Renato Alves
Orlando – Flórida – EUA
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Confesso que me senti intimidado ao pensar na escrita deste post. Em primeiro lugar nunca fui muito fã de churrasco e acredito que é assim por dois motivos. Simplesmente porque não era um costume da minha família portuguesa e também porque, acho que são poucos os paulistanos que sabem realmente fazer churrasco. Percebi isso quando fui visitar um amigo no Rio Grande do Sul.

Outro motivo por ter-me sentido intimidado é porque eu nunca participei de um churrasco americano que não tenha sido aqui em casa então  a minha impressão é limitada. Mas vou contar o que observo na TV e mesmo nas revistas que leio.

Os americanos são meio loucos por churrasco. Eles têm até mesmo uma Associação Nacional do Churrasco (NBBQA) Na TV existem propagandas sobre churrasco, carnes, apetrechos e produtos muito mais do que eu via no Brasil. Antes de todos os feriados, já começam as propagandas sobre churrasco e tudo o mais que envolve o “ritual”. O feriado de 4 de Julho (independência dos EUA) é o feriado oficial do Barbecue.  Um exemplo dessa fascinação é que nos supermercados você encontra mais de 10 tipos diferentes de “molho para churrasco”. Esses molhos eles pincelam na carne enquanto essa ainda está assando. Sabe o que a maioria lembra? O molho barbecue que acompanha o Chicken McNuggets. Quase a mesma coisa.

 As churrasqueiras são um show à parteOutro exemplo é a quantidade de churrasqueiras e grills disponíveis no mercado. Eu não gosto muito de churrasco mas todas as vezes que vou à casa de materiais de contrução babo nas churrasqueiras que são um show à parte. Por incrível que pareça, a maioria custam menos de 100 dólares. Essa é a que temos em casa. O compartimento à direita é onde se faz os defumados.

             

É claro que com 10 você compra uma pequena para fazer o barbecue se for acampar (Nota: Se você um dia me ver em um acampamento é porque  eu enlouqueci ou fui ameaçado de morte).

Outra diferença que eu percebo é o que se come com o churrasco. Ví na TV que é comum se fazer feijão para comer com o churrasco. Feijão pra mim tem que se comer com arroz. O feijão aqui se come como sopa e na maioria das vezes é doce – eca… Geralmente em um barbecue (isso é fruto de entrevista!) se come salada de batatas (a nossa maionese), cachorro quente, asa de galinha assada e hamburguers também são comuns. Farofa? Ninguém sabe nem o que é! Mas aqui preciso fazer um parênteses. Os americanos assam salsichas e hamburguers na churrasqueira. No entanto a salsicha é muito diferente da que estamos acostumados. É algo que ficaria entre a nossa salsicha e a lingüiça. Não parece lingüiça e não parece salsicha mas é muito bom! Outra coisa são os hambúrgueres. A Sadia iria à falência por aqui. Os  ambúrgueres são realmente deliciosos e na grelha então, ficam ainda melhores. Assim como no Brasil, aqui tem o piloto da churrasqueira e não tem co-piloto. Só um põe a mão na churrasqueira e a pessoa se ofende se você for lá “incomodar”. Geralmente é o maridão.

Outro dia fomos ao Texas de Brazil ao lado da Disney. Eu estava ansioso para mostrar ao Robert e a mãe dele como os brasleiros fazem churrasco. Infelizmente o Buffet de saladas não era dos melhores, as carnes eram boas mas sem muitas opções. Por exemplo, no cardápio, somente alguns  ortes dos que comemos no Brasil. Eles gostaram do “rodízio” de espetos que nunca tinham visto na vida. Comeram bastante e a conta foi 150 dólares. Coisa que a classe média americana só se daria ao luxo em ocasiões muito importantes.

Não acredito que o churrasco americano e brasileiro possam ser comparados porque são muito diferentes. Acredito que como fomos acostumados com o churrasco do Brasil talvez o nosso paladar prefira o brasileiro. Eu prefiro mesmo é um pratão de arroz com feijão, farofa e ovo frito. 🙂

Esse vídeo é interessante e engraçado. É dos feijões Bush… Dá pra ver tudo o que eu
falei sobre o churrasco americano.