Arlete Dotta
Suíça

Então foi assim. Em novembro de 2006 eu tinha acabado de realizar a minha (sonhada, esperada, por-toda-a-vida-planejada) primeira viagem ao Velho Mundo e estava de volta ao Brasil.

Além de lindas fotos e maravilhosos momentos na bagagem, eu trouxe algo mais comigo, eu trouxe um amor no coração. Sim, mais uma vez eu estava apaixonda, só que desta vez era um pouco mais grave, o cara estava do outro lado do oceano.

Eu tinha já meus quase trinta anos e, um pouco desiludida com essas coisas do coração, fui chegando e já tratando de esquecer o tipo. Afinal, alguns finais de semana juntos lá longe, logo logo não teriam mais importância para um dos dois, ou para os dois.

Mas aconteceu que o moço se agradou e manteve contato. Aí ele veio no final de dezembro do mesmo ano (de surpresa!) passar o ano novo comigo no litoral paulista. Depois voltou em abril de 2007 e pediu pra eu ir de novo em julho pra lá. Parecia que a coisa estava ficando mais séria. Depois de dois anos e tanto namorando por telefone, internet, carta, viajando por aqui e acolá, a gente achou que era hora de fazer um test-drive e em janeiro de 2009 eu me mudei para a Suíça.

A Suíça é um país que, apesar de minúsculo (é menor que o estado da Paraíba), tem quatro idiomas oficiais: alemão, francês, italiano e romanche. O italiano e o francês (que na minha opinião são idiomas que soam belíssimos) vêm do latim como a língua portuguesa, assim como o romanche (falado por aproximadamente 1% da população daqui), ou seja, ainda que seja difícil aprender, estamos em casa, é todo mundo da mesma família. Mas acontece que o moço morava justamente na região em que se fala… alemão… ai, alemão…

Toca eu chegar na Suíça no dia 17 e começar um curso de alemão no dia 19. Todos os dias eu pensava: “Por que alemão Deus, por quê???” Até que fui me acostumando e começando a gostar de aprender este idioma matemático. Sim, porque em alemão a gente não pode falar do jeito que pensa, cada coisa tem seu lugar certo. Então, antes de perguntar ou tentar expressar a sua opinião, você precisa pensar que o sujeito vem em primeiro lugar, o verbo em segundo e depois o predicado, no caso de dois verbos na mesma frase o 2º vem por último. Se tem objeto direto, a terminação dos adjetivos é de um jeito se tem objeto indireto já muda, fora as exceções. Uff…

Hoje em dia, já consigo me expressar bem e as pessoas me compreendem. Mesmo assim, cada vez que preciso fazer uma pergunta em um estabelecimento público ou para alguém na rua a pessoa franze a testa, me olha como se não estivesse enxergando muito bem e acima da cabeça dela eu vejo aquele balãozinho escrito: “o que esta estrangeira está tentando dizer?” antes mesmo de eu abrir a boca…

Cada dia tenho melhorado o idioma, me dedico bastante, as pessoas me elogiam e dizem que eu estou aprendendo depressa (tomara que seja verdade e não só pra eu não desistir, hahaha!), mas percebo que a estrada ainda é longa tanto com o idioma, quanto com a cultura local. Isso porque quem me conhece sabe que eu sempre fui ávida por morar fora, mas só quando a gente sai é que percebe como as coisas são realmente.

Mesmo assim, apesar das dificuldades e dos desafios, aprendo muito todos os dias e estou muito feliz com a minha escolha. Faz bem seguir o coração e correr atrás dos sonhos da gente.  🙂

Esta é a história da Arlete, mas poderia muito bem ter sido a sua. Se você é uma das tantas expatriadas que atravessaram o oceano por amor, escreva para o Brasil com Z e conte a sua experiência!

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*Arlete Dotta, Desde 2009 vive cercada pelos Alpes, na Suíça, para saber mais sobre a autora clique aqui.

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