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Violência de Gênero. A Espanha é um país seguro para as mulheres?

26/01/2011

Edu
A Coruña, Espanha

 

Quando pensamos em violência contra a mulher no exterior, a primeira coisa que nos vêm à cabeça são alguns países radicais do mundo árabe que praticam a lapidação (ou apedrejamento),  como forma de execução de condenados à morte. 

Pela lei iraniana, uma mulher condenada ao apedrejamento deve ser enterrada até a altura do peito e golpeada à morte por pedras nem pequenas nem grandes demais. Portanto, em muitas culturas, a violência contra a mulher é aceita; e normas sociais sugerem que a mulher é a própria culpada da violência por ela sofrida apenas pelo fato de ser mulher.

A Espanha, por outro lado, tem uma lei específica de proteção integral às vitimas de violência de gênero (Ley Orgánica 1/2004). Logicamente esta lei protege tanto a homens como a mulheres, entretanto, as estatísticas mostram que as mulheres são vitimas em praticamente 100% dos casos registrados pela policia. Ano passado foram mortas na Espanha 73 mulheres pelas mãos de seus companheiros ou ex-companheiros, o que dá uma média de 6 homicídios ao mês. (Fonte: Ministerio de Igualdad).

No Brasil, a violência contra a mulher é crime, previsto pela Lei 11.340/2006, conhecida como “Lei Maria da Penha”. Os números brasileiros assustam:  De acordo com o Instituto Sangari, entre os anos de 2003 e 2007 foram registrados 19.440 homicídios de mulheres, algo perto de 4.000 ao ano. (ou uma morte a cada 2 horas). Municípios como Tailândia, no Pará, ou Serra, no Espírito Santo ostentam taxas em torno de 19 homicídios para cada 100 mil mulheres. Se fossem países, teriam a triste liderança internacional nessa área (El Salvador, taxa de 12,7 homicídios em 100 mil mulheres, Rússia 9,4 e Colômbia 7,8)

Apesar da Espanha não apresentar números tão alarmantes de violência contra a mulher, se comparados com outros países, me impressiona o grau de relevância que este assunto tem na sociedade e principalmente na imprensa espanhola. Cada novo caso de homicídio contra uma mulher é noticia de capa dos principais jornais do país. As prefeituras onde ocorrem as mortes imediatamente se manifestam condenando a violência, e as autoridades refletem se as medidas existentes de proteção estão sendo suficientes.

Portanto, não podemos dizer que qualquer mulher que resida na Espanha, está 100% livre de ser vitima de violência de gênero, porque infelizmente isto dependerá muito do caráter, dos valores e da cultura de seu companheiro. Entretanto, a Espanha é um país que dispõe de um forte aparato policial dedicado a este tipo de violência, existem juizados especiais para este tipo de crime e  as leis são muito abrangentes. Além disso, a sociedade espanhola tem mostrado dar a devida importância a este (infelizmente) milenar problema. Aqui na Espanha, não se trata de “um caso a mais”. A repercussão sempre é grande. 

Clicando no site do Ministerio de Igualdad, você poderá analisar os últimos números de violência de gênero no país.

8 Comentários leave one →
  1. 26/01/2011 8:40

    Quando estive em Valencia no ano passado vi muitos cartazes nas ruas sobre esse tema.
    Na Holanda ja estao num passo adiante: a campanha contra a violencia domestica de forma generalizada. Explico: muito homens nao denunciam suas mulheres quando apanham delas. E deve-se dizer que violencia nao ‘e so fisica nao ! Processa-se no ambito psicologico tambem, com chantagens, humilhacoes, reclamacoes constantes, etc.. Esses maridos acham que levar uns tapas da propria mulher na verdade nao e’ tao grave assim… e o negocio vai escalando. A violencia domestica contra homossexuais tambem existe, pais e irmaos que insultam os filhos gays, etc.. Por isso que eu acho bom campanhas do governo estimulando as meninas a seguirem carreiras “masculinas” (marinha, aeronautica, informatica), e obrigando as empresas a terem cotas de estrangeiros, deficinetes e mulheres. Quanto mais aceitarmos as diversidades humanas, melhor seremos como sociedade.

