Julio Cesar Caruso
Japão
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Não é à toa que muita gente quando pensa em Japão, pensa em robôs e tecnologia de ponta. É verdade, não vou negar. Aqui tem umas coisas bem modernas. Mas o que algumas pessoas não sabem é da existência de humanos robotizados. Bom, é assim pelo menos que nós estrangeiros que vivemos no Japão enxergamos algumas vezes alguns japoneses. Tem gente que vê como mera diferença cultural e pronto, mas vou lhes contar, tem vezes que irrita e tem vezes que dá pena.

Muitas vezes, confesso, vejo com desprezo, a falta de sentimento, a repetição automática e a falta de jogo de cintura que há nesse país. Eu costumo dizer que uma vez imputada alguma informação na cabeça de um japonês, adeus, ele só vai fazer aquilo daquela maneira. Lembro-me de vários casos que comprovam isto. Como por exemplo, a mulher do Starbucks que perguntou se era para viagem o pó de café que o cara estava levando! Primeiro achei estranho porque no Starbucks eles não costumam perguntam isto. No Mac Donalds daqui sim, eles perguntam se vai consumir no local ou levar para a viagem. Sempre! Mas como ela deve ter recebido ordens para perguntar a TODOS, dito e feito. Mesmo o cara estando com um pacote de pó de café na mão, a mulher faz a mesma pergunta que fez para as 300 pessoas que atendeu antes! Lembrei também da clínica pediatra que fui com uma amiga e uma japonesa estava distribuindo bolas de encher para as crianças que saíam da clínica. Acho que a chefe mandou dar para TODAS as crianças e por isso, até a filhinha da minha amiga, de 7 meses que estava no colo teria ganho, se a mãe tivesse com as mãos livres na hora de sair! A mulher não pode pensar que bebês de colo não estão nem aí para bolas de encher e pelo contrário, se estouram elas podem se assustar?! Achei o cúmulo!

Bom, claro que estes são exemplos versão “light”, digamos. Porque as vezes que os caras não pensam e não conseguem se adequar à determinada situação para agir de uma determinada forma, isso sim, dá nos nervos! Não estou falando de dar jeitinho em nada. Também não sou a favor de jeitinho brasileiro. Eu digo agir conforme a situação.

Mas, outras vezes, confesso também, admiro muito a seriedade com o compromisso, a dedicação e a paciência que os japoneses têm. Vocês precisam ver como é o atendimento de um japonês em uma loja. Educados? Sim, claro! Sem dúvida! Aqui acho que é o melhor atendimento do mundo! Mas o que me chama a atenção é a falta de imaginação, – ops, era para falar bem neste parágrafo – bom, mas o que me chama a atenção é que eles conseguem falar exatamente as mesmíssimas coisas para TODOS os clientes! Sem exceção! Frases como: “Bem-vindo. O senhor já decidiu o que vai pedir? Se ainda não, fique à vontade e quando precisar me chamar, basta apertar o botão”. Esta é a frase que a mulher falava no restaurante que eu fui dia desses e que havia um botão na mesa para chamar a garçonete! Imaginem vocês que ela fala exatamente TUDO igual, sem mudar uma vírgula, para TODOS os clientes que chegam!! Eu ali escutei a frase pelo menos umas 11 ou 12 vezes porque era hora do almoço e o entra e sai era frequente. A mulher, sem brincadeira, falava sempre TUDO igual da mesma maneira! “Bem vindo. O senhor já decidiu o que vai pedir? Se ainda não, fique à vontade e quando precisar me chamar, basta apertar o botão”, “Bem vindo. O senhor já decidiu o que vai pedir? Se ainda não, fique à vontade e quando precisar me chamar, basta apertar o botão” e chegava mais um e lá ia ela: “Bem vindo. O senhor já decidiu o que vai pedir? Se ainda não, fique à vontade e quando precisar me chamar, basta apertar o botão”…

Entendo que ela é paga para dizer aquilo. Mas me chama a atenção sempre esse tipo de gente que não sabe usar sinônimos. Não digo deixar de perguntar e descumprir ordens. Não, mas perguntar a mesma coisa de outra maneira! Mas não, eles têm uma tremenda facilidade de repetir a mesma coisa, não só falada, mas a ação em si, diversas e diversas vezes sem mudar um aí! O carinha da foto por exemplo, recebe para avisar aos passageiros do trem que a escada rolante está com defeito e sugerir que as pessoas façam uso de outras escadas. Vocês acreditam que ele ficou horas e horas repetindo o mesmo texto várias e várias vezes sem mudar nada! Era como dizer: “Desculpem o transtorno, mas atualmente a escada está em manutenção. Pedimos aos passageiros que, por favor, utilizem as outras escadas disponíveis. Mais uma vez desculpe-nos pelo transtorno e obrigado por utilizar nossos serviços”. OK. Vocês acharam linda a mensagem? Pois é, eu também! Mas ponha-se no lugar dele, ou mesmo, imagine contratar um brasileiro para dizer isso tudo, igualzinho, tim-tim por tim-tim, sem mudar uma vírgula, 200 vezes ao dia! Você conseguiria?! Bom, eu, aceitaria este emprego na boa se estivesse precisando de dinheiro, mas acho que na décima vez, eu usaria sinônimos e tentaria mudaria a ordem das palavras e faria qualquer coisa para não me sentir mais um robô humano no Japão.