Flor do Exílio
Londres, Inglaterra

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NHS (National Health Service) é o nome do sistema de saúde público na Inglaterra, o equivalente ao SUS do Brasil. Emprega 1.3 milhões de pessoas, atende a 1 milhão de pacientes a cada 36 horas e é considerado a maior estrutura de saúde pública do mundo. Devido ao seu tamanho gigantesco e complexidade, a qualidade dos serviços prestados poderá variar dependendo da região onde se mora. O NHS é frequentemente criticado pela mídia britânica, mas as pesquisas mostram que a maioria da população inglesa se diz satisfeita com o atendimento recebido.

Tem direito à atendimento gratuito:

  • Residentes legais com residência permanente;
  • Refugiados;
  • Estudantes matriculados em curso de no mínimo 15 horas semanais e com visto de estudante válido por mais de seis meses, e seus familiares;
  • Solicitantes de asilo e
  • Pessoas com permissão de trabalho (work permit)

Turistas e estudantes com menos de seis meses de curso devem providenciar um seguro de saúde internacional antes de deixar o Brasil para cobrir eventuais custos com despesas médicas.

Qualquer pessoa, incluindo aí imigrantes em situação irregular (ilegais), tem direito ao atendimento de emergência gratuito (1) em qualquer hospital caso sofram um acidente ou estejam passando mal. Basta se dirigir ao setor de emergência de qualquer hospital (A&E – Accidents and Emergency Department) ou em um “Walk-in centre” para ser prontamente atendido. Se você tem dificuldade em se expressar em inglês, vá com algum conhecido que possa te ajudar na tradução ou solicite um tradutor, pedido esse que dependerá da disponibilidade de um no momento do atendimento. Caso não tenha condições de se locomover, ligue para o serviço de emergência discando 999 e uma ambulância irá te transportar para o hospital mais próximo.

(1)     Se o seu problema médico for considerado grave, precisar de internação e você estiver em situação irregular, é provável que você tenha que pagar por todos os serviços prestados a partir da internação no hospital.

 

Registro no General Practicioner (GP)

Assim que chegar na Inglaterra e tiver um endereço fixo, procure o GP mais próximo de onde você mora. A maneira mais simples é ir no site do NHS e digitar o seu Post Code (CEP) para obter uma lista dos GPs da região. Ligue para marcar uma consulta e verificar quais os documentos necessários para fazer o registro. Após preencher um cadastro, um médico te atenderá para um exame de rotina onde você deve declarar se tem ou teve algum problema de saúde. Pronto, você receberá um cartão com o número do registro pelo correio e as portas do NHS estarão abertas para você.

O GP será seu “médico de família” ou o seu “clínico geral”. Se tiver qualquer tipo de problema é só marcar uma consulta com o seu GP. Para problemas mais complexos, o GP te encaminhará para um médico especialista. Diferentemente do sistema brasileiro onde você vai direto ao médico especialista, aqui você precisa primeiro passar pelo GP que fará uma avaliação para verificar a gravidade do problema, que em algumas vezes pode ser resolvido por ele mesmo.

Caso necessite de remédios, o GP ou médico especializado te dará as receitas médicas necessárias. Em linhas gerais, idosos, crianças, mulheres grávidas e pessoas com baixo rendimento não pagam por medicamentos, logo verifique se você é isento. A taxa para cada receita é fixa em £7.20 que você paga e obtém direto em qualquer farmácia.

Farmácias

A maior rede de farmácias é a Boots que está presente em toda parte do país. Embora nem sempre tenha o melhor preço, terá praticamente tudo o que você possa ou não precisar. Além dela há também a Superdrug e Lloyds Pharmacy. Há farmácias situadas dentro dos grandes supermercados como Tesco e Asda. E complementando há as farmácias de bairro.

É importante notar que as farmácias daqui não vendem remédios que precisam de receita sem a receita médica como no Brasil. Antibióticos por exemplo só podem ser obtidos com a receita médica. Há, no entanto, uma variedade imensa de remédios genéricos disponíveis nas prateleiras para a maioria dos problemas comuns que você poderá comprar sem necessidade da receita médica. Em relação ao preços dos remédios (sem contar os que são prescritos pelo GP que custam £7.20), a diferença de preço entre as farmácias geralmente não varia muito, mas se você precisa de um medicamento muito caro, pesquise bem e verifique a possibilidade de o seu GP te passar uma receita médica.

Quem está vindo para a Inglaterra e está sob medicação mas não tem o direito a se registrar em um GP, venha com estoque suficiente para o período de sua permanência. Caso você tenha conseguido se registrar, leve o seu medicamento para o GP, explique o problema e peça pela prescrição de um equivalente. Aos que estão acostumados com os remédios do Brasil, é possível encontrar aqui medicamentos tão bons como os do Brasil ou até melhores e com sorte até mais baratos.

