Nadja G.
Buenos Aires, Argentina
 

É engraçado como há muitos costumes diferentes dos nossos aqui na Argentinha (brincadeira, gente, brincadeira!) , mesmo sendo um país tão pertinho. Mas também, se a gente for pensar, essas coisas variam de bairro para bairro, que dirá de país para país!

Fiz uma lista de alguns costumes que são bem diferentes dos nossos, pelo menos dos que temos em São Paulo. Aqui vai a primeira parte (tem coisa diferente pra caraio aqui!!):

Mate – O mate é um negócio impressionante. É tipo um chimarrão, não sei nem se é a mesma coisa. Eles tomam naquelas cumbucas meio exageradas, com aquele canudinho prateado, que na verdade é o que chama “mate”. O que eles tomam nele é uma infusão com a “yerba”   Tomar mate é como um “ritual” pra eles, meio que um pretexto para se reunir, como uma pausa para o café no trabalho ou uma rodinha pra queimar um. A diferença é que eles tomam todos na mesma cumbuca –- e no mesmo canudo; isso é uma prova de confiança. Mas o que chama a atenção é o quanto eles tomam isso: você vai a uma loja, o balconista tá tomando. Vai a um parque, estão todos tomando. O que me faz lembrar de outro item da lista:

Piquenique – Eita povo pra gostar de piquenique. Qualquer espacinho com uma graminha que seja já tem neguinho com a sua toalhinha estendida, seus quitutes e o mate, claro. No verão, então, os caras fazem piquenique até nessa ilhas de rua, sabem? Juro!! Falando em rua…

Trânsito – eu inventei uma definição muito boa para o trânsito de Buenos Aires: está entre o carioca e o animalesco. Pista, pra eles, não existe. Cada carro ocupa umas três. Seta? O que é isso? Buzina? Ah, a buzina eles conhecem muito bem. E eles ainda não aprenderam que dois carros não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo. Retrovisor? Não serve só pra retocar o mullets? Falando em mullets…

Mullets – aquele cabelinho de argentino. Não é mito, é verdade. Eles USAM esse cabelo. Pra quem não sabe o que é “mullets”: lembram do Chitaõzinho e Xororó nos anos 80? Com aquele cabelo curtinho na frente e compridinho atrás, só no pescoço? Aquela franja na nuca? Isso, defini bem: é uma franja na nuca. Nossa, como é feio. Ainda pego o infeliz que disse pros argentinos que esse cabelo é bacana. Mas não é só o mullets que é típico: há também aquele cabelo comprido, mas nem tanto, meio tigelinha. Apesar dos cabelos, tenho de dizer que há muito homem bonito aqui. O que me faz lembrar de…

Hello kiss – Aqui os homens se beijam para se cumprimentar. Pra dizer “oi”, pra dizer “tchau”. No começo é estranho. Uma amiga mina, quando veio pra cá, viu uma cena dessas e ficou estupefata (falei bonito agora): “quequéisso??” Só uma resposta: costume. Como temos o costume de dar um beijo só em São Paulo e dois no Rio. Hummm, São Paulo e Rio…

Brasil – como eles pagam pau pra nós. Agora que o Brasil tá melhorzinho, na moda, com Copa do mundo, Olimpíadas, BRIC e sei lá o quê, os argies estão bem complexados. Já vi em vários meios diferentes alguns se perguntando “por que o Brasil tá bem e a gente não? Quando foi que eles melhoraram e nós ficamos pra trás?” Quando eles ficam sabendo de onde eu sou, ficam me contando quando foram a Florianópolis, ou o quanto gostam dos brasileiros, o quanto o país é isso, isso e aquilo (sempre elogios). Outra coisa: vocês imaginam um brasileiro com a camisa da Argentina na balada? Eu não, a não ser que ele esteja tentando o suicídio e queira morrer de tanta porrada. Se bem que agora a Argentina tá na moda, pelo menos em São Paulo. Aqui em Buenos Aires, é comum ver pelo menos um na balada com a camisa do Brasil ou qualquer outra coisa escrito “Brasil”. Falando em balada…

Horário da balada – pelo menos em Sampa, minha terrinha, costumávamos sair no máximo à meia-noite, por aí. E voltávamos…bom, aí variava de três ás seis da manhã, dependendo da companhia, da balada e de ir comer ou não depois. Pois bem: saia à meia-noite aqui e você vai dar de cara com a porta. O costume é ir a um bar ou à casa de alguém da turma só ir chacoalhar o esqueleto lá pras duas da manhã. E olha que esse horário é considerado cedo! E a que horas eles voltam para casa?? Seis, sete, dez da manhã, por aí…

No meu próximo post, mais “costumbres argentinas”.