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Viver nos EUA: processo do green card

09/10/2010

Lilian Kano
Califórnia/Connecticut, EUA
 

 

O processo burocrático de aquisição do green card (status de residência permanente) nos EUA é dividido em três etapas que costumam atravessar alguns meses. No meu caso, foram cerca de quatro, no total. O primeiro passo é a submissão dos documentos solicitados; o segundo, uma visita ao posto designado para a biometria; e o último, a entrevista com o inspetor da imigração. É um rito de passagem importante para estrangeiros que residem no país, quase sempre carregado de ansiedade. Por isso, compartilho aqui a minha experiência.

Documentação:

A papelada vai depender da categoria em que o requerente se encaixa: se a residência vai ser solicitada através de parentesco, casamento, trabalho, condição de refugiado, etc.

Maiores informações aqui: (em inglês) (em português)

Ao dar entrada nos papéis, muitos dos quais com tradução juramentada, pedi também autorização para viajar para o exterior, o chamado “furlough”, para que não tivesse problemas quando regressasse ao país. Os documentos e dados dos envolvidos (eu e meu marido) foram analisados e, ao passar pela triagem, semanas depois, via correio, recebemos o social security card (algo como a carteira de identidade no Brasil), o furlough e também, a autorização para trabalhar que solicitei, ponto de partida para uma vida mais normal de residente, sem as limitações da condição de turista, uma vez que o número do social security é cobrado a toda hora no país, seja para abrir uma conta no banco, o cartão de crédito, a compra de um carro, etc, etc.

Biometria:

Palavra que provém do grego: bio, vida; e metron, medida. A biometria, nesse processo, é basicamente o registro da nossa impressão digital e da fotografia para fins de identificação.

Munidos de passaporte ou outro documento de identidade com foto, o social security card (se tivermos), e a carta com horário e local especificados para a biometria, nos dirigimos ao posto indicado. Ao chegar, na entrada, mostramos esses itens ao segurança e recebemos uma prancheta com um questionário a ser preenchido na hora. Entregamos o questionário respondido, recebemos um número e esperamos a nossa vez. A seguir, o processo é simples e rápido: basta deixar as impressões digitais, posar para a foto e somos liberados.

Mas, atenção: se houver alguma diferença no nome que consta no passaporte e no social security card, como aconteceu no meu caso, é importante levar a certidão de casamento e, assim, comprovar a mudança do nome para a checagem inicial do serviço de segurança. Do contrário, o processo é atravancado e não somos admitidos. É um engano pensar que com a carta da imigração em punho, eles têm acesso aos nossos dados, que incluem a cópia da certidão de casamento, tudo já entregue anteriormente. Descobrimos, a duras penas, que o posto designado para a biometria não faz parte do Departamento de Imigração. Trata-se apenas de uma empresa subcontratada para o serviço, que não tem acesso à documentação ou aos nossos dados no sistema.

Com base na biometria, uma nova investigação dos nossos antecedentes é conduzida. O passo seguinte é aguardar a carta com a data e o local da entrevista.

Entrevista:

A minha foi marcada para cerca de pouco mais de dois meses depois da biometria. Aqui, a dica principal é sair de casa com bastante antecedência, contando com imprevistos no trânsito, a demora para encontrar estacionamento ou, quem sabe, dar de cara com uma fila de rodar quarteirão, por conta da segurança para entrar no prédio da Imigração.

Deixamos os celulares no carro, pois eles, assim como quaisquer mecanismos de fotografia e gravação, eram proibidos de entrar no prédio e tampouco havia um guarda-volumes ou outro lugar para deixá-los durante a entrevista. Quem vai ao local de trem, táxi ou algum outro transporte a que não tenha acesso depois, deve deixar o telefone em casa. Não tem jeitinho que se dê, a segurança é tão rígida quanto a dos aeroportos americanos.

A orientação que recebemos é de levar a carta com o horário e o local da entrevista (ela é fundamental para a entrada no prédio), além do catatau de toda a documentação original apresentada à Imigração meses atrás.  Se houver algum advogado contratado, ele deverá ser admitido por uma outra entrada.

