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A polêmica lei que proíbe o uso da burca na França

03/05/2011

Cínthia Nascimento Coelho-Fize
Colaboração
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As ventimentas das mulheres muçumanas que vivem no ocidente há algum tempo viraram polêmica. França, Espanha e outros países estão criando leis para proibir o uso da burca em locais públicos. Na Espanha, a proibição do uso do véu em alguns colégios criou muita polêmica ano passado. Na França, desde o último abril, as mulheres não podem mais usar a burca em público. Diferente do véu, a burca cobre todo o corpo e rosto, deixando apenas os olhos a vista. Alguns em contra, muitos a favor… a polêmica é grande a cada um tem uma opinião diferente. Hoje a Cínthia, do blog Marsu en France, que vive na França há sete meses, nos conta um pouco da sua visão sobre os fatos.

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Burqas e niqab: o debate encoberto pelo véu

Desde o dia 11 de abril, as mulheres muçulmanas estão proibidas de usar a burqa ou o niqab nos espaços públicos franceses. A proibição se apoia em inúmeras,  infinitas, incessantes e incandescentes alegações, mas as mais recorrentes delas são: o respeito ao principio do Estado Laico, a preservação da liberdade e do  direito da mulher e, claro, a segurança do pais que estaria em risco graças a terroristas que poderiam se utilizar tanto da burqa como do nijab para garantirem seus anonimatos para, posteriormente, se explodirem por ai.

Não é a primeira vez que me vejo frente à este tema. Lembro de uma conversa calorosa que tive com Pierre, logo que chegamos à Aix, sobre a regulamentação do uso dos trajes mulçumanos. Isso foi ha uns seis meses atrás, quando a lei ainda não tinha saído às ruas. Naquela ocasião, lembro ter defendido com veemência o direito das mulheres usarem o que elas bem entendessem. Os meses se passaram, o acesso à informação aumentou, a lei foi plenamente discutida e entrou em vigor. Minha opinião, porem, não mudou: continuo não achando justo tirar de uma mulher o seu direito de usar as roupas da sua religião, de portarem a sua cultura, sobretudo, os seus valores. Entendo a boa intenção da lei, mas ela é deficiente mesmo assim.

A lei, coitada da lei, bem que tentou ser boa. Passou de raspão. Quando Nicolas Sarkozy afirmou que tanto a burqa como o niqab não são símbolos religiosos, mas sim a forma mais pura de submissão feminina, ficou evidente naquele momento que o objetivo desta lei era o de libertar a mulher oprimida pelos panos. Mais ainda: tirar dos homens a autoridade a eles concedida pela religião de obrigarem às suas esposas a usarem a burqa ou o niqab.

Foi por isso que ficou decidido que, a partir de 11 de abril, a mulher que fosse vista usando burqa ou niqab, seja por decisão pessoal, seja por ordem do
marido, uma multa de 150€ devera ser paga, ocorrendo ainda o risco da perda da permanência na França. Se o problema fosse somente esse, limitar a autoridade do homem sobre a sua esposa, nem polêmica a lei seria e eu não teria nada que estar de desacordo com ela. Mas acho que o Sarkozy se deu mal.

E o presidente se deu mal porque usar a burqa ou o niqab é para muitas mulçumanas um ato de profundo respeito pela religião que elas professam, algo
que vai bem além da submissão. Quando o Estado tira o direito de cada uma dessas mulheres usarem os seus véus, ai sim elas se tornam, enfim, submissas, mas da lei. Para nós, trata-se de um amontoado de panos. Para elas, não.

E por falar em submissão, o jornal Le Monde publicou na mesma semana da proibição da burqa e do niqab um estudo feito pelo instituto Open Society que entrevistou 32 mulheres que usavam o véu integral. Destas, 29 eram francesas. Do total das mulheres consultadas, 12 optaram pelo niqaj justamente apos a eclosão em torno do tema, em 2009. Para essas mulheres, o uso voluntário dos véus é uma “jornada espiritual”.

