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Itália: Pão, Amor e Serviço Sanitário

16/07/2009

Em 2007 o governo italiano veiculou uma campanha publicitária, com a foto de uma jovem e bela enfermeira, e cujo título era: Pane, Amore e Sanità. A campanha queria ilustrar, através do sorriso e das bochechas vermelhinhas da enfermeirinha, que o ser humano precisa de três coisas para ser feliz: pão (comida), amor e saúde pública.

Claro que houve quem criticasse a campanha publicitária do Ministério da Saúde, principalmente por colocar uma jovem bonitinha, dando a entender (segundo a opinião de alguns) que as enfermeiras são objeto de desejo dos pacientes.

Enfim… aqueles debates políticos, por vezes inúteis, mas que não chegam às entranhas da discussão: como é o serviço sanitário italiano? Ele funciona? Ele é bom? Os pacientes confiam na saúde pública?

Na Itália não é como no Brasil: oito ou oitenta, onde o oito é ter que ser medicado pelo SUS. O oitenta é ter condições de pagar um plano de saúde e/ou médico particular.

Por aqui todos os cidadãos têm direito ao SSN (Serviço Sanitário Nacional) que corresponde ao nosso SUS no Brasil. O serviço também se aplica a todos os residentes legais, sendo eles cidadãos italianos ou não.

Então, na norma, tanto o cidadão de baixa renda quando o cidadão mais privilegiado fazem uso do SSN. E muitas pessoas com um poder aquisitivo maior, nem cogitam a possibilidade de se consultar com médicos particulares se elas podem se consultar com um médico público.

Parece o paraíso, não é? Mas infelizmente nem tudo funciona às mil maravilhas. Pessoalmente, eu posso dizer que a minha experiência com o serviço sanitário local é muito positiva.

Então como funciona?

Inicialmente a gente vai até a sede da ASL (Azienda Sanitaria Locale), que seria uma espécie de posto de saúde, e lá apresentamos todos os documentos necessários para fazer a carteirinha do SSN. Os estrangeiros devem apresentar o permesso di soggiorno (permit of stay) e o número do codice fiscale (CPF). Junto com a emissão da carteirinha, a gente tem que escolher o médico de família. Normalmente no corredor do posto de saúde existe uma lista com os médicos mais próximos à nossa casa. A minha médica está a mais ou menos 50 metros da minha casa.

O médico de família é um clínico geral ao qual cada paciente é designado. Por lei cada médico pode ter até 1.500 pacientes e ele ganha por paciente, não por consulta. Se o paciente for a 100 consultas por ano ou a nenhuma, ele ganha sempre a mesma coisa. Normalmente, seguindo a praxe da saúde pública local, para se chegar a um médico especialista, primeiro deve-se passar pelas mãos de um clínico geral. O clínico geral atende todos os dias da semana, normalmente alternando um dia pela manhã e um dia pela tarde. Pacientes (muito) idosos e/ou com problemas graves de saúde podem pedir que o médico os mediquem em casa, em casos mais graves. Mas muitos médicos enrolam e não vão.

O clínico geral será aquele que escutará as nossas mazelas, e se achar que o problema é mais grave, ele nos encaminhará para um outro médico. Mas, inicialmente, ele pode pedir exames de laboratório, raio-X, e qualquer outro tipo de exame para o qual ele seja capaz de dar um laudo. Tudo está na “sorte” de encontrar um médico bom, capaz e que se interesse realmente pelo problema do paciente. Até agora eu tive 3 médicas, e apesar de ter tido uma discussão com uma delas (assunto para outro post), eu as considero muito competentes. A médica atual além de competente, é muito fofa e atende ao paciente como se ele fosse um membro da família.

O médico de família também é o responsável por nos dar as receitas médicas. Aqui na Itália existe um certo controle na venda de remédios. Muitas farmácias só vendem anticoncepcional com receita do médico… [continua]

3 Comentários leave one →
  1. glendadimuro permalink
    19/07/2009 11:04

    Ao que tudo indica o sistema é bem parecido com o da Espanha… veremos se os próximos post confirmam! 🙂

    Abraço

  2. Gabrielly Martins Totelote permalink
    11/03/2010 15:20

    eu quero saber oque veio da italia para o brasil

  3. Cris machado permalink
    13/12/2016 14:46

    Gostaria de saber como funciona a distribuição de medicamentos chamados no Brasil de remédios de alto custo, para transplantados

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