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Os alemães namoram?

29/01/2011

BIbiana Nilsson
Hamburgo, Alemanha

Não é a primeira vez que eu venho para a Alemanha, mas é a primeira vez que eu preciso me deparar, de verdade, com o jeito alemão de ser. Aos 16 anos eu fiz um intercâmbio e passei oito meses em terras germânicas. Eu amei, não queria voltar pro Brasil. Passei os anos seguintes sonhando em retornar para cá e agora … eu só quero entender.

Não que não seja uma experiência boa, mas é muito diferente do que eu imaginava. Trabalhando entre alemães, morando com alemães, eu tenho conseguido perceber mais as nuances – o que nos aproxima e o que nos separa, além do Atlântico. É surpreendente.

Estou morando em Hamburgo há praticamente dois meses. Trabalho na bab.la, um portal multilinguístico, em que sou responsável pelo conteúdo e também pela parte de Marketing. É bastante trabalho para um estagiário e bastante responsabilidade também – coisas que a gente vê no Brasil, inclusive. Assim como na nossa querida terra, aqui também a remuneração para estágios não é lá aquela coisa… o sujeito se vira, mas não dá pra acompanhar o padrão europeu de vida.

É interessante trabalhar com a própria língua e cultura fora do país de origem. Uma das minhas muitas tarefas é escrever a respeito do Brasil e da Língua Portuguesa, para o blog que temos aqui, o Lexiophilles. Nas últimas semanas, tenho me detido com os estados brasileiros. É incrível: só agora, aqui, longe, eu fui me dar conta da imensidão do Brasil. E das riquezas que temos. Aos poucos, eu entendo melhor a perplexidade dos europeus diante do nosso país… o Brasil é inexplicável. Tem que viver pra ver.

Algo que eu comecei a valorizar bastante por aqui é a preocupação que temos com os outros. Nós brasileiros queremos que os outros sempre se sintam bem e nos esforçamos para isso. Os alemães também querem isso, mas não sabem direito como. Noto que é difícil para eles perceber o que o outro está sentindo e, mais ainda, chegar até o outro. Não só abraço e beijo são raros por aqui… falar sobre os próprios sentimentos é difícil para qualquer um, mas para os alemães é um suplício. Eles têm medo de se machucar, não querem ter seu espaço invadido… Então, começar qualquer tipo de relacionamento aqui é uma novela. Uma brasileira me perguntou esses tempos: os alemães namoram? Eu descobri que sim – apesar de ter visto poucos indícios em espaços públicos. A diferença básica é o tempo que se leva até namorar: é muito maior. Por outro lado, muitos namoros aqui duram mais, são mais estáveis. E logo viram casamento.

Prefeitura de Hamburgo. Eu (BIbiana Nilsson) na torre da Igreja de St. Michael.

Não sei quanto tempo ainda vou ficar por aqui, mas uma coisa é certa: eu quero ter mais tempo para entender os alemães e sua forma de se relacionar com o mundo e entre si. Acho que, assim como eles têm muito a aprender conosco brasileiros – que ser espontâneo é divertido e demonstrar um pouco o que se está sentindo não mata ninguém – também temos muito a aprender com eles. Como aprender a levar relacionamentos com mais calma, aproveitando cada passo rumo à aproximação – com se houvesse amanhã.

imagem: Bavarian Dolls, Foto: Cecilia Coria e Ines Gravilut

22 Comentários leave one →
  1. 29/01/2011 5:35

    Bibiana, não sei se vai fugir um pouco do teu texto maravilhoso, mas sempre nutri uma admiração pelos alemães e seu jeito de ser… Digamos que para mim, eles são exóticos ao contrário… rsrs, não sei se me entendeu…
    Mas uma coisa percebi quando assistia aos programas da Deutsch Welle. Ao contrário das programações oriundas da Espanha por exemplo, eles, os germânicos, nos retratavam mais… Fiquei impressionado com a maneira de eles mostrarem fatos do Brasil. A impressão que me passava, era de que eles é que nos admiravam apesar de nossa “feiura” e exotismo tropical, rsrsr
    Quanto às nossas diferenças, acho… (glup!) humildemente, que a frieza deles deve-se realmente ao clima polar, e nós por estarmos ensolarados o tempo todo… Será que não?
    Um abraço caloroso!

  2. 29/01/2011 8:17

    Tenho 2 amigas que moram na Alemanha e uma que fica entre idas e vindas ha mais de 13 anos, todas se lamentam do jeito alemao de ser, de agir, o distanciamento “precavido” que eles mantem de todos, acho que inclusive de si mesmos.
    Com relaçao aos relacionamentos, até aqui na Italia as coisas nao sao decididas na velocidade que sao no Brasil, aqui a mulher bota muita banca e o cara pena, paga muito jantar e cineminha antes de conseguir o tal namoro. E isso nem é oq eles mais reclamam, depois de tanta labuta e mulher diz que nao quer nada com ele (palavras de varios amigos). E eles ficam revoltados.
    Talvez por isso venham tantos ao Brasil.. kkkkkk
    Acho q enquanto no Brasil somos 10 mulheres para 1 homem, aqui devem ser uns 5 homens para 1 mulher, ai elas tiram onda mesmooooooo!! 😀
    Bom dia!!

