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Destino: Kilkenny, Irlanda

28/07/2010

 
Cath Dreelan – Colaboração

 

Meu primeiro passo ao desconhecido foi quando eu nasci. Toda mãe enfeita o quarto do bebê e coloca bonecas na porta, mas a minha parecia já saber o meu destino. Quando nasci, na porta do meu quarto não havia uma boneca com o meu nome. Tinha um cartão enorme com um globo, escrito: “Welcome to the World.”

Depois disso, o segundo passo eu acredito que veio de um primo que eu adorava. Aos 3 anos ele me ensinou a cantar: “Love of my life” do Queen e eu segui cantando até minha adolescência, ou até o É o tchan aparecer e dominar o gosto musical das minhas melhores amigas…Não tive muita escolha também (risos).

Comecei a aprender inglês na 5ª série da escola  e a curiosidade me fez perceber que a voz do Silvester Stallone no filme Rocky, que meu irmão assistia tantas vezes, era dublada, e que existia outro lugar no mundo que era onde o Mickey Mouse morava, com doces bonitos importados e toda a mágica que uma pré adolescente poderia sonhar.

Estudei em escola particular, mas mesmo assim a minha descoberta com o inglês foi meramente autodidata. Enquanto minha mãe me colocava no balé, meu pai viajava por todo Brasil como piloto de avião, e eu sempre conseguia livros de amigos dele que viajam e cursos de inglês de fita cassete.

Cresci traduzindo músicas e cantando, e decidi estudar Letras. Meus pais quase tiveram um ataque porque todo pai e mãe, apesar de quererem a felicidade dos filhos, também querem que o eles sejam médicos, advogados ou até little miss perfect. Segui firme e forte na minha escolha levando comigo a motto o thank a teacher if you can read, if you are a doctor, etc.

Sempre lecionava com a porta da minha sala de aula aberta e enquanto meus alunos faziam as tarefas olhava a vista lá fora da escola e imaginava como o mundo é grande e quantas pessoas eu estava educando para conhecer outro país, seja  por causa do trabalho ou aquela viagem a Disney que a mãe e o pai prometeram.

Após quase 5 anos, por causa de um problema nas cordas vocais, e depois de lecionar em empresas, recebi um convite para seguir adiante em outra área profissional, mas também como bilíngüe. Trabalhei no setor de comércio da Embaixada do Paquistão e também na multinacional Gore-Tex. A partir dessa grande mudança, eu conheci o meu namorado, atual marido e assim começou a minha aventura na Irlanda.

Em novembro de 2007, recebi um convite da família do meu esposo, então namorado, para passar o Natal e Ano Novo na Irlanda. Após uma semana passeando em Dublin, fomos para Wexford onde toda a família aguardava ansiosamente para me conhecer e aprender a pronunciar meu sobrenome brasileiro.

Wexford é um condado bem diferente de Dublin, e os meus sogros moram em uma vila muito pequena com casas enormes. O entretenimento local são basicamente dois pubs que os moradores frequentam todo fim de semana. Após as festas, meu marido foi transferido para trabalhar em outro condado, em Kilkenny. Ele alugou uma casa e eu já estava me preparando para retornar ao Brasil quando durante uma visita ao castelo de Kilkenny, ele me pediu em casamento.

Recomecei minha vida em Kilkenny, happily married, com milhões de papéis, muita burocracia e 9 meses de espera para receber meu visto definitivo. Trabalhei bastante, estudei muito, e hoje eu estou começando o meu segundo degree, retornando a minha área de humanas e me preparando para mudar para Waterford, onde fica a faculdade que eu escolhi.

Bom, depois disso, somente os relatos no meu blog podem mostrar como é interessante a minha rotina aqui na cidade medieval de Kilkenny, na ilha da esmeralda.

One Comment leave one →
  1. Carolina permalink
    08/08/2010 18:09

    Ola ! Li seu blog e gostei muito; porem conheci meu amigo na net e
    ele vira ao Brasil para o natal, e ja soltou varias indirestas sobre ficar no Brasil e trabalhar aqui.
    Eu sou professora de Ingles e formada em Letras tambem. Ele trabalha como gerente de hotel na Irlanda… enfim se tudo der certo entre a gente, pelo oq vejo vai dar… gostaria de saber se vc acha melhor eu me mudar para Irlanda/ ele para o Brasil… Me preocupo com relacao a trabalho
    Vc conseguiu emprego ai na Irlanda, ou teve que trabalhar em odd jobs?
    Obrigada

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