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A queda do “império” britânico

20/03/2009

Flor do Exílio
Londres, Inglaterra

A economia do país está em queda livre desde o ano passado. Após mais de uma década de crescimento progressivo, a bolha finalmente estourou e pegou todo mundo desprevenido.

A ponta do iceberg apareceu em Setembro de 2007 quando o Northern Rock, um dos bancos mais tradicionais na área de financiamento de imóveis, foi pedir ajuda ao banco central para continuar operando no mercado após sofrer o impacto da crise “sub-prime” iniciada nos Estados Unidos. Receosos, bancos começaram a parar de emprestar para outros bancos e reduziram o crédito oferecido aos clientes, gerando o chamado credit crunch.

LEHMAN/

O começo do fim – funcionário da Lehman Brothers de Canary Wharf em Londres deixa o escritório com seus pertences em Setembro do ano passado

Um ano nervoso se seguiu até que o gigante banco americano Lehman Brothers pediu concordata. A filial inglesa do banco que tinha sede no distrito financeiro de Canary Wharf teve seus cinco mil funcionários desempregados da noite pro dia. A partir daí começou a quebradeira. Outros bancos de investimentos seguiram o mesmo destino. O pânico afetou as bolsa de valores do mundo inteiro e o valor das ações dos maiores bancos comerciais britânicos como o Royal Bank of Scotland e Lloyds TSB começaram a despencar. O governo britânico foi obrigado a resgatar estes bancos ao comprar ações para evitar uma catástrofe nacional.

Paralelamente, o governo começou a baixar drasticamente a taxa básica de juros numa tentativa de manter a economia aquecida. De 5.75% em Julho de 2007, foi caindo, caindo até atingir 0.5% no início deste mês, a menor taxa da história. Essa baixa dramática dos juros fizeram com que a libra esterlina, que foi sempre considerada uma das moeda mais fortes do mundo, se tornasse menos atraente e despencasse chegando a valer quase o mesmo que o Euro.

Desde Janeiro, o país está oficialmente em recessão. Os bancos que até dois anos atrás ofereciam mortgages (financiamento imobiliário) de até 125% do valor do imóvel, agora não o fazem por no mínimo 75%. Em consequência, o número de imóveis vendidos começou a cair desde 2007 assim como o preço médio de venda. O mercado imobiliário esfriou e muita gente que se endividou para comprar propriedade nos últimos anos hoje possui um financiamento que custa mais do que o atual valor do imóvel, o chamado negative equity.

Apesar da queda da taxa de juros, os bancos estão mantendo as taxas altas e dificultando a vida dos clientes que precisam renovar seus financiamentos ou pedir empréstimo pessoal. Há milhares de famílias enfrentando dificuldades para manter os pagamentos em dia. Muitas empresas em diversos ramos como o da construção civil, bancos e imobiliárias estão fechando as portas e a taxa de desemprego passou da marca dos dois milhões nesse mês, maior índice dos últimos doze anos. Com o desemprego, tem muita gente inadimplente que já perderam suas casas e outro tanto com a corda no pescoço.

No noticiário, é só notícia ruim. Só doom & gloom como dizem por aqui. O governo culpa a ganância dos bancos, que por sua vez culpa o governo por não ter regulado o sistema bancário. A população culpa o governo por ter permitido a situação ter chegado a esse ponto e também culpa os bancos por terem oferecido tanto crédito para quem obviamente não tinha condições de pagar. É o tal jogo de ficar jogando a culpa nos outros e dizendo que não tem culpa de nada, sendo que todos têm culpa em parte.

No meio disso tudo, as poucas coisas boas estão passando despercebidas. O preço dos imóveis, que até pouco tempo chegou a níveis absurdos, está descendo a um patamar mais realístico para aqueles que estão querendo comprar seu primeiro imóvel. O custo de um financiamento de imóvel nunca esteve tão barato, desde que você tenha o depósito necessário. O preço do combustível caiu. Supermercados e restaurantes tipo fast-food estão prosperando e contratando mais do que nunca. As grandes lojas do varejo estão em plena guerra pelo consumidor ao estender liquidações e oferecer super descontos. As grandes cadeias de restaurantes estão com várias promoções do tipo dois pratos pelo preço de um.

Pessoalmente, ainda não cheguei a sentir os efeitos da crise e tenho fé que escaparei ilesa. A empresa onde eu trabalho cortou 10% do quadro de funcionários após sofrer forte queda no volume de vendas, mas eu ainda estou ali firme e trabalhando com a cabeça baixa para que eu não dance se houver mais um corte.

Para os que estão querendo vir para cá, talvez esse não seja o melhor momento. Digo talvez porque tem gente que mesmo com a crise resolve vir e acaba se dando bem. Sei de muitos brasileiros vivendo em Londres tendo dificuldade de encontrar emprego, então imagino que para os que estão pra vir, as coisas ficam ainda mais difíceis.

Assim como ninguém previu a chegada da crise global, ninguém saberá quando ela vai acabar. A única certeza é de que assim como ela chegou, um dia ela se vai e tudo deve voltar ao normal. Mais dia, menos dia.

2 Comentários leave one →
  1. 22/03/2009 15:25

    Tempos difíceis ….

  2. 19/11/2009 18:18

    Se a Grã-Bretanha está assim,imagine os dependentes.Apesar que é estranho achar que só porque os cidadãos não estão consumindo mais que o necessário,dizem que isto é crise.Crise prá mim é a cabecinha desmiolada dos responsáveis que escolheram o Rio prá ser sede das Oímpíadas 2016 sendo que daqui prá frente a coisa vai piorar nesta cidade que já foi maravilhosa(quando era capital federal)e tenho certeza absoluta que o Estado vai ter que entrar em acordo com o Estado Paralelo se quizerem que a Olimpíada 2016 tenha o mínimo de sucesso.Outra crise brava(mais que a econômica)é a crise moral em Brasília.Economia se recupera,mas vergonha na cara…só JESUS!

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