Ainda bem que chegamos cedo. Encontramos uma fila quilométrica avançando a passos de tartaruga, ouvimos línguas diversas, vimos saris, turbantes e outros trajes típicos, numa grande salada étnica. Não fosse a fila e a tensão palpável no ar, nos sentiríamos em plena convenção das Nações Unidas.

Carregamos uma pasta pesada de documentos, praticamente tudo o que eu tinha comigo desde o Brasil, passando pelo Japão; anexamos toda a correspondência, contas que chegaram em meu nome, ao endereço americano, contratos em que constavam juntos meu nome e do meu marido, álbuns de fotografia em festas de família, viagens, etc. Fomos encaminhados a um grande salão de espera. Escutei alguém falando português atrás de mim, cumprimentei os conterrâneos, sorri e relaxei um pouco. Ouvir a língua da terrinha longe de casa é, quase sempre, como um bom sopro de ar fresco…

Bem depois da hora marcada, meu nome foi finalmente chamado. Fomos encaminhados para um pequeno labirinto de saletas com entrevistadores e entrevistados. Chegamos à nossa, onde nos esperava o nosso inspetor, ele mesmo, um imigrante armênio.

O encontro começou com um aperto de mãos, seguido do nosso juramento de “dizer somente a verdade, não mais que a verdade”. Depois de meia dúzia de perguntas de praxe, pré-estabelecidas, sobre os meus antecedentes, a entrevista começou a tomar um rumo mais livre, em que ele se dirigia alternadamente a mim e ao meu marido. Houve uma série referente a dados numéricos. Ele checou a cronologia de vários fatos, quando nos conhecemos, nos casamos, viajamos para esse ou aquele lugar, sempre checando o meu passaporte; me perguntou o endereço (temos dois), o código postal, o número do telefone do meu marido, etc… Daí se seguiram questões mais pessoais sobre como nos conhecemos, minha carreira no Japão, o trabalho do meu marido, sua renda, por que se casou comigo (ora essa!), etc, etc. Eventualmente, nos pedia para mostrar a original desse ou daquele documento, cujas cópias ele também tinha em mãos, para conferir. A um certo ponto, ao ver a quantidade e a consistência dos papéis que tínhamos em comum, como casal, ele pareceu convencido da ausência de fraude e seguiram-se amenidades sobre a comida brasileira, a comida armênia, como anda a segurança no Rio, por que fui parar no Japão, etc… Ele nos falou um pouco da visita que havia feito à Rússia recentemente, país da sua esposa. Simpático inspetor. Ao final de cerca de meia-hora, nos apertou novamente as mãos, disse que estávamos liberados e nos parabenizou pela aquisição do green card, que chegaria pelo correio dentro de um mês! A partir daquele dia, mesmo ainda sem o documento nas mãos, seu registro já apareceria no sistema dos computadores e eu não precisaria mais apresentar o furlough toda vez que retornasse de uma viagem ao exterior.

Suspiro de alívio, desarrufo, final feliz.

Alerta:

Para terminar, queria apenas chamar a atenção dos leitores com planos de residir nos Estados Unidos, para os inúmeros anúncios fraudulentos de loterias de green card.

Há anos o Brasil não se encontra na lista de países elegíveis para o sorteio: http://www.travel.state.gov/pdf/DV-2011-Portuguese.pdf

A lista, no website acima, é atualizada a cada ano.

Além disso, notem que nenhuma taxa é cobrada para a inscrição nessa loteria.

Informações afins devem ser conferidas em fontes seguras, como os websites da embaixada ou consulado americano, do Departamento de Estado ou então, do Departamento de Segurança Nacional (US Department of Homeland Security).

A quem está se preparando para a maratona do processo de residência, muita paciência, boa sorte e tudo de bom!

2 Comentários leave one →
  1. Leonardo permalink
    06/11/2010 21:48

    Olá, eu tenho apenas 18 anos, mas queria muito morar nos estados unidos. Estou pesquisando sobre, e achei essa sua historia. Gostaria se possui email, ou msn para contato, pois adoraria conversar sobre, pois quero começar a planejar isso. Abraços

  2. Douglas permalink
    26/07/2012 23:15

    Desculpe-me a ignorancia, mas gostaria de saber, já que tenho direito à cidadania italiana, se isso facilitaria minha possibilidade de viver nos EUA. Obrigado. Abraços.

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