Lilian Kano
Califórnia/Connecticut, EUA
 

 

Os EUA e o Canadá são países vizinhos e semelhantes em vários aspectos.

Hoje vou escrever sobre algumas diferenças, uma síntese do que postei no meu blog depois da minha visita a Vancouver há alguns meses.

Há muitos anos, na minha época de estudante, o Canadá me parecia o lugar mais atraente para estudar inglês fora. Tinha boas escolas, um custo relativamente baixo e ótima qualidade de vida.

Hoje, no entanto, o fator econômico mudou. O custo de vida, de forma geral, chega a ser mais alto do que nos EUA. A gasolina está cerca de 30% mais cara.

Os dois países são mesmo muito parecidos, nos costumes, no sotaque… Muitas redes de lojas e restaurantes são as mesmas. Ao cruzar a fronteira e entrar no país, senti uma ligeira mudança na arquitetura e também um ritmo mais relaxado. Impressões vagas. Comecei então a perguntar aos amigos locais o que achavam.

Alguém lembrou que ao sobrevoar os EUA, o que se vê é uma intrincada teia urbana se expandindo de encontro a outras teias, ao passo que no vizinho, há muito mais espaços verdes inexplorados, entre um povoado e outro. Fácil entender: a população americana é quase dez vezes mais numerosa que a do Canadá, segundo maior país do mundo (depois da Rússia), embora muito menos ocupado, cheio de vazios demográficos.

Foi uma surpresa para mim descobrir que apesar da área maior, por incrível que pareça, o Canadá tem um território cultivável, viável para a agricultura, de menor proporção que o dos vizinhos americanos, por causa de uma combinação de fatores, como qualidade do solo, clima e topografia.

Ao tocar no assunto com um amigo canadense, ele chamou a atenção para o fato de nos Estados Unidos sentirmos imediatamente uma forte presença militar nas bases espalhadas pelo país, quando no Canadá ela é bem mais discreta.

Sua esposa lembrou que o acesso ao álcool é mais restrito, ele é vendido em liquor stores, lojas específicas de bebidas, e não nos supermercados também, como na maioria dos estados americanos.

Muitos canadenses mencionam, com indisfarçável orgulho, o fato do porte de armas de fogo, exclusivamente para autodefesa, não ser facilitado no país, em contraposição à sua abertura nos EUA. Além disso, falam também da previdência social que cobre uma rede abrangente de necessidades, seguindo os moldes do oeste europeu. Em especial, do sistema de saúde, que investe em prevenção e dá a toda a população um acesso razoável aos cuidados médicos quando, por outro lado, muitos americanos não têm nem o benefício do seguro, por conta dos preços altos. Daqui, ainda hoje se cruza bastante a fronteira em busca de emprego e melhores condições de vida em território americano.

Contudo, o Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas colocou o Canadá em 4ª colocação no ranking mundial, ao passo que os EUA estão abaixo, em 13ª, de acordo com as estatísticas de 2009, baseadas em longevidade, educação e renda per capta (o Brasil está em 75o lugar).

Do ponto de vista religioso, no Canadá, o catolicismo ainda abocanha a maior fatia da população; e entre os americanos, o protestantismo é mais difundido.

Quanto ao bilinguismo canadense, as principais instituições públicas e privadas devem oferecer serviços nos dois idiomas, inglês e francês, e o Quebec é a única província oficialmente unilíngue. Muito se fala na fenda que existe entre as bandas francofone e anglófona, mas cada vez mais as pessoas tomam partido da situação, e encaram a necessidade de aprender ambos os idiomas como um precioso lastro cultural e uma excelente ferramenta para o mundo global.

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