Camisinhas são facilmente encontradas nas farmácias mas também podem ser obtidas gratuitamente em alguns postos de saúde. Para outros métodos anticoncepcionais, marque uma consulta com o seu GP para discutir a melhor opção para o seu caso. Anticoncepcionais são gratuitos pelo NHS. Para quem está habituado a pagar uma fortuna todo mês pela pílula anticoncepcional no Brasil, vale a pena ter que ir ao GP para pegar a receita médica. Você então retira em qualquer farmácia sem custo algum.

Plano de saúde particular

São tão caros como os do Brasil. No entanto, grande parte da população acaba recorrendo ao “bom e velho NHS” por confiar nos serviços prestados ou por não ter condições de bancar um plano privado. Existem vários planos, porém o mais conhecido de todos é o Bupa. Antes aderir a qualquer plano de saúde particular, certifique-se do que tem e não tem direito, já que às vezes vale mais a pena utilizar os serviços disponíveis pelo NHS.

Maternidade

O NHS cobre todo atendimento desde o pré-natal até o pós-parto gratuitamente para quem é registrado. A primeira consulta deve ser feita com o GP que te indicará para o hospital local (você poderá mudar caso prefira um outro hospital). Há muitas mães brasileiras que resolvem ir para o Brasil para o parto, com medo da má reputação das maternidades inglesas. Isso também ocorre com mães oriundas de outros países europeus onde o serviço de saúde público é melhor do que o inglês. Mas há também quem resolva encarar o serviço oferecido pelo NHS. Algumas não tem problema algum, outras acabam traumatizadas. Cada caso é um caso e vai depender da sua escolha pessoal.

Dentista

Quem está registrado no NHS tem acesso a tratamento dentário a preços reduzidos. Idosos, crianças, mulheres grávidas e pessoas com baixo rendimento não pagam por tratamento. Verifique no site do NHS onde achar um dentista mais próximo e que esteja aceitando novos pacientes.

Experiência pessoal

GPs – Quando fiz minha primeira consulta com o meu atual GP há cinco anos atrás, não fiquei com uma boa impressão, talvez por preconceito meu, já que ele é indiano e certamente já passou dos 60 anos. O atendimento foi curto e frio. O consultório fica numa casa localizada há cinco minutos de distância de onde eu moro. Tem uma recepção, uma sala para o médico e outra para a enfermeira, bem diferente do consultório do meu clínico geral em São Paulo onde eu pagava um plano de saúde particular. Hoje sei que aqui não devemos esperar nem por um aperto de mão ou por qualquer pergunta relacionada a sua vida pessoal, tipo como vai a família. No NHS, não há tempo para esse tipo de coisa. Sempre que preciso ir ao GP, a sala de espera está lotada com pacientes que marcaram consulta ou precisam de atendimento urgente. Hoje me considero uma pessoa de sorte por ter esse GP como meu médico. Se o atendimento é seco, ele nunca falhou comigo. Fui descobrir depois que ele foi condecorado pela Rainha Elizabeth II com um OBE (Officer of the British Empire) pelos serviços prestados à saúde pública.

Maternidade – Quando fiquei grávida do meu filho em 2007, fui encaminhada ao Newham Hospital na zona leste de Londres que fica a quinze minutos da minha casa. Mesmo sabendo da má reputação tanto das maternidades do NHS em geral como daquele hospital em particular, resolvi ter meu parto ali mesmo por questões práticas. Enfrentei muita fila de espera para cada exame pré-natal e quando fui ao hospital para o parto, era claro que o lugar estava superlotado e havia escassez de recursos para manutenção e limpeza das alas. Acabei tendo que passar por uma cesariana de emergência devido a uma pequena complicação mas meu filho nasceu sem qualquer problema. Fui relativamente bem atendida e levando em conta as condições do hospital não tenho do que reclamar. Alguns dias após o nascimento, recebi visitas das midwives (enfermeiras) em casa que vêm para checar se tanto você como o bebê estão bem. Depois disso, somos encaminhadas para as health visitors, que irão acompanhar o desenvolvimento do bebê assim como checar se as vacinações estão em dia e se há qualquer problema.

Plano de saúde particular – A empresa onde eu trabalho paga um plano de saúde básico para mim e para a minha família no valor de £175 por mês, sendo que eu pago apenas o imposto decorrente do benefício. É um benefício opcional que felizmente até hoje nunca precisei usar. Acho que vale a pena ter a tranquilidade de saber que estamos cobertos se houver algum problema mais grave. O plano funciona como um seguro de carro: custos até £100 são pagos do próprio bolso e acima disso o seguro paga. Maternidade e odontologia não são cobertos pelo plano básico. Para ter acesso aos serviços disponíveis, você precisa ir ao seu GP e pedir uma carta te indicando para uma consulta.

Dentista – Nunca precisei ir ao dentista na Inglaterra. Visito o meu dentista sempre que vou ao Brasil de férias. Meu marido precisou recentemente consertar uma coroa e teve que ir a um dentista local. O problema foi resolvido, custou pouco, mas ele achou as condições do consultório muito precárias.