Lucy Leite
Murcia, Espanha

 

Há poucos dias tive que passar uma semana em Praga, cidade que apenas conhecia pela fama de ser uma das mais bonitas da Europa. Não defraudou! Devo acrescentar que tive sorte em dois outros aspectos: primeiro, fui principalmente para trabalhar e por vários dias, então, não tive que fazer aquela correria para conhecer vários lugares; segundo, peguei dois dias do caos aéreo (pude viajar porque o aeroporto de Praga abriu por 48 horas) e não havia muitos turistas. Depois que eles chegaram, a cidade mudou bastante.

 Gostaria de dar algumas dicas, então, para quem quer curtir a cidade de uma forma um pouquinho diferente:

A famosa ponte Carlos, construída em 1357, é realmente belíssima, mas está sempre tão abarrotada de turistas que você não consegue respirar. Ponteada por estátuas no mais tradicional estilo barroco (elas são réplicas, as originais estão no Museu Nacional). Porém, como tudo em Praga começa a partir das 9 ou mais tarde, acorde cedo e veja a ponte vazia. Curta o sol tranquilo da manhã. Você verá que a essa hora há vários fotógrafos profissionais que fazem a mesma coisa! Outra coisa que aconselho é atravessar para Mala Strana (o lado de lá da ponte – supongo que no de cá está a cidade velha) pela ponte ao lado. Passam carros, mas você cai logo na boca da subida para o castelo.

Menina na ponte – O tigre Dourado

 

Você é um verdadeiro fanático pelo Kafka? Então, nem precisa ler o resto deste parágrafo. Caso contrário, se for um leitor de Kakfa como eu (li apenas dois: A Metamorfose, lógico, e O Processo, e alguns contos), esqueça o apelo à conhecer a vida do Kafka, porque não há nada realmente interessante. Passear pela cidade velha já é ver onde ele morou. Fora isso, nada muito espetacular. Sugiro, então, que conheçam um outro autor tcheco, o Bohumil Hrabal. Ele é um dos meus escritores favoritos e, embora também não haja muito sobre ele na cidade, vale à pena entrar no bar que ele costumava frequentar, um dos mais típicos de Praga.

Em Praga se come muito bem, mas não adianta tentar fazer dieta porque não funciona! E também não queria comer peixe, porque não é o forte deles. Porém, a comida local oferece uma ampla variedade de carnes maravilhosas. Lá comi, por exemplo, o javali mais gostoso que havia provado até hoje, no Hybernia. Também aproveitei para degustar deliciosos “steaks tartar“. No Brasil, até onde sei, se costuma servir tudo já misturado. Em Praga serviram assim: na bandeija, ketchup, mostarda, cebola picada, pimenta, sal e páprica, a carne crua no meio e a gema (a vantagem é que você pode separar a gema se preferir, seu coração agradecerá); ao lado, pão tostado no azeite e alho cru; o molho Worcester fica na mesa. Primeiro, você mistura tudo na carne (eu não coloco ketchup), depois esfrega o alho cru no pão e coloca a mistura da carne no pão e… nhac, delícia!

Steak tartar - Vitral do Mucha

Veja uma obra belíssima do Alfons Mucha totalmente grátis! Um dos vitrais da catedral de São Vito foi feito por ele. Embora a catedral inteira valha a pena, ela não é nenhuma oitava maravilha comparada a outras espalhadas pela Europa (já que suponho que você vai passar por Praga, conhecendo também outras cidades europeias). Mucha (pronuncia-se Mu-rra, com “r” aspirado) foi o papa do art nouveau e toda a cidade está repleta de cartazes, museus e souvenirs dedicados a ele. Porém, talvez seu conhecimento e interesse em arte (ou seu tempo por Praga) não vão longe ao ponto de ir ao Museu do Mucha. Então, pare e admire o vitral, compare-o aos outros da catedral e aguce sua sensibilidade. Arte é para isso!

Sem dúvida, todo o circuito turístico é belíssimo e digno de ver, mas sair do centro pode nos deparar com surpresas agradáveis, como essa rua de casinhas coloridas, perto do metrô Florence. Um colega me explicou que durante o comunismo, as cores tinham deixado a cidade, que era bastante cinzenta. Hoje, as cores que vemos são novas, mas acho que a variedade e riqueza das misturas fala muito bem dos tchecos.

Casas coloridas – Vista da cidade

Bom passeio!