Skip to content

Egito – Luxor e Cairo

03/05/2009
tags:

Flor do Exílio
Londres, Inglaterra

100_26551

Luxor - Rio Nilo e o West Bank ao fundo com as montanhas do deserto e balões cheios de turistas sobrevoando a região

Após ter visitado quase todos os países da Europa Ocidental, eu e meu esposo resolvemos que tinha chegado a hora de botar o pé pra fora do continente. Como tínhamos curtido muito visitar os templos de Atenas na Grécia e os teatros gregos da Sicília na Itália, o lugar mais óbvio a ir seria o Egito que fica há apenas cinco horas de vôo de Londres e seria uma viagem que não custaria o olho da cara.

O vôo em si foi fascinante. Atravessamos o Canal da Mancha, todo o continente europeu, o Mar Mediterrâneo e enfim estávamos sobrevoando o deserto do Saara. Dava pra ver perfeitamente o percurso curvoso do Rio Nilo que tem as margens verdes e deserto dos dois lados. Aterrisamos em Luxor, que fica na parte centro-sul do Egito, onde no passado existiu a famosa cidade de Tebas, ex-capital do Egito. O local é considerado como “o maior museu a céu aberto do mundo” por muitos devido ao grande número de monumentos espalhados por toda parte e atrai milhares de turistas o ano todo. Apesar disso, trata-se de um dos poucos lugares durante as minhas andanças onde não cheguei a encontrar brasileiros.

Logo demos de cara com aquilo o que marcaria a viagem do início ao fim: gente oferecendo serviços aonde quer que se vá. Pra carregar sua mala do aeroporto até o ônibus, pra te levar até o seu hotel, pra te levar para um passeio de caleche (carroça) ou de barco, pra te levar ao mercado, enfim, era um verdadeiro tormento toda vez que pisávamos fora do hotel.

A cidade em si não tinha nada a oferecer, o que nós já sabíamos. Fomos logo de cara visitar o West Bank, a parte oeste do Rio Nilo, onde antigamente os mortos eram tradicionalmente enterrados por ser o lado onde o sol se põe. Ali estão o Vale dos Reis onde se encontra a célebre tumba de Tutankhamon , o Vale das Rainhas e o Templo de Hatshepsut, uma das mais bem-sucedidas faraós que o Egito teve na Antiguidade.

Pra dar uma refrescada do calor do deserto, reservamos uma felucca (uma espécie de jangada) pelo Rio Nilo, um passeio meio que obrigatório pra qualquer turista. Enquanto a margem leste do rio é cheia de barcos e hotéis, a margem oeste tem casas pobres, moleques jogando bola e camelos comendo grama. Por causa do Ramadã, o passeio foi encurtado para que os dois rapazes que nos guiavam pudessem voltar a tempo para suas orações e desjejum. O Ramadã é o mês sagrado do calendário islâmico durante o qual os muçulmanos praticam um jejum específico desde o alvorecer até o pôr-do-sol: não podem comer, beber, fumar ou fazer sexo e devem concentrar-se em sua fé neste período.

100_2641

Obelisco no Luxor Temple

Visitamos também o Luxor Temple e o Karnak Temple na margem leste do Rio Nilo, o lado onde o sol nasce, lado da vida e onde os reis construíram seus templos. Esses dois templos eram antigamente conectados por uma longa avenida com esfinges alinhadas em ambos os lados, porém hoje restam apenas vestígios dessa via. Também entre os dois templos fica o maior museu da cidade, o Luxor Museum, um museu relativamente novo e pequeno porém muito interessante.

100_2772

Templo de Karnak

Fizemos uma “day trip” para Cairo e acabou sendo um dia muito louco. São 624 quilômetros ao norte de Luxor cobertos em pouco mais de uma hora de vôo, novamente sobrevoando o Rio Nilo. Um guia nos recebeu no aeroporto e nos levou direto para ver as pirâmides de Gizé. Se alguém aqui acha que o trânsito de São Paulo ou do Rio é uma loucura, nem pense em alugar carro em Cairo: a maioria dos carros tem riscos ou batidas laterais e ninguém sequer respeita semáforo.

100_27431

Não coube a pirâmide inteira na foto...

Eu não compreendo como existe gente que diz ter se decepcionado com as pirâmides; pra mim foi um dos momentos mais mágicos da minha vida, estar ali ao pé daquele monumento gigantesco, e imaginar como aquelas pedras foram todas parar ali no meio do deserto de areia. Ninguém ainda provou como conseguiram empilhar aquele monte de paralelepípedo gigante, cada um com um formato diferente, em forma de uma pirâmide perfeita vista de longe. Aliás, três pirâmides perfeitas. A Miquerinos me pareceu um pouco mixuruca perto das outras duas, porém o guia explicou que ela foi acabada as pressas pois o faraó morreu antes da pirâmide ser concluída. Também segundo ele, o faraó Quéfren não poderia ter construído a sua pirâmide maior do que a do irmão Quéops por respeito ao ex-faraó, porém construiu a sua pirâmide em um local mais elevado de tal maneira que à distância aparenta ser maior apesar de ser menor em altura. Fomos visitar a famosa Esfinge ali perto, mas devo confessar que me decepcionei um pouco. Coberta parcialmente por andaimes, sem o nariz e bem judiada pelo tempo, tava mais pra corpo de gato do que leão se comparada com o esplendor das pirâmides.

De Gizé, fomos levados para o Museu Egípcio no Cairo, um museu vasto e magnífico que também é conhecido por guardar os tesouros encontrados na tumba do faraó Tutankhamon. Fizemos uma parada rápida em um “museu do papiro” que nada mais era do que uma loja, onde nos explicaram brevemente como os egípcios fabricavam o artigo utilizado durante a Antiguidade para a escrita. Saímos de lá tendo que comprar um papiro meio que contra a nossa vontade, mas levamos um dos modelos mais baratos após muita pechincha. A última parada do dia foi no famosíssimo mercado Khan el Khalili, um imenso bazar muito louco que mais parecia um labirinto no centro da cidade. Fumamos uma shisha (um tradicional cachimbo de água) e tomamos chá de hortelã junto com o nosso guia que depois nos levou de volta para o aeroporto onde pegamos o vôo de volta à Luxor.

100_2733

Entrada do templo de Medinat Habu

Ainda tivemos tempo de retornar ao West Bank para visitar o Vale dos Nobres, o Templo de Ramasseum e Medinat Habu, onde ouvimos estórias muito interessantes e visitamos tumbas e templos impressionantes.

Esta foi, sem sombra de dúvida, a minha melhor viagem. E que viagem!

6 Comentários leave one →
  1. Matheus permalink
    05/05/2009 15:12

    Adorei, sempe quis ir para o Egito, suponho que vocês se divertiram muito.

  2. raquel mendes permalink
    12/05/2009 2:20

    Adorei a materia, estou indo para lá este mês….

    Raquel

    • Nikita permalink
      24/05/2009 12:41

      Eu já fui ao Egito e é maneiríssimo,eu até aprendi a dançar a dança deles.

  3. Carolina permalink
    02/03/2010 16:15

    Adorei os relatos sobre o Egito e gostaria de saber que horas que amanhece e entardece no horário de lá mesmo..
    obrigada

  4. 24/05/2010 14:53

    Estou indo ao Egito em poucos dias, e a ansiedade é imensa, pq sempre foi um sonho. Parabéns pelo site!

  5. meri permalink
    20/05/2011 12:01

    Adorei podemos viajar juntos com você em seus relatos parabéns

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: