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Mamma mia! Ma quale preconcetto!

28/09/2008

Luciana Rodrigues, que mora há 9 anos no exterior, nos enviou um ótimo texto mostrando um pouco como funciona o preconceito na Itália. Confira.

A foto retrata imigrantes clandestinos que chegam de barco na costa da Itália. Muitos barcos afundam e costuma-se dizer que o mar mediterrâneo é um grande cemitério de clandestinos.

Depois de quase nove anos residindo legalmente na Itália, posso responder que, sim, existe preconceitos contra estrangeiros, mas, não, não existe preconceito contra brasileiros. Muito pelo contrário: ser brasileiro é cool!

É óbvio que ser brasileiro gera uma série de pensamentos e opiniões pré concebidas, tipo: futebol, carnaval (e mulheres peladas) e muitos italianos que ainda acham que o Rio de Janeiro é a capital do Brasil, ou que o Brasil é só Rio, São Paulo, Fortaleza, Bahia e Amazônia. Aliás, muitos só conseguem mesmo lembrar das duas primeiras capitais citadas.

O brasileiro é visto como um estrangeiro legal, alegre, divertido, que segundo o italiano possui uma cultura bem próxima à cultura deles. Considerando ainda o enorme contingente de italianos que imigrou para o Brasil, quase todo italiano tem um parente próximo ou distante, ou um amigo com raízes ítalo-brasileira, contribuindo, então, para que o Brasil faça parte do imaginário coletivo italiano.Posso dizer que realmente os italianos gostam muito dos brasileiros.

Infelizmente esse quadro de amabilidade não é compartilhado em relação aos estrangeiros de outras nacionalidades: árabes (e pior ainda se muçulmanos), africanos, países do leste europeu, países “muito exóticos”. Os italianos costumam dizer que os estrangeiros estão invadindo a Itália, como se estivéssemos novamente no tempo das cruzadas. O governo vem varando leis muito restritivas e preconceituosas contra as novas ondas de imigrantes. Com o governo de direita no poder, com a sua matriz fascista-populista, escuta-se cada vez mais (de maneira aberta ou velada) o moto: “A Itália para os italianos”.

Mas é importante ressaltar que hoje em dia há muitos trabalhos que são feitos quase exclusivamente por imigrantes, normalmente os trabalhos mais humildes, mas de importância primária para a sociedade: babás, enfermeiras, domésticas, acompanhantes para idosos, pedreiros, costureiras, sapateiros, operários para a indústria pesada, frentistas de posto de gasolina, garçons, ajudantes de cozinha. Quase sempre trabalhos pesados e mal remunerados, mas sem os quais o país enfrentaria uma grande crise de mão-de-obra, já que o italiano hoje em dia não quer mais “sujar as suas mãos” com esse tipo de trabalho. Muitos italianos preferem o desemprego, ou pular de galho em galho, mas não fazem mais o trabalho dos “negros” que chegam aqui para dar seu sangue, suor e lágrimas em busca de um futuro melhor. Digo “negros” porque aqui na Itália existe um ditado que diz “lavorare come un nero”, ou seja, “trabalhar como um negro”, quando uma pessoa faz trabalhos pesados, normalmente feito por escravos.

Escrito por Luciana Rodrigues – Roma, Itália

5 Comentários leave one →
  1. 28/09/2008 14:28

    Essa foto me lembrou as embarcações que chegam quase que semanalmente nas Canárias, cheias de africanos em busca de uma vida melhor… A Cruz Roja recebe todo mundo, trata e depois tenta mandar de volta para os países de origem. Muitos não tarzem nenhuma documentação, o que torna a tarefa dificil. Sempre achei comovente a maneira como são recebidos, bem diferente do que se passa na fornteira México&EUA acredito.

  2. 30/09/2008 3:53

    Gostei do texto. Eu, um Caruso que sabe mais do Japão do que da Itália, gostaria muito de um dia poder conhecer esse país, que tenho a impressão ser mesmo parecido com o nosso. Boa sorte ae!

  3. 30/09/2008 14:55

    Não sabia desse lado da Itália, conheci uma italiana na escola e nos demos super-bem. Fiquei impressionado em como nossas culturas realmente são próximas. Até os gestos se parecem um pouco. Fico aliviado que os brasileiros tenham uma imagem positiva na Itália, porém é triste ver como há preconceito contra povos pobres ainda no mundo todo. Acho que é algo que os países desenvolvidos terão que lidar, já que foram eles que causaram essa diferença entre os povos.

  4. Vanessa Moura permalink
    15/03/2012 11:46

    Oi,pessoal,tudo bem com vocês?

    Achei esse post estranho.Não sei o que vocês consideram preconceito ou o que é preconceito para quem escreveu esse post,mas nunca vi em nenhum lugar no século XXI pessoas fazendo apologia ao estupro em uma sociedade já machista e proibirem a entrada de negros em estabelecimentos entre outras maluquices como na Itália.No vídeo que envio,homens italianos falam para as mulheres italianas ¨Estuprem elas,no entanto elas abortarão¨.Assustador.Isso para mim caracteriza um forte preconceito.

    Vivi uns sete meses na Itália e sei de casos de amigos,conhecidos,pessoas com origem italiana assim como eu que sentiram isso na pele entre outras coisas que basta se informar pra sabe mais. Fingir que isso inexiste parece medo de encarar a realidade.

    Bjos e estou amando o blog.

    Vanessa

    Apologia ao estupro

    Proibido a entrada de negros

  5. 13/07/2015 14:27

    nunca vivi no estrangeiro, mais, eu sei, que, em todos os países, tem algum tipo de
    préconceito contra os estrangeiros, já começa pela língua, depois, pela diferença de
    comportamento, depois pela cor, aparência, maneira de vestir, credo, visão política,
    grau de instrução, poder aquisitivo, etc.logo, não adianta, pensar que voçe vai sair
    daqui, e ser recebido como cristovão colombo ou algo assim em qualquer país que
    pretenda visitar ou residir. o bom mesmo, é ficar por aqui, e curtir a nossa terra.

    wilson – são gonçálo – rj

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