  2. 26/01/2011 9:51

    Eu sou contra cotas. Se eu fosse empresario nao teria nenhum problema em contratar um estrangeiro, uma mulher, um deficiente ou um negro, amarelo, branco ou azul sempre e quando tivesse capacidade para desempenhar o posto de trabalho oferecido.

    Há 2 anos fui em um seminário de igualdade de generos aqui na Espanha e os palestrantes (que eram empresarios) enchiam o peito para dizer que 50% do seu pessoal era formado por mulheres. Ou seja, COM CERTEZA muita gente competente foi descartada no processo de seleçao, para que o empresario pudesse alcançar esse numero 50%-50%.

    No Brasil tem esta palhaçada de cotas para negros na Universidade. Isso é tapar sol com a peneira. Porque o governo em vez de dar cotas, nao se preocupa em proporcionar uma educaçao publica de alto nivel para que qualquer adolescente de qualquer nivel, raça ou credo chegue preparado ao vestibular e consiga entrar em uma faculdade pelos próprios méritos, e nao com “jeitinho” que é o nome que eu dou as cotas ?

    Eu acho que um país que adota sistema de cotas é atrasado por definiçao. Um país avançado deveria dizer “nao necessitamos cotas porque todos os jovens chegam em igualdade de condicoes ao vestibular”. Mas isso só deve acontecer na Finlândia.

    • 26/01/2011 13:26

      Oi Edu. A Holanda nao e’ nada atrasada. Pelo que eu sei nao ha paridade salarial nem na Suecia (vide o livro “Ha um lugar especial no inferno para mulheres que nao se ajudam”) nem na Finlandia. So deve existir no Nirvana mesmo, para quem acreditar.

    • 15/02/2012 15:19

      Concordo,Edu.Isso rola aqui na Italia também.

  3. 26/01/2011 11:36

    Se comparado com os números sinistros do Brasil, claro que a Espanha é segura para as mulheres, e quero crer que para os homosexuais também, bem como para com idosos, deficientes físicos, etc…
    O que me espanta em países cuja sociedade é mais evoluídas que a nossa, é o grau de bestialidade do chamado “berço da civilização”!
    Na verdade, não evoluímos nada, em termo universais…
    E só para ir mais longe, em cada canto do planeta, a violência assume uma característica local…
    No Brasil onde falta cultura e a miséria é avassaladora, falta infra estrutura para fazer valer a lei Maria da Penha…
    No fundamentalista Irã, é o fanatismo religioso mesclado com machismo…
    Na rica e culta Europa onde voce vive, ainda prevalecem resquícios da idade das trevas…
    Nos Estados Unidos, são os maridos psicopatas em algumas comunidades…
    Na bíblica Israel e Palestina, lemos nos Livros da Lei como a mulher era punida…
    Na sofrida África, as mutilações…
    Enfim, quando é que tudo isso terá fim?

  4. Beto permalink
    17/05/2011 11:24

    Moro e estudo em Valência na Espanha há um ano e três meses não estou aqui para falar mal da Espanha, mas a realidade é um pouco distinta do que consta neste artigo, quando cheguei esperava muito pois chegaria em um país de “primeiro mundo” onde acreditava que tudo seria bem melhor que no Brasil, de fato em se falando de transporte, limpeza pública, segurança e tratando de educação, me refiro às ótimas estruturas das universidades, professores altamente qualificados e uma realidade academica que está muito além da nossa.

    Porém quanto a educação das pessoas em alguns casos perdem feio, como exemplo o alto indice de fumantes, grosseria no atendimento a clientes, falta de conciencia quanto a sujeira dos animais domésticos nas ruas entre outras pecualiaridades

    O que mais me surpreendeu foi que aqui não existem defensores públicos, existe um certo amparo a pessoas sem renda para constituir um advogado, porém muito burocrático e de difícil acesso o que é muito diferente de defesa gratuita. Cito aqui o caso de uma anciã que alugava seu apartamento e que com a crise e o término do contrato tentou voltar a habitar seu imóvel, porém ao chegar este estava alugado a outras pessoas por um homem desconhecido e que não era o proprietário, esta senhora está tendo que dividir seu apartamento com outras 8 pessoas que se negam a sair e a polícia e as autoridades locais nada fazem a respeito, pois dizem que na “demanda” todos os envolvidos tem direitos, que leis são essas da Espanha? e o direito à propriedade?. No Brasil isso seria facilmente resolvido com uma reintegração de posse.

