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Conflito e União de povos nos Caucasus

21/10/2010

Barbara Basso
Mundo

Ao ler o post da Lilian sobre Israel e Palestina, lembrei de uma situação que conheci, na região dos Caucasus (aquela região a leste da Turquia, sul da Rússia, que é metade Europa, metade Ásia e fica pertinho do Irã… aquela região que foi passagem de tantos povos que faziam o “Silk Road” (Caminho da Seda), cruzando Ocidente-Oriente).

No ano passado tive a oportunidade de participar de um Congresso da AIESEC – organização na qual eu trabalhava – da Ásia Central e Caucasus.

A AIESEC tem como visão “Peace and fulfillment of humankind’s potential” (traduzindo seria algo como “Paz e plena realização das potencialidades humanas”) . Com essa visão, procuramos fazer atividades que sejam relevantes… relevantes para alcançar o que queremos: paz e plena realização das potencialidades humanas… E lá na região dos Caucasus, vi que realmente podemos ser relevantes!

Um pouco do contexto:
* A Armênia e a Turquia estiveram em guerra no final do século XIX e início do sec. XX… além de disputas territoriais, essa guerra culminou em um genocídio: mais de 1 milhão de armênios foram vítimas do genocídio e mais de 800 mil armênios saíram do país (no que é conhecido como “diáspora armênia”).

Por isso, até hoje Armênia e Turquia têm suas fronteiras fechadas (sim, isso significa que apesar de serem países vizinhos, é impossível cruzar a fronteira da Armênia com a Turquia)

* O Azerbaijão tem uma região dentro de seu território que é habitada por armênios – que requerem sua autonomia… a disputa por essa região entre armênios e azeris mantém os países em guerra desde princípios dos anos 90… hoje há um cessar-fogo, mas os dois países não tem relações diplomáticas, tem suas fronteiras fechadas e cultivam uma mentalidade de ódio com relação ao outro país…
(para saber mais sobre o contexto, clique aqui)

Na conferência…

…tínhamos delegados de todos esses 3 países: armênios, turcos e azeris…

…muitos armênios nunca tinham visto um azeri “ao vivo” e a maioria deles nunca tinha conversado com um (e vice-versa). Isso porque a mídia em seus países faz com que eles vejam com maus olhos as pessoas do país vizinho…

Ao chegar na conferência, eles não queriam tirar fotos juntos, não conversavam entre eles, não queriam estar nos mesmos grupos de discussão. Mas como todos nós queremos PAZ, durante a conferência as duas delegações (Armênia e Azerbaijão) tiveram uma reunião com todos os seus delegados…

Nessa reunião, conversaram sobre suas diferenças, semelhanças… sobre seus diferentes pontos de vista e suas visões similares de futuro. Eles entenderam que os motivos do conflito entre seus países mas, acima disso, entenderam que são todos seres humanos, jovens e que têm sonhos parecidos… e todos concordaram que guerras não fazem sentido e que diálogo entre os dois países é preciso! E terminaram a reunião comemorando o aniversário de uma guria do azerbaijão juntos… comendo bolo e compartilhando experiências.

E durante o resto da conferência, armênios e azeris participaram juntos em grupos de discussão, festas… conversaram sobre construir uma identidade regional do Caucasus… e foram pra casa com uma imagem muito diferente do país vizinho 😉

E sobre a Turquia?

Não só as delegações da Turquia e da Armenia conviveram pacificamente durante a conferência, tiraram fotos juntos e também participaram juntos nas sessões e atividades sociais…
…como também a Armênia e a Turquia realizaram seus primeiros INTERCÂMBIOS!

2 armênios estão agora na Turquia em seu intercâmbio através da AIESEC… estão trabalhando em empresas/projetos por lá, aprendendo sobre a cultura turca (um deles esteve em um casamento turco) e vendo que há muito mais semelhanças do que diferenças entre esses 2 povos…

São acontecimentos como esses que me fazem acreditar na possibilidade de um futuro melhor 🙂

6 Comentários leave one →
  1. 21/10/2010 10:55

    Na Argentina ha muitos armenios, uma colega minha na Holanda e’ metade armenia e vivia falando dos genocidios perpetrados pelos turcos (na verdade nao foram um milhao, foram um milhao e meio de armenios assassinados). A Turquia NAO reconhece esse genocidio. Os turcos tambem oprimem os curdos, uma nacao sem terra demarcada geograficamente, e que esta dividida por Turquia, Iran e outros paises. Agora, quando fui a Turquia achei os turcos tudo good blood, tudo gente boa… Pois e’ ne ? Eu era turista, tudo e’ sorriso… Agora, vai requisitar terra deles… “o que ‘e meu e’ meu e ninguem tasca…”

    • 21/10/2010 11:10

      Barbara,
      muito bom saber o quanto a AIESEC pode contribuir em momentor como esse com alguma sementinha para a paz mundial
      esses jovens serão no futuro, os governantes desses paises e eles poderão lembrar dos momentos de celebração e paz e colocar em prática nos seus paises.
      Adorei o post divulguei entre váaarias pessoas
      abraços
      Daniel Thomás

      • Barbara Basso permalink
        23/10/2010 22:12

        Daniel

        Legal, né? Eu fiquei arrepiada quando ouvi a conversa que o pessoal teve, naquela reunião que eles fizeram entre armênios e azeris… vi várias coisas assim em diversos países… que me fizeram acreditar muito na AIESEC e na possibilidade de um mundo melhor 😉

        Obrigada por divulgar o post! 🙂

  2. 21/10/2010 17:45

    Nossa, Barbara. Você colocou o Azerbaijão no mapa para mim.
    Literalmente tive que checar a geografia.
    Obrigada pelas informações!

    • Barbara Basso permalink
      23/10/2010 22:19

      Que bom que meu post te fez “encontrar” o Azerbaijão 😉

      Vou ver se posto algo mais aqui sobre aquela região… gostei muito da Georgia e da Armênia 🙂

      beijos!

  3. Cesar permalink
    01/11/2010 14:31

    Existe um dado científico sobre as diferenças genéticas entre seres humanos de vários povos que sem saber precisar valores, mas é ínfima. Talvez por isto quando se cria a oportunidade de jovens de vários países, povos e culturas tão distantes conversarem entre si, vemos que as diferenças de expectativas, aspirações, sonhos e experiências sejam tão pequenas.
    De tudo que minhas filhas Bárbara e Débora viram em muitos paísem onde viveram ou visitaram, vi que haviam jovens nestes países que poderiam sem sombra de dúvida ser filhos meus e conviveriam na nossa casa com os mesmos conflitos de uma família normal.

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