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Aprendendo francês e fazendo turismo: curso de verão na Provence

05/03/2012

 
Natalia Itabayana de Mattos
Aix-Provence, França 
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A Natália mora em Aix-Provence, no sul da França, e atualmente faz mestrado em psicologia. Mas quando chegou há quase dois anos, teve que vencer a primeira barreira compartilhada por muitos expatriad@s: o idioma. Seu primeiro curso de francês foi um cursinho de verão que além das aulas oferecia diversos passeios interessantes. Ela nos conta aqui um pouco da sua experiência e boas dicas que podem servir para quem pensa em aprender francês e, de quebra, fazer turismo pela região da Provence no próximo verão.

Imagine passar férias de uma forma diferente, aproveitando dias longos, paisagens que serviram de inspiração pra Cézanne e de repouso pra Picasso, cheiro de pinho e lavanda, o mar mediterrâneo a poucos quilômetros de distância, artesanato de encher os olhos e gastronomia de dar água na boca, numerosas rotas dos vinhos e ainda voltar pra casa sabendo o que significam as palavras abajur, cachecol e cassetete? Então vou contar pra vocês como foi minha primeira experiência de aprendizado do idioma francês.

Quando nos mudamos pra cá chegamos na última semana de março, quase no fim do ano escolar, que é no final de junho, mas já chegamos sabendo que na Université de Provence existe um serviço de ensino do francês pra estrangeiros. Então não fui procurar outra escola por vários motivos, mas os dois principais são o fato de que eu conheci três brasileiros que estavam fazendo o curso lá e universidade ser bem pertinho de onde moramos. Quando fiquei sabendo do curso de verão que iniciaria em julho, não hesitei e me inscrevi logo pra quatro semanas de curso intensivo, com aulas durante toda a manhã e várias opções de passeio algumas tardes por semana e nos fins de semana também.

Mas entre nossa chegada no fim de março e o início das aulas em julho, eu tive muito tempo pra me ocupar da montagem da casa, o que de uma forma me obrigou a aprender um pouco de francês pra sobreviver, já que quando saíamos pra fazer as compras Bernardo não falava tudo por mim. E isso agradeço muito a ele, que me incentivou a me virar pra aprender. Comprei gramática, lia jornal, assistia tv e ouvia rádio, repetia tudo que ouvia igual criança quando começa a aprender a falar. Misturava inglês com francês, afrancesava o português e aos trancos e barrancos cheguei no dia da prova que me diria qual era meu nível de francês e em qual turma eu faria o curso.

Acho que o fato de eu ter trabalhado como professora de inglês durante sete anos me ajudou muito a aprender, porque lancei mão das mesmas estratégias de aprendizagem que foram minhas ferramentas de trabalho. Com isso, cheguei à entrevista falando pelos cotovelos, mas com uma imensa lacuna em ortografia e gramática. Mas como o foco do curso de verão é a conversação (sem negligenciar gramática e ortografia, claro!), fui pra uma turma que já falava bem e tinha certo tempo de estudo do francês, e me senti um peixe fora d’água, mas consegui acompanhar o curso.

Logo na primeira semana, ao conversar sobre minha experiência como professora de inglês com a responsável pedagógica do curso, fui convidada por ela a participar do estágio de formação pra professores estrangeiros de francês, com duração de duas semanas. Assim, intercalei duas semanas de curso de francês e duas semanas de formação, e meu curso de verão foi um 2 em 1, já que sai de lá com os dois certificados, um bônus por ser um tanto tagarela!

Dentre os vários passeios propostos optei por dois: a visita a uma vinícola perto de Aix-en-Provence com direito à degustação, a fábrica da L’Occitane (que significa “mulher da Provença” no dialeto occitan) e a visita à uma chocolateria, também com degustação (e a pessoa aqui estava muito ocupada para tirar fotos, confiram o site do paraíso do cacau aqui!). Como tínhamos acabado de chegar e teríamos outras oportunidades para fazer os outros passeios, então anotei os destinos propostos que me interessaram e fizemos alguns dos passeios depois, como foi o caso de Gorges do Verdon. Os passeios custam em média 15€ por pessoa, com transporte e taxas de visita inclusos.

Quando terminei o curso não dominava o idioma, parece ser missão impossível em quatro semaninhas, né? Mas a gente pode se surpreender com o progresso que faz quando está imerso no idioma e na cultura e depois dessa experiência senti muito mais segurança pra conversar e me empenhei ainda mais nos estudos autônomos antes de me inscrever no curso anual.

O curso tem duração de duas a cinco semanas e o valor da inscrição é proporcional ao tempo de duração. Já o estágio de formação pra professores de francês como língua estrangeira tem duração de duas semanas e requer bom conhecimento do idioma (nível B2 segundo o Quadro Europeu de Referência para línguas, que é um nível avançado no qual a pessoa tem competências de compreensão de textos que tratam de assuntos complexos em termos gerais e na sua área de atuação profissional, conversa com interlocutores nativos com desenvoltura de maneira clara e sem maiores dificuldades e opina sobre assuntos diversos, sendo capaz de expor seu ponto vista e argumentar).

E quando a gente não sabe falar nada além de “Merci”, “Bonjour” e “Au revoir”, dá pra fazer o curso? Claro que sim, os grupos são divididos de acordo com os níveis de conhecimento do idioma, indo do mais básico (leia-se: não sei falar nada) ao avançado. E antes do início das aulas, passamos por um teste com os professores pra avaliar em qual nível estamos. E são professores formados pra ensinar francês para alunos estrangeiros, então eles possuem ferramentas e estratégias pra conseguir realizar a tarefa inclusive com pessoas que não tem nenhum conhecimento do idioma!

Agora vamos aos aspectos práticos (a lista pode se alongar à medida que me lembrar de outros detalhes):

Hospedagem: No site do curso eles dão algumas sugestões de alojamentos estudantis perto do campus e com valor aproximado da estadia em alguns deles, além de todos os contatos e quais as linhas de ônibus pra ter acesso à universidade. Também há possibilidade de alugar um estúdio ou apartamento por temporada (semana ou mês) mas os valores são um pouco mais elevados que na residência universitária.

Como chegar à Aix-en-Provence: o Aeroporto mais próximo é Marseille Provence. Um ônibus faz o traslado aeroporto – rodoviária d’Aix (que fica no centro), passando também pela estação do trem (quem quiser dar um pulinho em Paris antes de vir ou ir pra Paris depois, em três horinhas o TGV percorre a distância de mais de 700km!).

A experiência é extremamente enriquecedora e pode ser uma forma diferente de aproveitar as férias!

2 Comentários leave one →
  1. Vera M. Almeida permalink
    20/09/2012 13:49

    Bom dia Natalia,
    Adorei seu relato. Vou me aposentar em 2013 e gostaria de morar na Europa. Não precisarei trabalhar. Pensei na Espanha porque estudei a língua, mas…detesto calor, e muita atividades. Quero uma cidade pequena, de preferência num país com elevada educação. Pensei na suíça ou no interior frança, mas estava com medo de não conseguir aprender o francês nesta altura da vida, mas lendo suas dicas me animei. Talvez eu possa ficar estudando durante um ano, para depois conseguir alguma espécie de autorização para continuar vivendo no país. Se você puder me dar mais algumas dicas eu agradeceria de coração. abs Vera

  2. Helenaide Gomes permalink
    14/06/2013 11:58

    Quero fazer doutorado na área de ciências biológicas, se possível na região da Bretanha – Nantes. Agradeço informações….

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