Percebeu o embrolio no paragrafo anterior? A palavra “voluntário” nunca tinha aparecido em tudo o que li sobre esse assunto. Ai a mente volta no
discurso do Sarkozy que fala de “submissão”. Alguém, então, já cogitou a possibilidade dessas mulheres terem optado em cobrir seus corpos justamente por acreditarem que este ato representaria para elas a prova de seus desprendimentos materiais? Que elas seriam orgulhosas de vestirem seus véus? Que elas optaram por viver assim? Que elas têm o direito de decidir o que é melhor para elas, e não o Estado?

Outra informação bem importante: a França é o país europeu que tem o maior número de mulçumanos: alguma coisa perto de 5 milhões. Bem distante desse número, estão as cifras referentes à população feminina que usa a burqa e o niqab: 2 mil. Tanto barulho por causa de uma minoria?

Por fim, o terceiro e último forte argumento da lei: a segurança nacional. Neste quesito, vou ser bem sucinta. Desde quando terrorista para se explodir e explodir os outros precisa esconder o rosto? Se eu andar na rua de óculos escuros, chapéu e cachecol, deverei também pagar multa? Motoboys proibidos então de usar capacete? Máscaras proibidas no carnaval de Annecy? Não, o argumento da tal segurança nacional não me convence.

Ao que tudo indica, o buraco é mais embaixo e é politico. Eu tenho a impressão, assim como muitos que eu conheço aqui, que esta lei tem uma mensagem escondida nas entrelinhas: diminuir a influência dos países mulçumanos no território francês. Garantir a soberania da França, da sua cultura e dos seus valores. Algo haver com a tal “Identidade Francesa”. No país que mais recebe imigrantes mulçumanos na França, essa lei nem de longe parece ser assim tão boazinha.

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25 Comentários leave one →
  1. 03/05/2011 13:52

    É complicado demais!

    Sarkozy tem um histórico de intolerância aos imigrantes. Acho muito irônico, porque ele tem origem húngara e é casado com uma italiana. Nada contra a origem deles, mas é injusto e incoerente!

    Agora, com o sistema previdenciário em dificuldade, dada a manifestação de muitos jovens contra às mudanças desse sistema num passado recente, vamos ver se melhora, porque eles precisam de gente jovem para reabastecê-lo, né?

  2. 04/05/2011 12:24

    A Ruth de Aquino da “Época” escreveu um texto excelente a respeito. Ela é contra a proibição e argumentou muito bem. Pessoalmente, não mudei de opinião pois eu sou 100% A FAVOR da proibibição. O texto dela, da Ruth de Aquino, bateu “nimim” e voltou. Não mexi um músculo. A religião não pode ir acima das leis do estado. Nunca ! O estado francês é laico, lá na França não se vive um teocracia. Religião é opção pessoal e não pode estar acima das leis de um estado. Essas muçulmanas radicais nascidas na Franca (ou não) teriam que se aculturar. Coloquem burca dentro de casa para fazer a própria “jornada espiritual”. Precisam fazer jornada espiritual na hora de ir ao shopping?. Sem essa de compaarar motoboy e mascarado de carnaval a usuárias de burca, pois a pedido policial um motoboy se identifica. Eu estava toda de turbante e cachecol num dia de frio e a pedido de um policial me identifiquei na hora. As “emburcadas”… hohoho! se recusam a identificarem-se. E olha, se eu for a um pais muçulmano radical vou poder usar crucifixo e andar de camiseta e short por ai ? Não, né ? Eles iriam cair de pau em mim, literalmente. Porque lá a religiao É a personificação do estado.

    P.S.: e homem-macho-barbudo-do-sexo-masculino tem la que usar burca pra fazer ” jornada espiritual” ? Nunquinha, ne ?! Ja nasceram tudo santo.

    • Cilas Medi permalink
      28/11/2011 15:30

      Concordo plenamente, Anita, “retiro”, “jornada”, ou qualquer palavra que se diz para os outros, no contato com o “espírito”, pode ser feito sem aparato nenhum. Pelado, rezando, é a mesma coisa que uma pessoa totalmente coberta.

      E o estado deve ser sempre, laico. Até para os muçulmanos, acabando de vez essa condição de estar acima das outras pessoas, com o “estigma” de ser religioso independente de sexo.

