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Saúde pública na NZ

19/01/2010

Jeanine Almeida
Wellington, Nova Zelândia

 

Em meados do ano passado, um amigo nosso brasileiro, que estava aqui com visto de turista, teve um problema de saúde e foi parar no hospital público de Wellington. Só para se admitido teve que pagar $400. Depois teve que gastar em diversos exames e no final a conta ficou em mais de $2000. Além disso, na opinião deste nosso amigo, o atendimento foi extremamente lento e os médicos pareciam ter pouca autonomia para tomarem as decisões sobre os exames. Na ocasião cheguei à conclusão de que o atendimento à saúde é bem melhor no Brasil, ou melhor, o atendimento à saúde é melhor no Brasil para quem tem um bom plano de saúde ou tem dinheiro para pagar a conta.

Entretanto a minha opinião mudou. Em dezembro meu filho precisou fazer uma cirurgia de remoção do apêndice, e assim eu pude testar à força o sistema público de saúde da Nova Zelândia.

Fiquei impressionada. Não dava para acreditar que estávamos em um hospital público. Tudo era muito limpinho, organizado e muito bem equipado. Na primeira noite o Julio ficou em um quarto bem grande com banheiro privativo. A segunda noite ele passou em uma ala de recuperação, ao lado do centro cirúrgico. As demais noite ele passou em um quarto compartilhado com outros 3 pacientes. Mas cada um tinha o seu “quadrado” independente e era possível fechar as cortinas e ter total privacidade. Cada quadrado tinha armários, TV no teto, mesinha tipo bandeja para comer, vários aparelhos médicos que eu desconheço o nome, e muitas tomadas elétricas. Eu levei o meu laptop para o Julio e ficamos assistindo seriados para nos distrairmos. Fiquei espantada quando um cara veio com um PDA na mão perguntando o que o Julio iria querer para o almoço, o jantar e o café da manhã. Tá certo que as opções de cardápio não eram muitas, mas mesmo assim eu achei o máximo. O serviço prestado pelos médicos e enfermeiras foi impecável. Eles sempre foram super solícitos, atenciosos, cuidadosos e educados. Eu fiquei observando bastante o jeito que as enfermeiras atendiam os velhinhos colegas de quarto do Julio e nunca vi nenhuma grosseria ou pressa para atendê-los. Elas sempre foram super pacientes e cuidadosas.

Tenho duas amigas que tiveram filhos aqui em Wellington e que também só tem elogios sobre o atendimento e o hospital em geral. Tenho uma amiga aqui, da minha idade, que teve um derrame há 1 mês atrás que felizmente o não deixou nenhuma sequela. E ela também não tem nenhuma reclamação sobre o sistema de saúde. Quer dizer, não estou sozinha nesta visão.

O que acontece é que aqui e em diversos países de primeiro mundo, a saúde pública é democratizada. Isto é, diferentemente do Brasil, nestes lugares não importa se você tem ou não dinheiro para pagar. Todas as pessoas são atendidas da mesma maneira. Se isso é bom ou ruim só depende do ângulo que cada um enxerga e da classe social a que pertence.

Depois da experiência do nosso amigo, recomendo a aquisição de um seguro viagem para quem vem para cá como turista para evitar gastos tão altos e imprevisíveis.  Depois da experiência do meu filho, eu fiquei bem mais tranquila em saber que se tivermos qualquer problema de saúde nós seremos bem atendidos aqui, independente do saldo da nossa conta bancária.

7 Comentários leave one →
  1. glendadimuro permalink
    19/01/2010 9:05

    Que maravilha Jeanine! A gente sempre tem medo de precisar de serviços médicos quando está fora do Brasil, mas acredito que, muitas vezes, seja algo infundado, já que a maioria dos sistemas de saúde do outro lado do mundo são bem melhores e igualitários. Aqui na Espanha o serviço de urgência é grátis para qualquer pessoa. Por sorte, ainda não precisei me operar nem nada e nem sei muito bem como funciona nestes casos. Tenho um seguro de saúde de cobre gastos médios básicos (porque meu visto me obriga), mas acho que se a coisa for mais séria, eles me atenderiam… (pelo menos aqui em Sevilla).

