Eve
Berlin, Alemanha

 

Seguinte: As duas primeiras semanas foram super esquisitas. Eu lembro de chegar em casa e contar pra marido: “Nossa, o povo lá é muito sério!”, “Nossa, o povo lá é muito concentrado!, “Nossa, isso!”, “Nossa, aquilo!”

Tirando o meu chefe que já foi logo “se abrindo” para mim desde o primeiro dia (eu até já disse que ele parece mais brasileiro que alemão, e ouvi de volta que sou mais alemã que brasileira…detalhes), todo o resto do povo era muito sério.

MENTIRA!

Sabe aquela coisa de: não te conheço, não vou te dar ousadia? Pois é. Foram duas semanas de reconhecimento de território. Da parte deles e da minha. Eles nem entravam na minha sala (que ainda é do meu chefe e do cara lá que eu rodei a baiana).

Aí o tempo foi passando, fui conhecendo um e outro e pá! Olha o povo fazendo piada e dando risada? Entrando na minha sala pra me dar bom dia e me desejar bom final de semana? Pois é.

Alemão é reservado. Ele se dá o direito de te conhecer primeiro, de saber se você é assim ou assado, do tipo que aceita brincadeira ou não e aí vai entrando na sua vida devagarinho. Mas, ninguém tenta “entrar na minha semana”. O que já acho bom.

Sobre a rotina de trabalho, acho mais leve, não só porque sou estagiária (oi? mentira!), mas porque o pessoal não é muito ligado a horário, ao fato de você estar montando um relatório ou lendo um artigo de interesse da empresa, que fique claro, na Internet. Dá 17h na sexta-feira, e o povo já se mandou.

Se chegam atrasados também (oi, eu já fiz isso), ninguém pergunta o porquê. No fundo, o pessoal sabe que você vai descontar no final d0 dia. Compensação de horário, né? Opa, saí 18h ontem (o normal é 17h30). Amanhã, pá, chego às 09h30 (o normal é 09h).

No caso da empresa aonde trabalho, por ser pequena, não há muito a questão da hierarquia. Mas, rola competitividade, sim. Entre eles, os chefões. Eu fico na minha, vendo aonde o barco vai parar e fazendo o melhor que posso fazer. De vez em quando, em momentos que acho apropriados, dou minhas “cutucadas”, como vocês já leram aqui. Porque inteligente é aquele que sabe a hora de atacar e não o que fica atirando pra todos os lados, né? E vou conquistando a confiança do povo, e do meu chefe, principalmente (além do poderoso-chefão, claro).

Trabalho de equipe é outra coisa que vejo que é totalmente diferente do que conheço. Existe trabalho de equipe, existe o reconhecimento (foi Fulano que deu essa idéia, Beltrana que montou esse gráfico…), mas falta entrosamento. Falta chegar pro colega e perguntar: “e aí, cara, está precisando de ajuda?” Se você não pedir, ninguém te oferece.

Tirando fatores culturais (tipo: não bater palmas na hora do parabéns de um colega. Rá!), o dia a dia é como toda empresa, usam as mesmas ferramentas, as mesmas teorias “administrativas”, mesmos processos. Só um detalhe ou outro diferente. Porque o conhecimento é universal, né? Ui, viajei nessa!