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Esporte na Argentina

22/02/2010

 Nadja G. 
Buenos Aires, Argentina

 

Como nós brasileiros sabemos, o esporte nacional na Argentina também é o futebol. “El fútbol” não atravessa o melhor momento no país já que a seleção anda meio baqueada: se classificou para a Copa aos trancos e barrancos sob o comando do Diego “Dios” Maradona e olhe lá.

Aliás, falar de futebol na Argentina ainda é falar do Dieguito.

No momento os argies não estão muito felizes com “el pibe de oro” porque, como técnico do seleccionado albiceleste, ele só tá fazendo besteira, como usar expressões chulas (MUITO chulas) em uma coletiva de imprensa depois da classificação da Argentina pra Copa ou falar que tais e tais jogadores seriam convocados e depois “desconvocá-los”. E parece que a seleção só conseguiu se classificar graças às qualidades de alguns craques, porque como um todo o time está bem fraco e o Maradona está sendo muito criticado tanto pela imprensa como pelo povo.

Mesmo assim, acho impressionante a relação que os argentinos têm com ele. É bem diferente da nossa com o Pelé, por exemplo. Já vi muitos caras com tatuagens do Maradona (uma delas era a cara dele e em cima escrito “D10S”, misturando a palavra “Dios” com o número 10, que era a camisa dele na seleção quando era jogador.) Você já viu alguém com a cara do Pelé tatuada na perna? Nem eu. Há centenas de produtos com a “marca” Maradona, como camisetas, DVDs e até vinho. Sabiam que existe uma “iglesia Maradoniana“? Juro! É uma religião de brincadeirinha mas tem até cultos e mandamentos. Aqui qualquer coisa que ele faz é notícia, qualquer opinião que ele dá sobre qualquer assunto sai em todos os jornais. A gente não é tão assim com o Pelé, né?

A grande rivalidade no futebol argentino é entre o Boca Juniors e o River Plate. O Boca seria mais ou menos como o Corinthians em São Paulo, um time mais “povão”, das classes mais baixas, digamos assim. O time nasceu no bairro de La Boca, que é um bairro mais ou menos pobre de Buenos Aires e é famoso por ser também onde fica o Caminito, aquela rua tradicional cheia de casinhas coloridas e casais dançando tango pra tirar foto com os turistas. Diz a lenda que as cores do Boca são amarelo e azul porque os imigrantes italianos que o fundaram disseram que dariam ao time as cores da bandeira do primeiro navio que atracasse naquele dia no porto do bairro, e chegou um da Suécia. Já o River seria mais ou menos como o São Paulo, um time mais “elitizado”, da Zona Norte de Buenos Aires, que é tradicionalmente a parte mais rica da cidade.  

Ambos disputam quem tem mais torcedores, chamados de “bosteros” ou “xeneizes” – os do Boca- e de “millonarios” ou “gallinas” – os do River.  Quando os dois times se enfrentam,  os jogos são chamados de “superclásicos” e, no dia seguinte, a cidade amanhece cheia de cartazes do time vencedor provocando o perdedor, sempre com piadinhas. Acho isso um barato!

Mas o que eu acho mais divertido é que os canais de TV que não têm os direitos de transmissão dos jogos os passam mesmo assim. Como? Fácil: um locutor, um comentarista. Mas as imagens… são das torcidas!!!! Isso mesmo! Eles ficam noventa minutos narrando o jogo mas em nenhum momento você vê o que está acontecendo, só vê as torcidas e suas devidas reações! E quando alguém faz gol, eles passam no máximo um close do jogador comemorando, e não o gol em si. Bizarro, né?

Outro esporte bastante popular por aqui é o automobilismo. Mas não espere que muitos argentinos acordem um domingão ás 9 da manhã para assistir a um GP de Fórmula 1. Tanto que as corridas nem passam na TV aberta, só na TV a cabo, e o último GP da Argentina foi em 98. Eles curtem mesmo o TC, abreviatura de “Turismo Carretera“, uma categoria nacional que eu até hoje não entendo: são carros da década de 70, das marcas Chevrolet, Ford, Dodge e Torino (uma marca antiga local). Famílias e famílias, em geral de mais baixa renda, vão a autódromos meio capengas para essas corridas, onde a grande rivalidade é entre a Chevrolet e Ford. Os pilotos correm com co-pilotos e alguns estão há décadas na ativa. O TC tem um filhote mais moderno, a TC 2000, que é parecida a Stock Car brasileira, com carros mais novos de várias marcas diferentes. Mas o povo gosta mesmo é da TC. Se um dia vierem a Buenos Aires, reparem nos muitos carros velhos com adesivos da ACTC (a associação que faz a TC) ou de uma das marcas concorrentes.

