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Vendo o Brasil de longe

29/05/2010

Lucy Leite
Murcia, Espanha

Abaporu, da Tarsila, que está no MALBA, em Buenos Aires.

Uma das coisas mais complicadas de morar longe do próprio país por muito tempo é que você começa a ver que aquele estilo de vida no qual você nasceu e cresceu, às vezes tão querido, não é o único (e pior) e muito menos o melhor que existe. A complicação disso está em que você termina vivendo num limbo, porque vê seus compatriotas de forma mais objetiva, como se não fosse um deles, mas ao mesmo tempo você também não é do país onde está.

Isso não resulta mais fácil para os outros do que para a gente. As pessoas olham feio quando você faz uma crítica a algo óbvio ou nacionalmente aceito. Se você não tem aqueles hábitos tipicamente brasileiros, você é uma estranha (ex: comer arroz e feijão, se preocupar bastante com a bunda, gostar de passear no shopping), mas acontece que isso não tem apenas a ver com ter morado fora, mas sim com que eu nunca na vida fui assim. Como disse uma vez uma amiga, só quem se sente estrangeiro no próprio país consegue ser feliz num país alheio. Não vejo nisso nenhuma vantagem nem desvantagem, é simplesmente assim.

Morando fora, você vê que o brasileiro dá uma importância exagerada a coisas ridículas. Quantas pessoas têm um carro que, proporcionalmente, vale mais do que a casa onde moram? Ou quantas sonham em comprar um tênis de marca cujo preço é um terço do salário? E a quantidade de  pessoas da classe média que se matam na 25 de março em São Paulo para comprar um calça jeans imitação da Diesel, ou uma bolsa da Prada? Quem eles querem enganar? E que tal passear no shopping numa linda tarde ensolarada de domingo? E quantas pessoas acham que beber é coisa de macho? Não que mulher não possa beber, mas que homem que é homem, bebe! E muito! Que tal ter empregadas domésticas que ganham R$800 por mês, mas têm um celular que vale o salário delas? E mais: que tal reclamar da desigualdade social do Brasil, mas também reclamar da sua empregada doméstica que quer ter aumento no salário? Meu deus, até parece que ela quer sair da pobreza, onde já se viu? E pior ainda… já viu alguém falar mais de trabalho e de dinheiro do que paulista? E a necessidade que a mulher brasileira tem de ser gostosa acima de todas as coisas, como se isso pagasse as contas (ou será que é porque paga mesmo)?

Certamente algumas dessas coisas não são exclusivas dos brasileiros, mas lá elas adquirem um tom próprio. Principalmente, o que vejo do Brasil é que as distinções de classe são importantíssimas, até mais do que a classe na qual uma pessoa se insere. Ou seja, não importa tanto subir na vida, o que importa é mostrar que está subindo. Ninguém quer ser classe média, todo o mundo quer ser rico e, diante da impossibilidade, basta mostrar ter o que só um rico tem (ou seja, aquele que é mais rico que você). O que importa se é fake? O mais interessante é que os países verdadeiramente ricos não estão cheios de milionários, mas sim de uma classe média ampla.

Aqui na Espanha, mesmo com a crise e com as diferenças (embora não tão gritantes) de classe, há um nível educativo que homogeniza muito e que, infelizmente, não existe no Brasil. A saúde pública é usada pela maioria da população (porque funciona, lógico). Mas será que um brasileiro aceitaria compartilhar leito de hospital com um desconhecido? Será que estamos preparados para um Estado de bem-estar realmente difundido? Acho que não. O brasileiro gosta de marcar as diferenças de classe, gosta de mostrar que pode mais que o outro, mesmo que seja mais do que o vizinho de barraco dele (ou de mansão, neste caso, dá na mesma).

Sim, eu amo o meu país e os brasileiros, mas essa distância, que me fez conhecer outros povos, me faz amar também os argentinos, os espanhóis, os ingleses… cada um do seu modo, com suas elegâncias e decadências.

