Lilian Kano
Connecticut, EUA

 

Quando amigos me perguntam sobre a realidade disso ou daquilo nos EUA, a resposta nunca é simples porque, como o Brasil, o país é enorme e diverso. Para enrolar ainda mais o meio de campo, as leis não são uniformes, variando de estado para estado, condado para condado, até prefeitura para prefeitura…

Por exemplo, certos estados aprovam a pena de morte, outros não. As leis referentes ao porte de armas também variam.

Depois da tragédia nesse último sábado, em Tucson/Arizona, quando Jared Loughner, um jovem perturbado de 22 anos abriu fogo num evento político deixando 6 mortos e 14 feridos, o debate sobre o controle de armas de fogo (e a facilidade de se obter ferramentas para perpetrar homicídios em massa) voltou a inflamar o país. Entre as vítimas está a carismática deputada democrata Gabrielle Giffords, em estado grave no hospital.

O Arizona se destaca como um estado que dá grande abertura ao porte de armas de fogo, com campanhas inclusive para legalizá-las em escolas, bares, escritórios, igrejas, parques e até mesmo entre os adolescentes… No ano passado se tornou o terceiro estado do país a não exigir licença para o porte velado (com a arma escondida). Paradoxalmente, massacres como esse último parecem colocar ainda mais combustível na retórica dos entusiastas, segundo a qual “mais armas quer dizer menos violência”. Muita gente já está falando que é o necessário para a proteção contra tragédias desse tipo. Mais armas ainda do que as que já existem no Arizona…

Enquanto isso, opositores ao permissivismo cobram mudanças concretas, para ontem, no sentido de restringir o porte. Há muitas críticas também ao discurso reacionário de certos políticos (inclusive Sarah Palin) e à própria cultura, que glorifica a violência na indústria de entretenimento.

7 entre 10 americanos são a favor do direito ao porte de armas, segundo o último levantamento Gallup.

Em tempo: quem tem planos de viajar pelos EUA, não se surpreenda se um belo dia vir na rua grupos civis andando tranquilamente com armas na cintura. É que alguns estados autorizam o “open carry”, o porte aberto, à vista de todos. Esse foi um dos meus espantos ao me mudar para cá.

No começo do ano passado cheguei a escrever a respeito. Se alguém quiser ir um pouco mais fundo na questão, o texto está disponível aqui.