    • 29/01/2011 11:33

      Poxa, que sacanagem! Agora não quero mais ir visitar a Itália. rs

      Vocês não querem que eu comece a falar dos japoneses, não é? O esquema aqui é totalmente diferente, na base do respeito, confiança. Talvez seja o certo distanciamento que a que vocês se referem. Mas tem casais e casais… casal de colegial com velhinho, casal fashion, casal de viciados em internet (ficam os dois na mesa vendo o iPhone sem soltar um piu, por horas!).

      Ou seja, bem emocionante a lá Japão.

    • Adriana Schemer permalink
      28/12/2014 17:02

      Eu fui casada com alemão 16 anos!! e não quero saber de alemão nunca maisssssssss..não posso generalizar,mas a psique de uma latina para com o povo alemão é mt diferente.. não digo que seja melhor ou pior,porém muita discrepância rs abraços

      • nathalia permalink
        02/02/2016 2:34

        Morei mais de 20 anos na Alemanha, voltei para o Bra e me arrependi amargamente.

  3. 29/01/2011 18:18

    Oi Bibiana,

    Que experiência incrível morar fora do país. São muito corajosas e guerreiras as pessoas que se dispõe a desbravar o mundo assim.

    É bacana e muito rico perceber o perfil emocional de cada povo. Cada um tem um jeito tão peculiar de ser. E, isso sempre acontece em função da história e da trajetória de cada povo.

    Parabéns.
    Beijo
    Claudia
    http://www.viajarpelomundo.com

  4. 30/01/2011 0:26

    Estive em Hamburgo no ano passado e pude sentir muito em comum com o Japão: a valorização da pontualidade, a consciência ecológica, a eficiência dos transportes e até um pouco desses aspectos que você mencionou, o tal do “distanciamento” a que o Shigue se refere. Minha amiga de lá falou um pouco a respeito e também discutimos muito o jeito direto, franco, sem papas na língua do alemão, às vezes sem idéia do efeito emocional no outro. Cheguei a escrever um pouco sobre isso também.
    Um abraço!

  5. 30/01/2011 17:02

    Alemão é uma incógnita, já um relacionamento com um são duas!! Eu, que já tinha muito contato com a cultura alemã (sou do sul do Brasil), me trabalhei para adaptar à Alemanha original. E já passaram um ano e meio.

    Também moro em Hamburg e infelizmente não conheço outras cidades mas dizem que os hamburgos sao mais fechados e bem mais secos que os outros alemães.

    Karma, insistência, paciência, destino… não sei o que é. Mas se acabar analisando demais, viro alemã!! :-O

  6. 31/01/2011 14:58

    Bom, eu acho que os alemaes nao tem absolutamente nada que aprender com os brasileiros neste aspecto. Se na Alemanha há um certo extremo de “frieza” entre os casais, em comparaçao no Brasil, é uma “pegaçao geral”, os casais mostram “demais seu carinho”. Cansei de ver namorados dando altos beijos em festas familiares, casais fazendo mega-indecências no cinema… etc. etc.. Nao sou puritano, também fui adolescente e fiz muita besteira. Mas proximo dos meus 40 anos a gente vê o mundo com outros olhos, e acho que nao temos que demonstrar nosso sentimento pra ninguém que nao seja o proprio parceiro. Tem muito casal que vive de maos dadas, mas brigam um dia sim e outro também.

    • 28/02/2013 14:09

      Olá…Edu..concordo plenamente com o seu posnto de vista..eu fui casada com alemao por 15 anos,tenho mt admiraçao pelo conceito e mentalidade deles,embora por outros motivos o casamento nao tenha funcionado após 15 anos..eu ainda quero voltar a viver na Alemanha,povo que tem todo o meu respeito e pessoas sao pessoas,dificil classificar cada um,pela nacionalidade..
      abraços

      Adriana Schemer

  7. Leti - Suíça permalink
    02/02/2011 6:03

    Oi Bibiana
    Interessante o que vc diz a respeito dos alemães em Hamburgo.
    Tem muitos alemães vindo para a Suíça atualmente, e eu os percebo de outro modo. Para mim eles são pessoas divertidas, mais abertas e espontâneas que os suíços que são pessoas superreservadas.
    Abraços

  8. 04/02/2011 21:24

    Oi Bibiana,
    Tenho u,a super amiga graphic designer que mora ai em Hamburgo e eh casada com um alemao. Alias, eu sou casada com um Austriaco e, apesar deles serem mais duros para se abrir, qdo se abrem sao mais “ponta firme”…nao sei explicar isso direito, mas com eles tem bem menos daquela coisa do bla bla bla latino. Qdo é, é pra valer.

    bjos e boa sorte ai.

