Lilian Kano
Connecticut, EUA

Nos EUA o Thanksgiving é celebrado na última quinta-feira do mês de novembro – decretada feriado nacional pelo congresso em 1941 – e é uma das datas mais significativas do calendário.

Com origem em costumes europeus, no passado, tinha um pezinho firme na religião. Mas agora, apresenta um significado mais amplo, irrestrito e secular, chegando praticamente a parar o país.

No dia D, os únicos estabelecimentos comerciais que encontramos abertos foram os supermercados (com horário limitado) e o correio, somente para correspondência expressa… e olhem lá!

Suas raízes são até agora discutíveis. Alguns dizem que o primeiro dia de Ação de Graças aqui foi celebrado na Flórida, em 1513; outros, que foi no Texas, em 1541. Ou na Virgínia, em 1607. Há várias teorias, mas a versão oficial que prevalece é a de um grande banquete em agradecimento às colheitas do outono, compartilhado pelos colonizadores ingleses e os índios Wampanoag. Estavam todos otimistas com relação ao duro inverno que enfrentariam, em 1621, no assentamento de Plymouth/Massachusetts, região da Nova Inglaterra (New England), a cerca de 3 horas de onde vivo. Mais um dos incontáveis mitos sobre os quais se alicerça a história do país.

Hoje em dia, a mesa impecavelmente bem apresentada, o peru recheado, o molho de cranberries e um desfile nacional em Nova Iorque, fazem parte da tradição.

Para minha surpresa, curiosamente o que chamavam de dinner ou “jantar” a que fomos convidados no meu primeiro Thanksgiving no país ano passado, foi marcado para as duas e meia da tarde. A comilança começou cedo e seguiu até a noitinha, num dia inteiramente dedicado ao espírito de gratidão, comunhão, comunicação com familiares e amigos, troca de novidades, compartilhar de boas recordações e… jogos. O que me faz lembrar que preciso arregaçar as mangas e polir com carinho o meu vernáculo para o Scrabble no ano que vem.

O dia seguinte, sexta-feira, é conhecido como “Black Friday”. Nada nebuloso, como o nome pode, de repente, sugerir. É simplesmente, o dia do consumo, dos grandes descontos nas lojas, criado há anos para turbinar o comércio com a esperança de mudar a contabilidade do vermelho para o preto. Daí o batismo meio peculiar.

Hora de tirar dos quintais as abóboras do Halloween, símbolo das colheitas do outono, e colocar a decoração de Natal. O sol anda mais caprichoso, o inverno chegou.