      Rezar faz bem. Sozinho, melhor ainda. Em silêncio o pedido chega mais rápido, seja qual for o atendente.

      Abraços!

  3. 04/05/2011 13:39

    Acho o tema bastante complicado… e o pior de tudo, as próprias mulheres que usam essas roupas são as menos ouvidas. Todo mundo dá pitaco, mas ELAS não se pronunciam, já porque o marido ou a religião não permite ou porque é mais interessante (policamente, como a Cínthia fala no texto) que elas continuem caladas.

    Aqui na Espanha isso já deu o maior bafafá ano pasado, quando um colégio proibiu o uso do véu islâmico. Oras, alguém alguma vez proibiu o uso de correntinha com crucifíxo? Pulserinha do senhor do Bonfim? Kipá? Não, todo mundo se preocupa com os muçulmanos…

    Para a cultura ocidental, a burca é um abuso e uma degradação da imagem da mulher, tal como é a mutilação do clitóris, citando outro exemplo mais duro ainda. Proibir o seu uso não mudará em nada a condição estrutural… estas mulheres segurião sendo manipuladas e comandadas por seus maridos… a solução eu não tenho, mas acho que proibir o uso de suas vestimentas só aumenta a segregação ao invés da integração… é uma maneira injusta de separar as pessoas, fazendo com que elas fiquem recluídas dentro da sua própria casa sem mudar em nada a realidade que lhe discrimina.

    • 26/11/2015 20:42

      Ah tá… mas vc esconde sua identidade por trás de um crucifixo? Esconde algum objeto o qual possa ser utilizado como arma? Nem é uma questão de “mutilar” a crença alheia. Em lugares públicos, evitar esse tipo de vestimenta é uma questão de segurança. E se elas vivem num país cuja lei não permite esse uso, então elas devem seguir as leis como qualquer cidadão. Mesmo porq, se qualquer mulher for ao país deles, terá q obedecer as leis de lá e usar o véu, mesmo não sendo seguidora da religião deles.

  4. 04/05/2011 18:41

    Glenda, signos religiosos como crucifixos e afins nao impedem o reconhecimento do rosto da pessoa. As mulheres de burca não os retiram para identificação. Como tiram foto para passaporte ? Como se registram em bancos ? Como viajam de avião ? Eu e meus filhos já ficamos assustado ao virmos grupos de vultos negros nas ruas de Amsterdam. E na Holanda foi lançado o “burkini” um macacão completo ate os pés para as muçulmanas usarem nas saunas e piscinas. Foi proibido a entrada de usuárias portando isso em piscinas, por questões de higiene. De resto sugiro que leiam “Sultana”(acho que em português se chama “Princesa”) para formarem uma opinião a respeito.

    • 05/05/2011 8:32

      Anita, véu não impede a identificação de ninguém e por aqui está proibido em vários centros educativos… A questão do susto resolve com o costume, vem pra cá na Semana Santa que vc vai se assustar a cada esquina com os nazarenos… Mas concordo que é um problema na hora de indentificar a pessoa…quem sabe quando a gente tenha um chip implantado na pele isso não mude.

  5. 05/05/2011 10:20

    Não estou falando de véu, só de burca, burquinis, etc.. Chip tô fora – é o fim da privacidade.

  6. 06/05/2011 3:09

    O que o Estado francês deveria fazer, era o de garantir a liberdade de escolha de cada um.
    Por exemplo, se estas mulheres resolvessem abolir a burka, ou o véu, teriam esse direito garantido!
    Não vamos comparar a França com o Afeganistão, né Anita?
    Ou com o Irã.
    Anita não nos compare, no sentido de pensar diferente deles ou no sentido de visão de mundo… Certo Adolf quis ser muito “seletivo” e deu no que deu…
    Senti certa raiva em tuas palavras… Mas te entendo, viu? Talvez você veja essas mulheres como símbolo de atraso, opressão, ignorância, e desprezo por si mesmo, por conta do (machismo troglodita?) dos homens de lá…
    Aliás, há “males” que vem para o bem… Vamos ver se o Estado francês tinha razão!
    Beijos.