_______________

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26 Comentários leave one →
  1. 29/05/2010 10:47

    Tudo, absurdamente tudo o que você escreveu, eu encontro na França tb. Aqui as diferenças sociais sao menores, obvio. Mas adquirir roupas e eletronicos por status é caracteristica do ser humano, não so do brasileiro.

    ps: como é possivel no brasil um carro custar mais do que uma casa? não entendi.

    • 29/05/2010 11:01

      Mirelle, estou de acordo com você! Como eu disse, não é característica só do brasileiro, mas como temos classes sociais mais marcadas do que na maioria dos países do mundo, a força disso se eleva, comparado ao que eu vejo aqui Espanha e via na Argentina. É o que se chama “brazilization” em termos sociológicos… Eu conheço muito brasileiro que tem um carrão danado e mora em casa, como disse, proporcionalmente, humilde.

  2. glendadimuro permalink
    29/05/2010 11:03

    Concordo contigo Lucy. O grande problema, não só do Brasil, mas de todo país que tem um indice de desenvolvimento humano baixo e um PIB alto, é que as classes mais pobres sempre quererm ter o status de uma classe acima… também não é para menos, as campanhas publicitárias fazem a gente querer ter o que não precisa, o que não faz falta… Para que ter um celular último modelo se a conta está sempre no vermelho? Celular não é para falar e mandar mensagem??? Então dá no mesmo o modelo ser mais caro ou mais barato! Bolsa não é para carregar coisas? Por que uma pessoa que ganha dois mil reais tem que comprar uma bolsa Vitor Hugo (ou sei lá qual é a bolsa da moda agora)…essas coisas me indignam…e o pior, tudo pago no cartão de crédito, que estoura sempre no meio do mês e lá vai mais juros do cheque especial!!! Aqui na Espanha, não conheço ninguém que use cheque… e essa coisa de pagar parcelado em qualquer canto só para poder comprar mais, graças a deus, só chegou aqui para itens muito caros.
    E com relação ao carro na garagem valer mais que a casa, concordo PLENAMENTE. Já tive vizinhos quando morava num condomínio residencial de classe médica com caminhote importada numa garagem que era só um telhadinho…ou seja, o carro deveria valer, no mínimo, o dobro do micro apartamento que ele vivia com quatro membros da família. E o pior, não era o único que tinha carrão…
    Ontem mesmo lembrei desse post…eu estava comendo umas “tapinhas” no restaurante aqui perto de casa e na mesa do lado estava a faxineira da piscina que eu frequento. Todo mundo comendo no mesmo restaurante, lado a lado e com a mesma possibilidade de pagar a conta. No Brasil? Impossível vivenciar uma cena assim…

  3. glendadimuro permalink
    29/05/2010 11:04

    Ops, classe média… nunca vivi num condominio só de classe médica….hahaha…imagina?

  4. 29/05/2010 11:09

    Isso tá virando um chat! Glenda, outro dia fui numa festa na casa da faxineira da universidade onde meu marido dá aula e conversamos, entre tantos outros assuntos, sobre o Miró e Goya com ela e com o marido e com todo o mundo. Você acha que algum professor no Brasil vai na casa da faxineira ou que a faxineira da USP, por ex, sabe quem foi Portinari?

  5. 29/05/2010 17:52

    Oi Lucy,
    Gostei muito de ler seu texto, vivo exatamente a mesma situação. Moro na França desde 1992 e se quando vivia no Brasil não suportava a “american way of life”, imagine agora.
    O importante é a gente viver de acordo com os nossos valores, assim somos felizes.
    Sempre me perguntam se me sinto francesa, a resposta é sim. A língua é minha pátria, não ?
    Felicidades e um forte abraço
    Laura

    • 30/05/2010 7:17

      É isso mesmo, Laura, o “American way of life”. Estou contigo e não abro!
      Abraço e obrigada pela visita!