    A falta de um código de defesa do comsumidor também me surpreendeu, nas lojas se ve muitas vendas casadas e publicidade enganosa.

    O machismo aqui é latente e muitas mulheres foram mortas por seus maridos, as campanhas que tem aqui são semelhantes as do Brasil à época da aprovação da Lei 11.340 de 2006, conhecida vulgarmente como “Lei Maria da Penha”.

    Raramente você encontrará uma mulher em um cargo de chefia, e ao meu ver isso também é violência de gênero, existem redes de lojas e supermercados em que não há nenhuma mulher em cargos de chefia, sem contar com o serviço pois no caso dos supermercados essas mulheres limpam, repoem mercadorias, trabalham no acougue e ainda tem que atender nos caixas, ou seja, acúmulo de funções, fora a disparidade salarial, o motivo dos 50% do pesoal ser formado por mulheres como se referiu o Sr. Edu é pura simplesmente pela disparidade salarial, afinal qual o empresário que não peferirá uma mão de obra mais barata?

    O Brasil em alguns desses casos citados está anos à frente da Espanha, existe uma igulade de gereros, inúmeras mulherres tem cargos de chefia e a disparidade salarial não é tão absurda. Dessa forma acho que a Espanha não é um país tão seguro assim para as mulheres pois o machismo aqui ainda está como na idade média.

  5. 15/02/2012 15:16

    Muito oportuno esse post.

    Devemos é pensar em diferentes causas pra esse problema: que existe violencia fisica e psicologica.Que afeta ambos os sexos.Outra coisa, existe a violencia pra mulher do lugar(Espanha,Italia,etc) e pros outros paises(aqui na Italia isso acontece ao julgarem mulheres estrangeiras como prostitutas,que nao trabalham,etc,coisas que nao sao verdade).Isso na verdade,afeta os estrangeiros em geral.Acho um erro falar da violencia do Brasil em geral:em numeros,em caso de qualidade de vida,habitos somos praticamente a Europa em tamanho.Jogar tudo por baixo pra dizer é coisa de Brasil é um erro tremendo.Nossos estados sao muito diferentes.E claro tudo isso nasce pela educaçao e pelos habitos de familia.Nao é $$.Conheço muita gente rica que batia na mulher enquanto o pobre tratava a mulher e os filhos melhor que um principe.Ja viram documentario do Kennedy,sobre o Berlusconi.Isso também é violencia.

    Aqui na Italia,rola uma campanha parecida.Sei de campahas contra o stalking,coisa muito comum aqui.Outra coisa é o caso de maridos que matam os filhos, a esposa e se suicidam.Na TV isso aparece frequentemente.Aquela coisa,noticia sensacionalista vende muito aqui,italianos adoram fofocar a vida alheia.Mas nesse caso è valido,demonstra o quanto existe essa violencia por aqui.E se eu falar no que falo sempre,no turismo sexual…Tao violencia quanto.Tal ato inspira-se nas guerras em todo o mundo aonde mulheres eram estupradas e violentadas como forma de violencia contra um povo.O sexo sendo uma coisa tao intima era usado como uma forma de humilhar o inimigo.E nao existe coisa mas humilhante e violenta que fazer tal barbarie com a mulher do povo inimigo.Isso é o que é o turismo sexual.Quando escuto aqui na Italia falarem isso,fico enjoado.Tais ¨machoes¨que se vangloriam de transar com brasileiras que segundo eles sao¨faceis e bla bla bla¨na verdade comentam a mesma barbarie que soldados americanos cometem com mulheres estrangeiras no Oriente Médio,como soldados humilharas tais pessoas nas Cruzadas ou quando sheikes sauditas vem ao Ocidente atras das ocidentais,de preferencia louras.Ambos os tipos na verdade enxergam a mulher como um modo de humilhar o povo inimigo.(mentalidade deles).O blog sempre cita isso.