  2. 20/01/2010 1:28

    Jeanine,

    Muito interessante seu depoimento. Deve ser uma “alegria”, entre aspas (!), ter um atendimento dessa categoria em um hospital público não é. Mas aqui no Japão, eu vou confessar que sinto falta de um atendimento como no Brasil. Bom, é verdade que lá eu tinha um bom plano de saúde, mas aqui eu tbm tenho plano. Não sei como é ser internado, e só tenho experiência em derma e oftal, mas mesmo assim, sinto que os médicos do Brasil te confortam mais e aparentam ter mais vontade de te curar. Aqui parece tudo meio automático. Já fui em um oftal particular que qdo me chamaram para entrar, eu me assustei! Era um corredor enorme com cortinas em cada lado. Cada cortina era uma “cabine” e, UM único médico vinha de cabine em cabine atendendo todos os pacientes!!! Fui colocado em uma dessas cabines de um dos lados do extenso corredor e que só tinha uma mesinha vagaba e dois banquinhos! Eu disse banquinhos e não cadeiras! Eu só escutava o som do abrir e fechar das cortinas e a conversa que o médico tinha com os meus vizinhos-pacientes. Isso mesmo! Dava para ouvir tudo! Isso foi em 2003 e nunca mais me esqueci desse consultório! Embora eu tenha que dizer que não todos assim, ainda acho que os médicos no Brasil são melhores e não é à toa que muitos conterrâneos aproveitam para fazer check-up geral qdo vão ao Brasil! Bom, espero que o Julio esteja recuperado! Saúde pra vcs!

    • jeaninedealmeida permalink
      20/01/2010 10:19

      Oi Caruso
      A grande diferença é que no Brasil quem tem dinheiro para pagar um plano de saúde ou então para pagar atendimento particular, tem prioridade e atendimento melhor. É o dinheiro comprando a qualidade.
      Nestes países de 1o. mundo, no que se refere à saúde, todos têm o mesmo direito, não importa se são atendidos pela rede pública ou particular, a fila é uma só.
      Claro que como brasileiros nós estranhamos esta idéia, pois somos acostumados com um sistema bem diferente. Mas, no final das contas, eu acho isso muito mais justo mesmo sabendo que em geral nosso perfil de brasileiros acaba perdendo em qualidade com esta nova realidade.

  3. 21/01/2010 2:58

    Tem razão Jeanine. Mas o que eu quis mostrar é que há pontos em que o Brasil ganha do Japão que é um país de primeiro mundo. O atendimento que eu narrei, eu jamais poderia imaginar que houvesse algo do gênero e ainda mais em se tratando de um consultório particular. Além da estrutura inacreditável, eu sinto que os médicos aqui – pelo menos a maioria que eu fui – atendem meio que no automático, sem aquele apoio e preocupação com que eu sempre fui tratado pelos médicos do Brasil. Eu não estou querendo te contrariar, mas agora que notei que estamos falando de tópicos diferentes, mas dentro de atendimento de saúde. Mas concordo com vc que atender a todos com qualidade é realmente mais justo! Sorte aí !

  4. 21/01/2010 9:04

    Oi novamente Caruso. Puxa a minha resposta pareceu da de alguém que se sentiu contrariada? 😦 Não era esta a intenção, me desculpe. Eu na verdade adoro estes debates!
    Bjs