  7. 06/05/2011 22:40

    Se elas fossem mesmo oprimidas, não sairiam as ruas com a niqab e a burca para protestar, com risco de serem presas.

    Assim como eu tenho o direito de me vestir como bem entender, não concordo em proibi-las. Muitas usam a burca, o niqab e o hijab por fé e opção. Algumas brigam com marido e família, que são contra o niqaq e a burca!

    Se elas pagam impostos como qualquer um, se não roubam, não matam e não prejudicam ninguém, acho o fim da picada proibir isso. Atenta contra o direito de ir e vir! Se uma mulher pode usar roupa curta, porque a que opta por se cobrir é discriminada? Se uma mulher pode usar biquini, por que a outra não pode usar burquini? Questão de higiene? Vai de cada um. A que tá de burquini pode ser mais limpa que a que está de biquini. E aí? Vai proibir?

    A burca e o niqab não impedem a identificação, muito menos viajar de avião ou qualquer meio. Passando no check-in, no raio X (rigorosos, por sinal) e não acusar nada, tem tanto direito quanto à que não se cobre inteira. Se a mulher em questão se recusar a mostrar o rosto quando solicitada, aí ela tá errada, mas a culpa não é da burca ou do niqab, é de quem a está usando… Para tirar fotos de documentos, pelo menos aqui no Brasil, ela pode usar hijab. A lei garante isso. E pode sim, usar burqa e niqab no dia-a-dia.

    Ainda que crucifixo, quipá, e outros adornos religiosos não impeçam de imediato a identificação, a muçulmana está no direito dela de usar seu véu, sua niqab, sua burca…

    E não são todos os países islâmicos que exigem uso de véu, burca ou niqab, mesmo para não-muçulmanos. Vamos nos informar melhor.

    Cada um tem o direito de pensar o q achar melhor, mas acho de péssimo tom “Eu e meus filhos ja ficamos em panico ao virmos tais vultos negros nas ruas de Amsterdam”… Quem vê cara não vê coração. A que mostra o rosto pode ser uma bandida e a que tá coberta pode ser uma pessoa de bem! Mas aí, já foi julgada pela aparência, né?

    A proibição da burqa e do niqab são claras demonstrações de discriminação religiosa e xenofobia, já que a maioria delas são estrangeiras! Integrar à sociedade é respeitar sua opção religiosa, é criar mecanismos de geração de empregos, estímulo à educação…

    Glenda, desculpa o desabafo, não sou muçulmana, mas me senti ofendidas pelas minhas amigas que são, ao se referirem à elas como “vultos negros”… Se não quiserem publicar meu comentário, eu entendo. Mas que saibam a minha insatisfação!

  8. Antonio permalink
    07/05/2011 21:35

    Pior é disfarçar a intolerância como defesa dos direitos humanos. Cada um tem o direito de viver da forma como bem entende, desde que não causem danos a outros. Me desculpem, mas as pessoas que apóiam essa proibição não querem conviver com o diferente. As mulheres de burca agem de forma incompreensível para elas, por isso causam desconforto. Em outras palavras: é preconceito, mesmo. Elas não conseguem entender que alguém vista aquilo por vontade própria e seja feliz assim. Sou favorável a tolerância. Tolerar não é gostar. É se esforçar para conviver todos juntos no espaço público, que é direito de todos. Vc não é obrigado a ser amigo de uma mulher que usa burca, mas não pode ficar olhando de soslaio, cochichando, falando gracinhas. A França vai de mal a pior. Imagino as cenas dos próximos capítulos.

    • 08/05/2011 16:10

      Glenda!

      Meu muito obrigada à você por me ceder este espaço em seu blog. Estou muito feliz pela visibilidade alcançada pelo meu post mas, sobretudo, estou extremamente contente por saber que ampliamos o debate em torno do tema da proibiçao da burqa.