  9. Cláudia Helena Hoppenstedt permalink
    06/07/2011 8:44

    Deparei-me, por acaso, com esse Blog ao pesquisar sobre o sistema de saúde na Inglaterra. Encontrei uma matéria a respeito e ao lado vi o Blog Brasil com Z e comecei a ler os vários relatos dos brasleiros no exterior.
    Apreciei as dicas e informacoes, e me senti também fortalecida e confortada com as experiências de vocês.
    Sou filha de alemaes, nascida em Sao Paulo, capital, e moro em Berlim desde 29 de setembro de 2010.
    Apesar de ter convivido com a cultura e língua alemas a vida toda, percebi, agora que estou aqui, o quanto tenho raízes no Brasil.
    Comecei a participar de um projeto de ensino de língua portuguesa e cultura brasileira para criancas com mais duas brasileiras. Nesse momento a gente comeca e se perguntar o que realmente caracteriza a cultura brasileira (tao diversificada e pluricultural, em verdade) e o que é importante transmitir.
    Educar criancas biculturais de forma positiva e saudável é um grande desafio!!!! É preciso saber identificar o bom e o ruim de cada cultura e ensinar as criancas a se valerem desse material para construirem sua própria identidade de forma a se sentirem bem e felizes.
    Num mundo cada vez mais globalizado é preciso, acima de tudo, desenvolver flexibilidade, abertura, capacidade de adaptacao e integracao. Fundamental é também desenvolver apurada capacidade de observacao e análise e senso crítico para saber compreender com clareza o porquê da forma de pensar, agir e ser de cada cultura e extrair o melhor de cada uma na construcao de si mesmo e de sua maneira de viver a vida.
    As impressoes e vivências de cada um aqui me proporcionaram vários insights!

    Obrigada e grande abraco a todos.

  10. maria permalink
    17/06/2012 22:35

    dizem que os brasileiros são divertidos, gostam de abraçar beijar, são alegres e falantes.
    mas ,eu sou brasileira e não sou assim,abraçar nem pensar,não gosto,ficar rindo a toa também não.um dia na escola eu ganhei um prêmio,todos na sala esperavam que soltassa gritos de alegria,eu só dei um sorriso e disse-legal!!!
    todos estranharam.
    só me solto quando a pessoa é bem amiga.
    gostaria de ser bem brasileira.

  11. ja santos permalink
    05/07/2012 3:35

    essa coisa do espaço invadido é verdade, eu percebi isso, tentei levar uma relaçao com um alemao adiante mas ele me deu o fora alegando que eu nao era o amor verdadeiro dele e que ele estava procurando esse amor e nao tinah tempo para amizade! fiquei chocada.

  12. andreá permalink
    27/10/2012 22:41

    Bibiana,
    Eu iniciei um relacionamento com um alemão há pouco tempo (em abril/2012). Ele mora na Alemanha e estava no Brasil a trabalho. Logo no início ele falou em casar e viver juntos por toda a vida. Após poucos meses do início do namoro eu achei que não estava sendo aceita, porque o jeito dele demonstrar afeto era muito estranho para mim. Por outro lado, eu o admiro cada vez mais pela sua ética, respeito e sinceridade.

  13. Dina permalink
    20/10/2013 19:03

    A unica diferenca desse povo para os brasileiro esta no idioma, e em alguns os olhos azuis, cabelinho amarelo, no restante tá tudo igual ao resto do mundo, alguns melhorzinhos outros nem se fala………

  14. Mariatereza permalink
    27/07/2014 19:58

    quais uns sites sérios e legais para se encontrar bons amigos?

  15. Luana permalink
    28/12/2014 11:44

    Tenho muita curiosidade a respeito de viver na Alemanha. Assistir a alguns vídeos de um brasileiro onde o estilo de vida é simplesmente maravilhoso e gostaria de aprender a língua para um dia visitar o país.
    Parabéns amei o texto.

  16. 12/12/2016 18:51

    Todo tópico que eu leio, pode ser de qualquer país, inclusive nossos vizinhos latinos, reclamam que certa cultura é ”fria”.
    Eu não vejo ninguém se abraçando e se agarrando por aí, e muitas coisas não passam de fingimento puro e simples.
    O amor que temos na vida, geralmente (mas infelizmente para algumas pessoas não sempre) é do dos nossos pais, talvez irmãos (geralmente a maioria passa a se ver 2 vezes no ano quando casam ou saem da casa dos pais), raramente esposo(a) e uns 2 ou 3 amigos a vida inteira. Pra que se agarrar por aí com qualquer um quando temos somente uma enxuta rede de amores? Eu não gosto de abraçar nem beijar meus pais e os amo muito, assim como não gosto de abraçar minhas amigas, mas eu adorava abraçar e beijar meu ex mesmo não amando ele. Eu o abraçava e o beijava mais por contato sexual que carinho.
    A cultura brasileira de contato é carência. Aqui se propaga muito que o casamento e outras relações são imprescindíveis e não opcionais. Se conversa com estranhos e procura consolo e carinho neles quem está carente ou de fato por solidão ou porque as pessoas que as cercam não corresponderam as suas expectativas irreais de amor. É a verdade.

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