  6. 30/05/2010 2:13

    Oi Lucy! Adorei o texto!
    Queria contribuir com a minha experiência (morei quase três anos na Itália).
    O que me deixa indignada, é que muitos brasileiros não aproveitam a oportunidade cultural que um novo país oferece. Por exemplo: brasileiros devem andar somente com brasileiros, devem escutar pagode o dia inteiro e assistir à Globo internacional todo o dia.
    Se acontece um atentado ao lado da casa deles, eles não sabem, porque não acompanham a vida local. Criam o seu pequeno Brasil entre quatro paredes.
    Outra coisa: muitos brasileiros não aproveitam suas folgas para conhecer pontos turísticos, frequentar museus,… Não é só uma questão de dinheiro, pois existem opções culturais inclusive de graça.
    Acho que cada caso é um caso, cada um escolhe o melhor lugar para viver. Mas esse comportamento de alguns brasileiros (diria muitos) entristece, não?
    Abraços!

    • 30/05/2010 7:16

      Oi Juliana, bem-vinda! Estou totalmente de acordo com você! Também tem aqueles que só reclamam do lugar onde estão e endeusam o Brasil. Pois que fiquem no Brasil, ué… Como você disse, cada um escolhe o melhor lugar para viver! Abraços.

      • 31/05/2010 11:56

        Bom, realmente um post muito interessante. Estudando Pedagogia interculturale aqui na Italia, acabei lendo um livro que me ajudou muito e acho que todossss deveriam ler. O livro é de Sayad Abdelmalek e o titulo é (em italiano) “La doppia assenza. Dalle illusioni dell’emigrato alle sofferenze dell’immigrato “, a versao original é em Frances: La double absence. Des illusions de l’émigré aux souffrances de l’immigré.

        Saluti a tutti!
        Gi, Roma

  7. 31/05/2010 17:50

    Oi Lucy!
    Concordo em parte com o seu post. Moro na Alemanha há 17 anos e devo dizer que aqui tem muito disso que vc escreveu. Nao quero dizer que todo alemao seja assim, mas tem deles que valorizam muito vc pelo que tem e nao pelo que vc é. Se eu falo o alemao? Fluentemente! Se me sinto alema? De jeito nenhum! É claro, aprendi algumas coisas que no Brasil nao temos, como a questao da pontualidade e de vc antes telefonar para perguntar se pode ou nao passar para fazer uma visita, e nao simplesmente “cair de para-quedas” na casa dos outros entre outras coisas, mas devo dizer que aqui aprendi a ver o meu país e sua cultura com outros olhos, críticos, sim, mas sem achar que o Brasil está perdido. Outra coisa, o que temos aqui na Europa sao culturas com mais de mil anos (minha cidade tem mais de 1.200 anos!), enquanto o Brasil ainda está engatinhando em muitas coisas.

    • 31/05/2010 20:45

      Gioconda, obrigada pela indicação do livro! Está anotado! Em troca, recomendo ler o maravilhoso “Raízes do Brasil”, do Sérgio Buarque de Holanda, quando a gente mora fora, acho que dá um significado novo ao texto dele.

      Cecília, eu não que o Brasil está perdido 🙂 e logicamente que essas características existem no mundo inteiro. Talvez eu não tenha sido muito clara, mas para mim o que pesa é a diferença de classes que lá existe (como em muitos outros lugares), e que o brasileiro tem um jeito especial de marcá-la. Quanto às culturas antigas, não acho que isso justifique muita coisa. Austrália é novíssima e é desenvolvida, EUA é tão novo quanto o Brasil, a própria Argentina, embora esteja agora indo por água abaixo, não tem essas questões de classe tão marcadas (bem, isso agora está mudando). Cada país tem sua história, a nossa infelizmente está marcada pela escravidão e pela pobreza. Também a dos EUA… será que daí vem também o “american way of life” do brasileiro, como disse a Laura (acima)?

    • Eduardo permalink
      05/07/2010 9:48

      Tentar esconder o problema por causa da idade do país não adianta… O que tu me diria em relação ao Canada, Nova Zelândia e Austrália por exemplo?

      Três países novos também, mais que o Brasil até. Três países top rankers todo santo ano em qualidade de vida, três países com cultura e história de verdade… países com índios em suas terras, assim como nós…

      Entende o que quero dizer? Acontece comigo assim como qualquer outro brasileiro, tentar justificar os problemas e minimizar os problemas, tentar encontrar algo em que possamos nos agarrar pra não admitir o quão ruim nossa nação sempre foi.