      Infelizmente, devo admitir que a França passa por um momento politico/ideologico extremamente delicado. A palavra “tolerancia” parece qualquer coisa em extinçao por aqui. Digo isto nao apenas me referindo à esta proibiçao da burqa. A onda intolerante na França esta levando um partido de extrema-direita ao Poder; esta mesma onda esta promovendo mecanismos que irao recusar, em pouco tempo, a reduçao de imigrantes legais no pais, bem como a sua livre circulaçao na Europa; e agora temos o escandalo no futebol frances (a federaçao francesa de futebol, ao selecionar seus jogadores para a seleçao, estaria utilizando cotas para negros, arabes e jogadores de dupla-nacionalidade. A tal cota tem objetivo claro: diminuir a influencia cultural na seleçao, o que favoreceria somente os jogadores “100% franceses”). Patético! A proibiçao da burqa, na minha opiniao, faz parte de um processo maior de intolerancia. Muito triste isto. Muito.

      Por isto, acho fundamental esta troca de ideias, de analises, de concepçoes. Enquanto for possivel, continuarei escrevendo sobre esses temas. Enquanto for possivel, continuaremos todos nos em nossa ardua tarefa de construir um mundo que aprenda a viver com a diferença.

      Obrigada, Glenda!
      Obrigada pelos comentarios!

      à bientôt!

    • Marcelo Gurgel permalink
      28/09/2015 18:02

      Antonio, concordo com o que falou. Hoje as pessoas confundem tudo de “tolerância” com obrigação de concordar. Eu também acho que as mulheres não deveriam usar burca, mas sou contra a proibição, pois elas que tem de querer não usar. O Estado se metendo na vida de todos que é o grande problema aí.

  9. 09/05/2011 18:49

    Acho que a burca é uma agressão às mulheres. Mas será que não é igualmente agressivo impedir que uma mulher que quer usar a vestimenta (qualquer que seja seu motivo) possa usá-la?

    É um assunto muito difícil de se ponderar. O livro Neve, que se passa na Turquia, fala um pouco disso.

    Bjos,
    Vicky

  10. Ingrid Mantovani permalink
    15/05/2011 17:49

    Excelente texto e tão boa quanto é a discussão. Fico feliz que nós, mulheres brasileiras, podemos ter um blog para se expressar e discutir sobre qualquer tema que nos vem à cabeça.
    Primeiramente quero dizer que sou a favor da proibição, mas admito ser um tema paradoxo.
    Acredito que, como Cinthia falou, o motivo real da proibição é preservar a Identidade francesa, que, levanta a bandeira da igualdade entre homens e mulheres, visto desta maneira, creio que seja mais que justo criar leis que preservem esta visão e a burqa é o símbolo exatamente da diferença entre homens e mulheres.

    Outros ponto é que, quando uma mulher francesa vai visitar um país mulçumano, ela precisa respeitas as leis locais, e não sair com determinadas roupas, nós brasileiras também, se formos visitar um país mulçumanos vamos ter que nos transformar em algo que não somos para seguir as leis/religião e, então, porque a mulher mulçumana não pode fazer o mesmo se está em um país que prega igualdade? Seria uma política do espelho e aí que entra o paradoxo:

    Ter uma lei semelhante a um país mulçumano seria podar a liberdade que a França prega.
    Qual a vantagem e desvantagem que pesa mais?

  11. Bububa permalink
    12/12/2011 22:41

    E por causa da falta de proibicao(limites) Anita que esse mundo ta cheio de coisa ruim.

  12. 07/02/2012 16:48

    Boa tarde

    Encontrei esse blog por uma amiga minha que me indicou o coisa parecida.Gostei demais.

    Sou historiador e pesquisador sobre unidades especiais militares.Meu blog fala sobre isso e historia.

    Gostaria de saber mais sobre a legiao estrangeira da Franca e como ela e’ vista pelo povo.

    A burca deveria ser evitada por comprometer a seguranca mas se alguem usa porque quer,deveria ser respeitado.

    Obrigado.

  13. Bruno Nogueira permalink
    07/04/2013 3:13

    Boa noite,

    Nós que somos de uma cultura ocidental, somos mais tolerantes, respeitamos mais as diferenças, existem até preconceitos aqui, mas bem mais moderados que a cultura do oriente (no caso da islã).