    Porém,ao meu ver as mulheres ainda nao conseguem enxergar isso.Ja questionei algumas que fazem coisas para provar na verdade nao percebem que o sexo é usado como uma forma de violencia e que hoje em vez do estupro ou outra violencia direta,embora esses ainda existam,o turismo sexual com violencia indireta compra a honra por $$.Mas o resultado é o mesmo.Humilhar alguém.Nosso blog ja fala isso e tem casos demonstrados.

    Meu ultimo comentario talvez seja polemico.Sou contra a lei Maria da Penha,do jeito que é por ser sexista.Nao bato em mulher,detesto e denuncio quem faz.Nosso blog ajuda isso.Mas ela poe toda a mulher como vitima,inocente e sem ser responsavel por seus atos.Em 2012 isso é fake.E o homem sempre como bandido.Fake.Isso é sexismo.Hoje mulheres estudam,tem muita informaçao,comandam cargos,ganham mais muitas vezes,sao maioria nas Universidades,se aventuram ate nos ringues de MMA com muita brasileira como campea,tem informaçao.Essa historai de vitimas do sistema em 2012 é lenda. Ao meu ver tem muita mulher que se passa por vitima quando hoje na verdade nao é mais o caso em 2012.

    O que falar das mulheres que usam os filhos como arma ou troca por $$ durante a separaçao.Que nao deixam os pais ver os filhos.Claro,o homem fez o filho,mas,ao menos que tenha sido estupro a mulher consentiu.E porque a guarda é sempre da mulher na sua maioria dos casos.
    A lei Maria da Penha é justa ao ser criada tambem uma lei Joao alguam coisa para os homens,em casos de violencia psicologica contra o homem.Essa no Brasil é muito usada e nao deixa feridas,somado que no tribunal toda mulher vira anjo,ainda mais no Brasil pais aonde a proteçao ao coitadismo impera.

    Eu,pessoalmente,duas vezes presenciei cenas de mulheres batendo em homem pelas costas e sem motivo de agressao desse com ela.Mulher batendo forte,na frente de todos pois sabia que ele nao poderia revidar.O cara estava sem opçao.Se batia nela como faria com outro cara em igualdade,era preso por ser homem,enquanto ela em 3 segundos virava a vitima e voltava pro tempo de 1800,aonde mulheres talvez tenham sido vitimas.Pior,tive que salvar ela do cara que ja estava realmente perdendo a paciencia.

    Somos diferentes e a graça é viver com nossas diferenças.Resumo:a lei do Brasil é tendenciosa,sexista e esta longe de pregar a igualdade.

  6. MARY permalink
    26/07/2012 23:21

    Oi Edu, passei aqui para te deixar um recadinho, voce precisa saber : A minha irma vive na espanha e morava com um espanhol eram PAREJAS como dizem ai, enfim ele passou a maltratar ela , ela muito submissa deixava . Ela trabalhava com ele , e sempre ele humilhava ela na frente dos clientes em seu PUB , imagina o final de tudo ele atacava ela e bateu algumas vezes. Sem contar que ela nao estava sendo cotizada , trabalhando para ele a muitos anos sempre aos fins de semana e aos feriados , ela com vergonha ficava calada ate que um belo dia ele chamou ela de ZORRA e mandou ela tomar naquele lugar!! na frente de clientes , hum !!! ai a coisa ficou feia ela cansada de tantos maltratos denunciou ele , ai começou a confusao , enfim… foram parar no JUIZ . Resultado da sentença ela perdeu , ele saiu como o rei e na sentença fala que ela era apenas uma amiga com direito a ROCE . IMAGINA!!!!! um cara que veio 2 vezes no Brasil na nossa casa , foi bem recebido ,vivia com ela a anos , a neta dela chama ele de vovö, ele aparece em todas as fotos , vive com ela durante 7 anos e nem o aluguel pagava e nao dava nada de contribuiçao , entra pro albún de familia no casamento da filha , todos fazinha festinha pra ele no seu aniversario , hum !! era empadronado na mesma casa . E agora te digo : como pode uma juiza dar uma sentença dessa ??? GENTE AJUDEM A MINHA IRMA ELA TÁ MAIOR DEPRESSAO … bjs – email marymoorr@hotmail.com

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