Nadja G.
Buenos Aires, Argentina 

Como promessa é dívida, estou escrevendo mais um post sobre costumes argentinos. Então vamos mergulhar novamente no maravilhoso mundo de “las costumbres argentinas”!

– Por que tem uma garrafa no teto deste carro? Foi o que eu pensei muitas vezes, até que alguém fez o favor de me explicar. Quando eles querem vender o carro, eles colocam uma garrafa – qualquer garrafa – no teto pra chamar a atenção dos passantes. Claro que só fazem isso quando o possante está estacionado, né? Vejam as ilustrativas fotos que eu tirei (e as belezocas que estão pra vender!). Acho o máximo!

 

Provecho! – Quando estamos comendo em um lugar onde as outras pessoas nos conhecem, como no escritório ou em algum restaurante perto, os conhecidos passam e falam “provecho!”, o equivalente a “bom apetite”. Por um lado é educado, por outro é um saco porque você está comendo e tem que falar “gracias” de boca cheia.

– Convite de casamento – aqui é um negócio engraçado. Primeiro que os noivos podem te convidar só para a cerimônia religiosa, ou só pra festa ou só pra festa mas depois das duas da manhã (pro povo não participar do jantar). Ou pros três, claro. Não é bizarro? Imagina se acontece isso no Brasil, as picuinhas e fofocas que não ia gerar, tipo “Soninha me convidou pro casamento depois das duas da manhã! Depois de tudo o que eu fiz por ela, mal-agradecida, nem um bifinho mixuruca com molho de cogumelo e nome afrancesado ela quer me dar!”. (Ia começar a escrever os outros costumes que eles têm nos casamentos (como o hilário “carnaval carioca”) mas são muitos, então fica pra outro post! )

Uniforme da escola – os uniformes aqui em geral são naquele estilo inglês, os meninos de terninho e gravata e as meninas de camisa e sainha plissada xadrez. Acho tão fofo!

El asado – Ah, el asado! Não se pode falar de costumes argentinos sem falar do asado, o churrasco argentino. Orgulho nacional! Além do gosto intrínseco pela carne – li esses dias que a Argentina é o país que mais consome carne no mundo – o asado é um evento que serve pra comemorar ou só reunir mesmo, mas é quase sagrado. Chorizo (linguiça), chinchulines (miúdos – argh!), bifes de lomo, bifes de chorizo, hummmm… Fim de semana na Argentina tem cheiro de asado (o que é muito triste pra quem não tem nenhum agendado!)

Mi jermu está en la lleca – Eles têm mania de falar algumas palavras invertidas. Parece que é algo original de Buenos Aires, do lunfardo (uma espécie de dialeto daqui que mistura castelhano com italiano e até com português, muito usado nas letras de tango). Não é sempre, mas pra dar um tom divertido, irônico, diferente ou pra disfarçar um pouco o que estão dizendo, eles invertem a ordem das palavras. Por exemplo, a frase que eu escrevi é “mi mujer está en la calle”. As mais comuns são jermu, joraca (que é “carajo”, como em “no entiendo un joraca de lo que estás diciendo”), bolonqui (“quilombo”, gíria que significa zona, bagunça, confusão, como em “se armó un bolonqui que ni te cuento”) e zapan (panza, barriga, tipo “qué zapan tenés, eh? Mucha cerveza!”) . Ás vezes eles não só invertem como cortam a palavra, como “lompa”, que quer dizer “pantalón”, calça. Complicado, né? No começo dá um nó na cabeça, mas depois a gente acostuma e entende!

Llevar el celu al cole – outra mania bem recorrente na hora de falar é cortar as palavras. Celular é “celu”, colégio é “cole”, oficina (que significa “escritório”) é “ofi”, “por favor” é “porfa”, faculdade é “facu”, cumpleaños (que é “aniversário”) é “cumple” e por aí vai. Isso é até bem mais comum que as palavras invertidas.  Por hoje é só, amiguinhos! Fico devendo então o post sobre os costumes nos casamentos argentinos! E quem sabe até um Costumbres Argentinas III, né?