você está cansado de tanto andar pelas caóticas ruas de Delhi, quando de repente, avista um vendedor de frutas. Elas parecem frescas e apetitosas.- “Estou com sorte! Pelo menos, fruta não tem pimenta!“- pensa nosso ingênuo viajante. Só que não!

Há uma variedade enorme de frutas na Índia, e a maioria, se assemelha com as que temos no Brasil. Porém, na hora de servir, eles usam este famigerado pó, cujo nome é chat (ou chaat) masala:

Jamais esquecerei minha traumática experiência com o masala chaat. Eu era visita em uma casa e tive que sorrir e agradecer após comer banana com masala. Tenso!

O mesmo acontece com o milho. Aqui na Índia é comum comer aquele milho na brasa, que nós adoramos comer no Brasil na época de festa junina. Porém, aqui, como não podia deixar de ser, o milho leva uma pitada de pimenta (e outras especiarias) e limão, o que, para mim, deixa o milho com um gosto insuportável.

Omelete de pimenta

Esta foi uma das experiências mais recentes com os efeitos da pimenta verde. Pedi um omelete no hotel que estava hospedada e, já esperava que fosse vir com um punhado de masala, mas, qual não foi meu desespero quando dei a primeira mordida e tive esta sensação:

Demorou pelo menos uns cinco minutos para o efeito passar. Nem meu marido, que praticamente nasceu comendo pimenta, conseguiu comer aquele omelete do mal.

Pizzas e massas em geral

Se tem algo que eu não sinto vontade nenhuma de comer na Índia, salvo raras exceções, é pizza. No Brasil e no Japão, eu sempre ia aos rodízios de pizza ou pedia para entregar em casa naquele final de tarde de domingo. Porém, aqui na Índia, a experiência com a pizza sempre foi traumática. Outro dia, um casal de amigos italianos residentes em Mumbai, me disseram que achavam a pizza indiana um ultraje à culinária de sua terra. Realmente!
Pizza com pimenta e masala não dá!
Além da massa ser borrachuda, a maioria das pizzas têm um gosto artificial e são extremamente picantes. Veja o menu da Pizza Hut, por exemplo e reparem na quantidade de itens onde o símbolo da pimenta está presente… Porém, não se deixem enganar! Os itens sem símbolo de pimenta também são apimentados em sua maioria. Achar um spaghetti feito decentemente, sem pimenta, também não é fácil e, quando achamos, o preço é que é apimentado!

Quem me vê amaldiçoando a pimenta indiana através deste post, até pensa que eu sofro com a comida aqui. Mas, é exatamente o contrário! A comida aqui (vegetariana ou não) é tão deliciosa que me fez ganhar muitos quilinhos nos últimos anos. Como quase tudo leva pimenta mas é extremamente gostoso, o negócio é tentar acostumar seu paladar (yes, we can!), saber até onde vai seu limite para a pimenta e mergulhr neste novo mundo culinário! A culinária indiana é uma das maiores riquezas deste país e cada região tem pratos e temperos diferentes. Eu, como boa glutona, adoro experimentar de tudo um pouco quando viajo pela nossa incrível Índia!

Só para encerrar, que tal ouvir a Rádio Pimenta?  Não, não é piada. Ela existe. Claro, aqui na Índia! O nome é Radio Mirchi (mirchi significa pimenta) e é uma das estações de rádio mais populares do país.

Viu? Na Índia, não tem mesmo como correr da pimenta!

Um abraço e até a próxima!

por Juliana Paula

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Juliana Paula já morou e trabalhou no Japão. Foi para a Índia em 2013 e, desde então, tem desbravado aquele belo e encantador país. Para saber mais sobre ela clique aqui. Sigam a nossa página no Facebook acessando: http://www.facebook.com/blogbrasilcomz e dêm uma curtida ! Temos também uma conta no Instagram e no Twitter. Divirtam-se!

 

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