Karine Smith
Dublin, Irlanda

 

Não é a toa que nos países mais frios o índice de suicídio e depressão é altíssimo. Eu entendo porquê.

Faz uma semana que tudo que eu faço é ficar em casa,o contato com o mundo se resume ao computador e a televisão. Comer é o que consola, fazer o quê?

Sair não é só desconfortável por causa do frio congelante, sair chega a ser perigoso. As emergências dos hospitais estão lotadas de pessoas que, por escorregarem no gelo, sofreram fraturas, as maiores vítimas são as crianças,  idosos e  mulheres grávidas.

Dirigir é quase uma aventura, que eu não me arriscaria.

As escolas que deveriam ter re-aberto após as festas de Natal, continuam fechadas por tempo indeterminado, o motivo? Segurança.

Por causa da pouca visibilidade e do gelo nas estradas os ônibus funcionam até as 8 da noite com a rota reduzida.

Colocar a cara nesse frio, só quem tem obrigação de fazê-lo.

É difícil seguir com a mesma rotina, até as crianças ficam entediadas. As quadras de futebol, tênis, rugby poderiam ser confundidas com pistas de esqui.
 
E como tudo tem dois lados, o clima com certeza não é a maior vantagem de se morar fora.

A vida no inverno literalmente pára e tudo que a gente faz é sonhar com o verão no Brasil (o com S mesmo).