  5. Christiano Valentie permalink
    12/06/2012 12:10

    Opa!! Mas nem sempre isso é tão fácil assim!!
    Trabalho em uma assistência de viagens, faço o plantão da madrugada, ou seja, trabalho muito com ásia e oceania.
    Um dia desses um rapaz caiu de patins e por ser prática de esportes cobririamos apenas US$ 500,00 para o nosso amiguinho, sem choro a cobertura para prática de esportes neste tipo de plano é pequena mesmo. Fiz meu trabalho encaminhei o rapaz para uma clínica /uma não muita cara/ e enviei a garantia de pgto com este top de cobertura. Esse valor porém foi suficiente apenas para a consulta médica, medicação e o raio-x, mas o rapaz havia quebrado o braço… e o gesso? A clínica apenas dispensou o rapaz com o braço quebrado e falou que nao engessaria porque não pagariamos, e não pagariamos mesmo, ele estava ciente de sua cobertura. Meu lado humano dizia ‘cobre vai, um gesso é tão baratinho… cerca de US$150,00, mas havia regras e já haviamos pago todo o valor que nosso segurado tinha direito, então não, não cobririamos. O rapaz então liga todo irritadinho, insulta desde minha avó até a minha filhinha e me culpa por tudo o que aconteceu. Eu o compreendo e sei que não foi pessoal, aliás era ele quem tinha dor, um braço quebrado e não tinha um gesso, dinheiro e nem um cartão de crédito… mas quem fez um tal juramento de salvar vidas foi eu ou o médico? se o gesso é barato para uma seguradora não seria ainda mais barato para a clínica? (à preço de custo)… quem ganha mais eu ou o médico? … o que mais me deixou indignado foi a frieza do médico e da clínica em dispensar o paciênte sem concluir o tratamento e ainda colocar o rapaz contra nossa empresa pois não pagariamos pelo serviço (não mesmo, porque o que é de direito dele já havia sido pago pela empresa, os US$500,00)… no fim como eu não sou tão mau assim contatei a família do rapaz, um dos seus tios emprestou dinheiro e enviamos para o moço pagar pelo gesso. E isso tudo em “Auckland”, mas isso não é somente em Auckland que acontesse, há hospitais de certos paises que já nos informaram que desligariam os aparelhos se não pagassemos certo valor adiantado como uma garantia de pagamento. A saúde pública realmente é boa, não discordo, mas não é de graça e muito menos barata. Nos Estados Unidos e Canadá não é apenas cara, é um roubo! se você for com dor de garanta em um ER prepare-se para gastar pelo menos US$5.000,00, isso mesmo cinco miil dólares em uma visita em uma pronto socorro. Agora por experiência própria, no Brasil não é assim (pelo menos nunca presenciei) quandos clientes estrangeiros estouram suas coberturas, os hospitais não dispesam as pessoas, eles nos processam, nos obrigam a pagar, ou quando ganhamos e o juíz não nos obriga a pagar, o hospital trata o paciente e depois, só depois parte para a cobrança da família, nem que por meios jurídicos. Me lembro de certa vez em que uma mulher com deboche no telefône tentou me ensinar como a sapude funcionava no Canadá e falou que lá o geitinho Brasileiro não funcionava, por pouco essa mulher não se arrepende desta frase, porque me lembro que na época a cobertura dela era de apenas US$ 6.000,00… tem gente que faz um planozinho Student, o mais baratinho e se acha no direito de nos desprezar… Finalizando, pessoal vigem, e viagem muito porque é bom, mas sempre tenham um seguro contratado, qualquer que seja a seguradora, mas contratem um e sendo bem claro, dependendo do país em que se pretende ir, US$ 50.000 ou € 30.000, é pouco! Repatriar um cadaver com €30.000,00 é possível, mas se você precisar de uma cirurgia de urgência em sua cabeça (o que pode acontecer com todo) esse valor não é suficiente, e o hospital não será bonzinho não, esquece porque eles não tem piedade, então vigem, mas vigem segurados:)

    Quero deixar meu elogio à dois países:
    1º à Portugal, pois o atendimento médico do local é super barato e pouco burocrático /passe mal na Itália ou Polônia e depois em Portugal e sabrá do que eu falo/ comparado com outros países da Europa.
    2º à Israel, nunca vi medicos tão rápidos, conseguimos que um médico visite nossos segurados em no máximo 30 minutos, sabe o que é um médico em seu quarto de hotel em 30 minutos? Isso realmente merece um elogio.

    • Helena van Kampen permalink
      24/07/2012 2:16

      Mas christiano, se o cara caiu de Patins não é considerado um acidente? ele não está coberto pela AAC? (aqui http://www.acc.co.nz/making-a-claim/am-i-covered/index.htm diz: Eligibility for injury cover for everyone in New Zealand
      Everyone in New Zealand is eligible for comprehensive injury cover:
      no matter what you’re doing or where you are when you’re injured – driving, playing sport, at home, at work.
      no matter how the injury happened, even if you did something yourself to contribute to it.
      no matter what age you are or whether you’re working – you might be retired, a child, on a benefit or studying. )

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