      No meu ponto de vista, chegamos aonde chegamos mesmo sendo tão parecidos com esses países, por quê não desejamos melhorar… o povo está muito ocupado vendo novela e futebol e sendo MUITO feliz (mais que outras pessoas, em 1“ mundo) bebendo uma cerveja e engravidando meninas de 12 anos.

      Espero que não tenha se ofendido com isso, só quero expressar minha opinião como todos aqui… e infelizmente minha opinião é muito crua e realista e a maioria das pessoas que me conhecem, não gostam nem um pouco de ouvi-la :/…

      • 05/07/2010 17:11

        Embora o problema não deva ser sintetizado nem de uma forma nem de outra, concordo com você, Eduardo. Aliás, nunca vi gente vender a imagem de felicidade melhor que os brasileiros… Quanta contradição no nosso país, não?

  8. 31/05/2010 22:57

    Amei seu texto! É isso aí mesmo.

  9. Fejapa permalink
    14/06/2010 9:43

    Ola lucy! prazer em conhecer.
    Gostei muito do seu texto.
    Eu fiquei com bastante duvida sobre mania brasileira que tem em dividir no cheque especial.Mas como nikkei- me diz, =parcelar faz parte da cultura=.
    Eu moro 15anos no japao, entao nao consigo imaginar dia-dia sabendo que tenho mais de 59parcelas.
    Outra coisa que percebi, quando me tornei mae e que as pessoas gosta mesmo exibir fazendo festa. Onde vivo nao tem festao de um aninho.Ja que a crianca nao sabe o que esta acontecendo . E bem simples o aniversario.
    Diferente de algumas conheciadas mihas que fez festa de 3000~5000reais festa de um aninho, nao acreditou quando eu nao fiz quase nada. Expliquei a elas que nao entendo pq gastar tanto sem ter condicao, e sem a crianca nao saber do que esta acontecendo e sem contar que temos muitos custo pro futuro pra guardar dindin na popanca.
    Bom, desculpe pelo erros de portugues.
    Byebye

  10. 02/07/2010 11:20

    Obrigada, Nanda!

    Fejapa, esse negócio das festinhas de 1 ano também me deixavam louca lá!!!
    Mas no Brasil você vê uma coisa bonita, aí a vendedora te fala o preço. Aí você diz “nossa, muito caro”. E ela vai responder imediatamente: “mas dá para dividir em 10 vezes no cartão”… como se, ao dividir, a coisa deixasse de ser cara. Assim, as pessoas vivem endividadas, como se o limite do cartão de crédito fosse um aumento do salário.

  11. lucia pinheiro da silva permalink
    19/01/2011 10:41

    hola eu acho que voces deveriam, olhar com os outros olhos para o Brasil, ha diferencas sim, mais em outros paises, como aqui na Espanha tambem tem coisas que sao absoletas ou piores que o Brasil, e tambem temos que ver qual e o tamanho do Brasil na diferenca com os outros paises, e quantos anos tem o Brasil, e os outros paises? Aqui na Espanha sao seculos eu acho que devido o tempo de descoberta do Brasil, e tudo que passou evolui bastante, nao devemos comparar Brasil com a Espanha, que e tao pequena, e por uma simples crise esta fundando,

  12. lucia pinheiro da silva permalink
    19/01/2011 10:50

    E tambem infelizmente o Brasil antes apenas vendia o Carnaval o Rio de Janeiro, e as favelas que parecia nas televisoes internacionais, nos estados unidos ha mendigos tambem nas ruas, aqui tambem tem , casas “que sao chavolas”, favelas como o do Brasil, temos que parar de ser hipocritas e apenas mostrar as coisas ruins do Brasil, em todos os países ha corrupcoes, maltratadores, miseria, e nosso Brasil e muito rico eu vivia no sul, e as nossas terras sao ferteis, e tao temos que pensar duas vezes antes de por nosso ponto de vista no assunto brasil, voces.

