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Odaiji ni!

06/08/2009
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bz_japao3Gabriel Shiguemoto
Tóquio, Japão

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Ah, enfermeiras japonesas...

Se tem uma coisa que deixa qualquer pessoa preocupada, essa coisa só pode ser a saúde. Mais que isso é ficar doente no exterior. Um agravante que eleva à décima potência qualquer “indisposição” de marcar consulta e ir ao médico. Principalmente se você não fala muito bem o idioma dele e é incapaz de encontrar sequer uma aspirina para dor de cabeça na farmácia.

Mas ficar doente num país de primeiro mundo não é preocupante, certo? Afinal, nós brasileiros estamos acostumados com um sistema de saúde precário e ineficiente dos países em desenvolvimento. Então, tratar-se num país de primeira como o Japão é um privilégio! Não é?

Era isso que eu pensava até ficar doente alguns meses atrás. Nada grave, Graças a Deus, mas incômodo o suficiente para me fazer mudar o horário do serviço para enfrentar fila no hospital. Coisa que eu gosto muito por sinal. ¬¬

Já fui ao dermatologista, dentista, oculista e vários outros “istas” aqui no Japão. Todo funcionário regular paga um imposto de saúde que dá direito a descontos e certas regalias para cuidar da saúde. As consultas são baratas, ficando na faixa de 5 a 10 dólares e são bem rápidas, tanto na hora de ser atendido quanto durante a consulta. A típica eficiência japonesa funciona muito bem em clínicas e até mesmo hospitais, onde tudo pode ser resolvido muitas vezes em menos de 1 hora. Os remédios também não são muito caros e o máximo que gastei de uma vez na farmácia foi 30 dólares, em remédios para gripe.

Porém, há algum tempo atrás precisei me consultar com um clínico-geral pois estava sentindo alguma coisa estranha na região do estômago. Como vira e mexe eu passo mal com a comida daqui (sim, não é tudo que é saudável), a coisa piorou com a pressão no trabalho desde o início da crise. Geralmente eu vou sozinho ao médico, mesmo passando aperto para entender o diagnóstico em japonês. Como estava com receio de não entender o que o médico dissesse, o pessoal do trabalho me indicou o Centro Médico Internacional do Japão, aqui mesmo em Tóquio. A vantagem desse hospital é que os médicos e os funcionários falam o inglês. Apesar disso eu não vi muitos estrangeiros por ali e também não usei nada de inglês já que consegui me comunicar apenas com o dicionário do meu pequeno DS.

Consultório do International Medical Center of Japan

Os brasileiros residentes no Japão sempre se queixaram dos médicos japoneses. Primeiro por que comumente eles não explicam o que você tem, apenas passam a receitam e dizem “odaiji ni”, que significa “melhoras para você”. Outra coisa é que os médicos muitas vezes são inseguros e parecem que não sabem o que estão fazendo, ou se sabem não dizem. Isso somado à fraca reação dos remédios japoneses contribui para a imagem de que a medicina no Japão não funciona bem.

Por exemplo, uma amiga espanhola que faz Taiko (os tambores japoneses) estava sentindo dores nas costas das mãos quando tocava e resolveu se consultar para ver se havia algo de grave. O médico ao examiná-la superficialmente prescreveu o tratamento: “Amarre alguma coisa na mão quando for tocar”. Ela ficou possessa e voltou do hospital xingando Deus e o mundo.

Comigo foi parecido.Vou narrar o evento:

Depois de passar por exames, entregar amostras e tudo mais; o clínico (que devia ser residente pois era mais novo que eu) disse que todos os resultados não mostravam nenhuma anormalidade no meu corpo e que não havia nada a se fazer. “Como assim? Eu ainda sinto DOR, está doendo agora mesmo” – disse incrédulo. Pensativo, ele pediu licença e saiu da sala, depois de alguns minutos voltou e disse com determinação. “Estive conversando com um médico mais velho. Não há indícios de doenças graves como câncer e também não há hemorragia interna, portanto não deve haver ferida. Vamos esperar algumas semanas, se não sarar sozinho você volta e então faremos mais exames”.

No consultório, um calendário com o tema "Brazil-futebol-Rio"

No consultório, um calendário com o tema "Brazil-futebol-Rio"

Alguns segundos de silêncio se passaram até que eu confirmei “Você está me dizendo para esperar doer MAIS para começar algum tratamento?” – no que retrucou: “Sim, não é nada grave. Deve ser estresse. Procure se divertir mais” disse. Concordei, meio chocado, e fui pegando minhas coisas. No corredor, quase saindo daquela área, o jovem médico veio correndo atrás de mim, com a típica expressão de quem se lembrou de algo subitamente. Com o indicar em riste perguntou “Você quer algum analgésico para aliviar a dor?”. Balançando a cabeça negativamente, pensei comigo “Não, vou esperar até começar a sangrar. Muito obrigado”. Com um sorriso se despediu dizendo: “Odaiji ni!”. Termo que ouvi de cada pessoa por quem passava até sair do hospital.