O tênis também é muito importante por aqui. Quem não se lembra da Gabriela Sabatini, por exemplo? O mais novo ídolo deste esporte no país é o Juan Martin del Potro, um moleque grandalhão que atualmente está na quinta posição do ranking da ATP. O grande triunfo dele foi no último US Open, no qual ele saiu campeão depois de derrotar os dois atuais ídolos do tênis mundial, o espanhol Rafael Nadal e o suíço Roger Federer, terceiro e primeiro no ranking da ATP respectivamente. Esta vitória do “Delpo” foi muito comemorada e comentada na Argentina. Os argies ficaram muito orgulhosos.

Agora não sei bem qual esporte vem depois, o basquete ou o rugby. A Argentina tem seis jogadores na NBA, sendo o mais famoso deles o Manu Ginóbili, um ídolo nacional. Mas não vejo muita coisa sobre o basquete nacional, ouço mais falar dos jogadores que estão nos EUA mesmo.

O rugby é medianamente popular por aqui, o que não acontece no Brasil. A seleção argentina é chamada de “Los Pumas“, e eu não sei qual é o craque, mas sem dúvida sei quem é o mais bonito: é o Juan Martin Hernandez, que até mereceu um post meu assanhadinho, com vídeo e tudo, durante o mundial de rugby de 2007. Ave maria. Lembro que durante este mundial só se falava em rugby, os bares passavam os jogos, era um clima meio copa do mundo. Eles tinham bastante esperança de ser campeões, mas acabaram ficando em terceiro, depois de perder pra França. Depois disso, não vi tanta empolgação com “Los Pumas” por aqui.  O rugby é um esporte mais praticado por parrudos e bem-nutridos rapazes que moram nos municípios da Zona Norte, que como já disse antes neste post é a parte rica da Grande Buenos Aires.

Outro esporte mais “elitizado” que eles gostam e que no Brasil nós quase nem temos é o hockey, principalmente o feminino. A seleção feminina é chamada de “Las Leonas” e tenho várias colegas de trabalho que jogam. Não entendo muito disso não, mas parece que esta seleção é uma das melhores e é bem forte no cenário internacional.

Lembrei de um esporte ainda mais exclusivo mas bem comentado e tradicional por aqui: o polo. O campo de polo fica em Palermo, em frente ao hipódromo. Um lugar bem bonito, aliás. Atrás deste campo fica Las Cañitas, uma parte do bairro de Palermo cheia de bares, restaurantes, coroas divorciados, loiras siliconadas e gente metida a fashion. Os torneios de polo são sempre patrocinados por marcas de luxo, como de relógios caros e carros, e o último deles, cuja final foi entre as equipes La Dolfina e La Ellerstina, foi bem divulgado. Aliás, a moda agora tanto na Europa quanto entre os boyzinhos brasileiros – os de Sampa, pelo menos, são roupas da marca La Martina, que remete a este esporte e cujo slogan é “Una pasión por el polo, una pasión argentina”. Pena que os preços são proibitivos para a maioria dos argentinos – ou pra quem ganha em pesos argentinos, como eu.

Mas voltemos ao futebol. Este ano tem Copa do Mundo. Será a minha segunda copa aqui. Na de 2006, a Argentina foi eliminada num dia e o Brasil no dia seguinte, então não pude zoar muito nem puderam me zoar muito. Quero só ver o que vai dar nesta!!

3 Comentários leave one →
  1. glendadimuro permalink
    22/02/2010 7:43

    Aiii Nadja, sabe que eu nunca entendi esse amor ao Maradona??? Credo, o cara jogou bem na sua época, mas como pessoa tem um péssimo caráter, nunca faria uma tattoo com a cara desse diabo!

    Ri muito quando lembrei da Gabriela Sabatini…durante uma época da minha vida era o perfume que eu usava…acabava um e comprava outro!

    Fala sério, esse Juan Martin Hernandez é super guapo! Fui obrigada a colocar uma fotinho dele…hahaha

    Beijos!

  2. 22/02/2010 21:41

    Mas nesse caso a Argentina ta melhor que a gente Glenda, porque em termos de carater, o do Maradona ainda é bem melhor que o do Pelé. Sou jornalista esportiva e acompanhei de perto as ultimas baboseiras do nosso rei; que eu não sou nada fã. Pele eh um dos seres humanos mais nojentos que ja vi no meio esportivo, viva Maradona!

    • glendadimuro permalink
      23/02/2010 8:40

      Olha, eu odeio pouca gente nessa vida…mas uma delas é o Pelé…hahahaha…
      Admiro sua carreira profissional, mas como “gente”, na minha opinião, não é lá essas coisas… Comecei a pensar isso depois que vi uma filha dele (fora do casamento com aquela loira, obvio – aliás, nem sei se ele segue casado com ela) implorando para que o pai lhe desse atenção, dizendo que não queria só o sobrenome e tal… Ele tem zilhões de filhos pelo mundo e eu considero ser “bom pai” mais importante que ser uma boa pessoa pública. Enfim, acho o Pelé um idiota por outras coisas mais…hahaha…

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