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Um mês em Paris

08/08/2010

Lucy Leite
Murcia, Espanha – agora em Paris

 

Não gosto de viagem por atacado, do estilo 20 cidades em 40 dias, daquelas que no Brasil ninguém faz, mas que, na Europa, a proximidade de tudo parece ser um ótimo justificativo. Nessa linha, eu e meu marido, que felizmente compartilha comigo esse modus viajantis, decidimos alugar um apartamento por um mês em Paris. Ele está de férias, eu nem tanto. Como tradutora, posso tirar férias quando quero, embora não me convenha deixar meus clientes na mão por muito tempo. A concorrência é dura! Então, alugamos um apartamento com internet wi-fi e mesa de escritório para que eu pudesse trabalhar quando necessário. Coincidentemente, estamos “morando” num apartamento abaixo do que o Picasso morou em 1900 e da janela vemos o lugar onde ele pintou as Demoiselles d’Avignon.

Sou uma turista-obssessiva. Preciso estudar tudo o que posso sobre a história do país/cidade aonde vou, por que um lugar é turístico, o que tem de interessante lá e porque é interessante. Claro está que as excursões me dão alergia. Além de ler livros de história, de literatura (porque sou fã mesmo), também assistimos a filmes rodados no lugar ou de diretores do lugar. Preparamos a viagem com vários guias impressos e online, enfim, começamos a viajar meses antes. É uma curtição sem fim!

Para Paris, meu marido, que é professor de cinema, fez uma lista de filmes obrigatórios rodados na cidade. Agora, para completar, quando saímos também escolhemos as localizações dos filmes. Outro dia passamos uma hora no pedaço onde “O último tango em Paris” foi rodado… na ponte, em frente ao prédio, no café. Quando a gente gosta de um filme, ver o lugar onde ele foi feito amplia um pouco o seu conhecimento dele. Já coloquei no meu blog pessoal, por exemplo, um post sobre os locais onde “O fabuloso destino de Amélie Poulain” foi feito. Que delícia reencontrar ao vivo e a cores aqueles lugarzinhos.

Também fazemos tours literários. Perto da Ponte Bir Hakeim, onde foi rodado “O último tango…”, está um jardinzinho onde o James Joyce ia passear. E lá vou eu também… nos jardins, nos cafés, nos bares onde meus escritores costumavam fequentar. Eu cresci (e continuo crescendo) com eles, e eles cresceram com Paris. Ver a cidade através dos olhos deles é uma honra e uma delícia.

Para completar a loucura, um blogueiro generoso compartilhou com o mundo uma cartografia do livro “Rayuela” (Amarelinha), do Julio Cortázar. Então, todos os dias antes de sair de casa para o passeio programado, vejo quais pontos do livro estão na região. Se o trecho do livro for muito bonito (porque às vezes é só uma menção sem muita importância), eu até saio do roteiro para ir lá ver.

Hoje estou me preparando para o Louvre: não penso ir lá ver tudo, porque não sou grande conhecedora de arte e não sei nada de egiptologia, por exemplo. Não vejo graça em ver uma cabeça e valorizar aquilo só porque ela tem não sei quantos mil anos. Muitas vezes penso nas pessoas que no Brasil não vão a museu nenhum (conheço muitos paulistas que nunca entraram na Pinacoteca ou no MASP) e fora do Brasil parecem se tornar grandes conhecedores de arte. Engraçado isso, não?

Ah, e também não tiro foto de tumba de quem eu só conheço de nome… me nego! Se visitar uma tumba é uma espécie de reconhecimento, eu não tenho nada para fazer diante do túmulo do Guy de Maupassant que, embora seja muito famoso e excelente, eu nunca li nada dele. Seria como tirar foto de uma placa de nome de rua.

Uma viagem tem que ser, para mim, uma extensão da minha vida, dos meus hábitos. Por isso frequento cafés, vou ao cinema, ao teatro, exposições, descanso e leio quando viajo. Assim eu absorvo uma cidade no meu próprio ritmo, vendo como combino com lugar. Com certeza há tantas formas de viajar quanto viajantes: o melhor é sempre fazer o que se gosta e com consciência do que se está fazendo. Viajar é coisa séria, é momento de crescer, de ampliar horizontes. Para os que no Brasil não saem do shopping, com certeza a Europa será uma grande shopping novo e maravilhoso. Só que os países/cidades são o que são pela história que têm detrás, pelas tradições, pela cultura. Conhecer um pouco disso antes de ir dá depois aquela sensação e compreensão do porquê você está ali (não só porque o guia mandou). Com certeza, o deleite é muito maior!

5 Comentários leave one →
  1. Ana Rocha permalink
    08/08/2010 22:30

    Gostei muito e penso como vc.

    Ao ler seu artigo senti como se eu o tivesse escrevendo.

    Paz!

    • 07/09/2011 14:02

      luci,gostei demais do artigo sobre paris e outros lugares,tambem nao quero fazer o normal,quero sentar num cafe,andar a pe as margens do sena,comer croissantas,beber,rir,ir a torre claro,porem sem pressa e muito mais…conhece lugares mais em conta?horarios mais baratos para visitaçao?etc…se puder me mande um email,grata.vou em 20l2 e ja estou ha meses fuchicando pessoas,voos,lugares,etc…cabeça a mil ….um abraço margo

  2. 07/09/2011 15:14

    Olá Margareth! Que delícia planejar essa viagem, hein! Sugiro que você entre no meu blog pessoal (http://www.flanancias.com) para ver algumas dicas. De horários mais baratos e coisas assim eu não sei, não… Boa preparação e boa viagem para você!

  3. Walkyria permalink
    14/09/2011 3:46

    Me identifiquei com a sua descrição de turista-obssessiva. Gostaria que você compartilhasse a lista de filmes que seu marido fez sobre Paris e dos livros ambientados lá.

  4. 14/09/2011 9:59

    Oi Walkyria. Já não me lembro da lista toda, mas aqui vão alguns filmes cujas localizações fomos procurar e curtir: Antes do atardecer (Linklater), Época da Inocência (Scorsese), O último tango em Paris (Bertolucci), Os sonhadores (Bertolucci), Amantes constantes (Philippe Garrel)… e agora tem que acrescentar o último do Woody Allen.

    Quanto aos livros: Madame Bovary (Flaubert), O jogo da amarelinha (Cortázar), contos do Balzac, Flores do Mal (Baudelaire), Paris é uma festa (Hemingway), París no se acaba nunca (Villa-Matas).

    No meu blog pessoal você vai encontrar outras coisas também… dê uma olhadinha lá.

    Boa viagem!

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