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A Coruña, Espanha

 

Às vezes, você muda alguns hábitos só pelo fato de ter mudado de bairro. Imagine que mudanças não provocam viver em outro país, principalmente em outro continente.

No meu caso, alguns aspectos da minha vida mudaram por causa do clima. E isso que a Espanha é considerada um país “tropical”, na Europa. Mas quando o inverno chega, é frio de verdade, as horas de sol são escassas, e eu acho que a temperatura, a humidade e a luz transformam as pessoas de alguma forma.

Meu modo de viver de modo geral não mudou muito, mas o pouco que mudou, foi de forma um quanto tanto radical.

A começar pelo consumo de álcool. Eu morava no Rio de Janeiro, uma cidade mega quente. O chopp e a cerveja são consumidos abundantemente nos botecos, na praia, nos quiosques e nos churrascos de fim-de-semana.  Eu adorava uma cerveja. Não todos os dias, em casa, por exemplo, nunca consumi cerveja, porque eu associava cerveja com churrasco, festa, barzinho ou praia. Mas na praia e no happy-hour do escritório, uma “loira gelada” caía tão bem!

Aqui na Espanha, meu consumo de cerveja praticamente zerou. De vez em quando gosto de comprar uma cerveja alemã ou belga, porque são fortes, muito incorporadas (e baratas). Troquei a cerveja pelo vinho, bebida que raramente consumia no Brasil. Tomo vinho praticamente todos os dias. E se no Brasil, cerveja em casa não combinava, aqui na Espanha, tem que ter vinho na mesa na hora do jantar.  Meu consumo médio é de 1 garrafa por semana, o que equivale a 1 taça e meia por dia. Um consumo moderado e saudável. Não me tornei expert, mas já provei centenas de marcas e hoje em dia tenho minhas preferências no que se refere ao tipo de uva, região, etc… Coisa que no Rio eu era um completo ignorante.

Falando em saudável, o clima me tornou sedentário. Ou melhor, tornava… Porque há uns meses voltei a correr. Mas no Rio de Janeiro, esporte era um hábito diário. Corria, andava de bicicleta… Não tinha um dia que eu não praticava alguma atividade física. Aqui na Espanha, fiquei sedentário. No inverno, as horas de luz são limitadas, e no fim do expediente, o dia está totalmente escuro e frio, fica difícil se motivar para fazer um esporte ao ar livre (apesar de que os “locais” correm independente do clima). No inverno, a motivação é realmente zero. Como nunca gostei de academia, o frio me desmotivou. Fico pensando como os brasileiros fazem na Alemanha, Bélgica e outros países mais frios. Tem que gostar muito de academia…

E outro hábito que eu adquiri foi dormir mais. No Rio de Janeiro, dormia pouco principalmente pelo calor. O travesseiro, os lençóis, tudo incomodava. Aqui no frio, com 2 cobertores e um edredom e as baixas temperaturas do inverno, são um convite para uma longa noite de sono. Sem contar que a Espanha é o país da “siesta”. O comércio fecha em algumas cidades pela tarde, as coisas parecem que são mais lentas, o mês de agosto o país praticamente fica parado… E isso dá uma preguiça… dá um sono…. depois do vinho então…. No Rio, minha média de sono era de 6 horas. Hoje é no mínimo 8, isso dá 33% mais de tempo na cama. Mas não me queixo, é muito bom.

Portanto, foram basicamente 3 coisas que mudaram radicalmente no meu estilo de vida. Estou tentando lutar para eliminar um dos novos hábitos que é o sedentarismo. Pouco a pouco vou conseguindo. 

Uma curiosidade: Aqui na Espanha passei a comer MUITO, mas MUITO mais feijão do que no Brasil. No Brasil, raramente comia feijão, e aqui na Espanha como praticamente todas as semanas. Isso tem duas explicações básicas: O frio é mais apropriado para comer feijão que o calor, e te proporciona uma siesta tão gostosa…. O outro motivo é que no Brasil eu almoçava na rua como praticamente todo mundo, então tinha uma variedade enorme de pratos a disposição. Aqui na Espanha, eu almoço em casa, e para não viver na cozinha, faço um panelão de feijão para muitos dias. É curioso não? Tive que sair do Brasil para passar a comer feijão! Que alias aqui na Espanha existe uma abundância de feijão nos mercados. Tem branco, preto, marrom, vermelho, pintado, redondo, ovalado, pequeno, grande… Dá para passar meses sem repetir o mesmo feijão.