Quais são as chances de encontrar uma coisa dessas no hospital?

Quais são as chances de encontrar uma coisa dessas no hospital?

Não quero gerenalizar, mas ouvi muitas histórias do tipo aqui. Portanto acho que as chances disso acontecer são grandes. O Centro Médico Internacional é um complexo enorme que tem todos os tipos de clínicas, com a vantagem dos médicos falarem inglês. Minha experiência lá não foi das melhores, mas pode ser que tenha tido azar.

O melhor mesmo é cuidar da saúde para não ficar doente. Mas como ninguém tem saúde de ferro, Odaiji ni!

またね!

お大事に!

8 Comentários leave one →
  1. 06/08/2009 19:53

    Poxa contando parece mentira né?
    É difícil acreditar que isso aconteça num país de primeiro mundo, mas a verdade é que acontece.

    o blog e fica bem! bjocas

  2. 06/08/2009 23:04

    Hahaha..tem que rir pra não chorar!!! Mas e ai? Passou a dor?

  3. 07/08/2009 8:29

    Sera’ que a fama e’ a mesma no mundo inteiro? Aqui na Irlanda brasileiro so’ vai em medico amarrado. Dentista, entao, so’ mesmo quando nao tiver mais jeito de adiar a dor da carie.

    Eu ja’ fui em medicos aqui e foi tudo bem. Consultorios limpos, atendimento rapido, remedios que funcionaram pros meus problemas. Mas confesso que confianca eles nao passam e mal te examinam.

  4. takaraieri permalink
    10/08/2009 12:54

    O legal é você ter dado uma resposta daquelas e o camarada provavelmente NEM percebeu a ironia – porque pelo que sei, japoneses não percebem esse tipo de coisa….

    Anyways, odaijini!!! ^^V

  5. Celina permalink
    11/08/2009 8:38

    Ola, Moro no Japao e trabalho em um hospital. Nao sei se pro saber me comunicar razoavelmente bem, sem a necessidade de interpretes e dicinarios, nunca passei por o que vc passou. Conheco varios medicos e muitos me pareceram muito seguros. Acho que a barreira da lingua deve dificultar muito uma consulta.
    Ah, e acho que no Japao nao receita remedio tao facilmente.
    Alias qdo tive problemas em respirar e taquicardia, procurei o medico, fiz milhoes de exames e como os exames nao detectaram nada o medico pediu pra observar por alguns dias e caso os sintomas nao desaparecessem procurasse de novo. Os sintomas realmente desapareceram, e devia ser estresse mesmo. E mesmo assim nao sai revoltada do hospital, tive um atendimento bom e paguei super barato pelos exames. (vai ver que sou super desencanada!!!)

  6. Elaine permalink
    14/08/2009 7:14

    Aqui na Suécia o tema é “morra e deixe morrer”.

  7. marcia kosugue permalink
    16/09/2011 9:16

    Ola, Moro no Japao e trabalho em um hospital. Nao sei se pro saber me comunicar razoavelmente bem, sem a necessidade de interpretes e dicinarios, nunca passei por o que vc passou. Conheco varios medicos e muitos me pareceram muito seguros. Acho que a barreira da lingua deve dificultar muito uma consulta.
    Ah, e acho que no Japao nao receita remedio tao facilmente.
    Alias qdo tive problemas em respirar , procurei o medico, fiz milhoes de exames e como os exames nao detectaram nada o medico pediu pra observar por alguns dias e caso os sintomas nao desaparecessem procurasse de novo. Os sintomas realmente desapareceram, e devia ser estresse mesmo. E mesmo assim nao sai revoltada do hospital, tive um atendimento bom e paguei super barato pelos exames.vc levando um dicionarinho kkkkkkkkkkkkkkkkk,,,vc nao entende nada de japones meu amigo.

  8. Luciane Köşlü permalink
    06/12/2011 22:32

    desde que cheguei na Turquia – İzmir – alterno periodos de fortes crises gastrointestinais com curtos periodos de saude (isso desde junho/11) as enfermeiras geralmente nao usam luvas e mesmo carregando meu marido a tiracolo como tradutor tenho muita dificuldade em achar algum medico que me ajude. Consegui algum resultado qdo meu marido pagou 300 TL numa consulta particular (dae sim voltei a ter a saude que tinha) mas estou doente novamente por conta da mudança da estacao (q traz consigo novas bacterias as quais nao estou acostumada) ou seja isso vai levar um ano ate eu conhecer todas as bacterias turcas ….

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