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Esquisitices gastronômicas

19/07/2010

 
Carlos Thadeu – Colaboração
 
 

Da esquerda para direita; abacate com anchova, ouriço, pipoca de azeite, salmorejo nitrogenado

Para quem gosta de comer como eu, o “esquisito” (que em espanhol é uma coisa boa e gostosa) se torna um ponto muito interessante, mas quem é como minha irmã que tem como  prato único e preferido filé com fritas, o “esquisito” se torna esquisito brasileiro mesmo.

Nesses meses aqui na Espanha, ralando de estagiário em alguns bons restaurantes, pude ver algumas coisas para lá de curiosas.

Algumas técnicas, que para mim são novas, têm sido utilizadas há tempos. Falando de comida e Espanha é indispensável falar do gênio (para alguns) Ferran Adriá, catalão que revolucionou a cozinha espanhola, trazendo a moda de cozinha “molecular”. Junto de Ferran, seguiram vários outros como Martin Berasategui, Juan Arsak, os irmãos Roca, Carme Ruscalleda e outros renomados 3 estrellas Michelin.

No meu estágio na Casa Marcial (2 estrelas de Nacho Manzano), pude ver algumas peripécias como o uso do ouriço na culinária. Para mim, que sou praieiro, o ouriço só servia para atrapalhar ao colocar o pé dentro da água e ser espetado, ou ao tentar subir uma pedra na praia e não ver o bendito.

Pois sim, aqui eles comem o bendito ouriço, que por sinal é bem atrativo. Apesar de não gostar de “peixe que tem gosto de peixe”, esse marisco sim tem gosto de marisco e na primeira mordida, o que vem a mente é a praia. Costumamos prepará-lo  mexido ou com um molho holandês e alguns aromáticos.

Que tal um sorvete de curry? Ou de açafrão? Uma água de tomate? Até aí tudo bem, mas tenho que ressaltar que o tomate é branco e não vermelho. Uma pipoca de azeite? Isso mesmo,  não é milho, é azeite cozido no nitrogênio que “estoura”como pipoca, ou um salmorejo (creme frio de tomate) com forma de tomate? Nata desidratada? É uma infinidade de coisas, sejam já velhas no mercado ou não, que tem me deixado boquiaberto.

Mas dentre todas essas coisas, a mais esquisita, é a crista de galo. O sabor não é nada interessante, mas a ideia de comê-lo para mim foi um choque.

E nós que pensávamos que comida espanhola era só paella! Descobri que a Espanha não é só um país bonitinho, ela tem cultura e muito pra oferecer. Bueno, en verdad já está oferecendo. Dia desses vi no jornal, que o Arsak, em parceria com a Philips criou pratos estilizados fosforescente que brilhavam até em um ambiente mais escurinho. Infelizmente a ideia não é comercializar, foi apenas “propaganda”. Encontrei mais coisas bem esquisitas em minha jornada. Uma dica é: se divertir e sair provando de tudo até engordar (a parte chata) mas já diria um sábio: nunca confie em um chef magrinho.


Carlos Thadeu é Chef de Cozinha e está cursando pós graduação de cozinha espanhola.

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