    • 20/01/2011 16:56

      Acredito que a experiência de morar no exterior possibilita que vejamos o Brasil por outro ângulo. Mais como uma coisa geral, do que regional. Ao comparar culturas, o resultado não é que uma é melhor que outra, e sim o que podemos aprender e ensinar. Essa é a riqueza do intercâmbio e o grande tesouro que os expatriados carregam em suas experiências de vida.
      Talvez o jeito do brasileiro criticar o seu país seja num tom de deboche, quase como não se importasse, mas não se confunda: quando alguém se dá o trabalho de expor uma opinião sobre seu país, que não é puramente um ataque a tudo que acha ruim, é por que se importa e espere que melhore.
      O Brasil já passou da fase de dar uma de país pobrezinho, coitado. Já é respeitado e visto por todo o mundo como uma esperança para o futuro. Já passou a hora de mostrar maturidade. Essa desculpa de dizer que “lá também é assim, ou pior” não vai levar a nenhuma melhoria. O povo deve batalhar para melhorar o que acha que está errado.

      • Eduardo permalink
        20/01/2011 17:38

        Muito dificil de ver alguém que se importe, amigo. Mais difícil ainda ver alguém que respeite. Seja dentro ou fora do país. Quem são esses que respeitam? Pois quando converso com um extrangeiro, nem mesmo sabiam aonde ficava no mapa aquele enorme pedaço de terra. Sem contar que o povo é muito pobre e ignorante para seguir a sua linha de pensamento, infelizmente. Ou você acha que todo mundo tem acesso as coisas que você tem e condições de fazer intercâmbios, por exemplo?

        Entenda, o Brasil não é aquelas pessoas que você conheceu durante o seu tempo de vida. Não é aquelas pessoas que tem computador e broadband em casa pra poder postar pensamentos construtivos em sites como esse. Essa não é a face do Brasil e não está nem mesmo próximo de ser.

        A grande maioria do povo vive em extrema pobresa e ignorância inimaginável, não duvide disso. O povo já não é mais tão pobre quanto antes já que o governo fica dando “bolsa isso” “bolsa aquilo”. Mas essa é a verdade. Não tome o nosso país pelo que se ve andando em uma região de classe média. Na minha cidade, Viamão, achar uma pessoa que consiga entender o post de qualquer um aqui nesse website, é uma tarefa EXTREMAMENTE difícil. E eu não digo isso como brincadeira, eu posso chamar praticamente qualquer um aqui agora e eles não irão entender nem mesmo do que estamos conversando.

        Não se iluda com shopping centers 100x maiores que os Europeus. Apartamentos enormes e bonitos. Carros do ano andando na rua, etc, etc, etc. Entende o que eu quero dizer?

        Quando acontece aqueles casos de vir um gringo famoso aqui e pensar que vai achar um macaco caminhando nas ruas, eu não me sinto ofendido. Afinal, não é quase isso? Minha mulher viveu a vida inteira em bairro de classe alta e quando veio morar comigo ficou chocada ao ver um morador carregando uma galinha dentro do transporte público. Como eu disse, Brasil não é apenas um bairro.

        Deixe-me ressaltar que quando estava escrevendo esse post a luz caiu duas vezes. Estamos também sem água pela quarta vez na semana. Quando internet não cai enquanto estou fazendo algo importante é motivo de alegria. Isso que não moro no Acre. Amigo meu de lá paga R$ 500.00 por um serviço de 256kbps que também não para de cair.

        Ta vendo o que eu quero dizer? Pra finalizar, lembro de uma vez quando um amigo meu sem muito conhecimento veio na minha casa e se emocionou completamente pois eu estava tentando me divertir com um Playstation 3 que tinha acabado de comprar. Comecei a explicar pra ele as minhas serias dores de cabeça com a experiência de ter tal aparelho no Brasil, sabe como é? Que era quse impossível comprar jogos aqui no país e por isso esperava mais de 1 mes para chegar os produtos importados de diferentes países. E que o produto óbviamente não era oficial Brasileiro, pois não existia tal coisa. Que se o aparelho sofresse algum problema eu estaria completamente na mão. Que não existia jogos em Português-BR. Que não podia ter acesso a um monte de coisa do aparelho pois era uma versão para o mercado americano. Bla bla bla.