    Por isso que sou a favor da proibição da burca e de trajes que cobrem completamente o corpo da mulher, pois hoje é a minoria que quer usar a burca. E quando a quantidade for a maioria? Será que se a Europa a maioria for muçulmana, as mulheres continuarão ter o direito de usar a burca ou não? Ou serão proibidas de andarem nas ruas sem a burca, assim como ocorre no Iraque e Afeganistão?

    Pesquisas apontam que o numero de estupros está aumentando entre as mulheres que não usam a burca, porque os homens muçulmanos não aguentam uma mulher andar como uma ocidental comum. Tem muita gente se convertendo ao islã na ignorância, sem saber que no futuro não terão escolha, ou segue as leis do CORÃO ou é castigado.

    Já viu no youtube videos de mulheres sendo apedrejadas? De mulheres levando chibatadas?

    Nós temos que ver que não é uma questão de preconceito contra os muçulmanos e sim uma maneira de evitar um futuro triste. Temos que zelar pelas conquistas que nossos “pais e mães” nos deram.

    O direito da mulher ter acesso a educação (que o Afeganistão não da para suas mulheres)
    O direito de livre arbítrio (que em países de maioria muçulmana não existe)
    O direito de se vestir como quiser ( que em países de maioria muçulmana também não existe)
    O direito de ter a religião que quiser (Em países de maioria islâmica, ou você é muçulmano ou é muçulmano)

    Ou seja, devemos rever isso que está acontecendo, antes que seja tarde demais, e se um dia a maioria for muçulmana, ai já será tarde demais.

  14. Vaivirarmar permalink
    14/04/2013 22:08

    1º A laicidade provém que a religião não interfira no Estado porém também que as pessoas possam manifestar sua religiosidade sem interferência estatal. Qualquer mulher pode sair em vestes franciscanas sem sofrer nenhum tipo de represália.
    2º As islâmicas podem se identificar se for da vontade delas fazer, assim como alguém de máscara ou capacete.
    3º As pessoas estão comentando que em países muçulmanos não se pode andar sem o lenço ou burqa, como se fosse um atraso, porém a proibição do uso segue o mesmo caminho, tentando ditar um modo de viver aos cidadãos. Não é tão diferente de uma lei que obriga o uso do véu.
    4º Já foi visto com estranhamento mulheres usando calça e hoje é provável que seja a peça mais usada.
    5º As pessoas tem o direito de se vestir da forma como acharem melhor, o papel do estado é manter uma coerção de existência pacífica entre os cidadãos, essa lei pode gerar um sentimento de ódio para com muçulmanos na França.
    Por fim não podemos usar as leis de países islâmicos para justificar atos xenofóbicos, não é porque lá o uso é obrigatório que no ocidente o uso tem que ser abolido, Apesar do que muita gente pensa, não estamos em guerra.

