Lorna
Birmingham, Alabama -EUA
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Não é segredo que o americano é competitivo. A competição é a alma do capitalismo então é algo importantíssimo para a continuidade do sistema. O que talvez você não saiba é que a competitividade é passada para as crianças como um valor (assim como boas maneiras, o respeito ao próximo) e saber competir é como beber água, talvez ainda mais importante já que tem gente que troca a água por refrigerante.

Competir faz parte do dia a dia. Aqui tem prêmio para tudo e as competições começam já na infância. Tem competição de basquete, animadoras de torcida, futebol e essa vida começa bem cedo. Competição para soletrar, para conseguir vender mais caixas de chocolate. Prêmio para tudo que você puder imaginar. Daí surge às listas: as 10 melhores isso, os 20 melhores aquilo. Porque americano ama uma lista de melhores.

O que é interessante é a preparação para participar de uma competição. Sim, porque ninguém vira um time sem uma preparação mínima. E pode ser o time de futebol dos colegas do trabalho ou competição entre famílias, tudo tem uma preparação. Primeiro, óbvio, define-se o nome da equipe, depois vem à compra do uniforme. Decisão da cor da camisa, do tamanho da letra, é todo um planejamento. Claro que sempre tem um membro que entende de tática, um segredinho para melhorar o desempenho. Aí a galera se envolve mesmo, todo mundo quer ganhar.

E gente, pode ser uma disputa de gudes (nunca vi por aqui)  ou aquele pingue-pongue (que você tem de acertar a bola no copo de bebida do adversário) que o pessoal se empenha mesmo. Claro, tem gente muito competitiva e gente que leva mais na brincadeira, mas se tem uma coisa que eu aprendi é que eu tenho que pensar muito antes de me juntar em um jogo qualquer ou brincadeira com americano. Às vezes, muitas vezes, a coisa sai de proporção e um simples jogo de bunco (típico no sudeste dos EUA) vira um pé de guerra.