        Depois de certo tempo ele falou: Aaah, cara!!! Para de reclamar! Eu nem tenho nada disso e tu fica aí reclamando? Porra, tu podia ter nascido no Vietnam! Queria ver tu reclamar disso!

        Aí então falei: Vietnam possúi suporte oficial para tudo isso que te falei desde que você chegou aqui.

        http://asia.playstation.com/vn/en
        http://br.playstation.com/

      • 21/01/2011 10:19

        “O Brasil já passou da fase de dar uma de país pobrezinho, coitado. Já é respeitado e visto por todo o mundo como uma esperança para o futuro. Já passou a hora de mostrar maturidade. Essa desculpa de dizer que “lá também é assim, ou pior” não vai levar a nenhuma melhoria. O povo deve batalhar para melhorar o que acha que está errado.”

        TOTALMENTE DE ACORDO, Shingues!

  13. 19/01/2011 14:18

    Olá Lucia. Olha, não é questão de falar mal do Brasil. E é verdade o que você diz, pobre tem em todo lugar, favela, consumismo, corrupção, etc… Também acho impossível comparar qualquer país com outro, qualquer país que for, cada um sempre vai ter suas vantagens e desvantagens, só que se partirmos disso jamais poderemos opinar sobre nada porque sempre haverá o outro lado da moeda e toda opinião é, por defeito, parcial (e a minha não é diferente). Cada um pode ter sua perspectiva negativa e positiva tanto do próprio país como do alheio. Só me nego a endeusar o Brasil apenas porque eu sou brasileira (NB, como não vou endeusar nenhum outro lugar!!!) Obrigada pelo comentário e volte sempre! 🙂

  14. 05/07/2011 16:30

    Como disse uma vez uma amiga, só quem se sente estrangeiro no próprio país consegue ser feliz num país alheio. Não vejo nisso nenhuma vantagem nem desvantagem, é simplesmente assim.

    Perfeito isso. E e o seu post também está ótimo, infelizmente é assim mesmo. Eu já me assustava com muitas coisas que via e ouvia à minha volta quando morava no Brasil mas agora que vouy à terrinha pela primeira vez em 12 anos (uma lonha estória), estou me preparando para um choque cultural ao contrário. Não que aqui na Holanda tudo seja perfeito (longe disso, moro aqui há 17 anos e já vi muita coisa nessa vida).

    Enfim, eu gosto do Brasil sim mas a mentalidade de uma parte da população me entristece mesmo…não tem jeito. Gente que só se preocupa com status, carro na garagem, jeans caro etc…gente que só quer saber de tirar vantagem. Por favor, né?

  15. 20/11/2015 9:08

    Concordo 200% com o que escreveu aqui. Nós Brasileiros temos a capacidade de empurrar tudo com a barriga até mesmo a nosso própria capacidade de enxergar a verdadeira falsa realidade do Brasileiro “jeitinho” de ser.

    Eu também sou Brasileiro, não nego minhas raízes, mas há sempre a definição de que eu, onde eu moro, o que eu tenho ser melhor.

    Há o separatismo, há o conformismo, há o egoísmo e há a ilusão que somos os melhores do mundo. Eu quase me mijo de rir de quem é tão inocente a ponto de acreditar que temos tudo do bom e do melhor.

    Aliás, temos sim, a melhor população passiva e fácil de serem “manobradas” e enrolada do mundo. Os melhores políticos que cuidam, e muito bem, de seus próprios interesses. A melhor mídia e divulgação da “verdade” pro lado do interessado.

    Os melhores preços de bebidas alcólicas baratas e a carninha pro churrasquinho do final de semana.

    Não quero desrespeitar ninguém, mas a capacidade de criticar a realidade e enxergar o que realmente é, e o que acham que é, acho muito engraçado tudo isso.

    Ai eu deixo o meu comentário com a música de Marisa Monte – “Dança da Solidão” https://www.youtube.com/watch?v=Xzxgjhi2eNU (P.S. – Não achei o link oficial no YouTube)

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