Renato Silveiro Alves
 Orlando, Flórida – EUA

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Algumas coisas nem precisam ser mencionadas, como saudades da família e dos amigos. Mas além disso, sinto falta de algo do Brasil? Fiquei a pensar…Foi difícil encontrar alguma coisa.

O motivo é porque encontra-se em Orlando a maioria das coisas que encontramos no Brasil. Produtos similares e vale dizer, alguns muito superiores, como por exemplo amaciante de roupas que “amacia” mesmo. No Brasil não existe uma marca que se compare.

Aqui também existem dois supermercados brasileiros para aqueles que sentem falta dos produtos do Brasil. Por exemplo, se você quiser comprar um joelho de porco, não vai encontrar senão no mercado brasileiro, na seção de produtos para feijoadas. Nem mesmo em lojas hispânicas eu encontrei isso por aqui. Mas, sinceramente, eu nunca comi joelho, orelha, etc de porco. Essas coisas exóticas que muitas pessoas comem no Brasil eu nunca gostei.

Quando eu estou com vontade de comer arroz com feijão, ou outro prato brasileiro, eu simplesmente vou ao supermercado, compro os ingredientes e preparo. E a família americana aplaude. Muito pelo fato de que a maioria da comida caseira da classe média só leva sal e pimenta. Eles ficam impressionados com a comida brasileira por causa dos temperos que dão sabor e perfumam a casa.

Supermercado brasileiro na International Drive - Orlando

Outro dia me vi com uma vontade tremenda de comer Nissin Lamen (o antigo e adorado miojo). Não encontrei nos supermercados daqui nenhum produto semelhante. Rodei 20km até o supermercado brasileiro para comprar e a família americana não gostou! Bom, para falar a verdade não é algo que alguém se orgulhe de comer, certo? Mas, que faço eu? Gosto do danado…

Imagino que para muitos dos colegas que aqui escrevem, deve sim fazer falta muitas das coisas que tínhamos no Brasil. No meu caso, qualquer coisa que eu queira acho no supermercado brasileiro, no supermercado normal e também na padaria brasileira na International Drive. Lá tem pastel, cochinha, pão francês, sonho, quindim, etc  à preço “quase” de ouro. Outro dia fui com um amigo, comemos 2 pães na chapa, dois sucos de laranja, um pastel e uma coxinha. A conta ficou em 18 dólares. Com esse valor, duas pessoas comem em um restaurante médio aqui nos EUA. O americano que estava comigo achou “muito” caro pela quantidade que comemos. A qualidade também não é das melhores e o atendimento é péssimo. Mas se dá muita vontade de comer essas coisas (dificilmente) eu até encaro.

Padaria brasileira ao lado do supermercado da foto acima

 Agora quer saber mesmo o que eu sinto falta e isso é muito difícil de conseguir copiar? Sinto falta da comida da minha mãe. Do pão caseiro de mandioquinha que ela faz (e que o meu nunca fica igual), do bife à milaneza sequinho e crocante, do strogonoff “dela”, da feijoada “dela” e do arroz com feijão “dela”. Minha mãe mora em uma cidade de 10 mil habitantes no interior de São Paulo. Na cidade inteira corre a fama que ela é uma cozinheira de mão cheia. Ser convidado para uma refeição em sua casa é um privilégio. Sim…isso não se acha por aqui, a comida da minha mãe…