Lorna
Birmingham, Alabama -EUA
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Se você é expatriado já deve ter ouvido isso. Bom, eu já ouvi. E não, a pessoa em questão nunca morou fora das fronteiras brasileiras, na verdade, morou sempre na mesma cidade. Sem conhecer outras possibilidades fica fácil tirar a conclusão do título acima, não?

Diante dessa situação se eu respondo “ah, o Brasil é um bom lugar, lindo de viver, mas precisa melhorar na qualidade de vida” sou taxada de mal agradecida, metida e ainda ouço desaforo. Se digo que eu não conheço muitos lugares para afirmar tal coisa viro A chata e se digo que realmente o Brasil é o melhor lugar do mundo, ouço um coro alto “sua louca!”. Sim, já testei as três possibilidades e agora digo a verdade: o Brasil é maravilhoso para tirar férias, mas no momento, aqui é melhor para viver.

E não me entenda errado, eu amo O Brasil. AMO! Sou uma expatriada que morre de saudades de casa. E se você me conhece já cansou de ouvir minhas lamentações saudosistas.  Saudade do cheiro de acarajé na paisagem do Rio Vermelho (sou de Salvador). Saudade das frutas gostosas o ano inteiro. Saudade do arco-íris de tons de pele e roupas diferentes nas ruas e óbvio, da minha familia. Mas parafraseando uma resposta nada amistosa que recebi esses dias: nesse meu Brasil, falta um monte de coisas. Faltava antes de eu mudar, agora que eu conheço na prática o que é segurança pública, por exemplo, como eu vou dizer que no Brasil não falta nada?! Eu sei que saudade dá uma visão romântica das coisas, mas não cega.

Digo mais, não é porque eu moro a 15 horas do Brasil que eu não posso criticar, afinal de contas, vivo falando mal daqui (porque acho que quase não falo bem do Alabama). Eu sempre tive o direito de criticar outros países sem nunca ter pisado o pé fora do Brasil, porque agora o direito de falar sobre a minha pátria parece ser assunto proibido com meus conterrâneos?

Sinceramente não sei se existe um melhor lugar do mundo, talvez até exista para passar férias, mas para morar acho meio difícil (ou eu ainda não encontrei). Agora a experiência de morar fora se aproxima do que eu acho perfeito. Em 2 anos, aprendi tanta coisa sobre o Brasil, os EUA e outras culturas. Sabe aquela coisa simples, tipo comer de garfo e faca? A gente nunca pensa muito a respeito, mas tem culturas que não utiliza a faca, ou como aqui no Alabama, que apesar da existência do instrumento, ninguém usa: o garfo corta os alimentos e o dedão vira apoio no meio do prato. Quem diria que o nosso “parabéns para você”  é cantado diferente nos estados (pelo menos na Bahia e em São Paulo)? Quem diria que seu comportamento “nato” de abraçar um amigo pode causar desconforto se ele for chinês? Quem diria que além de fast food os EUA tem comida orgânica e gente se exercitando as 5 da madruga em temperaturas negativas?

No final das contas, perfeito mesmo é fazer memória e ter historia para contar.