  15. Flavio permalink
    27/05/2013 18:29

    A lei que entrou em vigor em abril é um tema de diversas vertentes. Dentre elas, pode-se citar o Direito de todo Estado de se autoproteger ou de manter a identidade nacional. O islamismo não faz parte da identidade da França e sim, da compostura do país. Não se pode negar os direitos básicos de nenhum ser humano em lugar algum do mundo, mas as tradições de uma nação é um direito à vista da lei e um dever à vista da própria nação. Em outras palavras, qualquer Estado ou país tem o direito e ao mesmo tempo o dever de proteger suas tradições, sem ferir os direitos humanos dos que estão à sua volta. A proibição das burcas é, a meu ver, de alto grau de eficiência, sendo a razão predominante e a emoção submissa. É um exemplo do que deve ser feito para manter em equilíbrio os direitos e os de veres das pessoas. Atualmente, as religiões vêm sendo reprimidas e, com rigor, controladas. Já temos o suficiente para dizer que religião, mesmo sendo um direito fundamental, é um problema, não sei se pelo fato de serem mal interpretadas ou de terem a emoção como fator radical de suas ações. O terrorismo é um exemplo mundial do problema da religião e o uso da razão para combatê-lo é de extrema importância. A lei não me parece xenofóbica e sim, conservadora. Seria xenofóbica se relacionaria a expulsão dos mulçumanos da França e não o controle sobre eles. Nos países onde o islamismo predomina quase que como lei, a maior parte das mulheres é analfabeta, sem o direito de se autoexpressarem, sem a liberdade de viver como bem quiserem. Este é outro exemplo do problema da religião no mundo. A religião é algo privado, de interesse pessoal e não deve, de maneira alguma, se sobrepor ao caráter público. Outro argumento é o oposto do que se passa. Em países islâmicos, não se pode expressar outra fé além do islamismo e, se ocorrer o caso, o opositor ao islamismo corre o risco de ser morto, expulso ou até torturado. A proibição das burcas é um passo em busca da liberdade das mulheres oprimidas pela religião que mais tem adeptos nu mundo. A explosão em Boston é o resultado de tal ideologia. Por que nunca, em casos de terrorismo mundial, há uma mulher envolvida nos atentados? A resposta é simples: para eles (os líderes mulçumanos) a mulher é apenas um meio de reprodução e uma espécie de objeto sagrado, e não um ser com direitos e liberdade; a mulher é o foco de prazer deles, mesmo que oprimidas e aterrorizadas. Na religião islâmica, um homem que adultera contra sua mulher é absolvido e presta serviços comunitários; já uma mulher adúltera é apedrejada. Dessa forma, não há caráter xenofóbico na lei, e sim, liberal. As mulheres também têm o direito de ir e vir, sem serem perturbadas por qualquer ocasião.

  16. Ruben Guanais permalink
    26/11/2014 13:38

    O Estado tem mesmo o mal costume, e isso acontece no mundo inteiro, de querer padronizar a sociedade, e de interferir na individualidade do cidadão. Embora eu ache sem sentido uma mulher usar burca, não cabe a mim, ou ao Estado, interferir. Vive la différence!

  17. 16/11/2015 12:09

    Entendo perfeitamente a polêmica em torno do assunto. Ambos os lados tem sua razão.
    Mas vale lembrar, que essas mulheres, como todo o povo oriundo de países islâmicos, não tiveram a oportunidade de escolher qual religião profetizar. Nestes países, a intolerância chega a ponto tão crítico, que igrejas de outras religiões não possuem “oficialmente” permissão para atuarem, vivendo à margem da ilegalidade.
    Se é para discutir a liberdade de exercer uma religião, é necessário discutir também a liberdade de se escolher qual religião a seguir.

  18. 29/04/2016 4:23

    uma proibição que objetiva a liberdade. Gostei dessa. Vive la France, mes amis.

  19. 30/04/2016 3:10

    Penso que se você quer emigrar para um país, desacertar de acordo com a cultura daquele país, seus costumes, sua política e tudo mais inerente, caso contrário, por que emigrar?
    Oras, sabemos que a França é um dos países mais tolerantes com a prática religiosa, muito próximo do que vimos no Brasil. Se a liberdade é um item incluído até no Hino Nacional deles, entendo que o respeito deva ser também inerente à este direito.
    O ideal seria não haver leis que obrigassem ao bom senso, ou lei que restringisse uma determinada crença ou cultura. Contudo, a enorme presença islâmica na França, infelizmente, começou a interferir muito na cultura e no comportamento social, obrigando neste caso, ao princípio da cultura francesa e não a uma imposição da religião islâmica.
    Sabemos também, que caso alguma mulher vá em visita a um país islâmico, vai receber a recomendação de usar um véu, pelo menos. Isso é alegação de que, mesmo sendo uma visitante, o não uso do véu, pode ser encarado como uma falta de respeito. Neste caso, quase a totalidade das mulheres, acabam aceitando essa imposição.
    Sendo assim, considero justo, que a França faça algo para inibir algo que já incomodou muito em sua sociedade e cultura, mesmo que isso implique em algo que uma religião vá contra.
    Neste caso, deve-se fazer a opção, ou para a Liberdade e Fraternidade ou para a prática islâmica conforme o nível de fanatismo que cada família pratique dentro da religião. Ou se não estiver de acordo, volte para o país de origem e viva feliz, de burca e tudo.

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