Eu não gosto não de ficar comparando, mas o que é a experiência senão uma sucessão de comparações?

Umas das coisas que mais me chamam a atenção no estilo de vida nos Estados Unidos é como tudo é planejado e direcionado para o consumo. Não que seja novidade. Não é de hoje que a gente sabe que a economia americana é tocada pela gastança geral. Até aí tudo bem, cada um com as suas compras!

Mas eu fico “doidia” com a campanha para fazer a gente sentir falta sempre. Aqui, a gente aprende a sentir falta de tudo, mesmo que boa parte desse tudo esteja lotando os armários, cômodos e os “self storages”, espaços de locação, em caso da tralha ter entupido de vez garagem, sótão e porão.

Não tenha dúvidas: sempre haverá roupas, sapatos, móveis, acessórios – e o que mais estiver à venda – melhores do que você acabou de adquirir.

Exemplo bem simples: máscara para cílios. Nunca vi coisa igual. Eu fico pensando onde vai parar os cílios dessa gente, porque a cada semana surge um rímel com a promessa de alongar ainda mais os fios!

E shampoo então? Haja brilho para tantos lançamentos. Sem contar nos carros muito mais rápidos, luxuosos e econômicos que os modelos do ano passado.

O bom é que há produto para todos os estilos e orçamentos. Mas o importante mesmo é suprir, suprir a falta, a ausência.

Gente, é sério: no dia-a-dia quem precisa de um cobertor com mangas? Quem precisa de um rastreador de metais? Que cachorro precisa de escada pra subir na cama? É engraçado ver os comerciais, mas tem gente que acredita piamente que precisa de tudo isso!

Numa dessas, aqui nem as expressões cotidianas passam ilesas. Sabe aquele termo “ganhar tempo”? Então, aqui é comprar tempo: “ buy time”.

Carmem Galbes é jornalista e mora há mais ou menos um ano em Houston nos Estados Unidos.
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